República do Iêmen

República do Iêmen

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Saná
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Abd Rabuh Mansur Hadi
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 86

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ

ALGUNS MILHARES

O Iêmen está mergulhado em uma guerra civil, que é considerada a pior crise humanitária do mundo hoje. Cerca de 80% dos iemenitas dependem de ajuda humanitária, que em geral é canalizada através das tribos e linhas familiares, das quais os cristãos são comumente desconectados.

De acordo com as estatísticas do World Christian Database (WCD), mais de 99% da população é muçulmana e cerca de 0,65% é hindu. De todos os muçulmanos iemenitas, cerca de 65% são sunitas, principalmente no sul e leste e cerca de 35% são xiitas localizados no noroeste do país. A guerra atual evolui em torno do conflito sunita-xiita, com Arábia Saudita e Irã envolvidos também.
 

“Queremos agradecer a todos que oram pela igreja do Iêmen e por seu interesse em nós, seus irmãos. Agradecemos ao Senhor Jesus Cristo por sua grande obra e por nos ajudar em todas as áreas.” 
CRISTÃO DO IÊMEN

 

A guerra no Iêmen levou a altos níveis de violência e ilegalidade, uma situação que é suscetível de aumentar a opressão sobre as minorias, inclusive os cristãos. O Economist Intelligence Unit (EIU) – departamento de pesquisa da revista inglesa The Economist – não prevê a conclusão de um acordo de paz no futuro próximo, embora o esgotamento dos recursos econômicos e a pressão militar possam forçar os houthis – movimento político-religioso xiita zaidita – a um acordo.

Enquanto isso, o país mais pobre do Oriente Médio encontra-se no meio de uma devastadora catástrofe humanitária. As condições do país do ponto de vista humano e econômico são tão ruins que levará anos para se recuperar. Altamente dependente da ajuda externa, o país é muito vulnerável a fatores econômicos externos, como a queda nos preços do petróleo que afeta o apoio financeiro para a reconstrução dos aliados do Golfo.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

A maior autoridade islâmica saudita, o Grande Mufti, emitiu uma fatwa (pronunciamento religioso específico) em 2012, pedindo a destruição de todas as igrejas cristãs na Península Arábica, que inclui necessariamente o Iêmen. Depois que os legisladores no Kuwait fizeram um esforço para aprovar leis que proíbem a construção de novas igrejas em 2015, o Grande Mufti repetiu esse apelo e disse que a destruição de todas as igrejas na região era absolutamente necessária e exigida pela lei islâmica.
 

O Iêmen é um país relativamente “jovem”. O Iêmen do Norte, baseado no clã, e o Iêmen do Sul, comunista, se fundiram em 1990 após anos de conflito armado. Na parte norte do país, tem havido muita violência e luta tribal nos últimos anos. O clã Houthi afirma lutar contra a opressão do governo e quer a restauração do domínio xiita no norte do Iêmen, embora o país seja principalmente sunita.

Desde a expulsão do ex-presidente, Ali Abdullah Saleh, em 2012, o Iêmen viu turbulências políticas e violência esporádica. No vácuo de poder, militantes e rebeldes – incluindo grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico – lutam para obter o controle do território.

Em setembro de 2014, os protestos de houthis degeneraram em combates com forças rivais, como o Islah, o principal partido islâmico radical sunita do Iêmen. Em março de 2015, depois de assumir o aeroporto da capital do Iêmen em Saná, ministérios governamentais cruciais e áreas do norte do país, os xiitas houthis forçaram o presidente, Abd Rabuh Mansur Hadi , e seu governo ao exílio na Arábia Saudita.

Em julho de 2015, as forças leais ao governo e às milícias do sul recuperaram o controle de Aden, apoiadas pelas tropas e ataques aéreos da coligação sunita saudita, iniciada em março de 2015. A Arábia Saudita começou essa operação militar contra os houthis, em parte como uma tentativa de contrariar a influência do Irã em seu “quintal”. Em setembro de 2015, o presidente Hadi retornou a Áden. Conflitos entre forças aliadas houthi e grupos de resistência apoiados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita continuaram em 2016.

