República Federal da Nigéria

República Federal da Nigéria

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Abuja
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Muhammadu Buhari
  • Governo: República federativa presidencialista
  • Religião: Islamismo 51,6%, cristianismo 46,9% e crenças nativas 9%
  • Idioma: Inglês (oficial), yoruba, ibo, hausa
  • Pontuação: 80

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

Com 80 pontos, a Nigéria se classificou em 12º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019. No ano anterior, ela estava em 14º, com uma pontuação de 77. Os pontos de perseguição média subiram de 12,1 para 12,7, refletindo um aumento diário da pressão na vida dos cristãos que vivem em comunidades predominantemente muçulmanas no norte. A pontuação para violência também aumentou para 16,7, que é o máximo possível. A violência contra os cristãos pelo Boko Haram e pastores islâmicos fulani tem causado muita dor entre os cristãos na parte nordeste do país e no Cinturão Médio.

A Nigéria é um gigante na África repleto de problemas complicados. Devido ao seu tamanho e recursos humanos e naturais, tem potencial para ser uma força enorme no continente. No entanto, a instabilidade política, a insegurança e a corrupção desenfreada que caracterizaram o país durante décadas ainda persistem e enfraquecem a Nigéria consideravelmente.
 

“Eu acredito que Deus cuidará de nós e com certeza nos ajudará, porque ele sabe de tudo.”
CRISTÃ DESALOJADA NIGERIANA
 

As tensões regionais, étnicas e religiosas e a competição entre os políticos ampliam o problema. A maneira como essas questões forem abordadas determinará se a Nigéria poderá ou não realizar o seu potencial e se tornar um país próspero e estável. No entanto, tudo indica que a Nigéria continuará a ser um país que luta para não afundar. Enquanto a nação caminha para uma eleição presidencial em fevereiro de 2019, é muito difícil prever a aliança política e as novas ameaças de segurança que podem surgir.

A hostilidade em relação aos cristãos é comumente difundida pelo ensino e pela prática islâmica radical. Isso é reforçado pelo fato de que o islã é a religião dominante na parte norte da Nigéria, enquanto o cristianismo é dominante no sul. A rivalidade entre grupos étnicos no sul e no norte muitas vezes contribui para a perseguição aos cristãos. Grupos armados radicais como Boko Haram e pastores muçulmanos fulani têm sido particularmente ativos na perseguição aos cristãos no norte da Nigéria e na região do Cinturão Médio. A violência na área do Cinturão Médio indica que a perseguição violenta aos cristãos no país está se espalhando para o sul. Além disso, há corrupção em todos os níveis de governo, e grupos criminosos, muitas vezes organizados ao longo de linhas étnicas, estão envolvidos no tráfico humano e de drogas. Ambos provocam a perseguição aos cristãos.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Embora a rivalidade entre muçulmanos do norte e cristãos do sul sempre existiu, desde a independência do país, essa não tem sido a maior preocupação. Entretanto, nos últimos anos, a rivalidade se intensificou por meio das ações do grupo Boko Haram. O impacto desse grupo radical islâmico é imenso. O grupo extremista realizou muitos ataques violentos contra os cristãos nos estados do norte, que resultaram em mortes generalizadas e na destruição de igrejas.

A maioria dos cristãos na parte sul do país vive num ambiente em que a liberdade religiosa é respeitada. No entanto, os cristãos no norte e no Cinturão Médio enfrentam violência cometida por grupos radicais islâmicos. Essa violência geralmente resulta em mortes, lesões corporais, bem como perda de propriedade. Como resultado da violência, os cristãos também são despojados de suas terras e meios de sustento. Os cristãos no norte da Nigéria, especialmente nos estados onde a sharia (conjunto de leis islâmicas) governa, enfrentam discriminação e exclusão como cidadãos de segunda classe. Os cristãos ex-muçulmanos também enfrentam a rejeição de suas próprias famílias, que os pressionam a desistir do cristianismo.

