República Islâmica da Mauritânia

República Islâmica da Mauritânia

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Nouakchott
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Mohamed Ould Abdel Aziz
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe (oficial), pulaar, soninke, wolof e francês
  • Pontuação: 67

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A situação geral, política, econômica e social na Mauritânia torna o país propício ao surgimento do islamismo radical. O Estado mauritano não conseguiu lidar com a prática da escravidão, melhorar a situação econômica da maioria dos seus cidadãos e estabelecer um sistema de governança mais responsivo e responsável. Isso criou um ambiente propício à propagação da intolerância religiosa. Apesar da colaboração do governo e da reputação internacional, como um aliado próximo do Ocidente, na luta contra o terrorismo e a militância islâmica, a situação no país é complexa e faz da Mauritânia um país perigoso para viver como cristão.
 

“O futuro da igreja na Mauritânia depende de como a igreja lida com a questão do dinheiro e como os poucos santos locais não corrompidos podem dar o exemplo para a próxima geração.” 
COLABORADOR DA PORTAS ABERTAS NO NORTE DA ÁFRICA

 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Os cristãos na Mauritânia enfrentam vários desafios:

  • O crescimento da radicalização islâmica na região está criando medo entre os cristãos.
  • A lei do país impõe severas restrições à pregação da fé cristã.
  • Em abril de 2018, a Mauritânia adotou uma nova lei que torna a pena de morte por apostasia ou blasfêmia obrigatória. Antes, o “infrator” tinha três dias para voltar atrás na decisão de se converter. A lei foi adotada em reposta a uma decisão do Tribunal de Apelação de diminuir a pena de morte a dois anos de prisão para um blogueiro que supostamente postou material considerado blasfêmia (quando na verdade estava falando de racismo motivado por religião que ele e sua casta enfrentaram).
  • Os batismos só podem ser realizados em segredo e muitos convertidos do islamismo ficam relutantes em serem batizados, temendo a descoberta e acusações de apostasia contra eles.
  • Embora a igreja católica tenha permissão para renovar o interior das igrejas, é proibida a renovação do exterior dessas e a construção de igrejas pertencentes a outras denominações.

Todas as igrejas, inclusive a católica, têm que operar com cuidado para evitar acusações de proselitismo.
 

A Mauritânia tornou-se um protetorado (território protegido e controlado por outro) francês em 1904 e ganhou independência em 1960. Até 1979, a Mauritânia reivindicou soberania sobre o território do Saara Ocidental, que costumava ser uma colônia espanhola. O país tem estado sob o domínio militar por mais de 30 anos, com apenas uma breve interrupção democrática em 2007. As promessas de levar a democracia de volta ao país só resultaram em eleições fraudulentas. A situação política caracterizou-se por golpes sucessivos, com o exército servindo como instituição política dominante. O atual presidente, Mohamed Ould Abdel Aziz, assumiu o poder em um golpe militar em 2008. O país é formalmente uma democracia multipartidária, mas seu parlamento é completamente dominado pelo partido islâmico dominante.

O Estado mauritano não conseguiu manter uma presença em todo o país nem impor o Estado de Direito. A administração pública é pouco qualificada, e o clientelismo e o nepotismo são questões importantes. As decisões sobre assuntos públicos geralmente são feitas através dessas redes clientelistas. As instituições informais, como as conexões familiares, tribais ou pessoais, são dominantes. A Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) tem sido um desafio para o governo mauritano desde 2005, mas o exército teve algum sucesso em sua luta contra este grupo radical. Os Estados Unidos manifestaram repetidamente sua preocupação com a expansão constante do ramo norte-africano da Al-Qaeda ao sul do continente nos últimos anos. Existe uma ameaça muito real de que a Mauritânia possa deslizar para um caminho islâmico mais radical, uma vez que a simpatia pelo islamismo radical entre a população aumenta a cada dia. Vários grupos islâmicos buscam se beneficiar da desaprovação popular da elite política corrupta e do ressentimento sobre o abandono da democratização pelo regime.

A Mauritânia é um dos países mais pobres do mundo, apesar de ser rico em vários recursos minerais, incluindo o petróleo e minério de ferro. Um terço das crianças mauritanas está desnutrido e, quando há comida suficiente, muitas vezes é muito cara para os pobres pagarem. Apenas 4% da terra é cultivável, e há pouca segurança alimentar interna. Embora a adesão do governo às restrições do Banco Mundial à liberalização econômica tenha trazido crescimento financeiro, também mergulhou muitos dos pobres em situação de pobreza ainda maior. O desemprego é alto e afeta mais os jovens: dois de cada três desempregados têm menos de 35 anos.

A existência contínua da prática da escravidão é também um dos principais problemas no país que causa divisão e hostilidade social. A questão da escravidão também é uma causa de divisão ao longo de linhas étnicas entre os mauritanos: os de descendência árabe (mouros) e berbere, e os de origem negra africana e descendentes de ex-escravos dos mouros, que também são chamados de Haratina.

Durante o século 1 d.C., o Norte da África foi fortemente colonizado por Roma. Entre os povos subjugados pela autoridade romana na região: egípcios, cirenaicos (provenientes do que hoje conhecemos como Norte da Líbia), africanos, numídios (Norte da África) e mauritanos, o cristianismo rapidamente se tornou uma religião de protesto e, essa era uma razão para eles ignorarem a exigência de honrar o imperador romano através de cerimônias de sacrifício. Para muitos, era uma declaração direta contra o domínio romano.