Em seu relatório de dezembro de 2018, o CIA Factbook (relatório do governo federal dos Estados Unidos) afirmou: “Em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) negociou uma interrupção das hostilidades, o que reduziu ataques aéreos e lutas em todo o país e iniciou diálogos para a paz. No entanto, os diálogos terminaram sem acordo. Os houthis e o partido político do ex-presidente, Ali Abdullah Saleh, anunciaram um Conselho Político Supremo, em agosto de 2016, e um Governo Nacional da Salvação, incluindo um primeiro-ministro e várias dezenas de membros do gabinete, em novembro de 2016. A fim de governar em Saná e desafiar ainda mais a legitimidade do governo do presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi. Posteriores tentativas de paz também foram mal-sucedidas e nenhum dos lados teve ganhos decisivos, perpetuando o conflito e aprofundando as divisões entre o norte e o sul do país. Entre crescentes tensões entre houthis e Saleh, confrontos esporádicos aconteceram em meados de 2017 até que forças houthis mataram Saleh no começo de dezembro de 2017”.

A contínua guerra no Iêmen é o resultado de várias lutas por poder local e nacional, agravadas por um conflito entre Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos. O Iêmen é atualmente o palco de quatros crises políticas entrelaçadas, envolvendo uma constelação de atores políticos e grupos armados que buscam poder, reconhecimento e influência.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Conforme indicado no site da rede de notícias inglesa BBC: “Abdrabbuh Mansour Hadi chegou ao poder em 2012, depois que o então presidente, Ali Abdallah Saleh, saiu em uma tentativa de acabar com protestos no seu longo período de governo autoritário. Hadi renunciou brevemente em janeiro de 2015 e fugiu para a Arábia Saudita quando rebeldes xiitas houthis tomaram Saná, a capital. Ele voltou por pouco tempo para estabelecer uma capital temporária na principal cidade do sul, Aden, com o apoio da Arábia Saudita e suas tropas. Os houthis alegam que um conselho revolucionário em Saná, liderado por Mohammed Ali al-Houthi, é o governo legítimo, mas a comunidade internacional apoia Hadi”.

Existe um desemprego desenfreado e 80% da população depende da ajuda humanitária. Os preços das commodities, como água e farinha, aumentaram. Nas cidades assediadas, o aumento de preços foi de 5.000%. Os suprimentos de eletricidade e água descontinuaram na maioria das áreas. Mesmo que a guerra pare, o Iêmen enfrenta desafios a longo prazo, incluindo a diminuição dos recursos hídricos, grande desemprego e uma alta taxa de crescimento populacional. Nas próximas duas décadas, Saná poderá ficar seca. O cultivo da droga popular do país é o principal culpado pela crescente escassez de água. Um terço da população do Iêmen está desnutrida, inclusive 2,9 milhões de mulheres e crianças. Mesmo antes da guerra, mais de 45% viviam abaixo da linha de pobreza oficial.

Ao longo do Iêmen, a sociedade tribal permanece muito forte, e o governo é uma instituição secundária para as formas tradicionais de governança tribal. O governo não é suscetível a intervir em conflitos intertribais, mesmo que as tribos prejudiquem fisicamente os prisioneiros.

A lei e o direito tribais proíbem os membros da tribo de deixá-la, o castigo para isso seria a morte ou o banimento. Do mesmo modo, o islã é uma identidade abrangente de todas as tribos no Iêmen, e é a tribo que muitas vezes dá uma resposta para aqueles que procuram abandonar o islã.

Séculos antes do advento do islã, a Península Arábica tinha um número considerável de judeus e sinagogas, cristãos (provavelmente os nestorianos) e templos de igrejas. Ainda hoje, há ruínas de uma igreja primitiva perto de Jubail, na parte leste da península. Elas datam do século 4, dizem ser a igreja mais antiga do mundo.

Existem diferentes tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma tradição, um comerciante de Najran, na ponta sul da Arábia Saudita, converteu-se ao cristianismo durante uma de suas viagens ao atual Iraque, no início do século 5. Juntamente com sua família, ele formou uma igreja doméstica.

Outra tradição sugere que um enviado do imperador romano Constâncio pregava a fé cristã ao rei Himyarite do sul da Arábia que, como resultado, se converteu. Ambas as tradições dizem que as igrejas foram construídas particularmente – mas não exclusivamente – no sul da Arábia, que inclui o moderno Iêmen, onde a maioria dos cristãos parece ter se estabelecido.