A corrupção enfraqueceu o Estado e tornou-o disposto a proteger os cristãos da violência cometida por grupos como o Boko Haram. Às vezes, as igrejas são usadas como veículos para lavagem de dinheiro; as igrejas que são percebidas como associadas a essa atividade criminosa (ou seja, recebem doações de benfeitores criminais), muitas vezes, acabam sendo alvo de violência relacionada ao crime.

Em 17 de fevereiro de 2018, militantes do Boko Haram atacaram plantações de cristãos em uma vila no estado de Borno. O ataque, onde 106 pessoas foram mortas, teve como alvo específico homens da comunidade cristã. Em 24 de abril, pastores muçulmanos fulani atacaram uma igreja durante um culto matinal, matando dois líderes cristãos e 17 membros no estado de Benue. Eles então foram para a comunidade local e queimaram 60 casas, plantações e celeiros. Em 23 de junho, 120 cristãos também foram mortos por pastores fulani no estado de Plateau enquanto voltavam de um funeral. Igrejas da área cancelaram os cultos no dia 24, por medo de mais ataques.
 

A Nigéria, um país com a maior população na África e uma grande força política e econômica na África Ocidental e no continente em geral, é um legado do domínio colonial britânico. A área que hoje é chamada Nigéria costumava ser controlada por diversos pequenos reinos africanos antes de ser colônia britânica. A conquista do que agora é a Nigéria começou com a anexação de Lagos como colônia da coroa britânica na década de 1850, o que levou ao estabelecimento de mais protetorados e colônias na região. Após a junção dessas várias colônias e protetorados em 1914, surgiu a Colônia e Protetorado da Nigéria.

Desde que ganhou independência em 1960, a Nigéria passou por uma série de administrações civis que foram derrubadas pelo exército. Depois de 16 anos de governo militar por quatro generais diferentes, em que a transição para a democracia e o governo civil foi continuamente adiada, a Quarta República foi inaugurada com uma nova constituição em 1999.

A transição que surgiu na Nigéria há mais de 15 anos aconteceu em parte devido à morte súbita do ditador militar e general, Sani Abacha. Após sua morte, seu sucessor, o general Abdulsalami Alhaji Abubakar, supervisionou uma rápida transição para o domínio civil e promulgou uma nova constituição. Desde a retomada do regime constitucional na Nigéria em 1999, o Partido Popular Democrata emergiu como o partido dominante ganhando todas as eleições presidenciais, exceto as eleições presidenciais de 2015.

O país entrou em um novo capítulo da história em maio de 2015, quando Goodluck Jonathan foi derrotado nas eleições presidenciais e passou o poder à oposição. Nos últimos anos, o país tem lutado contra a insurgência em partes da região do Delta do Níger e islâmicos radicais no norte do país. A administração do presidente Buhari afirma que o Boko Haram foi derrotado em termos militares. No entanto, o Boko Haram continua a ser uma ameaça para os nigerianos, em particular na parte norte do país. Ataques predominantemente contra fazendeiros cristãos na região do Cinturão Médio da Nigéria pelo grupo muçulmano de pastores fulani também têm se tornado um sério problema, que tem crescido.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

A etnicidade e a religião desempenham um papel importante na política nigeriana. Os políticos tentam mobilizar o apoio direta e indiretamente apelando para a solidariedade étnica e religiosa. Historicamente, os políticos muçulmanos hausa-fulani são percebidos como sendo dominantes na política nigeriana, especialmente devido ao seu domínio no exército, que sempre foi um fator importante na política local.

O principal ponto de disputa na política nigeriana é a distribuição da receita derivada dos consideráveis recursos petrolíferos do país. A corrupção é desenfreada e um grave problema na Nigéria, tanto a nível federal como estadual.

A Nigéria é um Estado federal desde sua independência em 1960. Os britânicos tentaram dividir o país de acordo com os três principais grupos étnicos estabelecendo três estados federais com os hausa no norte, os yoruba no sudoeste e os igbos no sudeste. Isso gradualmente levou a um sério conflito tribal depois da independência e os governos do país foram forçados a estabelecer mais estados; atualmente há 36 estados. Desde a virada do século 21, 12 estados do norte da Nigéria adotaram a sharia (conjunto de leis islâmicas), tornando o islamismo cada vez mais influente.

