República Democrática Popular do Laos

República Democrática Popular do Laos

  • Tipo de Perseguição: Opressão comunista
  • Capital: Vientiane
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Bounnhang Vorachit
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Budismo
  • Idioma: Laociano, francês, inglês e vários idiomas étnicos
  • Pontuação: 71

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Apesar dos desafios sociais e das boas notícias de uma economia em bom desenvolvimento, um fator permanece de suma importância: o Laos depende dos vizinhos maiores como Vietnã e China. Como um país sem litoral, ele precisa ter acesso ao mar e depende especialmente da China para grandes projetos de infraestrutura. Essa dependência tem várias implicações:

1) Para a economia do país, isso significa que o governo só pode influenciar parcialmente as principais decisões.

2) Para o futuro político, isto é, no que se refere aos direitos civis e à liberdade de religião, significa que é improvável que o Laos se atente para as minorias religiosas a curto prazo.

3) Após a presidência do país na ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático, bloco econômico criado em 1967, composto por 10 países da região), o Laos será novamente ignorado por observadores internacionais e a situação dos cristãos perseguidos no país provavelmente continuará, em grande parte, despercebida.
 

“É um lugar difícil para cristãos, mas cremos que Deus está agindo. Se focarmos somente no que vemos, vamos ficar desanimados”.
TEO (PSEUDÔNIMO), PASTOR DO LAOS

 

Em meados da década de 1970, o regime comunista iniciou uma campanha contra a minoria cristã para erradicá-la do Laos, mas fracassou. Apesar disso, a igreja está prosperando e a perseguição não impede os cristãos de seguirem a Cristo.

Em geral, há mais liberdade de culto para os cristãos nas áreas urbanas do que nas áreas rurais. Nas áreas rurais, os cristãos correm sempre o risco de serem perturbados, assediados ou mesmo presos pelas autoridades locais. Em cidades maiores, os cristãos podem encontrar mais espaço para atividades, desde que não perturbem a paz. Há também relatos de que os cristãos das minorias étnicas são expulsos por suas comunidades e forçados a viver na selva, onde muitas vezes permanecem meses ou anos e finalmente precisam se mudar.

Ainda há uma grande necessidade de literatura e Bíblias cristãs em línguas minoritárias. Por exemplo: 50% da população total cristã é da tribo Khmu e ainda não tem uma Bíblia em seu próprio idioma. Visto que a maioria dos cristãos é muito pobre e é frequentemente expulsa de seus vilarejos, ajuda socioeconômica é igualmente necessária.

Em seu relatório anual de 2018, a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional voltou a colocar o Laos em sua lista de países do Nível 2. (Países de nível 2 são selecionados para ser monitorados devido à natureza e extensão de violações à liberdade religiosa nas quais o governo toma parte ou tolera).
 

O Laos foi uma colônia francesa até 1953. Uma luta de poder se seguiu até que as forças comunistas derrubaram a monarquia em 1975, anunciando anos de isolamento. Após a queda da União Soviética na década de 1990, o Laos começou a se abrir para o mundo. Apesar das reformas econômicas, o país permanece pobre e dependente da ajuda externa.

Em março de 2016, o Laos tornou-se presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que trouxe o país ao foco internacional, mas isso não levou a nenhuma abertura adicional. O Fórum Popular da ASEAN – conectando a sociedade civil e os atores dos direitos humanos de todo o Sudeste Asiático – é geralmente hospedado pelo país que preside a ASEAN.

No entanto, em agosto de 2016, teve de ser realizado no Timor Leste, destacando o fato de que o governo do Laos não está preparado para dar à sociedade civil em geral, nem a uma minoria religiosa como os cristãos em particular, qualquer espaço para expressar seus pontos de vista. O país continua a cair com muita dureza em qualquer dissidência percebida, que inclui a fé cristã.

Por outro lado, o Laos precisa desesperadamente de desenvolvimento e crescimento econômico, e o investimento estrangeiro precisará de uma maior abertura. O país está no caminho certo, visto que é uma das economias que mais crescem no Leste Asiático e região do Pacífico. No entanto, seu crescimento depende em grande medida de seu grande investidor e vizinho, China.

O Partido Comunista não planeja quaisquer reformas democráticas. Sendo influenciado por dois vizinhos maiores que ainda são comunistas (China e Vietnã), o Laos está procurando por exemplos sobre como controlar a sociedade. Termos como "regra da lei" ou "direitos humanos" não desempenham um papel importante no país. Especialmente os líderes locais e provinciais são lentos para implementar leis. O Partido Comunista continua a manter seus padrões tradicionais de decisão, a saber, o nepotismo e a corrupção quando se trata da economia e a supressão no que diz respeito às questões políticas e sociais.

