República Islâmica do Irã

República Islâmica do Irã

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Teerã
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Hassan Rohani
  • Governo: República teocrática
  • Religião: Islamismo (oficial), outras (incluindo zoroastrismo, judaísmo e cristianismo)
  • Idioma: Persa (oficial), azeri, curda, gilaki, mazandarani, luri, balúchi e árabe
  • Pontuação: 85

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

O Irã permaneceu com 85 pontos na Lista Mundial da Perseguição 2019, indicando uma pressão extrema aos cristãos. O país ficou em 9º lugar e nenhuma mudança significativa ocorreu durante o período de análise, comparado ao ano anterior. Nesse mesmo período (de 1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), a maior parte da violência contra cristãos veio do governo e houve pelo menos 67 prisões. Muitos cristãos, principalmente os convertidos, foram acusados e sentenciados a longos períodos de prisão. Outros ainda esperam o julgamento. As famílias também enfrentaram humilhação pública. Diversas igrejas domésticas foram fechadas e muitas não estão mais funcionando.

Na República Islâmica do Irã, líderes atuais veem a expansão da influência do islamismo xiita no Oriente Médio como meio de continuar a revolução. Logo, o cristianismo é considerado uma influência ocidental e uma ameaça à identidade islâmica da República.


“Eu sou grato por poder servir a Deus no Irã. Apesar de todos os problemas e dificuldades, a misericórdia e graça de Deus estão sempre conosco.”
LÍDER ANÔNIMO DE UMA IGREJA DO IRÃ
 

A situação geral de perseguição no Irã é causada por um governo islâmico estrito, que tem o objetivo de erradicar ou restringir qualquer influência – incluindo o cristianismo – que possa ameaçar sua posição de poder. Cristãos ex-muçulmanos são os que vivenciam maior perseguição. Além dos cristãos, outras minorias religiosas como judeus, bahá’ís e zoroastrianos, bem como muçulmanos dervixes e sunitas também são perseguidas.

Devido à pressão do governo, quase todas as igrejas que fizeram cultos na língua persa foram fechadas nos últimos cinco anos e seus líderes foram presos. O alto nível de violência é expresso no aumento do número de cristãos presos no país.
 

O Irã é uma das mais antigas entre as grandes civilizações de existência contínua. Em sua história mais recente, Mohammad Khan Qajar, fundou a dinastia Qajar, em 1794. Em 1921, o comandante militar, Reza Khan, tomou o poder e depois foi coroado Reza Shah Pahlavi. Vinte anos depois, Grã-Bretanha e Rússia ocuparam o Irã durante a Segunda Guerra Mundial. Um golpe militar foi realizado com a ajuda do serviço secreto do Reino Unido e dos Estados Unidos em 1953, e Shah, que fugira, retornou.

A revolução iraniana destituiu Shah em 1979 e tornou o Irã uma República Islâmica. Os clérigos islâmicos xiitas assumiram o controle político, proibindo qualquer influência ocidental. À época do Shah, foi iniciado um programa de modernização com influências ocidentais no país. Ao mesmo tempo, os que não concordavam eram fortemente oprimidos. Um ano depois, em 1980, começou a guerra Irã-Iraque, que durou 8 anos.

A história recente viu pelo menos dois pontos notáveis na cena política no Irã. Em julho de 2015, um acordo entre Irã e seis potências mundiais foi assinado com o objetivo de restringir o programa nuclear iraniano – especialmente o de enriquecimento de urânio – em troca da retirada de sanções internacionais. De acordo com a revista The Economist, esse foi um momento decisivo para a economia e o envolvimento do Irã com o sistema internacional.

A história política recente, com a reeleição do presidente Rouhani, em maio de 2017, enfatiza o surgimento de uma política moderada no Irã. No entanto, as eleições para o chefe da Assembleia de Peritos elegeram um líder antiocidente linha dura. Esse é um claro lembrete de que, no final das contas, é o líder supremo quem mexe os pauzinhos na política iraniana.

O acordo nuclear deveria conduzir o Irã a uma maior influência na região. Entretanto, em 8 de maio de 2018, os Estados Unidos anunciaram a retirada do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, da sigla em inglês) – que é conhecido como “O Acordo Iraniano”. Os norte-americanos também reestabeleceram sanções contra o Irã, que têm sérias consequências políticas e econômicas. A moeda iraniana, o rial, perdeu valor, mas as consequências políticas foram ainda mais sérias.

No nível local, não se espera que o acordo aponte para uma melhoria em direitos humanos, especificamente de religião. Pelo contrário, conservadores na política iraniana querem suprimir todos os elementos considerados uma ameaça ao regime islâmico. Especialmente desde que mais e mais iranianos estão discordando do regime e políticas econômicas, depois dos grandes protestos em janeiro de 2018. Isso prejudica a legitimidade do regime. Temendo ideologias que possam substituir a doutrina islâmica, o governo iraniano oprime todos os outros grupos ideológicos ou religiosos.

Na visão dos líderes atuais, expandir a influência do islamismo xiita no Oriente Médio é um meio de continuar a revolução. Particularmente no Iraque, o islamismo xiita recuperou a influência desde o desaparecimento de Saddam Hussein.

E, a partir do surgimento do Estado Islâmico em grandes áreas do Iraque, milícias xiitas (iranianas) têm lutado contra eles, desempenhando um papel importante, como na derrota do Estado Islâmico na batalha de Mossul, em julho de 2017. O general Soleimani, do Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), se vangloriou em um discurso, em julho de 2017, de que a influência de Teerã no Oriente Médio se expandiu “dezenas de vezes” como resultado da guerra síria.

