República do Mali

República do Mali

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Bamako
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Ibrahim Boubacar Keïta
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo e animismo
  • Idioma: Francês (oficial), mais 13 idiomas locais, dentre os quais bambara é o predominante
  • Pontuação: 68

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Desde que extremistas islâmicos tomaram o poder do norte do Mali em abril de 2012, e o subsequente esforço liderado pela França para restaurar a autoridade maliana em todo o país, no começo de 2013, a situação das liberdades civis a direitos políticos ainda não voltou ao nível de antes de 2012, tanto no norte como no sul do país. Os rebeldes tuaregues e as autoridades malianas assinaram um acordo em 18 de junho de 2013, pavimentando o caminho para a retomada da administração e das forças do exército do Mali para a cidade de Kidal, no norte, que era controlada por combatentes do Movimento Nacional pela Libertação de Azawad (MNLA). No entanto, esse não foi um acordo de paz abrangente que pôs fim à rebelião. Em maio de 2013, todas as regiões do norte do Mali retornaram ao controle do governo, exceto a região mais ao nordeste de Kidal.

O conflito entre o governo e agentes militantes de oposição no Mali não é novo. O maior grupo de oposição que representa a maior ameaça ao governo é o MNLA. Ele representa as milícias tuaregues que lutam pela independência desde 2011, mas seu legado remonta a 1916. Desde 1916, houve pelo menos cinco rebeliões tuaregues no norte do Mali, tanto sob o domínio francês como no período pós-independência, desde 1960. Todas as rebeliões foram parte do esforço de estabelecer um estado no norte do Mali, separado da liderança nacional, um estado chamado Azawad. Em junho de 2015, os rebeldes tuaregues pertencentes à Coalizão de Movimentos Azawad firmaram um acordo de paz com o governo. No entanto, a situação de segurança no Mali ainda é frágil e grupos militantes islâmicos continuam a fazer ataques.


“Minha família não parava de me pressionar. Mas quanto mais eles me pressionavam, mais eu me apegava a Jesus.” 
NAOMI (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ EX-MUÇULMANA DO MALI
 

O Mali era um país relativamente tolerante para os cristãos, devido ao maior registro de liberdades democráticas e civis em comparação com outros países de maioria muçulmana da região. No entanto, a guerra civil e a oportunidade que ela proporcionou para grupos militantes islâmicos mudaram a situação e apresentam um sério risco e desafio para os cristãos. Esses grupos, como Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), ainda estão ativos, principalmente na região norte e têm como alvo as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Conselho de Segurança da ONU aumentou o número de tropas de manutenção da paz no país e também expandiu seu mandato para permitir que elas tomassem ações militares mais robustas contra os grupos extremistas. A situação no Mali ainda é frágil e levará vários anos antes de haver paz e estabilidade no país. Com a proliferação de grupos jihadistas como o Estado Islâmico no Grande Saara, o vasto território do Mali, que não está sob efetivo controle do governo, está se tornando um santuário para radicais islâmicos que são uma ameaça para a segurança de toda a região.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

O principal desafio que os cristãos enfrentam hoje no Mali é a presença de grupos islâmicos radicais no país, que cria medo e insegurança entre os cristãos. Em novembro de 2015, extremistas islâmicos invadiram um hotel de luxo em Bamako e mataram mais de 20 pessoas, a maioria das quais eram turistas ocidentais. O Al-Mourabitoun, um grupo islâmico formado em 2013, afirmou que o ataque foi realizado por eles. Um ataque mais recente ocorreu em junho de 2017 em um resort frequentado por estrangeiros e oficiais do governo nos arredores da capital, Bamako. Apesar de um acordo de paz e reconciliação assinado entre os rebeldes e o governo do Mali em 2015, os confrontos armados continuaram entre tropas governamentais e rebeldes.

