Estados Unidos Mexicanos

Estados Unidos Mexicanos

  • Tipo de Perseguição: Corrupção organizada
  • Capital: Cidade do México
  • Região: América Latina
  • Líder: Andrés Manuel López Obrador (AMLO)
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo
  • Idioma: Espanhol
  • Pontuação: 61

POPULAÇÃO
. MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
. MILHÕES

De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção de 2017, o México ocupa a 135º posição no ranking de 180 países e tem nota 29 (em uma pontuação de 0 a 100 em que 0 significa altamente corrupto e 100 muito limpo quanto à corrupção). Isso significa que corrupção é um sério problema no país. No México, corrupção é uma questão que envolve políticos, representantes do governo e os serviços públicos. Esse fenômeno leva a outros problemas, como a propagação de atividades relacionadas ao crime organizado em todo o país. Embora seja verdade que a polícia tem pouco efetivo e suporte do governo para combater o crime, também há indicadores de conivência.

Outra questão que é alta e crescente, é a desigualdade entre ricos e pobres. De acordo com o relatório oficial de 2017 sobre Evolução da Pobreza entre 2010-2016, o número de mexicanos vivendo na pobreza era de 53,4 milhões e em extrema pobreza, 9,4 milhões. Os estados da região sul Veracruz, Oaxaca, Tabasco, Chiapas e Campeche foram identificados como os mais pobres, o que tem obrigado muitas famílias a mudarem para outras regiões.


“Como eu sobrevivi àquela noite? Somente pela graça de Deus. Ele tinha suas mãos sobre mim.” 
PASCUALA, QUE EM 1965 (AOS 13 ANOS) LEVOU 21 TIROS POR SE RECUSAR A NEGAR SUA FÉ EM JESUS
 

Do mesmo modo, quando analisando o contexto social, precisamos dar atenção ao estado de segurança. O relatório de Incidência Criminosa de outubro de 2018 mostra que o número de assassinatos registrados no México no período de janeiro a setembro de 2018 subiu para 21.383 (o equivalente a 78 assassinatos por dia). Esses números confirmam que a violência perpetrada por grupos criminosos está aumentando. As principais razões para o aumento seriam falta de efetivo policial, aumento no número de gangues, corrupção e instituições fracas. Esse alto nível de violência tem um impacto não somente na esfera pessoal e da comunidade cristã, mas também afeta o crescimento econômico a nível nacional. Como indicado pelo Índice 2018 de Paz do México, o impacto econômico da violência em 2017 totalizou 4,7 trilhões de pesos (249 bilhões de dólares), equivalente a 21% do Produto Interno Bruto do país. Quanto maior o grau de insegurança, maior o investimento necessário para combatê-la.

A ineficiência do governo em lidar com os principais problemas que assolam o país, como desigualdade, pobreza, falta de segurança e violência, junto com a impunidade permitida pelo governo, levou muitos cidadãos a colocar a esperança no novo presidente. Apesar de seu passado socialista, no presente há uma ambiguidade. Se a veia socialista prevalecer, os cristãos poderiam estar em risco. Os cristãos tendem a estar entre os grupos vulneráveis que são perseguidos por se opor a práticas totalitaristas de governo e por demandar respeito pela democracia e pelo Estado de Direito, como já visto em países como Cuba, Venezuela e Nicarágua, onde as autoridades buscam manter o poder a todo custo, sacrificando valores tradicionais.

Embora os cristãos sejam 95,9% da população, é importante notar que cerca de 3% da população se identifica como agnóstico ou ateu. E essa tendência vem aumentando, já que no ano anterior a porcentagem era 2,9%. Esse fenômeno é o resultado de fortes tendências seculares que estão surgindo nos últimos anos.
 

NOTA SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

  • A cultura de pluralismo religioso se espalhou nas áreas urbanas do país, possibilitando que cristãos de todas as denominações se unam na defesa de valores bíblicos com relação à gravidez e casamento. Protestos também foram organizados em favor da vida e da família.

Diante da onda de violência e insegurança devido ao crime organizado e à ineficiência das autoridades locais para proteger cristãos e igrejas, alguns líderes cristãos optaram por implementar suas próprias estratégias de segurança e iniciaram diálogos com líderes de grupos criminosos, ao invés de esperar que o Estado aja.
 

A história contemporânea mostra um país cuja democracia foi enfraquecida pela perda de legitimidade das autoridades do governo, falta de segurança, fracasso da economia, aumento da presença do crime organizado e falta de acesso a serviços sociais e justiça. Nesse contexto, líderes cristãos assumiram um papel mais influente na sociedade, o que por outro lado os faz mais vulneráveis a ataques de redes criminosas. Somando-se aos numerosos assassinatos de líderes cristãos no período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), muitas igrejas foram vítimas de assaltos e ataques. Em anos anteriores, crimes violentos eram restritos a regiões específicas, como Guerrero e Chihuahua, mas nos últimos meses parece que se espalharam por todo o país, até mesmo na capital.

