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República da União de Mianmar (Burma)

República da União de Mianmar (Burma)

  • Fonte de Perseguição: Nacionalismo religioso
  • Capital: Nay Pyi Taw
  • Região: Sudeste Asiático
  • Lider: Htin Kyaw
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Budismo
  • Idioma: Birmanês e dialetos
  • Pontuação: 65

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

Considerando que Mianmar foi o palco de muitas notícias positivas nos últimos anos, parece que o tempo bom acabou. A comunidade internacional concentra-se agora na situação da minoria muçulmana rohingya, que está realmente ruim. Em toda a publicidade sobre essa situação, é menos conhecido que existe um pequeno grupo de cristãos ex-muçulmanos entre os rohingya que foram afetados pelo súbito aumento da violência e também precisaram fugir. Esses cristãos não só enfrentam perseguição por causa de sua afiliação étnica, mas também porque suas famílias e comunidades muçulmanas pressionam para que retornem ao islamismo.

O que a mídia mundial também tende a ignorar são os intensos combates em áreas predominantemente cristãs, como Kachin e o norte do estado de Shan. Os cristãos são mortos, detidos e forçados a fugir para viver em circunstâncias terríveis com dezenas de milhares em campos de refugiados. Como o acesso a essas regiões é muito limitado, a situação é amplamente ignorada, exceto por uma recente visita do presidente do Comitê Internacional da Sociedade da Cruz Vermelha, Peter Maurer, em março de 2017. Porém, é improvável qualquer melhoria em curto prazo.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• A maioria dos cristãos é extremamente pobre, em especial nas áreas rurais. Muitos são analfabetos ou semialfabetizados, não qualificados e vivem em condições miseráveis. Isto acontece devido ao abandono do governo em relação às necessidades de desenvolvimento social das pessoas, especialmente dos cristãos.

• Grande parte dos nascidos em família cristã pode esperar uma vida de pobreza, discriminação e opressão. Os cristãos perseguidos costumam viver juntos, de modo que sua locomoção pode ser monitorada facilmente. Eles são discriminados em oportunidades de educação e emprego, especialmente porque a maioria pertence às minorias étnicas.

• Entre as muitas pessoas deslocadas em Mianmar, cerca de 100 mil cristãos estão em campos em Kachin e no norte de Shan, esperando que as guerras entre o governo e os exércitos de minorias étnicas cessem para que possam retornar às suas aldeias. Além disso, mais de dez mil estão refugiados em campos na China e na Tailândia.

• Os pastores e os líderes da Igreja Perseguida no campo dificilmente podem prover para suas famílias, dada à incapacidade da igreja local de fornecer até mesmo mínimo apoio ministerial e ofertas.

Mianmar

Mianmar

Em 1948, Mianmar tornou-se independente da Grã-Bretanha. De 1962 a 2011, o país foi governado por uma junta militar opressiva. Começou então um processo gradual de democratização, notadamente visível nas eleições ganhas pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em novembro de 2015. No entanto, enquanto o exército continuar a ser um fator político tão forte e tão profundamente envolvido no comércio legal e ilegal, que afeta principalmente áreas de maioria cristã, não pode ser esperada nenhuma mudança importante.

Aung San Suu Kyi iniciou uma série de conferências de paz, as chamadas "Conferências de Panglong", mas como não incluíram todos os grupos de minorias étnicas, a situação não mudou muito. Parece que as coisas só podem mudar se o exército extrair algum tipo de benefício em reduzir sua influência política. Mesmo assim, existem problemas suficientes para complicar qualquer solução pacífica: por exemplo, pessoas do exército e alguns insurgentes étnicos estão envolvidos no tráfico de drogas e na exploração de recursos como jade e madeira. A construção da confiança continua a ser fundamental, mas será impossível desde que continuem as ofensivas do exército contra a minoria Kachin, em grande parte cristã, e os combates no norte do estado de Shan, deslocando dezenas de milhares.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

O resultado das eleições de novembro de 2015 levantou muitas esperanças no país e no exterior que a guerra civil mais duradoura do mundo poderia finalmente ser levada ao fim. Mas depois de quase dois anos do governo, a esperança está diminuindo, refletindo a posição forte que o exército mantém na política do país. O fato de ter um cristão étnico Chin como vice-presidente e um cristão liderar a Alta Câmara do Parlamento não mudou nada no terreno.

Embora as eleições fossem importantes e encorajadoras, deve-se ter em mente que o exército reservou 25% dos lugares disponíveis. Além disso, as minorias étnicas consistem em várias dezenas de grupos que compõem mais de 30% da população do país, muitos deles sendo cristãos ou que contêm grandes grupos cristãos. O governo precisa construir confiança com eles, o que é um grande desafio depois de décadas de guerra. Aung San Suu Kyi, apesar de todas as suas conquistas pessoais e integridade, é basicamente considerada um membro da nobreza do país que não está seriamente interessada na situação das minorias étnicas e religiosas.

