República da União de Mianmar

República da União de Mianmar

  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso
  • Capital: Nay Pyi Taw
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Win Myint
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Budismo, cristianismo, islamismo, animismo e hinduísmo
  • Idioma: Birmanês e dialetos
  • Pontuação: 71

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

Mianmar, a antiga Birmânia, alcançou 71 pontos na Lista Mundial da Perseguição 2019, com um aumento de 6 pontos comparado ao ano anterior, chegando à 18ª posição. Enquanto a pressão aos cristãos aumentou mais e convertidos (do budismo, islamismo e tribos) continuam enfrentando forte perseguição, especialmente da família e comunidade, a situação no estado de Wa se deteriora de forma rápida e inesperada, aumentando a pontuação da violência em mais três pontos.

Considerando que Mianmar foi o palco de muitas notícias positivas nos últimos anos, parece que o tempo bom acabou. A comunidade internacional concentra-se agora na situação da minoria muçulmana rohingya, que está realmente ruim. Em toda a publicidade sobre essa situação, é menos conhecido que existe um pequeno grupo de cristãos ex-muçulmanos entre os rohingya que foram afetados pelo súbito aumento da violência e também precisaram fugir. Esses cristãos não só enfrentam perseguição por causa de sua afiliação étnica, mas também porque suas famílias e comunidades muçulmanas pressionam para que retornem ao islamismo.


“A melhor coisa é ver as vidas das pessoas sendo transformadas e se dedicando a Cristo. Isso me dá alegria... alegria que eu não posso expressar completamente.”
TUN (PSEUDÔNIMO), PASTOR LOCAL
 

O que a mídia mundial também tende a ignorar são os intensos combates em áreas predominantemente cristãs, como Kachin e o norte do estado de Shan. Os cristãos são mortos, detidos e forçados a fugir para viver em circunstâncias terríveis, com dezenas de milhares em campos de refugiados. Como o acesso a essas regiões é muito limitado, a situação é amplamente ignorada, exceto por uma recente visita do presidente do Comitê Internacional da Sociedade da Cruz Vermelha, Peter Maurer, em março de 2017. Porém, é improvável qualquer melhoria a curto prazo. No período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018) não houve alívio; o acesso tem sido bloqueado vez após vez.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• A maioria dos cristãos é extremamente pobre, em especial nas áreas rurais. Muitos são analfabetos ou semialfabetizados, não qualificados e vivem em condições miseráveis. Isso acontece devido ao abandono do governo em relação às necessidades de desenvolvimento social das pessoas, especialmente dos cristãos.

• Grande parte dos nascidos em família cristã pode esperar uma vida de pobreza, discriminação e opressão. Os cristãos perseguidos costumam viver juntos, de modo que sua locomoção pode ser monitorada facilmente. Eles são discriminados em oportunidades de educação e emprego, especialmente porque a maioria pertence às minorias étnicas.

• Entre as muitas pessoas deslocadas em Mianmar, cerca de 100 mil cristãos estão em campos de refugiados em Kachin e no norte de Shan, esperando que as guerras entre o governo e os exércitos de minorias étnicas cessem para que possam retornar às suas aldeias. Além disso, mais de dez mil estão refugiados em campos na China e na Tailândia.

• Os pastores e os líderes da Igreja Perseguida no campo dificilmente podem prover sustento para as famílias, dada a incapacidade da igreja local de fornecer até mesmo o mínimo apoio ministerial e ofertas.
 

Em 1948, Mianmar tornou-se independente da Grã-Bretanha. De 1962 a 2011, o país foi governado por uma junta militar opressiva. Começou então um processo gradual de democratização, notadamente visível nas eleições ganhas pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, em novembro de 2015. No entanto, enquanto o exército continuar a ser um fator político tão forte e tão profundamente envolvido no comércio legal e ilegal, que afeta principalmente áreas de maioria cristã, não pode ser esperada nenhuma mudança importante.