Um momento importante na história do cristianismo na Península Arábica foi o massacre de mais de 200 cristãos em Najran, que se tornara a primeira cidade cristã, por Yusuf King dos Himiaritas, depois de se recusarem a se converter ao judaísmo. Após a chegada do nestorianismo, o cristianismo continuou a crescer e até floresceu no século 5. Durante centenas de anos, tribos e comerciantes cristãos viveram e viajaram pelas vastas planícies da Península Arábica.

Tudo isso mudou com a conquista do islã (séculos 7 a 10), quando judeus e cristãos se converteram ao islamismo voluntariamente ou sob coação, e muitos outros foram expulsos.

Segundo o artigo Christianity’s claim in the birthplace of Islam (Stratfor), nos últimos séculos, a Península Arábica tornou-se esmagadoramente islâmica e o cristianismo perdeu significado.

Durante 13 séculos, o papel histórico do cristianismo na região foi esquecido e era difícil imaginar que qualquer outra religião pudesse coexistir com o islã em seu local de nascimento. Isso mudou no século 19, depois que a Grã-Bretanha fez uma série de tratados e criou um protetorado na parte oriental da Península Arábica.

Os cristãos começaram a entrar em Omã, Bahrein, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos e, com a chegada desses trabalhadores estrangeiros, as primeiras igrejas começaram a aparecer, com exceção da Arábia Saudita.

Para garantir o acesso à sua colônia na Índia, os britânicos estabeleceram uma área de protetorado ao redor do porto do sul de Áden, no século 19. No final desse século, o primeiro missionário ocidental, Scott, chegou ao Iêmen. Nos anos seguintes, foi criado um ministério médico que também abriu caminho para a divulgação do evangelho.

No resto da Península Arábica, as igrejas desempenharam um papel importante na prestação de cuidados médicos e nas escolas, especialmente na era pré-petrolífera. O boom do petróleo na década de 1970 levou a uma enorme expansão do desenvolvimento local, infraestrutura e força de trabalho nos países do Golfo, com mais trabalhadores estrangeiros provenientes da Ásia, África e outras partes do Oriente Médio e Oeste.

Ao total, hoje, há mais de 15 milhões de trabalhadores estrangeiros no Golfo, dos quais mais de 3,5 milhões são cristãos. No entanto, o boom do petróleo teve um impacto mínimo no Iêmen e, devido à atual guerra civil, quase nenhum estrangeiro ocidental permaneceu no país.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

Há três edifícios oficiais de igreja (dois católicos romanos e um anglicano) que estão localizados em Áden, no extremo sul. Devido à atual guerra civil, esses foram danificados e não estão em uso, mas já haviam atendido vários milhares de cristãos estrangeiros, principalmente do Sudeste Asiático, do Oeste e países árabes, e refugiados, principalmente etíopes que vivem no país.

Além dessas igrejas oficiais, não são permitidos prédios de igreja. No entanto, cultos semanais discretos são realizados em instalações privadas em algumas cidades. Quase todos os estrangeiros ocidentais já deixaram o país por razões de segurança. A igreja secreta, que é composta por alguns milhares de convertidos ao cristianismo, constitui a maioria da igreja do Iêmen agora. Eles formam pequenas comunidades domésticas, encorajam um ao outro a edificar famílias que adoram juntas e construir uma comunidade que permanece unida na perseguição.

Devido ao caos produzido pela guerra civil, é muito difícil reportar incidentes violentos contra cristãos. Muitas vezes eles escapam da morte ao fugir para outros lugares. Mas sabe-se que ao menos 27 cristãos foram mental ou fisicamente agredidos como resultado de sua fé e da guerra. Pelo menos 5 famílias tiveram que deixar suas casas e ser realocadas no interior, por razões relacionadas à fé. Como em média uma família é composta por sete pessoas, isso significa 35 pessoas. Além disso, a pressão por parte da família levou alguns cristãos ex-muçulmanos iemenitas a fugir do país.