Mianmar é potencialmente um país rico, pois possui vastos recursos naturais, por exemplo, em petróleo e gás, mas ainda mais em madeira, ouro e jade, que valem bilhões de dólares. Também tem um enorme potencial na exportação de energia renovável por meio do fornecimento de energia hidráulica aos países vizinhos. No entanto, o país enfrenta muitos problemas ambientais e o governo irritou sua vizinha, a China, que parou a construção de uma grande barragem no estado de Kachin.

As autoridades militares também dominam alguns setores industriais, como a produção de energia. A exploração madeireira também é gerida pelo exército através de parcerias privadas e canais ilícitos. A madeira está localizada principalmente em territórios étnicos e, como a exploração madeireira não foi realizada de forma sustentável, os estoques estão diminuindo. Mas ainda é uma importante fonte de renda, tanto para o exército como para os insurgentes étnicos. Jade é outra mercadoria que o exército explora e há muito mais dinheiro nele, pois é um negócio multimilionário. Se os assentamentos cristãos estão no caminho, uma vez que pertencem às minorias étnicas, eles simplesmente serão perseguidos sem ninguém se importar.

Outra fonte ilícita e supostamente crescente de renda é o cultivo de papoula e a exportação de drogas. Mianmar é o segundo maior produtor, ficando atrás do Afeganistão, e o exército e a insurgência étnica estão envolvidos nesse negócio. Há relatórios que fornecem provas circunstanciais de que o exército está dirigindo deliberadamente minorias étnicas como o Kachin para a dependência de drogas, especialmente a juventude, para evitar que elas se juntem aos grupos extremistas étnicos, algo que muitos tendem a fazer devido à falta de perspectiva no futuro.

Os missionários católicos entraram pela primeira vez em Mianmar em 1554. Até 1613, no entanto, houve uma presença permanente de cristãos, com igrejas em Ava, Sirian e cerca de trezentos católicos em Rangon. Mas o crescimento foi tão perturbado pelas guerras entre Mianmar e Tailândia nos dois séculos seguintes que uma população cristã com total de cinco mil pessoas em 1800 caiu para cerca de três mil em 1832.

À medida que o controle britânico se ampliou na primeira metade do século 19, o crescimento protestante, principalmente batista, fez grandes avanços. Em 1813, o famoso missionário americano, Adoniram Judson, chegou ao país para servir por quase 40 anos. Ele traduziu a Bíblia para o birmanês em 1834.

Em 1966, o governo expulsou todos os missionários estrangeiros, mas aí a igreja já havia se tornado autossustentável. Como muitos cristãos pertencem às minorias étnicas, como Kachin, Chin, Shan e Karen, o cristianismo é visto com alguma suspeita. Isso pode até aumentar após a publicação dos últimos números sobre a filiação religiosa em 2014, que mostrou um forte crescimento do cristianismo.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Além dos católicos romanos, os anglicanos também estão presentes, mas a Igreja Batista é particularmente forte entre os povos de Kachin: 85% da população total no estado de Kachin são cristãos. Existe também uma infinidade de outras denominações, algumas das quais são afiliadas, por exemplo, com as Assembleias de Deus e Metodistas.

Mianmar é predominantemente budista e os budistas desempenharam um papel na luta contra o regime militar em 2007. Antes disso, os grupos budistas radicais não tinham sido muito políticos, mas quando surgiu o movimento "969" (mais tarde chamado "Ma Ba Tha"), isso rapidamente mudou. Este grupo tem uma agenda nacionalista e convida outros religiosos a defender o país contra qualquer ameaça.

Em agosto de 2015, antes das primeiras eleições livres e justas, o grupo Ma Ba Tha conseguiu apresentar as "Leis para a Proteção da Raça e Religião". Esses visam, em primeiro lugar, ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya do estado de Rakhine, que vivem nas fronteiras com o Bangladesh.

A minoria dos muçulmanos não tem cidadania e a maioria deles habita em campos de deslocados internos ou deixou o país devido à perseguição em curso. Um ataque mortal contra um posto fronteiriço em outubro de 2016, deixando nove mortos e reivindicado por um grupo islâmico radical, levou as autoridades a se tornarem ainda mais ativas contra os muçulmanos. A retórica e as ações de Ma Ba Tha também se tornaram mais radicais, levando as autoridades a proibirem as ações do grupo em maio de 2017. Isso, por sua vez, levou-os a anunciar que continuariam seu trabalho sob um nome diferente.