Aung San Suu Kyi iniciou uma série de conferências de paz, as chamadas "Conferências de Panglong", a mais recente em julho de 2018, mas como não incluíram todos os grupos de minorias étnicas, a situação não mudou muito. Parece que as coisas só podem mudar se o exército extrair algum tipo de benefício em reduzir sua influência política. Mesmo assim, existem problemas suficientes para complicar qualquer solução pacífica: por exemplo, pessoas do exército e alguns insurgentes étnicos estão envolvidos no tráfico de drogas e na exploração de recursos, como jade e madeira. A construção da confiança continua a ser fundamental, mas será impossível desde que continuem as ofensivas do exército contra a minoria Kachin, em grande parte cristã, e os combates no norte do estado de Shan, deslocando dezenas de milhares.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

O resultado das eleições de novembro de 2015 levantou muitas esperanças no país e no exterior de que a guerra civil mais duradoura do mundo poderia finalmente ser levada ao fim. Mas depois de quase dois anos do governo, a esperança está diminuindo, refletindo a forte posição que o exército mantém na política do país. Pelo contrário, lutas em Kachin e no nordeste do estado de Shan até aumentaram no início de 2018. O fato de ter um cristão étnico Chin como vice-presidente e um cristão liderar a Alta Câmara do Parlamento não mudou nada no terreno.

Embora as eleições tenham sido importantes e encorajadoras, deve-se ter em mente que o exército reservou 25% dos lugares disponíveis. Além disso, as minorias étnicas consistem em várias dezenas de grupos que compõem mais de 30% da população do país, muitos deles sendo cristãos ou que contêm grandes grupos cristãos. O governo precisa construir confiança com eles, o que é um grande desafio depois de décadas de guerra. Aung San Suu Kyi, apesar de todas as suas conquistas pessoais e integridade, é basicamente considerada um membro da nobreza do país, que não está seriamente interessada na situação das minorias étnicas e religiosas.

Mianmar é potencialmente um país rico, pois possui vastos recursos naturais, por exemplo, de petróleo e gás, ainda mais de madeira, ouro e jade, que valem bilhões de dólares. Também tem um enorme potencial na exportação de energia renovável por meio do fornecimento de energia hidráulica aos países vizinhos. No entanto, o país enfrenta muitos problemas ambientais e o governo irritou sua vizinha, a China, que parou a construção de uma grande barragem no estado de Kachin.

As autoridades militares também dominam alguns setores industriais, como a produção de energia. A exploração madeireira também é gerida pelo exército através de parcerias privadas e canais ilícitos. A madeira está localizada principalmente em territórios étnicos e, como a exploração madeireira não foi realizada de forma sustentável, os estoques estão diminuindo. Mas ainda é uma importante fonte de renda, tanto para o exército como para os insurgentes étnicos. Jade é outra mercadoria que o exército explora e há muito mais dinheiro nela, pois é um negócio multimilionário. Se os assentamentos cristãos estão no caminho, uma vez que pertencem às minorias étnicas, eles simplesmente serão perseguidos sem ninguém se importar.

Outra fonte ilícita, e supostamente crescente, de renda é o cultivo de papoula e a exportação de drogas. Mianmar é o segundo maior produtor, ficando atrás do Afeganistão, e o exército e a insurgência étnica estão envolvidos nesse negócio. Há relatórios que fornecem provas circunstanciais de que o exército está levando deliberadamente minorias étnicas como o Kachin para a dependência de drogas, especialmente a juventude, para evitar que elas se juntem aos grupos extremistas étnicos, algo que muitos tendem a fazer devido à falta de perspectiva no futuro.

Os missionários católicos entraram pela primeira vez em Mianmar em 1554. Até 1613, no entanto, houve uma presença permanente de cristãos, com igrejas em Ava, Sirian e cerca de trezentos católicos em Rangum. Mas o crescimento foi tão perturbado pelas guerras entre Mianmar e Tailândia nos dois séculos seguintes que uma população cristã com total de cinco mil pessoas em 1800 caiu para cerca de três mil em 1832.

