Reino Hachemita da Jordania

Reino Hachemita da Jordania

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Amã
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Rei Addullah II
  • Governo: Monarquia constitucional parlamentar
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 65

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A sociedade jordaniana está cada vez mais polarizada. Essa polarização está encorajando os liberais e os cristãos a se manifestarem contra os desenvolvimentos islâmicos radicais no país, que tiveram sérias consequências. O assassinato extrajudicial de um proeminente autor ateu mostra como a liberdade de expressão está sendo suprimida por islâmicos radicais. Isso está levando a uma crescente pressão sobre os cristãos e outros cujos pontos de vista não estão em consonância com o islamismo radical.

A opressão islâmica é um dos principais tipos de perseguição na Jordânia, mas funciona principalmente através de ações não violentas. O governo impõe mais valores e leis islâmicas à sociedade, embora ainda promovam a tolerância e a convivência pacífica de outras religiões. Em termos de vida pessoal, os convertidos do islamismo para o cristianismo enfrentam a maior perseguição. Suas famílias e comunidade podem rejeitá-los, ou mesmo cometer alguma violência contra eles. Todos os cristãos na Jordânia podem estar sujeitos à vigilância do governo. A opressão islâmica também funciona através de ações violentas realizadas por extremistas islâmicos. Ela costuma ser muito mais severa que qualquer outra forma de opressão. Mais e mais jordanianos estão sendo radicalizados pela ideologia do Estado Islâmico, o que põe os cristãos em grande risco.


“Cristianismo não é algo que está apenas na sua identidade (todas as carteiras de identidade na Jordânia registram a religião da pessoa). Você precisa nascer de novo em Cristo e viver como um verdadeiro cristão.” 
KHALIL (PSEUDÔNIMO), QUE NASCEU EM UMA FAMÍLIA CRISTÃ DA JORDÂNIA
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Em junho de 2018, a ONU estimava que havia mais de 666.500 refugiados da Síria e quase 67 mil do Iraque registrados no país. A Jordânia abriga, portanto, o segundo maior número de refugiados por mil habitantes do mundo. Devido à presença de várias nacionalidades, há uma confusão sobre a identidade nacional de um cidadão. Além disso, o alto número de refugiados leva à pressão econômica, política e religiosa e é um fator potencialmente desestabilizador.

Várias denominações reconhecidas, como católicos romanos, ortodoxos e anglicanos, têm tribunais religiosos (escritórios administrativos que regulam questões como status pessoal, religião, casamento, divórcio, custódia e herança). Outras igrejas que são registradas como sociedades e fundaram seu próprio sínodo, incluindo um conselho conjunto, também têm como objetivo estabelecer tribunais religiosos. Contudo, estas enfrentaram a resistência das comunidades cristãs históricas e do governo.

Há também cristãos que servem no governo jordaniano. Nas eleições para a Câmara da Jordânia em setembro de 2016 foram eleitos nove cristãos (a cota mínima garantida para a comunidade cristã como minoria religiosa).

Em geral, a comunidade cristã elogia a família real da Jordânia por promover um espírito de tolerância e convivência pacífica. No entanto, os cristãos enfrentam restrições e acompanhamento do governo para manter as autoridades informadas sobre qualquer conversão de muçulmanos ou pregações e retóricas cristãs que ameaçariam a estabilidade social ou política.
 

Após a dissolução do Império Otomano, a Liga das Nações exigiu que a Grã-Bretanha governasse grande parte do Oriente Médio. No início da década de 1920, a Grã-Bretanha separou uma região semiautônoma da Palestina, com o nome Transjordânia. A região tornou-se independente em 1946 e o Reino Hachemita foi estabelecido. A partir de 1953, o rei Hussein governou o reino durante a maior parte do século 20. Em 1967, a Jordânia perdeu a Cisjordânia para Israel na Guerra dos Seis Dias. Após a morte de Hussein em 1999, seu filho mais velho, o Rei Abuallah II, o sucedeu. Apesar dos esforços do rei para diminuir seus efeitos, a Jordânia também foi afetada pela chamada Primavera Árabe, que começou em 2011.

Com a guerra em curso na Síria, a Jordânia virou caminho de trânsito para radicais jihadistas, fazendo com que a ameaça do terrorismo também aumentasse no país. O grande número de refugiados na Jordânia também está sob pressão em uma economia já desgastada. Apesar de estável em termos de segurança, a Jordânia enfrentou três ataques terroristas nos últimos anos: um carro-bomba que cruzou a fronteira vindo da Síria em 2016, um tiroteio em um castelo em Karak em 2016 e um ataque a bomba a um carro de polícia, que fazia a guarda durante um festival de música na cidade de maioria cristã Fuheis, em agosto de 2018. De acordo com ministro do interior da Jordânia, os autores desse último ataque eram apoiadores do Estado Islâmico e haviam planejado outros ataques contra forças de segurança e civis. Os defensores dos direitos humanos acusaram os governantes da Jordânia de usar a ameaça do terrorismo para restringir os direitos dos cidadãos e do parlamento.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

Existem duas grandes forças políticas em jogo na Jordânia: o rei Abdullah II e a família real de um lado, e as forças armadas e a polícia secreta, de outro. O rei tem uma influência considerável já que ele nomeia governos, aprova legislação e tem o poder de dissolver o parlamento.