Assim, o Irã goza de maior influência como poder regional no Oriente Médio, diferentemente da intenção dos Estados Unidos.

De acordo com Atos 2, os iranianos (partos, medos e elamitas) estavam entre os primeiros seguidores de Jesus Cristo. O cristianismo primitivo era forte no Irã nos primeiros séculos, até a chegada do islamismo no século 7, quando o cristianismo declinou. Missionários protestantes viajaram para o Irã nos séculos 18 e 19 e por fim estabeleceram diferentes denominações cristãs.

Hoje, há comunidades de cristãos expatriados, comunidades cristãs históricas, comunidades cristãs não tradicionais e comunidades de cristãos ex-muçulmanos. Todas enfrentam perseguição religiosa, já que os cristãos são proibidos de compartilhar a fé com não cristãos. Muçulmanos, que geralmente falam a língua farsi, não devem visitar cultos da igreja. Edifícios foram fechados pelas autoridades por conta de tentativas de evangelização.

No entanto, são os convertidos do islamismo que enfrentam maior perseguição, já que são considerados apóstatas. Embora não tenham sido realizadas, oficialmente, essas punições há mais de 20 anos, a conversão ao cristianismo leva os homens à pena de morte, e as mulheres à prisão perpétua sob a sharia (conjunto de leis islâmicas).

Cristãos ex-muçulmanos não têm proteção legal sob a lei iraniana. Eles perdem o direito de herdar os bens familiares, e continuam sendo considerados muçulmanos, obrigados a seguir a educação islâmica. Muitas vezes, têm dificuldade em encontrar ou manter um emprego.

A maioria deles são jovens convertidos que precisam de treinamento, ensino e materiais bíblicos. Para ajudá-los a crescer espiritualmente, eles contam com programas de rádio e televisão cristãos, internet e livros em farsi. Para a glória de Deus, vemos que o número de cristãos no Irã está crescendo.

Segundo Mark Bradley, autor do livro Iran and Christianity: Historical Identity and Present Relevance (Irã e cristianismo: Identidade histórica e relevância presente, em tradução livre), publicado em 2011, “mais muçulmanos iranianos se tornaram cristãos nos últimos 25 anos do que desde o século 7, quando o islã chegou ao Irã”.

Há muita pressão sob os cristãos ex-muçulmanos e os cristãos que ministram a eles, que geralmente são oriundos de comunidades cristãs protestantes não tradicionais. Esses grupos enfrentam a maior perseguição religiosa.

Muitas vezes, os cristãos presos só podem ser libertados depois de pagar uma fiança elevada. Isso geralmente envolve grandes quantias de dinheiro, que pode chegar a 200 mil dólares, forçando os cristãos ou suas famílias a entregar títulos de casas e, às vezes, negócios. As pessoas liberadas sob fiança nem sempre sabem quanto tempo a propriedade será mantida. Essa incerteza pode silenciá-los devido ao medo de perder suas propriedades.

O regime iraniano coloca pressão (às vezes, com ameaças) em cristãos que foram presos por participar de igrejas domésticas ou atividades evangelísticas; eles são “convidados” a deixar o país e, portanto, perder a fiança.

O número de cristãos cresce no país, em especial cristãos ex-muçulmanos. Até mesmo filhos de líderes políticos e clérigos têm deixado o islamismo e se convertido ao cristianismo. Como cultos na fala farsi são proibidos, a maioria dos convertidos se reúne em reuniões informais em casas e igrejas domésticas ou recebem informações sobre a fé cristã por meio de mídias, como TV via satélite e internet.

Em um esforço para impedir a influência ocidental, o governo limitou a velocidade da internet e proibiu a posse de antenas parabólicas. Sites cristãos sobre evangelização foram bloqueados. Outros endereços anteriormente bloqueados foram autorizados a voltar à rede, caso seus visitantes fossem monitorados.

Assim, cristãos ativos em compartilhar o evangelho com muçulmanos interessados no cristianismo correm o risco de serem questionados ou presos, especialmente se entrarem em contato com esses sites. Entende-se que parte do objetivo de toda essa tentativa é diminuir o crescimento da igreja.

Suas famílias enfrentam humilhação pública durante esse tempo. Além disso, várias igrejas domésticas foram invadidas. A maioria não funciona mais como igreja doméstica.

Convertidos ex-muçulmanos são o maior grupo de cristãos no país e há também muitos iranianos fora do país que se converteram ao cristianismo. O segundo maior grupo é o de cristãos étnicos: armênios e assírios, que são os únicos oficialmente reconhecidos pelo governo e protegidos pela lei, mas ainda tratados como cidadãos de segunda classe.

Discursos de ódio contra cristãos iranianos, especialmente protestantes, aumentaram durante o período de análise da Lista Mundial da Perseguição 2019, na forma de material multimídia publicado pelo governo e discursos anticristãos de imãs.

  • A principal fonte de perseguição no Irã é a opressão islâmica. Quase todas as igrejas que mantinham cultos em farsi foram fechadas nos últimos anos e seus líderes foram presos. Ore pelos cristãos presos, para terem um amor genuíno pelos guardas e outros prisioneiros.
  • O islamismo xiita é a religião oficial no Irã. Todas as leis devem ser consistentes com a interpretação oficial da sharia (conjunto de leis islâmicas). Qualquer muçulmano que deixa o islamismo enfrenta pena de morte, apesar das autoridades não agirem de acordo com essa lei nos últimos anos. Ore para que as leis sejam mudadas, permitindo maior liberdade religiosa.
  • Para uma família muçulmana, é uma grande desgraça quando um dos membros deixa o islamismo. Ore por cristãos que foram renegados por suas famílias por causa da fé.

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