À medida que o controle britânico se ampliou na primeira metade do século 19, o crescimento protestante, principalmente batista, fez grandes avanços. Em 1813, o missionário americano, Adoniram Judson, chegou ao país para servir por quase 40 anos. Ele traduziu a Bíblia para o birmanês em 1834.

Em 1966, o governo expulsou todos os missionários estrangeiros, mas aí a igreja já havia se tornado autossustentável. Como muitos cristãos pertencem às minorias étnicas, como Kachin, Chin, Shan e Karen, o cristianismo é visto com alguma suspeita. Isso pode até aumentar após a publicação dos últimos números sobre a filiação religiosa em 2014, que mostrou um forte crescimento do cristianismo.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Além dos católicos romanos, os anglicanos também estão presentes, mas a Igreja Batista é particularmente forte entre os povos de Kachin: 85% da população total no estado de Kachin é cristã. Existe também uma infinidade de outras denominações, algumas das quais são afiliadas, por exemplo, da Assembleia de Deus e da Metodista.

Mianmar é predominantemente budista e os budistas desempenharam um papel na luta contra o regime militar em 2007. Antes disso, os grupos budistas radicais não tinham sido muito políticos, mas quando surgiu o movimento “969” (mais tarde chamado “Ma Ba Tha”), isso rapidamente mudou. Esse grupo tem uma agenda nacionalista e convida outros religiosos a defender o país contra qualquer ameaça.

Em agosto de 2015, antes das primeiras eleições livres e justas, o grupo Ma Ba Tha conseguiu apresentar as “Leis para a Proteção da Raça e Religião”. Essas visam, em primeiro lugar, ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya do estado de Rakhine, que vivem nas fronteiras com Bangladesh.

A minoria dos muçulmanos não tem cidadania e a maioria deles habita em campos de deslocados internos ou deixou o país devido à perseguição em curso. Um ataque mortal contra um posto fronteiriço em outubro de 2016, deixando nove mortos e reivindicado por um grupo islâmico radical, levou as autoridades a se tornarem ainda mais ativas contra os muçulmanos. A retórica e as ações do Ma Ba Tha também se tornaram mais radicais, levando as autoridades a proibirem as ações do grupo em maio de 2017. Isso, por sua vez, levou-os a anunciar que continuariam seu trabalho sob um nome diferente, mas foram banidos novamente em 2018.

”Associação Patriótica de Mianmar” é o novo nome do grupo extremista Ma Ba Tha, e foi fundada em janeiro de 2014 com o objetivo de defender o Budismo Theravada contra supostas ameaças. Em primeiro lugar, isso significava ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya, mas os cristãos também foram pressionados por monges.

A adoção das chamadas “Leis sobre a Proteção da Raça e Religião” de agosto de 2015 foi celebrada por grupos nacionalistas budistas, como o Ma Ba Tha, em todo o país. Considerando que essas leis visam principalmente a minoria muçulmana no estado de Rakhine, os cristãos também são afetados por elas: as conversões devem seguir um processo administrativo, incluindo a notificação de diferentes autoridades. Qualquer casamento misto exige, na prática, uma conversão para o budismo, protegendo assim mulheres budistas de homens muçulmanos.

O budismo radical tem visado os muçulmanos mais do que os cristãos, mas os relatórios dizem que os monges budistas continuam a converter os filhos de minorias cristãs atraindo-os para os templos. Uma perseguição mais forte vem do exército, no entanto, onde até mesmo assassinatos de cristãos perseguidos são relatados. Resta saber se a perseguição por monges e grupos budistas radicais se intensificará devido ao censo do governo de 2014, que revela um aumento surpreendente no número de cristãos; de 4,6% em 1973, subiu para 6,2%, mesmo que um grande número de cristãos das regiões devastadas pela guerra no estado cristão de Kachin, não entre nessa conta.