A crescente presença de cristãos na política pode ser vista no aumento do número de candidatos independentes e/ou fundadores de novos partidos políticos. O voto da população cristã foi reconhecido como um importante fator político e isso levou vários candidatos nas últimas eleições a buscar alianças com grupos cristãos em seu desejo de ganhar votos (prometendo mais liberdade religiosa e proteção dos valores cristãos, se eleitos).

Enquanto isso, líderes cristãos continuam a ser criticados e até mesmo ameaçados quando expressam sua opinião política publicamente ou nos sermões na igreja. Isso é frequentemente considerado uma afronta aos princípios seculares do Estado. Como consequência, cristãos são submetidos a ser ridicularizados e algumas vezes atacados por defender suas convicções religiosas na esfera política.

A violência por grupos criminosos se intensificou, especialmente nas áreas fronteiriças onde prevalece o abuso de drogas. De acordo com o Inquérito do Conflito Armado 2017, o México é (após a Síria) o país com o maior nível de homicídios e continua a oferecer um mercado bem-vindo para tráfico de seres humanos, extorsão e sequestro. Essa violência é o principal motivo para o deslocamento de pessoas para o interior do país, mas não é o único fator. Aumentos na taxa de desemprego e níveis de pobreza forçaram muitas famílias mexicanas a buscar novas oportunidades em outras áreas da república, onde podem encontrar um maior grau de estabilidade econômica e social.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

O mandato do presidente Enrique Peña Nieto finalizou em 30 de novembro de 2018 e ele deixou o poder com perda de prestígio de seu partido. Seu sucessor é o esquerdista Andrés Manuel López Obrador (AMLO), que ganhou as eleições presidenciais de julho de 2018, quando concorreu como líder do Movimento de Regeneração Nacional (Morena). Agora ele terá que lidar com as políticas restritivas do presidente americano Donald Trump e com as multidões de migrantes na fronteira dos Estados Unidos com o México, entre outros problemas.

O partido no governo até 2018, PRI, perdeu apoio principalmente devido à corrupção, lavagem de dinheiro e vários escândalos. Como resultado, o PRI recebeu apenas 16% dos votos nas eleições presidenciais de julho de 2018 – a porcentagem mais baixa em toda sua história. A vitória de Manuel López Obrador, que formou uma aliança eleitoral tanto com partidos conservadores como de esquerda chamada “Juntos faremos história”, é um indicador da fadiga do público mexicano em relação a partidos políticos tradicionais. Os cidadãos preferiram votar na opção independente, esperando por um retorno ao Estado de Direito e um fim na corrupção prevalecente no país. No entanto, embora a aliança tenha servido para chegar ao poder, é difícil saber se será capaz de governar efetivamente, considerando a mistura de ideologias dentro da coalizão. AMLO tomou posse em 1 de dezembro de 2018, então é muito cedo para afirmar se o novo presidente optará por uma forma de governo de direita, de esquerda ou autoritária.

Com relação à violência em geral, o crime era restrito a regiões específicas do país, como Guerrero e Juarez. No entanto, cenas sangrentas de violência também são vistas na capital. Portanto, parece que a atividade criminosa está se espalhando pelo país, apesar dos esforços do governo para erradicá-la.

Outro evento recente que afetou também os cristãos foi o terremoto no dia 19 de fevereiro de 2018. Oficiais católicos responsáveis pelo cuidado da propriedade da igreja já tinham feito planos de ação emergencial diante de desastres naturais, desde o terremoto de setembro de 2017, para impedir possíveis saques de igrejas afetadas. Isso é ainda mais importante em igrejas que pertencem a comunidades indígenas.

Com relação ao processo eleitoral de 2018, há dois fatores a destacar:

  1. O voto cristão: a população cristã foi reconhecida como um elemento político importante e isso levou os candidatos – até mesmo à presidência – a buscar alianças com líderes e grupos cristãos para ganhar votos (prometendo a proteção de valores cristãos caso eleitos). No entanto, após as eleições, os vencedores não hesitaram em se posicionar contra os valores cristãos, como pode ser visto no apontamento para cargos-chave de pessoas que abertamente promovem questões como aborto e eutanásia.
  2. A violência que antecedeu as eleições: durante o período de campanha eleitoral, de setembro de 2016 a junho de 2018, mais de 120 candidatos foram assassinados, tornando-o um dos processos eleitorais mais violentos da história do país e demonstrando que as organizações criminosas buscavam ativamente influenciar as eleições.

O cristianismo chegou ao México durante a conquista espanhola dos nativos astecas (1519-1521). Era parte da estratégia militar para converter os habitantes nativos da Nova Espanha à fé católica romana. Desde então até aproximadamente 1872, a Igreja Católica Romana era a única denominação cristã presente no México. Ainda forma uma maioria no país, mas desde 1950 as igrejas protestantes se estabeleceram e aumentaram muito em número. O governo não reconhecia igrejas e associações religiosas como legais até 1992, o que aconteceu graças à revisão do artigo 130 da constituição e implementação da Lei de Associações Religiosas e Culto Público.

