República das Maldivas

República das Maldivas

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Malé
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Ibrahim Mohamed Solih
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Divehi, inglês
  • Pontuação: 78

POPULAÇÃO
MIL

POPULAÇÃO CRISTÃ

ALGUNS MILHARES

O governo das Maldivas insiste que o país deve ser liderado de acordo com princípios islâmicos conservadores e que todos os cidadãos devem ser muçulmanos. Essa é uma questão fundamental que o novo governo, que veio ao poder em uma eleição inesperada, não tentará mudar. Portanto, a liberdade religiosa não existe, exceto para os cristãos expatriados que só podem praticar a fé na maior privacidade, a portas fechadas – uma atividade rigorosamente monitorada. Oficialmente, a maioria deixou de se reunir, já que chamou muita atenção das autoridades.

Os clérigos islâmicos radicais, sejam originários ou provenientes do Oriente Médio, exercem forte controle sociorreligioso e estão influenciando os outros com suas visões radicais sobre o islã, tornando impossível para os cristãos, especialmente ex-muçulmanos, expressarem a fé devido ao medo de serem monitorados e entregues às autoridades governamentais. A família e a comunidade também são fontes de perseguição para ex-muçulmanos, caso sejam descobertos.

 

“Ser maldivo é ser muçulmano. Ser cristão nas Maldivas é ser um seguidor secreto, sem poder praticar a fé, principalmente cultuar e ter comunhão, porque pode ser vigiado o tempo todo.”
 OBREIRO CRISTÃO NAS MALDIVAS
 

A campanha para as eleições presidenciais foi muito prejudicial à coesão interna e reputação internacional do país. Ignorar o princípio básico de Estado de Direito revelou que os governantes não estão interessados no processo democrático, mas em permanecer no poder e defender o islamismo. Além disso, a luta contra os radicais islâmicos violentos deve continuar e o governo está bem ciente desse perigo. As Maldivas são vistas como “um paraíso perdido para o terrorismo”. Isso pode ser um exagero, mas as Maldivas têm uma das maiores taxas per capita de militantes islâmicos que lutam no exterior. Em junho de 2016, militantes maldivos até ameaçaram o governo com ataques, chamando os líderes do país de “poderes do mal que estão em guerra”.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Participar da vida normal da igreja, com louvor congregacional, comunhão, grupo de jovens, evangelismo, etc., é impossível para os cristãos maldivos. Os poucos cristãos secretos, infelizmente, muitas vezes têm de lutar contra problemas sociais, comuns na sociedade das Maldivas, que também afetam os convertidos. Importar literatura cristã é oficialmente proibido. Há relatos de que até mesmo turistas têm problemas para levar sua Bíblia pessoal. Ao entrar nas Maldivas, os turistas têm que preencher um formulário respondendo se estão levando “bens que são proibidos ou restritos, como material religioso”. Até mesmo cristãos estrangeiros são muito cautelosos em cultuar ao Senhor e frequentemente desistem de se reunir em grupos, pois correm o risco de serem presos ou deportados.

As Maldivas são um país politicamente dividido. Após a expulsão do primeiro presidente democraticamente eleito, Mohamed Nasheed, em fevereiro de 2012, seus sucessores reiteraram frequentemente a importância do islã para o país e seus planos para promover a religião.

As forças da oposição, ou simplesmente as que se percebem como um perigo para os governantes, foram expulsas do país e fundaram uma Oposição das Maldivas Unidas em maio de 2016, liderada pelo ex-presidente Nasheed, que recebeu asilo no Reino Unido. A intenção do líder de evitar que o país se torne menos islâmico é a chave ideológica para entender as Maldivas. Esse objetivo foi enfatizado de várias formas e inúmeras vezes durante o período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019. É improvável que a surpreendente vitória do político de oposição Ibrahim Solih, em setembro de 2018, mude alguma coisa em relação a esse objetivo.

A política nas Maldivas sempre tomou caminhos religiosos, nos quais o islamismo deve ser defendido ou promovido de todas as formas possíveis. Como a política, muitas vezes, é um negócio familiar, as brechas, a mudança de coalizões e os movimentos surpresa são bastante normais.

Especialmente nos últimos anos, não tem sido incomum que um ministro perca seu emprego por uma variedade de razões, incluindo uma alegada traição. Isso aponta para outro problema que a política maldiva tem de enfrentar: a paranoia de seus líderes. Permanecer no poder parece ser o objetivo global, e todos os meios são usados para se alcançar isso.

E se isso significa que jornalistas devem ser sequestrados ou assassinados ou – como em abril de 2017 – um proeminente blogueiro liberal deva ser esfaqueado até a morte, então que seja. A pequena minoria cristã não tem praticamente espaço para respirar sob tanta pressão. É improvável que o novo líder, Ibrahim Solih, eleito em setembro de 2018, quebre essa regra.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Apesar de ter sido eleito por uma esmagadora maioria dos membros do seu partido, o ex-presidente exilado Nasheed decidiu em junho de 2018 não ser candidato às eleições presidenciais (em setembro) por seu partido, que é o Partido Democrático das Maldivas, de oposição.

Estima-se que haja entre 130 a 200 mil trabalhadores estrangeiros no país, a maioria deles empregada no turismo. O número é muito alto diante do total da população, que é de 382 mil pessoas. Não é surpreendente que o tráfico humano (fornecimento de trabalhadores migrantes ilegais) seja o segundo setor mais lucrativo, de acordo com números oficiais de 2011, do governo. Esses números também implicam que a falta de liberdade religiosa no país afeta não somente o pequeno número de cristãos nativos, mas também os trabalhadores migrantes cristãos.

