República do Iêmen

República do Iêmen

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Saná
  • Região: Oriente Médio
  • Lider: Abdrabbuh Mansour Hadi
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 85

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ

ALGUNS MILHARES

De acordo com as estatísticas da World Christian Database (WCD), mais de 99% da população são muçulmanos e cerca de 0,65% são hindus. De todos os muçulmanos iemenitas, cerca de 65% são sunitas, principalmente no Sul e Leste e cerca de 35% são xiitas localizados no canto Noroeste do país. A guerra atual evolui em torno do conflito sunita-xiita, com Arábia Saudita e Irã envolvidos também.

A guerra no Iêmen levou a altos níveis de violência e ilegalidade, uma situação que é susceptível de aumentar a opressão sobre as minorias, inclusive os cristãos. A Economist Intelligence Unit (EIU) – departamento de pesquisa da revista inglesa The Economist – não prevê a conclusão de um acordo de paz no futuro próximo, embora o esgotamento dos recursos econômicos e a pressão militar possam forçar os houthis – movimento político-religioso xiita zaidita – a um acordo até o final de 2017. 

Enquanto isso, o país mais pobre do Oriente Médio encontra-se no meio de uma devastadora catástrofe humanitária. As condições do país do ponto de vista humano e econômico são tão ruins que levarão anos para se recuperarem. Altamente dependente da ajuda externa, o país é muito vulnerável a fatores econômicos externos, como a queda nos preços do petróleo que afetam o apoio financeiro para a reconstrução dos aliados do Golfo.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Analistas da EIU previram, em relatório de junho de 2017, que os grupos jihadistas “continuem sendo uma ameaça no período de 2017-2021”. Os grupos islâmicos radicais são um importante motor da principal opressão islâmica do mecanismo de perseguição religiosa no Iêmen, e isso não é um bom sinal para a liberdade das minorias religiosas do país, em especial os cristãos. A situação é muito delicada, já que a maioria da comunidade cristã é composta por cristãos nativos de origem muçulmana. Por outro lado, no meio da insegurança da guerra, é relatado que mais muçulmanos estão se voltando para Cristo do que já visto antes.

A maior autoridade islâmica saudita, o Grande Mufti, emitiu uma fatwa (pronunciamento religioso específico) em 2012, pedindo a destruição de todas as igrejas cristãs na Península Arábica, que inclui necessariamente o Iêmen. Depois que os legisladores no Kuwait fizeram um esforço para aprovar leis que proíbem a construção de novas igrejas em 2015, o Grande Mufti repetiu esse apelo e disse que a destruição de todas as igrejas na região era absolutamente necessária e exigida pela lei islâmica.

Iêmen

O Iêmen é um país relativamente “jovem”. O Iêmen do Norte, baseado no clã, e o Iêmen do Partido Comunista se fundiram em 1990 após anos de conflito armado. Ainda hoje, o movimento separatista no Sul permanece forte e luta pela independência. Na parte Norte do país, tem havido muita violência e luta tribal nos últimos anos. O clã Houthi afirma lutar contra a opressão do governo e quer a restauração do domínio xiita no Norte do Iêmen, que é principalmente sunita. 

Desde a expulsão do ex-presidente Ali Abdullah Saleh em 2012, o Iêmen viu turbulências políticas e violência esporádica. No vácuo de poder, militantes e rebeldes – incluindo grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado islâmico – lutam para obter o controle do território.

Em setembro de 2014, os protestos de houthis degeneraram em combates com forças rivais, como o Islah, o principal partido islâmico radical sunita do Iêmen. Em março de 2015, depois de assumir o aeroporto da capital do Iêmen em Saná, ministérios governamentais cruciais e áreas do Norte do país, os xiitas houthis forçaram o presidente Abd Rabbuh Mansour Hadi e seu governo ao exílio na Arábia Saudita.

Em julho de 2015, as forças leais ao governo e as milícias do Sul recuperaram o controle de Aden, apoiadas pelas tropas e ataques aéreos da coligação sunita saudita, iniciada em março de 2015. A Arábia Saudita começou essa operação militar contra os houthis, em parte como uma tentativa de contrariar a influência do Irã em seu “quintal”. Em setembro de 2015, o presidente Hadi retornou a Aden.

O CIA Factbook – relatórios do governo federal dos Estados Unidos – afirma: “A luta entre as forças alinhadas houthis e os grupos de resistência apoiados pela coalizão liderada pelos sauditas continuou até 2016. A Organização das Nações Unidas (ONU) negociou uma interrupção das hostilidades, o que reduziu ataques aéreos e lutas em todo o país por vários meses em meados de 2016. 

