Federação da Malásia

Federação da Malásia

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Kuala Lumpur
  • Região: Sudeste Asiático
  • Lider: Mahathir Mohamad
  • Governo: Monarquia parlamentarista
  • Religião: Islamismo, budismo, taoismo e outras minoritárias
  • Idioma: Malaio (oficial), inglês, chinês e dialetos
  • Pontuação: 65

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

O ataque de granadas em um café no estado de Selangor em junho de 2016, ainda choca as autoridades de segurança e a sociedade. O incidente mostrou o perigo real de haver militantes do Estado Islâmico na Malásia. O país já anunciou em 2016 que vai coordenar patrulhas conjuntas com a Indonésia e as Filipinas para combater a ameaça terrorista nas ilhas dos três países. Mas depois da Batalha de Marawi, nas Filipinas, e a tomada do local por extremistas muçulmanos em maio de 2017, é improvável que isso seja suficiente.

De acordo com uma pesquisa, 84,3% dos malaios sentem que a relação entre o governo e as pessoas é semelhante a que existe entre um pai e uma criança. Portanto, é certo dizer que os cidadãos malaios desejam a abertura do país ao invés do paternalismo. O que parece ser seguro dizer, porém, é que o futuro permanece incerto. Pelo menos enquanto a política unilateral da Malásia não for abolida e as etnias e a religião forem vistas como trunfos no jogo político (o que agrava a insegurança e ganha os eleitores). Esta visão não é apenas verdade para minorias como os cristãos, mas para toda a sociedade também.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

A Malásia está se tornando cada vez mais islamizada. Os líderes da igreja estão se tornando mais expressivos em suas críticas a políticas governamentais injustas, seja sobre casamentos de fé mista e reivindicação de custódia, seja na política de ação que beneficia as maiorias. Basicamente, esta política exclui os cidadãos com origem chinesa ou indiana e garante que os malaios étnicos e os povos indígenas tenham vantagem em cotas, subsídios, empréstimos e benefícios fiscais etc.

Para agradar uma sociedade islamista, o governo pode responder com mais pressão sobre as minorias. Isso é provável porque o partido que está no poder desde a independência do país está atualmente envolvido em um enorme escândalo de corrupção internacional, o que pode afetar uma reeleição, embora até agora tenha conseguido administrar os tempos difíceis. É muito tentador para eles aplicar a estratégia “dividir e conquistar", tendo como alvo as minorias religiosas e étnicas.

A Organização Nacional dos Malaios Unidos (UMNO) liderou o país desde a sua independência em 1957, no entanto, as últimas eleições de 2013 mostraram o crescente desconforto do eleitor com a longa permanência desse partido. Enquanto a oposição conseguiu obter a maioria dos votos, a UMNO permaneceu no poder. A luta por essa permanência foi facilitada pelo fato de que a oposição está fragmentada.

A paranoia de seus líderes também aumentou e incentivou-os a culpar as minorias étnicas e religiosas, despertando medo entre os eleitores ao dizer que estes (apesar de serem cidadãos da Malásia) têm o objetivo secreto de evangelizar o país. Também é preocupante para os cristãos e outras minorias que a juventude da UMNO esteja seguindo um conceito de "Salafismo Pacífico", movimento tradicional islâmico.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

A UMNO atingiu a maior baixa de todos os tempos em sua taxa de aprovação pública, sendo de 31% em 2016, mas a administração atual quer permanecer no poder e estabeleceu para garantir isso. A lei de sedição (punição de crimes contra o Estado) é um exemplo: apenas em 2016, 220 processos foram levados ao tribunal, envolvendo principalmente pessoas criticando o governo ou o primeiro-ministro.

Em agosto de 2016, o Ato de Segurança Nacional foi aprovado, garantindo às autoridades da Malásia o poder de realizar prisões, busca e apreensão imobiliária, e imposição de toque s de recolher à vontade. Essa lei ameaça a democracia e pode ser usada contra opositores do primeiro ministro. Uma vez que o rígido Partido Islâmico Pan-Malaio (PAS) se separou da oposição em maio de 2017, é tentador para a UMNO incentivar a islamização, apenas para garantir o apoio dos muçulmanos em uma emergência. 

Embora o lema do governo seja "Uma Malásia", a maioria dos observadores concorda que não há apenas "uma Malásia" na prática. A antiga prática de discriminação contra minorias étnicas não-malaias continua. Devido a políticas que continuam a favorecer a maioria étnica malaia, os cidadãos chineses e indianos enfrentam desvantagens explícitas nos escritórios públicos, na burocracia estatal, nas empresas públicas e nas forças armadas. É necessário um programa político que promova a unidade, mas não é provável que isso aconteça em um futuro próximo.

