Reino do Marrocos

Reino do Marrocos

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Rabat
  • Região: Norte da África
  • Líder: Mohammed VI
  • Governo: Monarquia parlamentarista constitucional
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe (oficial), línguas berberes e francês
  • Pontuação: 63

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Com 63 pontos, o Marrocos alcançou a posição 35 na Lista Mundial da Perseguição 2019. A pontuação do ano anterior foi de 51 e o país ficou fora do Top 50. O aumento nos pontos foi devido ao entendimento mais amplo da situação por meio das novas informações disponíveis, que levaram a pontuação mais alta por pressão e violência.

O Marrocos tem sido um oásis de estabilidade e progresso econômico em uma região que está repleta de instabilidade política e crises econômicas. Uma abordagem progressiva e evolutiva para a reforma política está sendo bem-sucedida até agora. A imagem internacional do Marrocos é de um país progressivo, tolerante e economicamente dinâmico. Entretanto, há um risco de acomodação estabelecido nessa imagem, que não reflete completamente o histórico do país quando se trata do direito das minorias religiosas.
 

“É proibido compartilhar o evangelho com não cristãos.”
CRISTÃO MARROQUINO
 

Cristãos, especialmente convertidos do islamismo, enfrentam discriminação social, e o governo proíbe o proselitismo dos muçulmanos marroquinos. Essa é uma restrição da liberdade dos cristãos para manifestar sua religião e crença na teoria e na prática. O crescimento de movimentos islâmicos militantes no Norte da África é um motivo de preocupação para os cristãos.

Durante o período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), convertidos do islamismo para o cristianismo foram detidos e interrogados por serviços de segurança sobre a posse de Bíblias, assim como contatos com cristãos estrangeiros. Cristãos ex-muçulmanos são com frequência vítimas de abuso físico ou mesmo sexual nas mãos de parentes distantes. Ao menos uma cristã convertida foi forçada a se casar com um muçulmano.

Em abril de 2018, um pastor pentecostal britânico teve sua entrada recusada no país. Colin Dye é conhecido como um professor no canal de TV árabe “Kingdom Sat”.
 

O Marrocos foi um protetorado (território protegido e controlado por outro) francês de 1912 a 1956, quando ganhou sua independência. Após a independência, o Marrocos estava pronto para tomar o controle de alguns territórios sob o protetorado espanhol. Entretanto, o pedido de soberania do país sobre os antigos territórios controlados pela Espanha teve resistência da Frente Popular para Libertação de Saguia el Hamra e Río de Oro (Frente Polisário), que proclamou um estado independente chamado República Árabe Saaraui Democrática e conseguiu garantir o reconhecimento de alguns estados.

O país é uma monarquia parlamentarista em que é garantido ao rei abrangente poder executivo e é considerado o líder político e religioso, sendo designado oficialmente como “Comandante da Fé”. Ele preside o Conselho dos Ministros e escolhe o primeiro-ministro após as eleições legislativas do partido vencedor. Das recomendações do primeiro-ministro, ele escolhe os membros do governo.

Depois das manifestações da Primavera Árabe, em 2011, o Marrocos também foi alcançado pelos ventos da liberdade e desejo por mudança econômica. Muitos jovens que se encontravam desempregados, mesmo após conseguirem um diploma na universidade, expressaram suas frustrações tomando as ruas. Respondendo a essas demonstrações e pedidos por mudança, o governo organizou um referendo quanto a reformas constitucionais que ocorreu em 1 de julho de 2011. Nas eleições ocorridas desde que essas reformas foram introduzidas, o partido islâmico da Justiça e Desenvolvimento tem ganhado o maior número de assentos no parlamento não permitindo a formação de coalizões governamentais. Por isso, o Marrocos pôde evitar a agitação política que envolveu o Norte da África.

Comparado com a maioria dos outros países da região, a economia do Marrocos é relativamente dinâmica e robusta. Mineração, agricultura, fábricas e turismo são importantes setores da economia. Entretanto, o país é ranqueado na posição 123 no Índice de Desenvolvimento Humano, apesar do progresso estável nas últimas duas décadas. A expectativa de vida no Marrocos é de 75,8 anos (2016), o índice geral de alfabetização de adultos é de 68%. Companhias marroquinas também estão se tornando muito ativas e investindo em outros países africanos. Isso tem ajudado a promover o crescimento da economia do país.

O cristianismo chegou ao Marrocos durante o Império Romano e se tornou muito proeminente em áreas como Tânger, Rabat e Fez. Foi também um dos países onde o donatismo e o arianismo se tornaram um dos principais pontos teológicos no século 4 a.C. No século 7, o islamismo chegou ao Marrocos e muitos cristãos foram forçados a se converter. Em 1220, padres da Ordem Franciscana fizeram uma tentativa corajosa para reintroduzir o cristianismo e a diocese foi estabelecida em Marraquexe em 1234, mas só passou a funcionar em 1566. No século 19, o país se tornou uma colônia francesa e a Igreja Católica Romana retornou.