Enquanto isso, as negociações de paz apoiadas pela ONU no Kuwait terminaram em agosto de 2016 sem acordo. O conflito aumentou, e as tentativas subsequentes de declarar um cessar fogo ou retomar conversações de paz falharam. Os houthis e o partido político do ex-presidente Ali Abdullah Salih anunciaram um Conselho Político Supremo, em agosto de 2016, e um Governo Nacional da Salvação, incluindo um primeiro ministro e várias dezenas de membros do gabinete, em novembro de 2016, a fim de governar em Saná e desafiar ainda mais a legitimidade do governo do presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Conforme indicado no site da rede de notícias inglesa BBC (acessado em 20 de junho de 2017): “Abdrabbuh Mansour Hadi chegou ao poder em 2012, depois que o então presidente Ali Abdallah Saleh o derrubou em uma tentativa de acabar com a agitação civil. Ele renunciou em janeiro de 2015 e fugiu do país depois que houthis assumiram Saná, a capital. Ele ainda é apoiado pela Arábia Saudita e forças leais que querem combater os rebeldes houthis. Ele criou uma capital temporária na cidade de Aden. O Iêmen está atualmente em uma situação de limbo político.

Os houthis afirmam que o parlamento foi dissolvido e substituído por um conselho revolucionário de transição, liderado por Mohammed Ali al-Houthi. Mas o Conselho de Cooperação da ONU, dos Estados Unidos e do Golfo se recusa a reconhecer a regra de Houthi.” Existe um desemprego desenfreado e 80% da população dependem da ajuda humanitária. Os preços das commodities, como água e farinha, aumentaram. Nas cidades assediadas, o aumento de preços foi de 5.000%.

Os suprimentos de eletricidade e água descontinuaram na maioria das áreas. Mesmo que a guerra pare, o Iêmen enfrenta desafios a longo prazo, incluindo a diminuição dos recursos hídricos, o alto desemprego e uma alta taxa de crescimento populacional. Nas próximas duas décadas, Saná poderia ficar seca. O cultivo da droga popular do país é o principal culpado pela crescente escassez de água. Um terço da população do Iêmen está desnutrida e, mesmo antes da guerra, mais de 45% viviam abaixo da linha de pobreza oficial.

Ao longo do Iêmen, a sociedade tribal permanece muito forte, e o governo é uma instituição secundária para as formas tradicionais de governança tribal. O governo não é susceptível a intervir em conflitos intertribais, mesmo que as tribos prejudiquem fisicamente os prisioneiros. 

A lei e o direito tribais proíbem os membros da tribo a deixem ou, no caso das mulheres, casar-se fora da tribo, especialmente com um cristão. O castigo para isso seria a morte ou o banimento. Do mesmo modo, o islã é uma identidade abrangente de todas as tribos no Iêmen, e é a tribo que muitas vezes dá uma resposta para aqueles que procuram abandonar o islã.

Séculos antes do advento do islã, a Península Arábica tinha um número considerável de judeus e sinagogas, os cristãos (provavelmente os nestorianos – o nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla [428-431]) e templos de igrejas. Ainda hoje, há ruínas de uma igreja primitiva perto de Jubail, na parte Leste da península. Elas datam do século 4, dizem ser a igreja mais antiga do mundo.

Existem diferentes tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma tradição, um comerciante de Najran (na ponta Sul da Arábia Saudita) converteu-se ao cristianismo durante uma de suas viagens ao atual Iraque no início do século 5. Juntamente com sua família, ele formou uma igreja doméstica.

Outra tradição sugere que um enviado do imperador romano Constâncio pregava a fé cristã ao rei Himyarite do Sul da Arábia que, como resultado, se converteu. Ambas as tradições dizem que as igrejas foram construídas particularmente – mas não exclusivamente – no Sul da Arábia, que inclui o moderno Iêmen, onde a maioria dos cristãos parece ter se estabelecido. 

Um momento importante na história do cristianismo na Península Arábica foi o massacre de mais de 200 cristãos em Najran (que se tornara a primeira cidade cristã) por Yusuf King dos Himyarites depois de se recusarem a se converter ao judaísmo. Após a chegada do nestorianismo, o cristianismo continuou a crescer e até floresceu no século 5. Durante centenas de anos, tribos e comerciantes cristãos viveram e viajaram pelas vastas planícies da Península Arábica.

Tudo isso mudou com a conquista do islã (séculos 7 a 10), quando judeus e cristãos se converteram ao islamismo voluntariamente ou sob coação, e muitos outros foram expulsos. Segundo o artigo Christianity’s claim in the birthplace of Islam (Stratfor, 23 abril 2016), nos últimos séculos, a Península Arábica tornou-se esmagadoramente islâmica e o cristianismo perdeu significado.