Nota-se que a Malásia é uma monarquia singular no mundo: ela não é baseada em uma pessoa, mas é um ofício que é compartilhado entre os nove sultões regionais, revezando o poder entre eles a cada cinco anos. Esses líderes islâmicos detêm uma posição de muito poder. Em princípio, eles devem respeitar as decisões dos órgãos eleitorais, mas na verdade eles podem influenciar todas as decisões, já que nas questões relativas ao islamismo eles também têm poder de veto.

Em julho de 2015, o Washington Post, jornal americano, publicou um artigo alegando que cerca de 700 milhões de dólares foram transferidos para a conta privada do primeiro ministro, em nome de um fundo estatal acusado de corrupção. Embora ele tenha conseguido efetivamente encerrar as investigações no país demitindo um deputado e o procurador-geral do país, as investigações internacionais na Suíça e outros países continuam há mais de dois anos. Até agora, Najib Razak sobreviveu a esse escândalo e tem sorte de que a oposição esteja tão desunida no parlamento e na sociedade.

Em termos de economia, a Malásia é um estado de rápido crescimento e modernização. É um dos países economicamente e politicamente mais estáveis no Sudeste Asiático, embora o crescimento econômico tenha desacelerado em 2016. Os seus vastos recursos - incluindo o petróleo - são principalmente investidos na melhoria e desenvolvimento de infraestrutura e outros projetos. A corrupção é um desafio e há sinais de que o governo leve essa luta mais a sério agora.

A Malásia pretende alcançar o status de “alta renda" até 2020, conforme classificado pelo Banco Mundial, e se continuar a crescer economicamente a um ritmo constante, isso é muito possível. Há uma classe média crescente e a pobreza foi reduzida e agora está em um dos níveis mais baixos de todos os países do Sudeste Asiático. As chances de aumentar a prosperidade parecem promissoras.

Os comerciantes nestorianos e persas introduziram o cristianismo nas ilhas de Malaca no século 7, mas o cristianismo só começou a se espalhar com a chegada dos missionários católicos portugueses em 1511. Os britânicos assumiram Malaca em 1795 e a Sociedade Missionária de Londres foi fundada a partir de 1815. As igrejas foram estabelecidas principalmente para servir expatriados britânicos. Por acordo silencioso entre as autoridades britânicas e o sultão, o trabalho missionário entre os muçulmanos não era permitido. Assim, os missionários concentraram-se em tribos animistas. Devido a uma mudança de política do governo, a maioria dos missionários teve que deixar o país até o final da década de 1970, mas a igreja continuou a crescer, especialmente no Leste da Malásia.

Para entender melhor o cristianismo na Malásia, é necessária uma explicação adicional. Nesse país, pode ser mais útil fazer distinções de acordo com a distribuição e origem geográfica da população. Por exemplo, a maioria dos cristãos vem da etnia Bumiputra, que significa "filho do solo". Portanto, eles pertencem ao país e provêm de uma população tribal indígena. Do ponto de vista do governo, eles se qualificam para benefícios estatais, como casas com desconto, bolsas de estudo etc., mas na prática isso só se aplica enquanto os Bumiputra não são cristãos. Se eles se tornam cristãos, seus privilégios são rapidamente retirados.

Os cristãos não Bumiputra vêm principalmente das minorias étnicas chinesas e indianas e são divididos em uma infinidade de denominações diferentes, variando em tamanho das igrejas domésticas às igrejas mega. Finalmente, a distribuição geográfica também é importante. A maioria dos cristãos de Bumiputra está vivendo nos estados de Sabá e Sarawak; o último ainda mantém uma maioria cristã. Esses estados estão no Leste da Malásia e estão situados na ilha de Bornéu (que é compartilhada com Brunei e Indonésia). Para complicar a situação, muitos Bumiputra estão migrando para o Oeste da Malásia por razões educacionais ou econômicas, onde é especialmente difícil para eles permanecerem fiéis à sua fé cristã.

Os cristãos malaios ex-muçulmanos completam a imagem da igreja da Malásia. Esses cristãos enfrentam um alto nível de perseguição, uma vez que eles não apenas deixam sua fé, mas essa decisão é vista como traição contra sua própria etnia e nação.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Dois terços dos cristãos da nação vivem no Leste da Malásia, onde estão apenas 30% da população total do país. Muitas igrejas estão operando em linhas étnicas e têm medo de integrar cristãos com ex-muçulmanos, ou até não vêem necessidade. As principais denominações cristãs na Malásia são os anglicanos, os batistas, os luteranos, os metodistas, os presbiterianos e as igrejas independentes.