Com a chegada do islamismo na Mauritânia, começou um processo de arabização e islamização que parece ter extinguido qualquer presença cristã. A história recente do cristianismo na Mauritânia pode ter começado de novo quando o território se tornou parte da África Ocidental Francesa em 1904, mas o interesse e o controle colonial francês se limitaram principalmente à costa e às rotas comerciais do Saara.

Após a independência da França em 1960, a vida para os poucos cristãos no país tornou-se muito difícil, mas a Igreja Católica Romana, pelo menos, continuou a servir estrangeiros do Senegal, da França e das Ilhas Canárias. Existe uma diocese católica em Nouakchott, que é a capital e maior cidade da Mauritânia. De acordo com algumas fontes, a diocese "foi fundada em 18 de dezembro de 1965, cinco anos após o fim da regra do protetorado francês e a proclamação da independência". A mesma fonte também cita o bispo de Nouakchott que disse: "Queremos representar o rosto humano de Cristo num contexto em que os cristãos são uma pequena minoria". É difícil quantificar o número de cristãos na Mauritânia.

Além dos europeus, a maioria dos cristãos é composta por trabalhadores imigrantes de países vizinhos – principalmente da Guiné-Bissau. O proselitismo é proibido na Mauritânia. Os muçulmanos são proibidos de se converterem para outras religiões. A igreja católica não tem permissão para abrir escolas cristãs, apenas os jardins de infância, que também atendem crianças de pais muçulmanos, que muitas vezes se arrependem de não ter permissão para continuar a enviar seus filhos para uma escola cristã. Pesquisas indicam que não há uma igreja protestante estabelecida no país.

De acordo com a World Christian Database (WCD), a maioria dos cristãos na Mauritânia são católicos romanos e também existe um pequeno número de cristãos nativos e ex-muçulmanos que têm que viver a fé em segredo. Além dos católicos, há alguns cristãos de países vizinhos ou de longe que não pertencem a nenhuma denominação.

Apesar de ser partidária dos mais importantes tratados internacionais de direitos humanos, que asseguram liberdade de religião, a Mauritânia ainda tem um direito penal que sanciona pena capital para “apostasia”. O Estado não reconhece e dificilmente tolera convertidos que ousam tornar sua conversão pública. Qualquer pessoa que trabalhe para o governo tem que professar o islã e participar de eventos religiosos do Estado.

Imigrantes cristãos frequentemente enfrentam aberta discriminação. Em tempos recentes, tem havido uma forte campanha anti-imigrantes. Ataques racistas e xenófobos geralmente tomam uma conotação anticristã também. O ambiente geral a nível nacional faz com que muitos convertidos sejam forçados a manter a fé em segredo. É virtualmente impossível para cristãos serem visíveis e participar em questões nacionais abertamente.

A Mauritânia é completamente dominada pelo islamismo. A influência e proeminência de versões mais austeras e intolerantes do islã tornaram-se cada vez mais visíveis na Mauritânia. A atividade e a ajuda dos países árabes da região do Golfo têm sido significativas neste processo. Acredita-se que a Irmandade Muçulmana tenha sido muito importante na Mauritânia até recentemente.

De acordo com as estatísticas da World Christian Database (WCD), 99,2% dos mauritanos são muçulmanos e existem alguns milhares de adeptos das religiões étnicas tradicionais ou animistas. Essa realidade também é reforçada pela designação oficial do país como a República Islâmica da Mauritânia. Os cristãos constituem apenas uma fração muito pequena da população. Embora tradicionalmente o islamismo na Mauritânia tenha sido fortemente influenciado pelo sufismo, a influência do salafismo tornou-se muito proeminente nas últimas décadas.

A designação oficial da Mauritânia é "República Islâmica da Mauritânia" e seu governo autocrático, muitas vezes, tenta conquistar legitimidade projetando-se como um protetor da religião islâmica. A pressão familiar e social é especialmente intensa para cristãos ex-muçulmanos. A influência da ideologia islâmica radical está em ascensão, incluindo as ações tomadas pelo governo para implementar leis da sharia (conjunto de leis islâmicas). Portanto, o Estado é uma fonte importante de perseguição.

Os pregadores islâmicos radicais contribuem para a radicalização da sociedade e para propagar o antagonismo e o ódio aos não muçulmanos. Qualquer expressão de fé por cristãos não mauritanos, por exemplo, migrantes da África Subsaariana ou trabalhadores humanitários, também corre o risco de ser processada sob as leis do país, que criminalizam a tentativa de conversão dos muçulmanos.

Além do risco de perseguição das autoridades, os cristãos na Mauritânia também enfrentam o risco de violência por grupos extremistas, como Al-Qaeda no Magreb. Os cultos coletivos são particularmente difíceis devido ao ambiente restritivo que torna impossível para os cristãos, especialmente para as congregações dos ex-muçulmanos, se encontrar abertamente e conduzir celebrações.

  • Ore para que a igreja na Mauritânia cresça em maturidade e para que os cristãos coloquem sua confiança somente no Senhor.
  • Peça pela vida dos cristãos analfabetos, a maioria mulheres. Elas buscam a Deus com acesso limitado às Escrituras e precisam de meios criativos para fazer a palavra chegar até elas.
  • Clame por iniciativas de negócios, que não apenas ajudam os cristãos financeiramente, mas também buscam discipulá-los e ajudá-los a crescer espiritualmente através do trabalho.

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