Estado da Líbia

Estado da Líbia

  • Tipo de Perseguição: Opressão Islâmica
  • Capital: Trípoli
  • Região: Norte da África
  • Líder: Fayez al-Sarraj
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe, italiano, inglês e berbere
  • Pontuação: 87

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A Líbia se tornou um clássico Estado falido e, mais de meia década depois da Primavera Árabe, seu sonho de se tornar um país aberto e democrático foi substituído por um cenário de pesadelo, no qual, como em uma colcha de retalhos, grupos extremistas controlam diferentes partes do país e competem por supremacia. Recentes acordos de paz facilitados primeiramente pela Itália, depois pela França são sinais de esperança, mas até agora a implementação desses acordos não se materializou.
 

“O grande desafio para os cristãos líbios é como eles podem se sustentar como cristãos, como podem se reunir com outros irmãos, lidar com a perseguição e ainda continuar no país.”
CRISTÃO LÍBIO

 

A guerra civil em curso no país entre vários grupos militantes aliados com três governos rivais significa que a Líbia continuará a ser um refúgio seguro para grupos militantes islâmicos, como o Estado Islâmico, que trabalham para desestabilizar toda a região. O que resulta também em distúrbios na exportação de petróleo e na provisão de serviços sociais que eram subsidiados pelo Estado antes do conflito. Grandes quantias de dinheiro estão sendo gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência tem causado destruição por toda parte, o que levará anos para ser reconstruído.

Migrantes interceptados na tentativa de fugir para a Europa são mantidos em 24 centros de detenção espalhados pelo país, dirigidos pelo Departamento de Combate à Imigração Irregular (DCIM), que nominalmente está sob o controle do Ministério do Interior. Mas na prática muitos deles são dirigidos por grupos armados sob os quais violência, escravidão e abuso sexual são abundantes. Nesses centros, os refugiados ficam sem proteção, dada a falta de qualquer lei ou sistema de asilo nacional na Líbia. No contexto fortemente islamizado da Líbia, os imigrantes cristãos são particularmente vulneráveis.

O estado contínuo de anarquia torna provável que os cristãos continuem sendo perseguidos na Líbia e também fornece uma base de operações para grupos radicais atacarem cristãos em países vizinhos. As quatro maiores facções envolvidas no conflito são: a do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, que é o líder da união do governo apoiada pela ONU e com base em Trípoli; a do Khalifa Haftar, o homem forte do comando do Exército Nacional Líbio, que domina o leste do país; a de Aguila Saleh Issa, o porta-voz do parlamento, com base na cidade de Tobruk, no leste do país e que se opõe à administração apoiada pela ONU; e a de Khalid al-Mishri, líder do Alto Conselho do Estado, que é o maior corpo consultativo da Líbia, formado no parlamento de 2012. Essas quatro facções concordaram sobre um roteiro que deveria levar à resolução do conflito e a eleições nacionais em dezembro de 2018. Após agitações violentas em setembro de 2018, as eleições foram adiadas para a primavera de 2019, ainda que não tenha sido marcada uma data oficial. Embora haja muita apreensão e incertezas sobre até que ponto esse acordo será implementado efetivamente, pode ser considerado como um passo encorajador rumo à futura paz e estabilidade.
 

O regime do Coronel Gaddafi foi derrubado em 2011 por protestos populares e com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), organização militar composta por 29 países formada em 1949. A guerra civil causou a morte de pelo menos 30 mil líbios, de acordo com estimativas do Conselho Nacional de Transição (NTC) da Líbia.

O Conselho Nacional de Transição assumiu o governo em fevereiro de 2011. Em 7 de julho de 2012, os líbios votaram nas primeiras eleições parlamentares desde o fim do governo de Gaddafi. A nova assembleia teve a tarefa de redigir uma nova constituição da Líbia para ser aprovada em um referendo geral.

Embora esses desenvolvimentos tenham sido considerados avanços democráticos notáveis, devido à escalada de conflitos entre as várias forças que combateram Gaddafi, o país já alcançou uma situação de guerra civil. Em termos gerais, a guerra coloca uma coalizão de grupos tribais e nacionalistas armados, com sede no leste do país, contra grupos militantes radicais islâmicos e uma mistura de militantes tribais e regionais baseados na parte ocidental do país.

De um lado da guerra civil, há as forças do Oriente que lançaram uma campanha militar chamada Operação Dignidade, que também serve como designação popular para as forças do Leste, e é liderada pelo general Khalifa Haftar. Essa campanha militar é sancionada pela Câmara dos Deputados eleita em 2014.

Embora a Câmara dos Deputados tenha desfrutado do reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e da maior parte da comunidade internacional desde 2014, ela foi expulsa da capital por facções rivais e forçada a se refugiar no leste da Líbia, na cidade de Tobruk.

