Estado do Kuwait

Estado do Kuwait

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Kuwait
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Amir Sabah al-Ahmed al-Jaber al-Sabah
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Islamismo (oficial), cristianismo
  • Idioma: Árabe (oficial), inglês
  • Pontuação: 60

POPULAÇÃO
. MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Com pontuação 60, o Kuwait se classificou em 43º na Lista Mundial da Perseguição 2019, com um ponto a menos que em 2018. A pressão ainda permanece muito alta, os convertidos do islamismo influenciam o peso da perseguição ao enfrentarem pressão de membros da família e comunidade local.

A sociedade está se tornando mais conservadora, produzindo assim um ambiente mais hostil aos cristãos, especialmente ex-muçulmanos. O governo por certo permitirá que isso continue, desde que não se sinta desafiado na administração do poder, para apaziguar os grupos islâmicos radicais na sociedade.


“Desde que eu recebi Jesus, coisas começaram a mudar em minha vida. Eu parei de beber, eu parei de fumar. Eu frequento a igreja agora e sou parte de uma equipe de adoração. Com a ajuda do Espírito Santo eu tento seguir a Jesus mais e mais.”
CRISTÃO DO KUWAIT
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• Alguns cristãos foram realocados dentro do país devido à pressão da sociedade.

• O abuso de trabalhadores estrangeiros é um fenômeno disseminado, com o caso do trabalhador filipino encontrado morto em um freezer em fevereiro de 2018, expondo apenas a ponta do iceberg. Dado o alto número de cristãos entre os trabalhadores expatriados, é razoável assumir que ao menos alguns deles não apenas experimentaram abuso sexual por causa de sua diferença étnica, mas também por causa da sua fé. Em outras palavras, é como se a fé cristã acrescentasse vulnerabilidade.

• Os cristãos temem que o surgimento do radicalismo sunita na região possa afetar a sociedade. Espera-se que isso não altere o registro do Kuwait de zero incidentes violentos contra os cristãos.

• O governo exige instrução religiosa islâmica para todos os alunos nas escolas públicas e estaduais. É proibido o ensino do cristianismo nas escolas, mesmo para os grupos cristãos legalmente reconhecidos.

• Segundo o relatório 2017/18 da Anistia Internacional, as autoridades continuam restringindo indevidamente o direito à liberdade de expressão, processando e prendendo por críticas ao governo e ativismo on-line, sob pena que criminaliza comentários considerados ofensivos ao líder da nação, Amir, ou que prejudiquem o relacionamento com estados vizinhos”. Isso dá uma indicação do ambiente restritivo em que os cristãos têm de viver.
 

O Oriente Médio e a região do Golfo tornaram-se mais imprevisíveis do que nunca e o Kuwait, como muitos outros países da região, tem de lidar com muitas questões ao mesmo tempo. O aumento do radicalismo sunita na forma do grupo islâmico Estado Islâmico tem sido um problema não só para os cristãos na região, mas também para os líderes nacionais e a comunidade internacional.

Os países de maioria sunita, incluindo o Kuwait, estão alertas para garantir que tais extremistas não estabeleçam suas redes em seu país. Fontes indicam que o medo do Estado Islâmico e outros grupos radicais está diminuindo, agora que eles perderam território no Iraque e na Síria. Enquanto o país mantém a sua abertura para a economia mundial, é provável que os cristãos continuem a chegar ao país, independentemente da pressão existente.

Em fevereiro de 2018, surgiu uma discussão diplomática entre Kuwait e Filipinas, depois que uma doméstica filipina foi encontrada morta em um freezer, revelando a ponta do iceberg do abuso das domésticas. Como reação, o presidente filipino Duterte impôs uma proibição de viagem de migrantes filipinos para o Kuwait. Depois que os dois governos chegaram a um acordo sobre os direitos dos trabalhadores em maio de 2018, a proibição foi retirada.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Situado na parte ocidental do Golfo Pérsico e cercado pela Arábia Saudita no sul, o Iraque ao norte e o Irã ao nordeste, o Kuwait é um dos países do Golfo com laços estreitos com o Ocidente. O Kuwait é uma monarquia constitucional cujo chefe de Estado é Amir da família al-Sabah. Foi o primeiro país árabe no Golfo a ter um parlamento eleito.