Nos últimos anos, atos de violência e opressão assolaram o país:

  • Um missionário americano sequestrado em outubro de 2016 ainda é mantido em cativeiro por extremistas islâmicos. Uma freira colombiana foi sequestrada de um centro médico in Karangasso em fevereiro de 2017 e ainda não foi libertada.
  • Os cristãos do Mali vivem sob constante ameaça dos radicais islâmicos, que também atacam pacificadores da ONU e da França. Por exemplo, um cristão maliano que vive na região central do país foi obrigado a fugir e se esconder devido a ameaças de morte por extremistas em abril de 2017.
  • De acordo com a Secretaria Geral da Conferência de Bispos do Mali, ao menos três igrejas em Mopti, na região central do país, foram atacadas. Os militantes impediram os cristãos de se reunirem para cultuar e destruíram os móveis, quadros, cruzes, etc. No vilarejo de Dobara, os objetos da igreja foram queimados no pátio da igreja.
  • No vilarejo de Bodwal, cristãos foram expulsos da igreja por homens armados que os ameaçavam, dizendo que os matariam se orassem novamente na igreja.
     

Antes do surgimento do atual Mali, vários reinos e impérios floresciam no território onde hoje é o país. Após o Império Wassoulou ter sua curta duração, a França estabeleceu uma colônia chamada Sudão Francês em 1892. A administração colonial francesa chegou ao fim em 1960 e o Mali tornou-se independente.

Depois de experimentar o governo de um só partido e governo militar por décadas, o Mali adotou uma nova constituição em 1992 e fez uma transição bem-sucedida para a democracia. Antes do golpe que derrubou o governo maliano, democraticamente eleito em março de 2012, o país foi considerado exemplar entre os países africanos por proteger as liberdades civis e os direitos políticos.

A mídia, em particular, era vibrante e aberta e não estava sujeita a pressões ou restrições governamentais. Por exemplo, durante as eleições presidenciais de 2007, os resultados foram considerados válidos e houve pouca ou nenhuma violência eleitoral. Participaram 70 partidos nas eleições e o direito de voto foi alargado a todos os cidadãos do Mali.

No entanto, em 2012, os rebeldes tuaregues, que estão ativos no norte do Mali há vários anos, formaram uma aliança com islâmicos radicais, incluindo alguns combatentes estrangeiros, provenientes principalmente da Argélia. Eles invadiram as forças governamentais e assumiram o controle de várias cidades e uma grande parte do norte do Mali.

Consequentemente, um golpe militar derrubou a administração civil, mas ela foi restaurada após as eleições presidenciais de 2013, que foram ganhas por Ibrahim Boubacar Keïta, um veterano político e ex-primeiro-ministro. O governo maliano conseguiu repelir o avanço dos rebeldes e recuperar a maior parte do território ocupado com a ajuda das tropas francesas.

Apesar de existirem choques ocasionais entre rebeldes e forças governamentais, a partir de 2013 um acordo de paz foi concluído entre os radicais e o governo. Assim, a ONU enviou uma força de paz de 12 mil pessoas chamada Missão Multidimensional de Estabilização Integrada no Mali. No entanto, o governo central ainda não conseguiu retomar o controle e afirmar sua autoridade sobre uma significativa porção do território maliano. Além desse problema político, o país enfrenta severos desafios econômicos relacionados ao alto índice de pobreza. A maioria das pessoas vive nas áreas remotas do país, que enfrentam vários problemas ambientais, como rápida desertificação e falta de acesso à água. Em julho/agosto de 2018, o país passou por uma eleição presidencial bem-sucedida em que o presidente Keïta conseguiu se reeleger. Isso pode ser visto como um desenvolvimento positivo no país.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Contradizendo o histórico positivo do Mali sobre as liberdades civis e os direitos políticos, até 2012 haviam grandes inconsistências sobre como esses direitos eram aplicados nos dois terços do norte do país, uma realidade que era frequentemente negligenciada por observadores estrangeiros.