A Operação Dignidade recebe substancial apoio material e diplomático do Egito, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que consideram todas as forças em ascensão do islamismo militante na Líbia como uma ameaça à estabilidade da região.

Do outro lado da guerra civil, a coalizão de forças composta em grande parte de islâmicos radicais, com vários níveis de extremismo, opera sob o nome de Amanhecer Líbio. Muitos desses integrantes saíram do processo de transição democrática legal devido à frustração com seu fraco desempenho nas eleições parlamentares de junho de 2014.

Esses criaram o próprio parlamento e governo rival em Trípoli. As forças da Amanhecer Líbio aproveitam o apoio do Catar e da Turquia. Elementos dessa coalizão juraram fidelidade ao Estado Islâmico e executaram os ataques mais desprezíveis contra os cristãos estrangeiros na Líbia por meio de decapitações.

Um terceiro governo que está em cena desde 2016 é o chamado Governo de Acordo Nacional (GNA). No início de 2016, a ONU facilitou um processo de negociação que levou à formação desse novo governo de unidade. Ele levou alguns meses até chegar a Trípoli e assumir o controle da capital.

O GNA ainda não conseguiu garantir a aprovação do parlamento que se baseia em Tobruque, mas teve sucesso considerável em sua campanha militar contra o Estado Islâmico. Forças leais ao GNA retomaram a cidade de Sirte em 2016, que tinha sido a fortaleza dos militantes do Estado Islâmico na Líbia. O GNA tem o apoio formal da ONU.

O presidente da França, Emmanuel Macron, conseguiu juntar os principais antagonistas em uma cúpula em Paris em maio de 2018. O encontro foi considerado um sucesso, visto que as partes em guerra civil concordaram verbalmente sobre um acordo de paz que culminaria em eleições em dezembro de 2018. No entanto, o acordo parece ser muito tênue e ainda há grupos militantes que não foram incluídos que poderiam impedir sua implementação. Em novembro de 2018, o enviado especial da ONU declarou que um fórum especial será realizado no começo de 2019 para organizar eleições presidenciais e parlamentares na primavera de 2019. Ele acusou os partidos envolvidos de deliberadamente adiar a votação para servir a seus próprios interesses, após o repentino aumento da violência em setembro de 2018.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 2018, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Líbia está classificada na posição 108 em 188 países. Embora a Líbia seja um dos países do continente africano que tenha apresentado um desempenho relativamente bom nessa avaliação do PNUD, desde a Primavera Árabe, seu desempenho geral no ranking vem caindo como resultado, dentre outras coisas, de uma diminuição da acessibilidade e da qualidade de cuidados de saúde e educação.

A guerra civil em curso resultou na interrupção das exportações de petróleo e na provisão de serviços sociais que eram subsidiados pelo Estado antes do conflito entrar em erupção. Grandes quantidades de dinheiro são gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência causou uma destruição generalizada que levará anos para se reconstruir. A anarquia reinante também facilitou a vida dos traficantes de seres humanos, sendo a Líbia uma das principais rotas para milhares de migrantes que atravessam o Mediterrâneo para a Europa.

O cristianismo existe na Líbia desde os tempos do Novo Testamento. Com o surgimento do islã, a igreja foi quase eliminada entre os séculos 7 e 12. Entre os séculos 12 e 17, as atividades dos cristãos eram muito limitadas.

A Igreja Católica Romana foi reintroduzida no século 15, mas não foi ativa no trabalho missionário. Outras denominações chegaram mais tarde no final do século 19. No início da Segunda Guerra Mundial, todos os missionários não católicos foram expulsos do país e não conseguiram retornar até 1946. A igreja nativa, formada por cristãos ex-muçulmanos, é particularmente vulnerável à perseguição e os números de cristãos são baixos.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

As pequenas comunidades cristãs consistem quase que exclusivamente de imigrantes subsaarianos e de pouquíssimos trabalhadores norte-americanos e europeus. Há também um pequeno grupo de asiáticos (em geral indianos). Entre 100 e 200 anglicanos, principalmente da África Subsaariana, participam de cultos semanais de domingo em Trípoli.

Cerca de 80 cristãos ortodoxos, incluindo membros das comunidades grega, romena, búlgara e russa, participam de cultos semanais de sexta-feira em Trípoli. Centenas de protestantes imigrantes africanos também vão a esses cultos. No entanto, dada a situação instável do país, é impossível ter estimativas acuradas de números.

Quase 98% dos líbios são muçulmanos, praticamente todos pertencentes ao islamismo sunita. O domínio do islã é reconhecido de forma constitucional explícita, enquanto as antigas raízes do cristianismo na Líbia foram quase completamente apagadas. Na guerra civil após a derrubada do regime de Muammar Gaddafi, grupos islâmicos militantes ainda lutam para conquistar a vantagem.