Missionários do Norte da África trouxeram a fé protestante para o país em 1884. Depois que o Marrocos foi declarado um protetorado francês (1912-1956), a Igreja Reformada da França formou a Igreja do Marrocos. A União Missionária do Evangelho e a Missão Emanuel Saara chegaram ao país em 1894 e 1926, respectivamente. Outras igrejas e movimentos seguiram, como os anglicanos, a Assembleia de Deus e os adventistas do sétimo dia.

De acordo com Jack Wald, em “Cristianismo no Norte da África e Oeste da Ásia” (Edinburgh Companions to Global Christianity, Edinburgh University Press, 2018, pp. 41-44), a igreja indígena marroquina começou a emergir no final dos anos 1960, se encontrando em igrejas domésticas de missionários. Em 1984, a comunidade sofreu um grande contratempo quando o rei Hassan II forçou muitos cristãos marroquinos a negar sua fé, após a suspeita de um golpe. Com a chegada do atual rei Mohammed VI, em 1999, uma década de relativa liberdade começou com a permissão de igrejas domésticas, desta vez com a maioria liderada por marroquinos. Entretanto, em março de 2010, cerca de 150 cristãos estrangeiros em todo o país foram deportados. Conforme divulgado, o país queria adotar uma linha dura contra o proselitismo. Cristãos marroquinos também foram interrogados e se tornou claro que a polícia tinha informantes internos. Como resultado, muitas igrejas domésticas acabaram. Com o aumento da internet e mídias sociais, novos movimentos começaram e diversos cristãos agora podem encontrar comunhão, mesmo se estiverem sozinhos e isolados.

Há um número de igrejas no Marrocos, mas essas são principalmente de expatriados que moram em sua maioria nas áreas urbanas de Casablanca, Tânger e Rabat. Denominações de igrejas, incluem a Igreja Evangélica Francesa do Marrocos, a Associação Marroquina de Igrejas Protestantes, a Igreja Anglicana em Casablanca e Tânger, a Igreja Ortodoxa Russa em Rabat e a Igreja Ortodoxa Grega em Casablanca. De acordo com o World Christian Database, a igreja católica é de longe a maior denominação do Marrocos.

Mais de 99% da população é muçulmana, de maioria sunita, com os demais sendo agnósticos ou cristãos. O islamismo é a religião oficial do Estado. A comunidade de estrangeiros não muçulmanos pode praticar abertamente sua fé. A maioria dos cristãos do Marrocos são católicos romanos, e em comparação com outros países do mundo árabe ele pode ser caracterizado como um estado tolerante quanto à religião. No entanto, o proselitismo com intenção de converter muçulmanos do islamismo para outra religião ainda é considerado ilegal.

Cristãos enfrentam diversas restrições, incluindo o confisco de literatura cristã em árabe, a proibição de colaborar com cristãos estrangeiros e o sério desafio de reconhecimento e lugares de adoração para cristãos ex-muçulmanos. Convertidos enfrentam perseguição onde falam sobre sua fé por ser considerado proselitismo.

Apesar da maioria muçulmana marroquina ser considerada relativamente tolerante, cristãos enfrentam perseguição do Estado e da maioria da sociedade. Apesar da intensidade e frequência da perseguição serem menores comparada a muitos outros países da região, há restrições impostas pelo Estado e por radicais islâmicos, que junto com a população em geral também pressionam os cristãos. Nas áreas rurais, a pressão vem de parentes distantes que também deve ser considerada.

Um problema recorrente para cristãos que são abertos com relação à fé está relacionado ao artigo 220 do Código Penal, que criminaliza abalar a fé de um muçulmano. Isso coloca muitos cristãos que conversam com outros sobre sua fé em risco de acusação criminal e prisão. Advogados de direitos dos cristãos também têm sido alvejados por ataques violentos de extremistas islâmicos. Enquanto a lei pune apenas o proselitismo, convertidos cristãos podem ser punidos de outras maneiras, atualmente perdendo seus direitos de herança e a custódia dos filhos.

  • As igrejas reconhecidas têm muitas dificuldades para conseguir novos membros, principalmente cristãos marroquinos ex-muçulmanos. Esses não têm permissão para congregar publicamente. Ore para que mais pessoas sejam alcançadas pelo amor de Cristo e que haja mais liberdade para os cristãos.
  • Convertidos enfrentam pressão de familiares e comunidade, principalmente na área rural. Interceda para que haja uma maior aceitação da fé cristã no país.
  • Apresente a falta de literatura cristã e Bíblias em árabe para os cristãos locais.

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