Há anos, as Maldivas enfrentam sérios problemas sociais, como a dependência de drogas, casos de abuso sexual e altas taxas de divórcio, sem encontrar soluções.

Um estudo inédito de 2009 sobre a violência contra as crianças – possivelmente não publicado devido a suas descobertas – afirma que um em cada sete adolescentes na idade do ensino médio já foi abusado sexualmente, em algum momento da vida.

Também se descobriu que a taxa de abuso sexual para meninas é quase duas vezes maior (20%) em relação à taxa dos meninos (11%). As meninas estão particularmente em risco na capital, Malé. O estudo também descobriu que 47% das crianças maldivas menores de 18 anos sofreram punição física ou emocional em casa, escola ou na comunidade. Também é mais comum entre os estudantes que frequentam o ensino médio nos atóis (ilhas em forma de anel), um em cada quatro relataram terem sido molestados por adultos ou outras crianças durante o ano passado. A taxa de Malé foi de 14%.

As Maldivas têm a maior taxa de divórcio do mundo, com uma proporção de nove em dez – alguns maldivos, supostamente, chegam a se casar sessenta vezes! Seguindo o costume islâmico, um marido pode se divorciar de sua esposa simplesmente dizendo “eu me divorcio de você” três vezes. A alta taxa de divórcio é responsabilizada pela natureza do trabalho dos maridos nas indústrias de transporte e turismo. Eles devem ficar longe de casa por um longo período de tempo. Isso resulta em falta de confiança e dificuldades financeiras para muitas mulheres.

Em um país em que, de acordo com a constituição, um não muçulmano não pode se tornar um cidadão das Maldivas, não podemos contar sobre a história de uma igreja que supostamente “não existe”, para a própria segurança dos cristãos maldivos. Da mesma forma, pela constituição, se é descoberto que alguém se converteu ao cristianismo sua cidadania será tirada e a pessoa será punida por violar a sharia (conjunto de leis islâmicas). É fácil imaginar que a pressão é extremamente alta e entender porque os convertidos permanecem escondidos. Alguns cristãos maldivos preferiram deixar o país e morar no exterior devido à pressão.

Segundo o governo, o país é 100% muçulmano sunita, todos os cidadãos das Maldivas devem ser muçulmanos. A língua das Maldivas é divehi e a Bíblia completa nesse idioma ainda não está disponível.

No século 12, os comerciantes muçulmanos sunitas trouxeram o islã às Maldivas, que era um país budista há séculos. A tradição sufista forte vem declinando à medida que a influência do wahabismo saudita cresce, apesar do resfriamento recente das relações com a Arábia Saudita, quando o governo anunciou prematuramente um enorme investimento saudita nas Maldivas, enfurecendo o próprio rei saudita.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Oficialmente não há cristãos maldivos, somente estrangeiros. O aumento da islamização pode ser ilustrado pelo fato do Ministério de Assuntos Islâmicos ter publicado um documento em abril de 2018 referente, entre outras coisas, à questão dos apóstatas. No documento o governo afirma que não tolerará apostasia. Na mesma época, o ministro da Defesa, Adam Shareef, fez um apelo contra toda tentativa de construir lugares de culto de outras religiões que não o islamismo e afirmou com todas as letras que nunca permitirá liberdade de religião nas Maldivas, porque é um “país com valores islâmicos moderados”.

O país é 100% muçulmano sunita e se um cidadão maldivo quiser se afastar dele perderá sua cidadania. Entre os muitos trabalhadores estrangeiros, também há cristãos. Quando esses cristãos se atrevem a querer conhecer cristãos locais, precisam ser muito cautelosos e discretos.

Embora pequeno em população, as Maldivas consistem em 1.700 pequenas ilhas, e tem uma das maiores densidades populacionais do mundo, especialmente em sua ilha principal, Malé. A população, portanto, forma comunidades homogêneas e unidas, que servem de vigilantes naturais para qualquer desvio de seus membros, o que naturalmente inclui a escolha religiosa.

A conversão ao cristianismo pode, assim, resultar facilmente em notificação aos líderes ou autoridades muçulmanas. Os cristãos estrangeiros, a maioria trabalhando no setor turístico e provenientes da Índia, Sri Lanka e Bangladesh, também são vigiados de perto, tornando a comunhão entre irmãos muito difícil. Eles podem se reunir estritamente entre eles, sem ter nenhum contato com cristãos ex-muçulmanos nativos.

De acordo com relatório de 2017 da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), “oficiais da imigração relataram 13 casos envolvendo importação de símbolos religiosos, como cruzes, por maldivos. Eles confiscaram os itens em nove desses casos e emitiram carta de advertência nos outros quatro”.

  • Clame para que Deus dirija cristãos secretos a encontrarem uma comunidade de cristãos para se reunirem e para que tenham acesso à Bíblia, que é considerada contrabando pela lei do país.
  • A mídia local reporta que o uso de drogas se tornou o maior problema social no país. Ore para que jovens desiludidos encontrem a liberdade e o amor que há em Jesus.
  • Peça que novos convertidos sejam discipulados, o que é um grande desafio, devido à questão de segurança e à falta de unidade dentro da igreja.
     

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