O poder político no Mali estava concentrado no um terço do sul do país, dominado por tribos muçulmanas da África Subsaariana, como o songhai e o zerma, enquanto as tribos do norte (ainda mais conservadoras), como os tuaregues e os árabes, eram muitas vezes deixadas fora do poder.

Embora a discriminação contra os tuaregues e os árabes não fosse uma política oficial, na prática eles recebiam uma proporção menor de receitas e serviços do governo, que levaram os tuaregues a uma rebelião aberta intermitente ao longo de várias décadas.

A insegurança e a instabilidade que resultaram da guerra civil e os ataques terroristas perpetrados por militantes islâmicos são desafios importantes no cenário político atual. A menos que o acordo de paz entre os rebeldes e o governo seja totalmente implementado e as queixas dos tuaregues sejam abordadas no documento, é improvável uma melhoria na situação política no Mali, o que significará insegurança contínua e ansiedade para os cristãos no país. As altamente contestadas eleições no verão de 2018 foram concluídas com a reeleição de Ibrahim Boubakar Keïta para o segundo mandado presidencial. Dado que essa eleição exigiu um segundo turno e que seu principal oponente alegou que a eleição foi manipulada, o mandato e a legitimidade de Keïta não parecem ser muito robustos. Isso, por sua vez, pode dificultar sua capacidade de enfrentar efetivamente os desafios políticos e de segurança que seu governo enfrenta.

O Mali é um dos países menos desenvolvidos do mundo e encontra-se classificado na 179ª posição entre 188 países no Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD de 2014, da ONU. A expectativa de vida média dos malianos é de 57,9 a taxa de alfabetização de adultos é de 38,7% e o Produto Interno Bruto anual per capita, ajustado pela paridade do poder de compra, é de 2,2 dólares americanos.

A maior parte do território maliano é árido ou semiárido, tornando uma parcela significativa do país inadequada para a agricultura. No entanto, o Mali, como seus vizinhos, tem uma economia baseada na agricultura de subsistência, incluindo arroz, sorgo e gado. O Mali também é rico em ouro e outros minerais.

Embora o país dependa da ajuda externa, inclusive do Banco Mundial e outros doadores internacionais, a França é o principal parceiro comercial.

O Mali tinha fortes laços com a Rússia, incluindo pessoas da elite do governo sendo treinadas no país, como Dioncounda Traoré, que atuou como presidente de abril de 2012 a setembro de 2013, após o golpe militar. No entanto, a Rússia já não tem uma forte presença econômica. O envolvimento do governo francês nas questões políticas do país tem sido um grande problema para o Mali. Embora o país tenha exigido sua independência meio século atrás, a França continua a influenciar suas decisões políticas. Por exemplo, a França foi o primeiro país a enviar tropas para conter a rebelião tuaregue.

A área que hoje é chamada de Mali foi dominada por vários impérios e reinos muçulmanos antes da colonização francesa. Principalmente a região norte do país era predominantemente muçulmana e havia alguns seguidores de religiões africanas tradicionais em algumas partes do sul.

Foi “Padres Brancos”, uma ordem missionária católica romana, que levou o cristianismo para o Mali em 1895. No entanto, o crescimento do cristianismo no Mali foi muito lento. A maioria dos cristãos de hoje são descendentes de muçulmanos e animistas que se converteram ao cristianismo durante o período colonial. Foi somente em 1936 que o primeiro padre católico romano africano foi ordenado e foi apenas em 1962 que o primeiro bispo maliano foi consagrado. Os protestantes chegaram ao país em 1919 através da União Missionária do Evangelho (GMU) dos Estados Unidos, seguidos da Aliança Cristã e Missionária em 1923.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As redes e denominações que atualmente estão ativas no Mali incluem a Igreja Católica Romana e um número significativo de denominações protestantes. Dentre os 5% de malianos cristãos, a maioria pertence a comunidades cristãs históricas. O Mali tem um pequeno número de igrejas pentecostais e carismáticas, encontradas principalmente no sul do país. Devido ao seu estilo de culto e ao fato de serem mais engajados no evangelismo, essas comunidades são mais plausíveis de atrair a ira e a hostilidade da sociedade.