Cerca de 91% da população cristã do México é católica. O país tem uma das maiores populações católico-romanas do mundo. Nos últimos anos houve um declínio na população católica e um aumento no número de protestantes. Assim, de acordo com o último censo de população (INEGI, 2010), entre 2000 e 2010, o grupo de cristãos protestantes aumentou 3,2% em relação ao recenseamento anterior, o que significa um aumento de 3,2 milhões de protestantes. De acordo com informações do governo mexicano, os estados com a maior população de não católicos são Chiapas, Tabasco, Campeche, Quintana Roo e Yucatán.

No México, várias religiões coexistem: o cristianismo é, de longe, a religião majoritária, mas também existem minorias religiosas, como a comunidade etno-religiosa (devido à grande população indígena), a comunidade muçulmana, judaica e budista. Embora o México seja um país predominantemente católico, as estatísticas do World Christian Database mostram que a presença protestante está aumentando. Este é o resultado de: i) uma crescente aceitação da diversidade cristã e a crescente tolerância das conversões entre outras religiões; ii) a maior união entre os cristãos para defender os valores cristãos, ser contra o aborto, promover a compreensão bíblica do casamento e a oposição à violência causada por organizações criminosas; iii) um crescente interesse pelo Evangelho entre os pobres.

Apesar desses fatores, a presença cristã na esfera pública ainda é muito restrita, especialmente no setor político. A crítica muitas vezes centra-se na necessidade da nação secular manter a igreja e o Estado bem separados, mas a crescente intolerância secular em muitas áreas torna os cristãos vulneráveis: os ataques contra eles estão aumentando de grupos políticos, sociais, acadêmicos e criminosos, o último em relação à fé cristã como uma ameaça para suas práticas criminosas. A agressão contra os cristãos é muitas vezes considerada como um conflito pessoal e, portanto, não é vista como resultado da violência devido à discriminação religiosa.

Apesar da crítica comum que foca na necessidade de uma nação secular manter igreja e Estado separados, autoridades do governo e políticos buscam o apoio de líderes cristãos publicamente quando é conveniente. Por outro lado, valores cristãos são criticados por grupos LGBTI e feministas radicais, que ridicularizam a fé cristã e continuamente exigem a imposição de sua agenda nos níveis social, político e legislativo. Outro obstáculo para os cristãos é a crescente presença de grupos criminosos que, devido à pouca atenção do governo em combatê-los, tem levado líderes cristãos a tomarem a iniciativa e desenvolverem suas próprias estratégias para aumentar a segurança o máximo possível.

A perseguição violenta aos cristãos é realizada por grupos criminosos contra pastores e sacerdotes, endossada direta ou indiretamente pelo governo, devido à corrupção e impunidade. Líderes e membros de comunidades indígenas, inclusive a família, também são responsáveis por ataques a cristãos convertidos e por pressão através de multas, isolamento, negação de serviços comunitários básicos e prisões. Além disso, a ideologia secular está crescendo no país através do aumento da pressão exercida por grupos como LGBTI e comunidades feministas radicais e é encorajada por partidos políticos e organizações multilaterais, numa tentativa de erradicar valores cristãos da esfera pública, principalmente no que diz respeito a questões como aborto, casamento e direitos paternais.

Cristãos, seus líderes e igrejas se tornaram vítimas de ataques, ameaças, extorsão, etc. Isso tem acontecido com crescente frequência em todo o país e não apenas nos estados conhecidos como mais violentos. Parece que há uma forte presença de células criminosas, agora em muito mais regiões do que antes. Com relação a intolerância secular, aqueles que expressam suas convicções cristãs são vítimas de assédio, crítica e ridicularização, principalmente em debates referentes a aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e educação sexual nas escolas. Por fim, não é raro que famílias cristãs em comunidades indígenas sejam punidas por deixarem os costumes tribais; geralmente, são forçadas a deixar suas casas.

Alguns exemplos de perseguição em 2018:

  • Em outubro de 2018, Marcelino Carrillo, um indígena wixárika na região norte de Jalisco, foi sequestrado pelas autoridades tribais e punido com prisão, de acordo com as “leis internas” da comunidade, por um período indefinido de tempo. Um ano antes ele havia sido expulso por sua conversão ao cristianismo.
  • Em abril, autoridades da igreja católica nos estados de México, Hildalgo e Tlaxcala decidiram mudar os horários das missas por causa da insegurança. Entre outras medidas para evitar incidentes, os líderes não saem mais sozinhos e os fiéis não levam objetos de valor para a igreja.
  • Em abril, três líderes cristãos foram mortos.
  • Clame pela proteção dos cristãos perseguidos nas áreas indígenas e rurais, onde enfrentam expulsões, violência e extorsão.
  • Ore também pelos cristãos que têm o acesso a serviços sociais básicos negado. Alguns são presos ou têm que fugir. Peça por provisão e graça de Deus, sobretudo nas regiões de Chiapas, Hidalgo e Oaxaca.
  • Interceda pela paz nesta que é uma das nações mais violentas do mundo e pelo fim dos cartéis de drogas, que geralmente perseguem cristãos por se oporem ao seu trabalho ilegal.

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