A violência política também é uma característica da política nigeriana. Além da guerra civil Biafra da década de 1960, a insurgência em curso no Delta do Níger mostra a persistência da violência política, mesmo na Nigéria contemporânea.

A Nigéria é classificada na posição 152 em 188 países no Índice de Desenvolvimento Humano de 2018 (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O IDH é uma estatística composta por indicadores de expectativa de vida, educação e renda per capita. Um país registra um IDH mais elevado quando a expectativa de vida ao nascer, o período de educação e o rendimento per capita são maiores. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2018 da ONU, a expectativa de vida média dos nigerianos é de 53,1 anos e a taxa de alfabetização de adultos é de 59,6%. A Nigéria tem uma população muito jovem e uma alta taxa de desemprego. Em termos econômicos, bem como na prestação de serviços sociais, o norte do país é menos avançado em comparação com o sul.

A exportação de petróleo bruto é a principal fonte de receita para o Estado nigeriano e o pilar da economia. Em 2016, o país experimentou outra grave crise econômica e foi forçado a desvalorizar sua moeda novamente.

Religiões tradicionais africanas eram dominantes na parte sul do país antes de missionários europeus introduzirem o cristianismo. A primeira missão cristã que alcançou a Nigéria foi durante o domínio português na costa atlântica nos séculos 15 e 16. No entanto, durante esse período, os católicos portugueses deram prioridade às atividades econômicas e políticas, por isso a missão cristã não avançou e a maior parte do país continuou seguindo as religiões tradicionais africanas.

Após a abolição do tráfico de escravos transatlânticos pelo império britânico em 1807, outra séria tentativa foi feita para reintroduzir o cristianismo na Nigéria. Os escravos libertados que já haviam se convertido tornaram-se fundamentais na evangelização da população indígena. O caso de Samuel Adjai Crowther, que foi o primeiro sacerdote anglicano nigeriano, pode ser tomado como exemplo. Ele desempenhou um papel fundamental na evangelização em Yorubaland. Depois de testemunhar o sucesso de Crowther, os anglicanos da Sociedade Missionária da Igreja, os metodistas, os batistas e os católicos romanos aumentaram os esforços para ter uma forte presença cristã na Nigéria.

À medida que o cristianismo começou a florescer na Nigéria, as questões de discriminação, marginalização das elites africanas e disputas sobre os recursos, começaram a instigar cristãos contra cristãos e muitas divisões da igreja resultaram disso.

A Igreja Africana dos Estados Unidos e a Igreja Africana (Bethel) se separaram da Igreja Anglicana em 1891 e 1901, respectivamente. Em 1917, a Igreja Metodista Africana Unida separou-se da Igreja Metodista. Desde 1950, as igrejas e grupos pentecostais tornaram-se muito visíveis.

Missionários cristãos foram menos bem-sucedidos no norte do país onde os reinos tribais hausa-fulanis já eram muçulmanos. Houve poucas conversões de muçulmanos para o cristianismo durante o período colonial.

REDE ATUAL DE IGREJAS

De acordo com as estatísticas do World Christian Database (WCD), as maiores denominações cristãs na Nigéria hoje são: Igreja Católica na Nigéria, Igreja Anglicana da Nigéria, Igreja Evangélica da África Ocidental, Convenção Batista da Nigéria, Igreja Apostólica da Nigéria, Igreja Celestial de Cristo, Sociedade de Igrejas de Cristo da Nigéria e Assembleia de Deus na Nigéria.

Além da etnia, a religião é uma das falhas significativas na Nigéria. O sul da Nigéria é predominantemente habitado por cristãos, enquanto o norte é habitado principalmente por muçulmanos. Isso se deve principalmente às restrições impostas à atividade missionária no norte do país durante a época colonial e a dominação de comerciantes muçulmanos operando na parte norte do país antes e durante o período colonial.