Pequenas comunidades de cristãos ex-muçulmanos são encontradas, principalmente, entre os povos bozo e dogon, mas há também convertidos que vivem em outras partes do país.

O Mali é um país predominantemente muçulmano (88,7% da população) e a maioria deles são adeptos do islamismo malikita, que é uma versão da religião influenciada pelo sufismo (corrente mística e contemplativa do islamismo).

Essa vertente é moderada e tolerante com outras religiões. No norte do Mali, especialmente entre os tuaregues, a influência de versões mais radicais do islamismo cresceu nos últimos anos. Há também uma presença significativa de etno-religiosos ou animistas no país.

Tal como acontece com muitos muçulmanos no Mali, os cristãos malianos muitas vezes combinam a fé com as crenças animistas indígenas. Grupos radicais islâmicos das tribos árabes e os tuaregues no norte do Mali têm pouco respeito pelas práticas religiosas influenciadas pelos sufistas.

Eles chegaram a destruir os santuários dos sufistas, datados do século 13, em Timbuktu, quando os mesmos controlavam a cidade em 2012. Os muçulmanos malianos tendem a ser moderados e tolerantes com outras crenças religiosas. Também havia um alto nível de tolerância em relação aos convertidos ao cristianismo durante o período colonial. No entanto, essa tolerância foi desvanecendo com o passar do tempo e agora é altamente perigoso ser conhecido como cristão ex-muçulmano. Embora a maioria dos cristãos do Mali viva no sul do país, eles têm passado por pressão crescente, como resultado da ameaça de atividades dos militantes islâmicos no norte.

Os cristãos que vivem no sul do país desfrutam de relativa liberdade de religião em comparação com o norte. No entanto, apesar do grau e da intensidade de ameaça de ataques de extremistas islâmicos serem maiores no norte, os que vivem no sul também enfrentam ameaças de ataques e sequestros. Cristãos ex-muçulmanos enfrentam vários graus de pressão de membros da família e vizinhos para renunciar a fé em Cristo

Os grupos islâmicos extremistas na parte norte do país, auxiliados por radicais estrangeiros ligados à Al-Qaeda, assumiram uma parte significativa da parte norte do país em 2012 e, embora esses grupos tenham sido expulsos da maior parte do território que ocupavam, sua influência ainda é sentida. Além da radicalização da população muçulmana que tais grupos causaram, a rebelião em curso ainda representa uma ameaça para os cristãos no país.

Quando grupos islâmicos radicais assumiram o controle da parte norte do país em 2012, as igrejas foram queimadas e os cristãos tiveram de fugir.

O deslocamento de cristãos ainda afeta aqueles que perderam suas casas e cujas igrejas foram destruídas. Embora alguns cristãos e congregações tenham retornado ao norte sob proteção policial, eles ainda vivem sob a ameaça de ataques de radicais. As atividades evangelísticas no norte são especialmente arriscadas e podem levar a relativos ataques de muçulmanos radicais.

Os missionários cristãos que operam no Mali também vivem sob constante ameaça de sequestro e alguns realmente foram sequestrados por jihadistas. Cristãos ex-muçulmanos, estão à mercê da violência e da pressão de seus familiares caso sua conversão seja descoberta.

  • Ore para que o novo governo eleito em 2018 tenha sabedoria para governar com justiça, que seja rodeado de bons conselheiros e foque nos problemas do país.
  • O maior desafio que os cristãos enfrentam no Mali é a presença de grupos radicais islâmicos, que criam uma atmosfera de insegurança entre os cristãos. Ore por força, coragem e esperança para lidar com esse desafio.
  • Clame pelas equipes da Portas Abertas no país, que trabalham com várias frentes de atuação. Que Deus os ensine a como cuidar dos cristãos, prepará-los para a perseguição e discipular novos convertidos.

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