As autoridades budistas e os líderes das religiões étnicas muitas vezes se dão bem com as autoridades comunistas por causa de interesses sobrepostos. Uma vez que quase metade da população pertence a minorias étnicas, vigiar atentamente é importante para o governo. A ampla ancoragem do budismo em todo o país é um meio útil para manter o controle. Essa é a razão mais profunda pela qual o Laos está menos abalado por conflitos étnicos, religiosos ou sociais do que alguns dos países vizinhos – simplesmente não há espaço para expressar diferentes pontos de vista ou para realizar manifestações devido ao controle do governo.

O budismo serve como um centro de ligação para toda a sociedade e está intimamente ligado ao nacionalismo. As práticas animistas também têm uma influência muito forte sobre a sociedade, especialmente nas áreas rurais, e servem como fonte de pressão sobre os cristãos: as pessoas que não participam de práticas animistas, são excluídas da comunidade e aprenderão sobre o que significa “ser um estranho”.

O Laos é um dos países mais pobres do mundo. Sua economia sofre de redes que favorecem as famílias dos membros do partido, ampliado aos seus amigos íntimos. A questão regional também é muito importante. Sem acesso a essas redes, é difícil conseguir bons empregos ou obter cargos administrativos. A corrupção no Laos é abrangente, constatada, e difícil de ser mudada.  Além disso, como não há imprensa livre no país, não há pressão pública para a prestação de contas. A transferência de poder dentro do Partido Comunista que ocorreu em 2016, e as eleições que acompanharam o parlamento em março de 2016, não alteraram nada a esse respeito.

Apesar do considerável crescimento econômico do país desde a liberalização econômica de 1986, quando o Partido Comunista descentralizou o controle sobre a economia e incentivou o início das empresas privadas, o Laos ainda é um dos países menos desenvolvidos do mundo. Existe uma enorme lacuna entre o desenvolvimento nas áreas urbanas e nas áreas rurais, sendo essas as menos desenvolvidas, especialmente em termos de infraestrutura como eletricidade, água, saneamento, etc.

À medida que a diferença de renda cresce, o mesmo ocorre com o potencial de agitação social. Devido à corrupção desenfreada e ao amiguismo, ou seja, a parcialidade para os amigos de longa data, apenas a liderança do país se beneficia dos ganhos econômicos e a maioria dos cidadãos é deixada na pobreza, com condições de saúde precárias e uma taxa de inflação crescente.

A cultura tradicional do Laos (budismo) percebe que é natural que a riqueza e o poder se concentrem nas mãos da elite governante em virtude de seu carma. Esse carma determina seu nascimento e status social. O meio para melhorar seu próprio status é construir uma rede baseada em obrigação e lealdade, dadas em troca de proteção e assistência em momentos de necessidade. Dado esses valores sociais subjacentes, há poucas possibilidades de serem feitas melhorias em regiões não desenvolvidas ou mesmo de um protesto aberto; afinal, o que acontece é determinado pelo próprio carma e tem de ser aceito.

Os missionários católicos romanos (jesuítas do Vietnã) fizeram várias tentativas de entrar no território do Laos a partir de 1630. No entanto, não conseguiram até que a Sociedade de Missão Estrangeira de Paris entrou no país em 1878, e uma estação de missão em Ban Dorn Don (uma ilha no rio Mekong) foi estabelecida.

Os cristãos presbiterianos estabeleceram igrejas na Tailândia (Siam) na década de 1860 e os missionários suecos e suíços se deslocaram para o leste do Laos em 1890 e 1902, respectivamente. No entanto, o protestantismo não se espalhou até que a Aliança Cristã Missionária entrou no Laos em 1948. A minoria khmer, dominada pela maioria lao, começou a responder de forma positiva, assim como outros grupos minoritários.

A Igreja Católica Romana está presente nas cinco províncias do centro e do sul, onde o número populacional é significativo, e geralmente é capaz de trabalhar sem perturbações. Em abril de 2010, ocorreu a ordenação oficial de um bispo católico lao e, em maio de 2017, o primeiro cardeal lao foi anunciado. De acordo com o World Christian Database, cerca de 45 mil católicos vivem no país. A Igreja Evangélica Lao (LEC) é oficialmente reconhecida e consiste em cerca de 400 igrejas com cerca de 100 mil cristãos.

Outros grupos protestantes não conseguem obter reconhecimento ou registro, pois o governo exige que eles se tornem parte da LEC. Os grupos cristãos que não são reconhecidos pelo governo incluem metodistas, Igreja de Cristo, assembleianos, luteranos e batistas.

No período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), três igrejas receberam ordem de fechamento. Ao menos 27 cristãos foram detidos e mais de 60 fisicamente agredidos ao serem expulsos de casa, em março de 2018. Há relatos de que igrejas da minoria hmong foram destruídas, mas não puderam ser confirmados, por isso não foram considerados na pontuação da Lista.