Essa divisão religiosa regional também coincide com a divisão étnica na Nigéria. Entre os três principais grupos étnicos estão: os hausa-fulani do norte, predominantemente muçulmanos; os igbos do sul e do leste, principalmente cristãos; e os yorubas do sudoeste que possuem uma população muçulmana e cristã significativa. A próxima eleição geral está marcada para acontecer em fevereiro de 2019. Como em anos anteriores, essa eleição também parece que será controversa.

A religião desempenha um papel fundamental na sociedade nigeriana. De acordo com dados do WCD, 46,1% da população é muçulmana. Embora a Nigéria seja constitucionalmente um Estado secular com liberdade de religião consagrada na constituição, há quase 40 anos a elite governante do norte vem dando tratamento preferencial aos muçulmanos e discriminando os cristãos. Desde 1999, a sharia (conjunto de leis islâmicas) está imposta em doze estados do norte, para a preocupação dos cristãos, causando um alto nível de tensão. Além disso, na região do Cinturão Médio da Nigéria, os pastores/colonos muçulmanos hausa-fulani estão matando e deslocando cristãos e se apossando de suas terras agrícolas. Pouco foi feito para interromper a perseguição aos cristãos nessas áreas.

No contexto nigeriano, grupos islâmicos armados como o Boko Haram, bem como os radicais que muitas vezes são conhecidos como pastores muçulmanos fulani (pastores de cabras), são os principais impulsionadores da perseguição. Esses grupos são responsáveis pelos incidentes mais violentos de perseguição, como ilustrado no assassinato e deslocamento de cristãos no norte da Nigéria e na região do Cinturão Médio. Além desses grupos, funcionários do governo e políticos – particularmente a nível estadual – também são fontes de perseguição na parte norte do país onde a sharia foi implementada como lei estadual. As pessoas comuns – particularmente a família direta e indiretamente – também são fontes de perseguição quando se trata de cristãos ex-muçulmanos.

  • A sharia foi implementada em 12 estados do norte e os cristãos têm enfrentado muita marginalização na provisão de educação, empregos, assistência médica, etc. Ore para que esses cristãos não sejam desencorajados, mas tenham a graça de continuar servindo a Deus, apesar da perseguição, e sejam cheios de esperança. Ore para que eles não sejam tentados a desistir da fé em busca de uma vida mais fácil.
  • Apesar do governo ter prometido o fim da violência do Boko Haram, os ataques têm continuado em certas áreas do norte. No Cinturão Médio, cristãos também têm suportado com frequência as consequências dos grupos fulani, que atacam vilas cristãs, matam pessoas, destroem casas e propriedades e ocupam terras cultivadas. Ore para que o governo faça todo o possível para proteger as comunidades contra violências futuras. Ore para que haja justiça contra todos os responsáveis pela violência. Ore pela provisão do Senhor para todos os que foram desalojados por conta dela.
  • Apesar dos desafios, a igreja continua crescendo na Nigéria. Ore por sabedoria, coragem e verdadeira servidão aos pastores, enquanto servem esses cristãos que, com frequência, enfrentam desafios. Ore para que eles tenham os recursos necessários para levar suas congregações ao conhecimento total de Deus, cheios de esperança e perseverança.
  • Os parceiros da Portas Abertas unidos à igreja local fortalecem, apoiam e equipam os cristãos perseguidos no nordeste da Nigéria, por meio de preparação para perseguição, educação cristã, transformação comunitária, cuidado com novos cristãos e discipulado, desenvolvimento de liderança, assistência legal, aconselhamento pós-trauma e ajuda emergencial. Ore para que esses esforços glorifiquem a Deus. Ore por fortalecimento, proteção e sabedoria divina para os trabalhadores enquanto interagem com os de coração partido. Ore para que seu cuidado com compaixão transmita para nossos irmãos e irmãs que eles são amados e não estão sozinhos.

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