Em maio de 2005, o parlamento deu às mulheres o direito de votar e se candidatarem às eleições para a Assembleia Nacional de 50 lugares. Em 2011, as revoltas da Primavera Árabe inspiraram alguns protestos no Kuwait, mas com pouco efeito. No entanto, o primeiro-ministro do Kuwait, xeique Nasser al-Mohammed al-Sabah e seu gabinete, renunciaram em dezembro de 2011 devido a acusações de corrupção.

Em outubro de 2012, o parlamento foi dissolvido mais uma vez, quando havia tensões entre as forças governamentais e a oposição, composta por facções islâmicas e tribais. A crise política continuou até 2013, quando o país realizou sua terceira rodada de eleições parlamentares no prazo de 16 meses. Foi uma eleição em que apenas duas mulheres chegaram ao parlamento e onde a participação foi de apenas 50%.

O Bertelsmann Transformation Index (BTI/2018) indica que “as novas eleições em novembro de 2016 reintroduziram uma oposição islâmica no cenário formal político, que abriu um período de potencial renovação do antagonismo entre os poderes legislativo e executivo, e pode levar potencialmente ao empoderamento de forças pró-reformistas”.

Com um modelo econômico totalmente dependente das exportações de petróleo e gás, e com uma grande população imigrante, o petróleo é essencial para a existência do Kuwait. Entretanto, de acordo com o BTI, “o Estado do Kuwait tem uma abundância de reservas de petróleo e por isso – mesmo com a atual queda do preço – é um país saudável. Entre os kuwaitianos, a pobreza absoluta não existe”.

Os altos preços do petróleo levaram a um crescimento significativo até que a crise financeira global começou em 2008 e afetou o desempenho econômico do país. O Kuwait continua sendo um país relativamente rico. A população imigrante trabalhista do Kuwait é maior do que a população cidadã. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, existem "1,3 milhão de cidadãos e 3,1 milhões de não cidadãos".

Um dos primeiros traços do cristianismo no Kuwait foi descoberto na Ilha de Failaka, em um lugar conhecido como Al-Qusur. Os arqueólogos escavaram uma igreja que remonta ao século 5 ou 6. O lugar era um mosteiro com uma igreja cercada por uma área densamente instalada, usada por uma comunidade cristã nestoriana que vivia na ilha.

A segunda chegada mais recente do cristianismo no Kuwait remonta ao início do século 20 quando Samuel Zwemer (1867-1952), que havia introduzido a Igreja Reformada da América no Bahrein, mudou-se para o Kuwait em 1903. A Igreja Evangélica Nacional do Kuwait foi organizada no mesmo ano, embora não tivesse um edifício para culto até 1926.

Após a descoberta do petróleo em 1937, trabalhadores migrantes da Palestina, Síria, Jordânia, Líbano, Índia e Egito chegaram ao Kuwait trazendo consigo os católicos gregos, católicos romanos, evangélicos, sírio-ortodoxos, ortodoxos gregos, a igreja do sul da Índia e muitas outras denominações do cristianismo.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O cristianismo no país está associado principalmente à comunidade de expatriados. As denominações cristãs no país são registradas e possuem instalações onde os expatriados podem se reunir, mas estes são muito pequenos para o número de pessoas que se encontram lá. Há também de cristãos ex-muçulmanos.

Os cristãos experimentam perseguição em todos os níveis da sociedade: o governo, a comunidade local e até a própria família podem ser perigosos, especialmente para os convertidos do islamismo ao cristianismo.

A sociedade do Kuwait está vinculada por normas conservadoras islâmicas, impostas por cidadãos comuns, grupos islâmicos radicais e um governo que se inclinará contra as demandas dos grupos radicais, desde que sua base de poder não seja ameaçada.