A lei de associações entrou em vigor em 1 de novembro de 2017 e tem complicado a vida da igreja. Como resultado direto dessa atualização, agora os cristãos da província de Luang Prabang são mais pressionados pela polícia para parar de realizar cultos. A nova lei requer um lugar de culto registrado que seja de propriedade da igreja e de um ministro registrado para ser considerada legal. No entanto, é quase impossível cumprir essa exigência. Primeiro, porque ninguém venderia um terreno para uma igreja. Segundo, porque a nova lei afirma que a construção de igrejas precisa ser aprovada pelo primeiro-ministro.

Em agosto de 2016, o primeiro-ministro, Thongloun Sisoulith, expediu um novo regulamento: o Decreto 315 sobre Administração e Proteção de Atividade Religiosas. O decreto define o papel do governo como o árbitro final de atividades religiosas permissíveis. Em agosto de 2017, o governo lançou uma atualização, que trouxe mais restrições para cristãos no período de apuração da Lista Mundial da Perseguição 2019.

O país ainda está sob o comando do Partido Comunista e, portanto, a religião é algo que as autoridades veem como hostil. Enquanto o budismo é aceito como sendo parte da herança do país até certo ponto e as religiões animistas são vistas como superstições indescritíveis, o cristianismo é visto como estrangeiro, ligado aos valores ocidentais e hostis.

O Laos é um dos poucos países budistas de Theravada no mundo, seguindo a tradição budista mais antiga ainda existente. Mas, como esse antigo sistema de fé se encaixa na ideologia comunista da liderança nacional? Existe uma estreita ligação entre a sociedade e a influência do budismo, templos e monges. Os templos budistas são centros de vida comunitária, especialmente nas áreas rurais, e a maioria dos homens budistas passa algum tempo de suas vidas em um templo – variando de alguns dias a longos períodos de tempo.

Os objetivos religiosos de alguns monges budistas se sobrepõem aos objetivos políticos do Partido Comunista, ou seja, manter o controle do país. O objetivo principal dos comunistas é preservar a estabilidade no país e manter o governo seguro. O objetivo predominante de muitos monges budistas é preservar seu papel respeitado na sociedade e manter seu monopólio em questões religiosas e influência política. Esse desejo de preservação de poder e posição apresenta muitos pontos comuns a ambos os lados.

Várias tradições populares foram incorporadas ao budismo. As tradições populares, por exemplo, veneram lugares especiais como rios ou árvores, fenômenos naturais e incluem adoração ancestral.

Os cristãos somam 3,2% da população e estão divididos em cerca de dois terços de protestantes e um terço de católicos. Uma grande proporção de católicos tem origem étnica lao, enquanto a maioria dos protestantes, principalmente membros da Igreja Evangélica Lao, pertence a grupos étnicos minoritários como hmong e khmu. Na verdade, mais de 50% da população total cristã é da tribo khmu.

Os cristãos são regularmente perseguidos pelas autoridades governamentais (comunistas) e por membros locais do Partido Comunista. Há ocasiões em que as autoridades cooperam com os líderes religiosos locais, principalmente líderes tribais das aldeias e, às vezes, monges budistas também, para pressionar os cristãos, especialmente os convertidos. Converter-se ao cristianismo e enfrentar perseguição em sua própria família é muito frequente. Também houve esforços para monitorar as atividades das igrejas domésticas com a ajuda de igrejas registradas. Os cidadãos comuns, especialmente nas áreas rurais, observam os cristãos com suspeita e até mesmo expulsam da aldeia em determinadas ocasiões.

As autoridades comunistas monitoram fortemente todas as atividades religiosas e as controlam, inclusive as da igreja registrada. Como todos os encontros devem ser notificados à administração, as igrejas domésticas devem operar de forma clandestina, pois são consideradas "reuniões ilegais". Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam o peso da perseguição. Eles são considerados pessoas fora da comunidade (budista-animista) e, consequentemente, são perseguidos pela própria família e pelas autoridades locais, muitas vezes agitando a comunidade ou usando líderes religiosos locais.

  • Ore para que os cristãos tenham sabedoria para testemunhar para seus vizinhos budistas e familiares. Peça que os esforços deles sejam bem recebidos pelos budistas.
  • Clame para que os cristãos do Laos tenham livre acesso à Bíblia e a igrejas registradas. Ore pelas crianças cristãs que estudam em escolas budistas, para que não sejam discriminadas e não recebam notas baixas simplesmente por causa da fé.
  • O Laos é um dos cinco países marxista-leninistas que restam no mundo e como tal se opõe rigorosamente a qualquer influência considerada estrangeira ou ocidental. O Partido Comunista põe uma enorme pressão sobre a pequena minoria cristã. Interceda por maior abertura e aceitação em relação ao cristianismo e por progresso na liberdade de religião.

 

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