O pequeno grupo de líbios que são cristãos mantém a fé em segredo. Líbios são proibidos de participar do culto em igrejas oficiais. O número de cristãos ex-muçulmanos é muito baixo, mas com o surgimento de programas de TV cristãos via satélite e sites cristãos em árabe, o interesse no cristianismo tem aumentado. Como na maioria dos países muçulmanos, a conversão causa pressão social e familiar. A maioria dos cristãos líbios tem medo de se encontrar com outros cristãos, visto que qualquer forma de agrupamento religioso, que não seja islâmico, é proibido para os líbios.

Sob o governo de Gaddafi, o serviço de segurança do governo foi efetivo na prevenção do surgimento de milícias islâmicas armadas, mas com a situação atual da guerra civil, até mesmo a versão mais extrema do islamismo na forma do Estado Islâmico encontrou um ponto de apoio na Líbia.

O cenário é terrível para os cristãos na Líbia, muitos dos quais são imigrantes ilegais da África Subsaariana tentando abrir caminho até a Europa. Embora, em termos militares, as forças do Estado Islâmico pareçam ter sido derrotadas na Líbia e perdido sua fortaleza em Sirte, remanescentes do grupo ainda representam uma ameaça para os cristãos.

Além disso, existem vários outros grupos islâmicos radicais que atuam, em especial, na parte ocidental do país. Junto com grupos criminosos envolvidos no tráfico de seres humanos e sequestros por resgate, são as duas principais fontes de perseguição na Líbia. Esses grupos se envolvem em todos os tipos de comportamento predatório contra os imigrantes que tentam atravessar a Líbia em direção à Europa.

Além de serem mantidos como reféns, muitos são vendidos como escravos e as mulheres submetidas a agressões sexuais e violações. Os cristãos líbios ex-muçulmanos enfrentam uma pressão muito violenta e intensa da família e comunidade em geral para renunciar à fé. Estrangeiros de outras partes do continente também são alvo de vários grupos de extremistas islâmicos e criminosos organizados.

Eles sequestram os cristãos e, muitas vezes, matam de maneira brutal. Mesmo quando nossos irmãos não enfrentam tal destino, os da África Subsaariana são assediados, muitas vezes forçados a trabalhar em centros de detenção e sujeitos a ameaças de radicais. Os cristãos que expressam publicamente a fé e tentam compartilhar o evangelho com os outros também enfrentam o risco de prisão e violência.

A ausência de um único governo central para impor lei e ordem tornou precária a situação para os cristãos. O nível de violência contra eles na Líbia é muito alto e, muitas vezes, são submetidos a um tratamento violento, desumano e degradante.

Muitos cristãos coptas que estavam tentando voltar para o Egito foram detidos em uma prisão no aeroporto de Trípoli por duas semanas. Eles foram açoitados duas vezes por dia enquanto estavam na prisão. Pelo menos um deles já estava em cativeiro como refém por mais de duas semanas em Benghazi até que sua família pagou o resgate.

Em novembro de 2016, dois cristãos egípcios foram executados na Líbia por um grupo chamado Ansar al-Sharia devido à fé. Um relatório da Anistia Internacional dá uma indicação clara sobre o que acontece com os cristãos atualmente. Um jovem de 26 anos da Eritreia, que foi mantido em um centro de detenção em Zauia, disse: "Eles odeiam os cristãos. Se você é um, tudo o que posso dizer é que Deus o ajude se te descobrirem".

Outro ex-prisioneiro (da Nigéria) disse que os guardas no centro de detenção em Misurata separavam os homens de acordo com a religião e atacavam aqueles que eram cristãos. Um homem de 22 anos de idade da Eritreia, que foi espancado em uma detenção depois que seu barco foi interceptado, declarou: "Eles me bateram, pegaram meu dinheiro e jogaram minha Bíblia e a cruz que eu usava no meu pescoço... Primeiro, eles verificaram se alguém tinha dinheiro nos bolsos, depois eles pegaram um cabo elétrico e nos chicotearam".
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Os cristãos da Líbia enfrentam vários desafios nas seguintes áreas: alto nível de brutalidade contra eles, através de radicais islâmicos; completo colapso da lei e da ordem, o que faz os cristãos particularmente vulneráveis; nem mesmo o governo reconhecido internacionalmente tem políticas de proteção para os cristãos; conversão ao cristianismo é muito perigosa, e praticamente impossível.

  • Clame para que Deus desfaça os planos do Estado Islâmico na Líbia, mostrando a eles sua misericórdia, graça e soberania sobre todas as coisas.
  • Interceda pela crescente igreja de cristãos ex-muçulmanos, principalmente por aqueles que são isolados, não participando da comunhão do corpo de Cristo.
  • Ore para que muitos ouçam o evangelho através de programas de TV a cabo e internet e peça pelos novos convertidos, para que sejam discipulados, guardados de todo mal e cresçam na fé.

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