Enquanto a realeza parece empenhada em promover a Jordânia como um país moderno e multirreligioso (sublinhando a importância dos cristãos jordanianos na sociedade jordaniana), a polícia secreta parece estar mais preocupada com a repressão das facções muçulmanas minoritárias e manter os cristãos na linha.

Nas eleições para a Câmara da Jordânia em setembro de 2016, a Frente de Ação Islâmica (IAF) participou após quase uma década de boicote às eleições e ganhou 15 dos 130 assentos. A IAF é a ala política da Irmandade Muçulmana. Nove cristãos – a cota mínima garantida para a comunidade cristã como uma minoria religiosa – também foram eleitos para a Câmara Baixa. Embora o retorno da IAF não vá causar um grande efeito a curto prazo, a oposição bem organizada do país não deve ser subestimada.

Sem recursos petrolíferos e poucos recursos naturais próprios, a Jordânia depende da ajuda externa em um grau considerável. Os principais países doadores são os Estados do Golfo, como a Arábia Saudita e, até certo ponto, os Estados Unidos e a Europa. Como resultado, a Jordânia é relativamente vulnerável a ser influenciada por esses países. O país foi convidado a se tornar membro do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), uma cooperação política, econômica e militar entre todos os Estados do Golfo, exceto o Iêmen.

A sociedade jordaniana é multiétnica – um fenômeno que também se reflete na monarquia. As raízes do último rei Hussein estão na Arábia Saudita, sua segunda esposa e mãe do atual rei Abdullah II é britânica. O próprio rei Abdullah é casado com uma palestina. A maioria da população é composta de palestinos, os quais fugiram das guerras árabe-israelenses de 1948 e 1967. A maioria deles recebeu cidadania no início da década de 1950.

Os jordanianos palestinos não são tratados igualmente, em comparação com a maioria dos outros cidadãos nacionais que são descendentes dos beduínos (árabes nômades) e vivem na área há séculos. A discriminação contra palestinos é especialmente sentida na área de emprego no exército, no governo e no setor público (que é limitado apenas a descendentes de beduínos), restando apenas o setor privado para os palestinos. Além disso, os jordanianos palestinos são discriminados nos setores econômico, de educação pública e saúde, onde a prioridade é dada aos milenares beduínos. Em geral, esses últimos são leais ao rei. Devido à ocorrência de muitas nacionalidades diferentes no reino, há incerteza sobre o que molda a identidade nacional de um cidadão jordaniano. Além disso, o elevado número de refugiados, principalmente da Síria, levou à pressão econômica, política e religiosa e é um potencial fator desestabilizador. Outros riscos econômicos enfrentados pelo governo são altas taxas de pobreza, desemprego e subemprego, déficits orçamentários e dívida pública.

Os cristãos desempenham um papel importante na administração de organizações não governamentais e escolas humanitárias bem respeitadas que servem a todos os jordanianos. A relativa prosperidade financeira destes 2% da população total "gera um terço de toda a atividade econômica no país", de acordo com o jornal norte-americano The Times.

Os cristãos vivem na Jordânia desde os primeiros dias do cristianismo. O país era um centro de refúgio para os cristãos que fugiram da perseguição em Jerusalém e Roma durante o primeiro século depois de Cristo. O cristianismo tornou-se a religião aceita da região no século 4 e igrejas e capelas foram construídas em todo o país. Isso mudou com a chegada do islamismo, quando exércitos muçulmanos invadiram a área em 636 d.C.

De acordo com os especialistas da instituição britânica, Jerusalem and the Middle East Church Association (JMECA), após a conquista do Oriente Médio e do Norte da África no século 7, o cristianismo diminuiu lentamente nessas regiões. No século 10, os cristãos constituíam cerca de 10% da população do Império Islâmico. Nesse contexto, no final do século 11, vieram as Cruzadas, que trouxeram consigo a Igreja Católica Romana. Durante esse período, no século 13 e depois, vários grupos de cristãos orientais entraram em comunhão com Roma.