A constituição da Malásia define "malaio" como um seguidor do islamismo. Todo cidadão da etnia malaia é, portanto, entendido como muçulmano. Embora o Estado seja secular por definição, o islamismo tem uma forte influência na vida cotidiana. O sistema legal e as instituições políticas do país são fortemente influenciados pelo islamismo. Essa influência está crescendo, o que significa grande desvantagem para a minoria não muçulmana.

Um pouco mais da metade da população é etnicamente malaia, cerca de um quarto é de origem chinesa, 11% são indígenas e cerca de 7% têm antecedentes indianos. O país viveu sérios conflitos étnicos em 1969, que ainda estão vivos na memória da população. A maioria dos malaios étnicos são muçulmanos e, juntamente com os povos indígenas (que muitas vezes não têm educação e vivem no Leste da Malásia), gozam de uma política que dá vantagens nas decisões relativas a cotas, subsídios, empréstimos e benefícios fiscais. Basicamente, esta política exclui os cidadãos com origem chinesa ou indiana (a maior parte dos cristãos vem das minorias não malaias).

Para as minorias religiosas, um ponto de tensão acontece na reivindicação de custódia em casos de divórcio entre religiões diferentes. A fim de reivindicar a custódia com sucesso, o parceiro que geralmente a perde (quase sempre o marido), converte-se rapidamente para o islamismo e apresenta um pedido aos tribunais que seguem a sharia (conjunto de leis islâmicas), que confiam a custódia à parte muçulmana. Em teoria, os tribunais civis estão acima dos tribunais islâmicos, mas, na prática, a polícia considera mais fácil deixar a decisão por conta dos deles. O governo prometeu encontrar uma solução para esse problema em um futuro próximo.

A islamização da sociedade está aumentando, especialmente com a introdução do Índice da sharia, que foi criado pelo governo em 2015 para medir "padrões islâmicos" em vários aspectos da vida da nação. De acordo com o governo, a taxa de cumprimento da sharia em 2015 foi de 75,4%. A pergunta é, como seria a sociedade se a taxa chegasse a 100%? Há também mais restrições que afetam os não muçulmanos também. Por exemplo, durante o Ramadã (período de oração e jejum para os muçulmanos), as cantinas não servem comida a não muçulmanos. A constituição proíbe os malaios de se converterem a outras religiões e limita a propagação de religiões não muçulmanas.

Os convertidos são o grupo que sofre a perseguição mais forte, já que todos os malaios étnicos são considerados muçulmanos. Quem se afasta disto não está indo apenas contra a constituição, mas também contra a sociedade em geral e, claro, contra a família e o bairro. Na verdade, todos os cristãos são observados tanto pelas autoridades como pelas ONGs, mas o foco mais forte é contra grupos protestantes não tradicionais, pois estes tendem a ser mais ativos em testemunhar sobre sua fé.

A população maliana se beneficia da "política de ação afirmativa" do governo, com o efeito de que os não malaios (e com eles a maioria dos cristãos) são virtualmente tratados como cidadãos de segunda classe. Isso inclui o grande grupo de cristãos indígenas Bumiputra.

O chefe do partido político PAS (oposição ao atual governo), que propôs a introdução do código penal islâmico (hudud) no estado nordestino de Kelantan, acusou cristãos abertamente alegando que eles estão convertendo os muçulmanos usando dinheiro como incentivo. Tais comentários semeiam discórdia e ódio contra os cristãos.
Além disso, todas as crianças em escolas primárias são obrigadas a receber a educação islâmica. Nas escolas estaduais, apenas estudantes muçulmanos (incluindo cristãos ex-muçulmanos) devem participar de aulas islâmicas. 

Em 13 de fevereiro de 2017, o pastor Raymond Koh foi sequestrado em plena luz do dia por assaltantes desconhecidos. De acordo com relatos da mídia, esse sequestro poderia ser vinculado a alegações de que ele estava ativo na conversão dos muçulmanos.

  • Ore pela Igreja Perseguida na Malásia, que os cristãos malaios coloquem a esperança no Deus Eterno.

  • Interceda pelo fim da corrupção e das injustiças praticadas contra aqueles que não têm voz para se defender.

  • Peça a Deus que os cristãos perseguidos do país possam ser sal e luz onde estiverem, e que muitos sejam impactados pelo testemunho da igreja.

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