Alguns exemplos de perseguição no período são:

  • Cultos privados se tornaram ainda mais arriscados para os cristãos, tanto em áreas controladas por rebeldes houthis como em áreas “liberadas” pelas forças sunitas apoiadas pela Arábia Saudita e seus aliados ocidentais. A Al-Qaeda na Península Arábica e o Estado Islâmico operam livremente em grande parte do país.
  • Uma igreja doméstica foi atacada e um cemitério católico foi vandalizado no final de 2017.
  • Cruzes e pedras de túmulos foram vandalizadas, inclusive os túmulos das quatro freiras mortas quando uma casa de repouso foi atacada em março de 2016.
  • Uma casa e um negócio de um cristão foram tomados dele em incidentes separados – a casa foi confiscada e o negócio foi forçado a fechar.
  • Vários cristãos foram detidos por razões relacionadas à fé.
  • Pressão da família fez com que vários cristãos ex-muçulmanos isolados fugissem do país.

Cerca de 65% da população é de muçulmanos sunitas, primariamente no sul e leste, e cerca de 35% são xiitas localizados majoritariamente no noroeste do país. Cristãos são uma minoria minúscula, ex-muçulmanos em sua maioria. Assistidos pelo caos da guerra civil, grupos militantes islâmicos se tornaram mais influentes. Particularmente, a influência da Al-Qaeda na Península Arábica cresceu ainda mais à medida que expande seu controle territorial no sul do Iêmen. Grupos afiliados ao Estado Islâmico também estão presentes no país, devastado pela guerra, e atacam os alvos relacionados aos xiitas e ao governo desde março de 2015.

Os edifícios onde cristãos ou estrangeiros de países cristãos estavam trabalhando foram alvo no decorrer do conflito. Por exemplo, em março de 2016 uma casa de repouso para idosos e deficientes foi diretamente atacada por assaltantes, conectados ao Estado Islâmico.

Os funcionários do governo criam e mantêm um sistema islâmico estrito que trata todos os cidadãos como muçulmanos. Em muitas áreas, a intervenção militar permite que grupos afiliados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda expandam suas operações e até matem cristãos (cristãos iemenitas ex-muçulmanos e estrangeiros). Também ocorrem raptos, muitas vezes devido a uma mistura de motivos financeiros e anticristãos.

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam principalmente violência e pressão da família, mas também dos líderes tribais, se a nova fé for descoberta. Os imãs locais têm desempenhado um papel importante no incentivo a ataques contra cristãos.

Como todos os outros iemenitas, os cristãos sofrem com a pior crise humanitária do mundo, que está ocorrendo atualmente no país. Os cristãos iemenitas continuam a ser assediados sem precedentes e estão passando de uma área de guerra para outra, em busca de segurança em meio a ataques aéreos contínuos e à falta de comida e água.

Neste contexto, a fé os torna ainda mais vulneráveis à medida que o alívio emergencial é distribuído principalmente por organizações islâmicas e mesquitas locais, que discriminam todos os que não são considerados muçulmanos piedosos. Essa é uma séria ameaça à sobrevivência de cristãos e outros não muçulmanos. Além disso, funcionários do governo continuam seus esforços para intimidar os cristãos, mesmo em meio à situação de guerra caótica.

A igreja no Iêmen é composta principalmente de comunidades de cristãos iemenitas ex-muçulmanos que precisam manter a fé em segredo. Eles enfrentam perseguição das autoridades, o que inclui detenções e interrogatórios, da família e de grupos radicais islâmicos, que ameaçam de morte os considerados apóstatas se eles não se reconverterem. O número de cristãos ex-muçulmanos nativos é estimado em apenas alguns milhares, mas aparentemente está crescendo. Na atual situação de guerra, os principais agentes de perseguição são grupos extremistas islâmicos e a família.

No caso das mulheres, leis tribais proíbem que elas se casem com pessoas de outra tribo, principalmente com um cristão. A punição para as que desobedecerem pode ser morte ou expulsão da tribo. Os cristãos migrantes, particularmente da África e também da Ásia, permanecem no país, embora a maioria tenha saído devido à guerra devastadora. Os cristãos migrantes enfrentam assédio e discriminação da sociedade a nível comunitário e nacional, e a violência dos movimentos islâmicos radicais.

  • Ore pelos cristãos do Iêmen, que muitas vezes se sentem esquecidos, isolados e negligenciados diante da injustiça que reina no país. Clame para que eles continuem confiando em Deus e em sua soberania.
  • Interceda pelas reuniões secretas de cristãos, para que glorifiquem a Deus e resplandeçam sua luz em meio à escuridão.
  • Clame pelo fim da guerra e de toda injustiça e para que os cristãos também recebam ajuda humanitária.

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