Os cristãos em Mianmar consideram esse número muito baixo, já que a contagem não foi realizada em Kachin. A maioria dos cristãos pertence às minorias étnicas e não à maioria birmanesa. De acordo com o censo, os budistas representam 87,9% e os muçulmanos 4,3% (porém, cerca de um milhão de muçulmanos rohingya não foram contados).

A recente proibição dos movimentos radicais budistas não causou mudança nenhuma, pois eles encontraram outras formas de continuar. Famílias budistas, muçulmanas e tribais perseguem os parentes que se convertem ao cristianismo, pois a conversão é vista como traição familiar e comunitária. Até mesmo nos estados predominantemente cristãos, as igrejas estão sendo atacadas. Mais de cem mil cristãos vivem como deslocados no país e não têm acesso à comida e cuidado à saúde. Funcionários do governo local, especialmente das áreas rurais, são frequentemente tendenciosos em relação aos líderes budistas. Isso significa que as minorias, como os cristãos, que em muitos casos são uma minoria religiosa e étnica, são desfavorecidas e não têm como procurar justiça. Esses cristãos, além disso, padecem com a brutal, e quase esquecida, guerra de longo prazo no país.

Essa violência é alimentada por uma crescente ênfase no budismo e a exclusão de todas as outras minorias, bem como por uma guerra contínua contra insurgências, afetando – entre outros – predominantemente os estados cristãos de Kachin, Shan e Karen. Essa guerra passa despercebida, encoberta pela situação amplamente divulgada dos muçulmanos rohingya.

Na maioria das escolas, antes do início das aulas, todos os alunos são obrigados a recitar um ensino budista ou uma oração, incluindo os não budistas. Os convertidos são discriminados de várias maneiras. Um professor se recusou a dar a um aluno cristão uma lista de perguntas fornecidas a outros para estudar para uma prova. Em outro caso, quando uma família vendeu um terreno, os ganhos foram distribuídos a todos os irmãos da família, exceto ao convertido.

Em 31 de janeiro de 2018, dois cristãos desapareceram em Mansi, no estado de Kashin, vistos pela última vez em custódia do exército. Seus corpos foram encontrados em março, pode-se presumir com certeza que eles foram torturados e mortos pelo exército, apesar da comissão de direitos humanos considerá-los insurgentes.

Ainda de acordo com um relatório de julho de 2018, o exército birmanês destruiu mais de 60 igrejas em 18 meses. Entre elas, estão igrejas e escolas cristãs. Dois batistas, Langjaw Gam Seng e Dumdaw Nawng Lat, foram presos pelo exército em janeiro de 2017, quando mostraram a um jornalista uma igreja que tinha sido bombardeada. Eles foram sentenciados a até quatro e dois anos, respectivamente, em 29 de outubro do mesmo ano. Eles foram soltos em abril de 2018, após a anistia geral presidencial. Em setembro de 2018, um grupo insurgente comunista, United Wa State Army (UWSA), que controla parte leste do estado de Shan, fechou todas as igrejas construídas depois de 1992 e deteve mais de 100 pastores, líderes das igrejas e alunos de estudo bíblico.

  • Ore pelos cristãos perseguidos, que fazem parte de minorias étnicas também, que eles ministrem amavelmente aos muçulmanos rohingya, que também são perseguidos, especialmente aqueles que escolheram voltar do exílio em Bangladesh. Peça que muitos corações estejam abertos para a verdade de Cristo.
  • Cristãos ex-muçulmanos e ex-budistas enfrentam forte pressão de suas famílias, amigos e vizinhos para abandonarem a fé. Com as leis introduzidas recentemente, a conversão se torna muito complicada, embora não seja completamente proibida. Ore para que eles tenham coragem e resistência frente à perseguição. Peça pelo aumento da liberdade religiosa.

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