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Estado da Líbia

Estado da Líbia

  • Fonte de Perseguição: Opressão Islâmica
  • Capital: Trípoli
  • Região: Oriente Médio
  • Lider: Em transição
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 86

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A violência para os cristãos na Líbia aumentou, principalmente para os  estrangeiros que são geralmente tratados muito mal. Atualmente a Líbia está em estado de anarquia. A guerra civil em curso no país entre vários grupos militantes aliados com três governos rivais significa que a Líbia continuará a ser um refúgio seguro para grupos militantes islâmicos como o Estado Islâmico, que trabalham para desestabilizar toda a região. 

O estado contínuo de anarquia torna provável que os cristãos continuem sendo perseguidos na Líbia e também fornece uma base de operações para grupos militantes para atacar cristãos em países vizinhos. Infelizmente, parece não haver fim à guerra civil e à instabilidade que envolveu a Líbia desde as revoltas da Primavera Árabe. 

Embora Fayez al-Sarraj, líder do Governo de Acordo Nacional (GNA) apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com sede em Trípoli, e o general Khalifa Haftar, líder das forças armadas leais ao parlamento com sede em Tobruk, se encontraram para discutir acordos de paz em várias ocasiões (por exemplo, em 25 de julho de 2017), observadores internacionais duvidam se tais acordos podem ser implementados.

Sendo assim, a Líbia tornou-se um típico Estado fracassado. Desde os levantes iniciais da Primavera Árabe, seus sonhos de se tornar um país aberto e democrático foram substituídos por um cenário de pesadelo em que uma mistura de grupos militantes controla diferentes partes do país e disputa a supremacia. A situação não mostrou nenhum sinal de melhora ao longo dos anos e é difícil ver como o conflito será resolvido em breve. Enquanto isso, a guerra e a anarquia aumentaram a vulnerabilidade dos cristãos no país.

Líbia

O regime do Coronel Gaddafi foi derrubado em 2011 por protestos populares e com o apoio da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, organização militar composta por 29 países formada em 1949. A guerra civil causou a morte de pelo menos 30 mil líbios de acordo com estimativas do Conselho Nacional de Transição (NTC) da Líbia. 

O Conselho Nacional de Transição assumiu o governo em fevereiro de 2011. Em 7 de julho de 2012, os líbios votaram nas primeiras eleições parlamentares desde o fim do governo de Gaddafi. A nova assembleia teve a tarefa de redigir uma nova Constituição da Líbia para ser aprovada em um referendo geral.

Embora esses desenvolvimentos tenham sido considerados avanços democráticos notáveis, devido à escalada de conflitos entre as várias forças que combateram Gaddafi, o país já alcançou uma situação de guerra civil. Em termos gerais, a guerra coloca uma coalizão de grupos tribais e nacionalistas armados, com sede no leste do país, contra grupos militantes radicais islâmicos e um amálgama de militantes tribais e regionais baseados na parte ocidental do país.

De um lado da guerra civil, há as forças do Oriente que lançaram uma campanha militar chamada Operação Dignidade (que também serve como designação popular para as forças do Leste) e é liderada pelo general Khalifa Haftar. Essa campanha militar é sancionada pela Câmara dos Deputados eleita em 2014. 

Embora a Câmara dos Deputados tenha desfrutado do reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e da maior parte da comunidade internacional desde 2014, foi expulsa da capital por facções rivais e forçada a se refugiar no Leste da Líbia, na cidade de Tobruk. 

A Operação Dignidade recebe substancial apoio material e diplomático do Egito, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que consideram todas as forças em ascensão do islamismo militante na Líbia como uma ameaça à estabilidade da região.

Do outro lado da guerra civil, a coalizão de forças composta em grande parte de militantes islâmicos radicais com vários níveis de extremismo opera sob o nome de Amanhecer Líbio. Muitos desses militantes saíram do processo de transição democrática legal devido à frustração com seu fraco desempenho nas eleições parlamentares de junho de 2014. 