O budismo radical tem visado os muçulmanos mais do que os cristãos, mas os relatórios dizem que os monges budistas continuam a converter os filhos de minorias cristãs para o budismo atraindo-os para os templos. Uma perseguição mais forte vem do exército, no entanto, onde até mesmo assassinatos de cristãos perseguidos são relatados. Resta saber se a perseguição por monges e grupos budistas radicais se intensificará devido ao censo do governo de 2014, que revela um aumento surpreendente no número de cristãos; de 4,6% em 1973, subiu para 6,2%, mesmo quando um grande número de cristãos das regiões devastadas pela guerra no estado cristão de Kachin, não entrem nessa conta.

Os cristãos em Mianmar consideram esse número muito baixo, já que a contagem não foi realizada em Kachin. A maioria dos cristãos pertence às minorias étnicas e não à maioria birmanesa. De acordo com o censo, os budistas representam 87,9%, os muçulmanos 4,3% (porém, cerca de um milhão de muçulmanos rohingya não foram contados). 

A "Associação Patriótica de Mianmar" é o novo nome do grupo extremista Ma Ba Tha, e foi fundada em janeiro de 2014 com o objetivo de defender o Budismo Theravada contra supostas ameaças. Em primeiro lugar, isso significava ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya, mas os cristãos também foram pressionados por monges.

A adoção das chamadas "Leis sobre a Proteção da Raça e Religião" de agosto de 2015 foi celebrada por grupos nacionalistas budistas como o Ma Ba Tha em todo o país. Considerando que estas leis visam principalmente a minoria muçulmana no estado de Rakhine, os cristãos também são afetados por essas leis: as conversões devem seguir um processo administrativo, incluindo a notificação de diferentes autoridades. Qualquer casamento misto exige, na prática, uma conversão para o budismo, protegendo assim mulheres budistas de homens muçulmanos.

A recente proibição dos movimentos radicais budistas não causou mudança nenhuma, pois eles encontraram outras formas de continuar. Famílias budistas, muçulmanas e tribais perseguem os parentes que se convertem ao cristianismo, pois a conversão é vista como traição familiar e comunitária. Até mesmo nos estados predominantemente cristãos, as igrejas estão sendo atacadas. Mais de cem mil cristãos vivem como deslocados no país e não têm acesso à comida e cuidado à saúde. Funcionários do governo local, especialmente das áreas rurais, são frequentemente tendenciosos em relação aos líderes budistas. Isso significa que as minorias, como os cristãos, que em muitos casos são uma minoria religiosa e étnica, são desfavorecidas e não têm como procurar justiça. Esses cristãos, além disso, padecem com a brutal, e quase esquecida, guerra de longo prazo no país.

Essa violência é alimentada por uma crescente ênfase no budismo e a exclusão de todas as outras minorias, bem como por uma guerra contínua contra insurgências, afetando - entre outros - predominantemente os estados cristãos de Kachin, Shan e Karen. Essa guerra passa despercebida, eclipsada pela situação amplamente divulgada dos muçulmanos rohingya.

Na maioria das escolas, antes do início das aulas, todos os alunos são obrigados a recitar um ensino budista ou uma oração, incluindo os não budistas. Os convertidos são discriminados de várias maneiras. Um professor se recusou a dar a um aluno cristão uma lista de perguntas fornecidas a outros para estudar para uma prova. Em outro caso, quando uma família vendeu um terreno, os ganhos foram distribuídos a todos os irmãos da família exceto o convertido.

Em 25 de maio de 2017, três cristãos que cortavam lenha no estado de Kachin foram detidos pelo exército e deixados sob custódia. Seus cadáveres foram encontrados em 28 de maio e é seguro assumir que eles foram torturados e mortos pelo exército.
O mesmo exército de Mianmar destruiu uma igreja em Mung Koe em um bombardeio destinado a milícias rebeldes étnicas no estado de Shan, em 3 de dezembro de 2016.

Dois cristãos, Langjaw Gam Seng e Dumdaw Nawng Lat, foram presos pelo exército em janeiro de 2017, quando mostraram a uma jornalista uma igreja que havia sido bombardeada. Foram condenados a mais de quatro e dois anos de prisão, respectivamente, em 29 de outubro de 2017.

  • Ore pelos cristãos do país, que são considerados cidadãos de menor importância. Peça por encorajamento e perseverança na fé.

  • Clame pelos governantes do país, para que Deus abra seus olhos e eles governem de forma justa.

  • Interceda pela maioria budista e pelos extremistas do país. Que Deus use sua igreja ali para compartilhar o evangelho.

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