No início do século 18, o Patriarcado Ortodoxo de Antioquia se separou. As igrejas ocidentais de tradição reformada entraram no Oriente Médio no século 19. Os missionários presbiterianos americanos trabalharam no Egito, no Líbano e em outras partes da região. A Igreja da Inglaterra e a Igreja Luterana da Prússia estabeleceram conjuntamente um bispado em Jerusalém em 1841, que chegou ao fim no início da década de 1880 e separaram os bispados anglicanos e luteranos no final da década. O propósito original era converter os judeus ao cristianismo. Nesse objetivo, falhou em grande parte, mas atraiu um pequeno número de cristãos existentes, principalmente ortodoxos ou católicos gregos, no que hoje é Israel, os Territórios Ocupados e a Jordânia.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O número total de cristãos vem caindo desde a independência do país, em 1946, o que é devido principalmente a índices de natalidade mais baixos e altos índices de emigração. A chegada de um grande número de refugiados muçulmanos da Síria e Iraque, combinado com o aumento do temor de radicais islâmicos e a atual situação econômica, aumenta a pressão sobre os cristãos, principalmente evangélicos e ex-muçulmanos. Como resultado, muitas comunidades ficam fechadas em si e não fazem evangelismo.

Por muito tempo, a Jordânia foi um dos países mais liberais da região em termos de liberdade religiosa. No entanto, a maré parece estar mudando para os cristãos. Embora cristãos históricos ainda desfrutem certo nível de liberdade, cristãos ex-muçulmanos enfrentam a repercussão do aumento da influência do islamismo radical na sociedade. Além disso, cristãos ativos em evangelismo ou em ministério com ex-muçulmanos enfrentam crescente pressão e monitoramento.

De acordo com o World Christian Database (WCD), as principais denominações são as igrejas ortodoxas, seguidas pela Igreja Católica Romana e finalmente as igrejas protestantes.

A maioria dos cristãos pertence a igrejas históricas, como a Igreja Ortodoxa Grega ou a Igreja Católica Romana. Outras denominações são a Igreja Ortodoxa Armênia, a Igreja Ortodoxa Copta, a Igreja Ortodoxa da Síria, a Igreja Anglicana e a Igreja Presbiteriana. Protestantes não tradicionais incluem, entre outros, batistas, evangélicos, carismáticos e pentecostais. A relação entre os pertencentes às comunidades cristãs históricas e aos cristãos não tradicionais torna-se tensa de tempos em tempos. Há também cristãos ex-muçulmanos entre moradores locais e refugiados iraquianos e sírios.

A maioria das denominações cristãs históricas são oficialmente reconhecidas, assim como os adventistas do sétimo dia, os presbiterianos e os anglicanos. Várias comunidades cristãs não tradicionais não são reconhecidas, mas registradas como "sociedades". A igreja batista é registrada como uma denominação, mas não é oficialmente reconhecida e não tem os mesmos direitos que outras denominações registradas.

As tensões entre grupos islâmicos moderados e radicais na sociedade jordaniana estão aumentando. Os jihadistas do exterior que se dirigem para a Síria viajam pela Jordânia. Além disso, um grande número de radicais islâmicos da Jordânia teria viajado para a Síria e o Iraque para lutar junto com outros muçulmanos radicais de todas as partes do mundo. Muitos estão se perguntando o que acontecerá quando eles retornarem. Enquanto isso, o rei Abdullah II quer reformar a sociedade e está impondo medidas benéficas para as minorias religiosas, incluindo os cristãos. No entanto, isso está dividindo a sociedade e levando à agitação, especialmente entre os muçulmanos conservadores.

Cristãos ex-muçulmanos experimentam mais perseguição. Oficiais do governo fazem pressão sobre eles para retornarem ao islã e, em alguns casos, eles são informados pela própria família do convertido. A maior pressão vem da família, que pode ser expressa através de violência e até mesmo morte.

Em setembro de 2016, houve o assassinato extrajudicial de um proeminente autor (um ateu de uma família cristã ortodoxa) que publicou um cartum sobre "o deus de Daesh" (ou seja, do Estado Islâmico). Esse assassinato mostra como a liberdade de expressão está sendo suprimida pelo radicalismo. Isso está levando a uma crescente perseguição aos cristãos.

A Jordânia acolhe um grande número de refugiados, principalmente do Iraque e da Síria, dos quais vários milhares são cristãos. Para um país do Oriente Médio, existem grupos relativamente grandes de agnósticos e ateus jordanianos.

Apesar de não podermos dar detalhes por razões de segurança, alguns exemplos de perseguição no período são:

  • Alguns cristãos ex-muçulmanos foram agredidos fisicamente ou ameaçados de morte por membros da família.
  • Alguns cristãos tiveram que sair do país, seja por alegações de proselitismo ou por motivos de segurança.
  • Várias igrejas e centros de ministério cristão foram fechados devido a atividades de evangelismo.
  • Apesar da Jordânia ser um dos países mais estáveis do Oriente Médio, onde cristãos desfrutam de relativa liberdade, eles ainda têm que tomar certos cuidados por serem a minoria da população. Ore por sabedoria e coragem para nossos irmãos e irmãs.
  • Interceda pelos cristãos ex-muçulmanos, que muitas vezes são interrogados pela polícia e agredidos pela própria família. Ore por proteção e cura.
  • Clame para que em meio à crise de refugiados, Deus abra portas para que muitos deles ouçam o evangelho.

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