Esses criaram seu próprio parlamento rival (dos restos do Congresso Nacional Geral da Líbia que tomaram do Conselho Nacional de Transição para os anos 2012 a 2014) e seu próprio governo rival em Trípoli. As forças da Amanhecer Líbio aproveitam o apoio do Catar e da Turquia. Elementos dessa coalizão juraram fidelidade ao Estado Islâmico e executaram os ataques mais desprezíveis contra os cristãos estrangeiros na Líbia por meio de decapitações.

Um terceiro governo que está em cena desde 2016 é o chamado Governo de Acordo Nacional (GNA). No início de 2016, a ONU facilitou um processo de negociação que levou à formação deste novo governo de unidade. Esse novo governo levou alguns meses até chegar a Trípoli e assumir o controle da capital.

O GNA ainda não conseguiu garantir a aprovação do parlamento que se baseia em Tobruk, mas teve sucesso considerável em sua campanha militar contra o Estado Islâmico. Forças leais ao GNA retomaram a cidade de Sirte em 2016, que tinha sido a fortaleza dos militantes do Estado Islâmico na Líbia.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Líbia está classificada na posição 102 em 188 países. Embora a Líbia seja um dos países do continente africano que tenha apresentado um desempenho relativamente bom nessa avaliação do PNUD, desde a Primavera Árabe, seu desempenho geral no ranking vem caindo como resultado, dentre outras coisas, de uma diminuição da acessibilidade e da qualidade de cuidados de saúde e educação. 

A guerra civil em curso resultou na interrupção das exportações de petróleo e na provisão de serviços sociais que eram subsidiados pelo Estado antes do conflito entrar em erupção. Grandes quantidades de dinheiro são gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência causou uma destruição generalizada que levará anos para se reconstruir. A anarquia reinante também facilitou a vida dos traficantes de seres humanos, sendo a Líbia uma das principais rotas para milhares de migrantes que atravessam o Mediterrâneo para a Europa.

O cristianismo existe na Líbia desde os tempos do Novo Testamento. Com o surgimento do Islã, a igreja foi quase eliminada entre os séculos 7 e 12. Entre os séculos 12 e 17, as atividades dos cristãos eram muito limitadas.

A Igreja Católica Romana foi reintroduzida no século 15, mas não foi ativa no trabalho missionário. Outras denominações chegaram mais tarde no final do século 19. 
No início da Segunda Guerra Mundial, todos os missionários não-católicos foram expulsos do país e não conseguiram retornar até 1946.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As pequenas comunidades cristãs consistem quase que exclusivamente de imigrantes subsaarianos e de pouquíssimos trabalhadores norte-americanos e europeus. Há também um pequeno grupo de asiáticos (em geral indianos). Entre 100 e 200 anglicanos, principalmente da África Subsaariana, participam de cultos semanais de domingo em Trípoli.

Cerca de 80 cristãos ortodoxos, incluindo membros das comunidades grega, romena, búlgara e russa, participam de cultos semanais de sexta-feira em Trípoli. Centenas de protestantes imigrantes africanos também vão aos cultos em Trípoli. 

A Portas Abertas estima que cerca de 500 mil estrangeiros estejam no país, principalmente vindos de países árabes vizinhos e África Subsaariana, e em números menores vindos do Sul e Sudeste Asiáticos.

Quase 98% dos líbios são muçulmanos, praticamente todos pertencentes ao islamismo sunita. O domínio do islã é reconhecido de forma constitucional explícita, enquanto as antigas raízes do cristianismo na Líbia foram quase completamente apagadas. Na guerra civil após a derrubada do regime de Muammar Gaddafi, grupos islâmicos militantes ainda lutam para conquistar a vantagem.