Em primeira instância, os cristãos têm mais a temer dos membros da sociedade conservadora do Kuwait do que da grande pressão feita pelo governo, apesar de suas regras rígidas. Existe uma clara dicotomia no país entre os kuwaitianos (por definição muçulmanos) e os muitos trabalhadores imigrantes, ainda mais se estes últimos são cristãos.

Como resultado, devido ao abuso e à discriminação societária já existentes, os cristãos frequentemente exercem autocontrole por razões de segurança. Os trabalhadores cristãos estrangeiros devem se comportar com cuidado, mas os convertidos do islamismo para o cristianismo enfrentam o pior da perseguição.

Os cristãos expatriados são relativamente livres para adorar informalmente. No entanto, os lugares existentes registrados para o culto são muito pequenos para o número de pessoas reunidas. De acordo com uma fonte anônima, a gestão “elástica” dos edifícios da igreja até leva a discussões entre diferentes grupos cristãos. Obter propriedade para se reunir para adoração é extremamente difícil.

Os convertidos do islamismo enfrentam o peso da perseguição quando encaram a pressão dos membros da família e da comunidade local para negar a fé cristã. Eles utilizam discriminação, assédio, monitoramento policial de suas atividades e todo tipo de intimidação por grupos de vigilantes.

Além disso, uma mudança de fé (longe do islamismo) não é oficialmente reconhecida e é suscetível de levar a problemas legais pessoais e nas questões de propriedade. Apesar disso, quase nunca há relatos de que os cristãos sejam mortos, presos ou prejudicados pela fé.

A sociedade do Kuwait é conservadora e o islamismo, com a sharia (conjunto de leis islâmicas), prescreve uma ampla gama de regras para a vida pessoal, familiar e comunitária.

Embora o Kuwait tenha aceitado algumas das principais convenções da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos (por exemplo, o Pacto de Direitos Civis e Políticos de 1996 e o Pacto de 1996 sobre direitos econômicos, sociais e culturais), a disposição constitucional relativa à liberdade religiosa está cheia de contradições.

Por um lado, prevê liberdade religiosa, mas também afirma que a prática da liberdade de religião não deve violar costumes, políticas públicas ou morais estabelecidas. O governo vem usando a tradicional sociedade tribal conservadora do país para eliminar os grupos liberais e esquerdistas e até agora tem sido muito bem-sucedido. No processo, outras minorias religiosas também foram gravemente afetadas.

No fundo, o Estado Islâmico está criando um ambiente tóxico para minorias religiosas na região e alguns kuwaitianos se juntaram ao grupo. Se isso for ignorado, é difícil saber o que pode acontecer com a igreja e os cristãos no futuro. Embora o Estado Islâmico esteja de joelhos tanto na Síria como no Iraque, a influência radical que deixaram para os jovens e adultos na região pode levar décadas para ser erradicada.

  • O Kuwait tem estado muito nas notícias pela forma com que o país maltrata e abusa de trabalhadores asiáticos, especialmente babás e domésticas filipinas. Muitas delas são cristãs de famílias pobres. Ore por justiça nesta situação. Peça por bênçãos especiais sobre os cristãos no Kuwait que cuidam de babás abusadas. Ore por cura.
  • De acordo com a constituição do Kuwait, o islamismo é a religião do Estado e a lei islâmica é uma fonte importante da legislação. Ore para que o país caminhe para a verdadeira liberdade religiosa.
  • Ore por familiares muçulmanos de cristãos, para que vejam o amor de Cristo na prática. Peça para que os cristãos tenham ousadia para compartilhar a fé sabiamente com aqueles que estão à sua volta.
  • Na sociedade, cristãos são vistos como de segunda classe, estrangeiros e infiéis. Eles são proibidos de participar das atividades comunitárias. Ore para que a comunidade cristã não seja desencorajada e continue mostrando o amor de Jesus para os muçulmanos.

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