Segundo o governo de Gaddafi, o serviço de segurança do governo foi efetivo na prevenção do surgimento de milícias islâmicas armadas, mas com a situação atual da guerra civil, até mesmo a versão mais extrema do islamismo militante na forma do Estado Islâmico encontrou um ponto de apoio na Líbia. 

A situação é terrível para os cristãos na Líbia, muitos dos quais são imigrantes ilegais da África Subsaariana tentando abrir caminho até a Europa. Embora, em termos militares, as forças do Estado Islâmico pareçam ter sido derrotadas na Líbia e perdido sua fortaleza em Sirte, ainda é muito cedo para concluir que o grupo está derrotado na Líbia e não seja mais uma ameaça aos cristãos no país.

Além disso, existem vários outros grupos islâmicos radicais que atuam em especial na parte ocidental do país. Grupos criminosos envolvidos no tráfico de seres humanos e sequestros por resgate são as principais fontes de perseguição quando se trata de corrupção organizada e crime. Esses grupos se envolvem em todos os tipos de comportamento predatório contra os imigrantes que tentam atravessar a Líbia em direção à Europa.

Além de serem mantidos como reféns exigindo-se, muitos são vendidos como escravos e as mulheres submetidas a agressões sexuais e violações. Os cristãos líbios ex-muçulmanos enfrentam uma pressão muito violenta e intensa da família e comunidade em geral para renunciar à fé. Estrangeiros de outras partes do continente também são alvo de vários grupos militantes islâmicos e grupos criminosos organizados.

Esses grupos sequestram os cristãos e, muitas vezes, matam de maneira brutal. Mesmo quando eles não enfrentam tal destino, os cristãos da África Subsaariana são assediados, muitas vezes forçados a trabalhar em centros de detenção e sujeitos a ameaças de radicais. Os cristãos que expressam publicamente a fé e tentam compartilhar o evangelho com os outros também enfrentam o risco de prisão e violência.

A ausência de um único governo central para impor lei e ordem no município tornou precária a situação para os cristãos. O nível de violência contra eles na Líbia é muito alto e, muitas vezes, são submetidos a um tratamento muito violento, desumano e degradante.

Muitos cristãos coptas que estavam tentando voltar para o Egito foram detidos em uma prisão no aeroporto de Trípoli por duas semanas. Eles foram açoitados duas vezes por dia enquanto estavam na prisão. Pelo menos um deles já estava em cativeiro como refém por mais de duas semanas em Benghazi até que sua família pagou o resgate.

Em novembro de 2016, dois cristãos egípcios foram executados na Líbia por um grupo chamado Ansar al-Sharia devido à fé. Um relatório da Anistia Internacional dá uma indicação clara sobre o que acontece com os cristãos atualmente. Um jovem de 26 anos da Eritreia, que foi mantido em um centro de detenção em al-Zawiya, disse: "Eles odeiam os cristãos. Se você é um, tudo o que posso dizer é que Deus o ajude se te descobrirem".

Outro ex-prisioneiro (da Nigéria) disse que os guardas no centro de detenção em Misurata separam os homens de acordo com a religião e afligiam aqueles que são cristãos. Um homem de 22 anos de idade da Eritreia, que foi espancado em uma detenção depois que seu barco foi interceptado, declarou: "Eles me bateram, pegaram meu dinheiro e jogaram minha Bíblia e a cruz que eu usava no meu pescoço... Primeiro, eles verificam se alguém tinha dinheiro nos bolsos, depois eles pegaram um cabo elétrico e nos chicotearam".

•    O nível de brutalidade contra os cristãos pelos militantes islâmicos é alto. Ore para que o Senhor proteja nossos irmãos dessa violência.
•    A quebra completa da lei e da ordem torna os cristãos particularmente vulneráveis. Peça a Deus que lhes dê sabedoria e coragem para não caírem em armadilhas.
•    Mesmo o governo sendo reconhecido internacionalmente, não há proteção política suficiente para os cristãos. Ore para que o Espírito Santo toque os líderes e governantes em favor dos cristãos perseguidos.

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