Durante 13 séculos, o papel histórico do cristianismo na região foi esquecido e era difícil imaginar que qualquer outra religião pudesse coexistir com o islã em seu local de nascimento. Isso mudou no século 19, depois que a Grã-Bretanha fez uma série de tratados e criou um protetorado na parte oriental da Península Arábica.

Os cristãos começaram a entrar em Omã, no Bahrein, no Catar, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, e com a chegada desses trabalhadores estrangeiros, as primeiras igrejas começaram a aparecer (com exceção da Arábia Saudita). 

Para garantir o acesso à sua colônia na Índia, os britânicos estabeleceram uma área de protetorado ao redor do porto do Sul de Aden, no século 19. No final desse século, o primeiro missionário ocidental, Scott, chegou ao Iêmen. Nos anos seguintes, foi criado um ministério médico que também abriu caminho para a divulgação do evangelho.

No resto da Península Arábica, as igrejas desempenharam um papel importante na prestação de cuidados médicos e nas escolas, especialmente na era pré-petrolífera. O boom do petróleo na década de 1970 levou a uma enorme expansão do desenvolvimento local, infraestrutura e força de trabalho, com mais trabalhadores estrangeiros provenientes da Ásia, África, outras partes do Oriente Médio e Oeste. 

Ao total, hoje, há mais de 15 milhões de trabalhadores estrangeiros no Golfo, dos quais mais de 3,5 milhões são cristãos. No entanto, devido à guerra civil, quase nenhum estrangeiro ocidental permaneceu no Iêmen.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Há três edifícios oficiais de igreja (dois católicos romanos e um anglicano) que estão localizados em Aden, no extremo Sul. Devido à atual guerra civil, estes foram danificados e não estão em uso, mas já haviam atendido vários milhares de cristãos estrangeiros (principalmente do Sudeste Asiático, do Oeste e países árabes) e refugiados (principalmente etíopes) que vivem no país. 

Além dessas igrejas oficiais, não são permitidos prédios de igreja. No entanto, cultos semanais discretos são realizados em instalações privadas em algumas cidades. Quase todos os estrangeiros ocidentais já deixaram o país por razões de segurança.

Acelerada pela guerra civil, a influência da Al-Qaeda na Península Arábica parece crescer ainda mais à medida que expande seu controle territorial no Sul do Iêmen. Grupos afiliados ao Estado Islâmico também estão presentes no país devastado pela guerra e começaram a atacar os alvos relacionados aos xiitas e ao governo desde março de 2015.

Os edifícios onde cristãos ou estrangeiros de países cristãos estavam trabalhando também foram alvo. Em Aden, no Sul do Iêmen, um lar cristão para idosos e deficientes foi atacado em 4 de março de 2016. Os atacantes mataram 16 pessoas. Tom Uzhunnalil, o sacerdote indiano, foi raptado pelos assaltantes, que, segundo as autoridades iemenitas, estão conectados ao Estado Islâmico.

Os funcionários do governo criam e mantêm um sistema islâmico estrito que trata todos os cidadãos como muçulmanos. Em muitas áreas, a intervenção militar permite que grupos afiliados ao Estado Islâmico e Al-Qaeda expandam suas operações e até matem cristãos (cristãos iemenitas ex-muçulmanos e estrangeiros). Também ocorrem raptos, muitas vezes devido a uma mistura de motivos financeiros e anticristãos.

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam principalmente violência e pressão da família, mas também dos líderes tribais, se a nova fé for descoberta. Os imãs locais têm desempenhado um papel importante na incentivação de ataques contra cristãos.
Como todos os outros iemenitas, os cristãos sofrem com a pior crise humanitária do mundo que está ocorrendo atualmente no país. Os cristãos iemenitas continuam a ser assediados sem precedentes e estão passando de uma área de guerra para outra, em busca de segurança em meio a ataques aéreos contínuos e à falta de comida e água.

Neste contexto, a fé os torna ainda mais vulneráveis à medida que o alívio emergencial é distribuído principalmente por organizações islâmicas e mesquitas locais, que discriminam contra todos os que não são considerados muçulmanos piedosos. Essa é uma séria ameaça à sobrevivência de cristãos e outros não-muçulmanos. Além disso, funcionários do governo continuam seus esforços para intimidar os cristãos, mesmo em meio à situação de guerra caótica.

A igreja no Iêmen é composta principalmente de comunidades de cristãos iemenitas com origem muçulmana. Os cristãos migrantes, particularmente da África e também da Ásia, permanecem no país, embora a maioria tenha saído devido à guerra devastadora. Os cristãos migrantes enfrentam assédio e discriminação da sociedade a nível comunitário e nacional, e a violência dos movimentos islâmicos radicais.

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam um grau ainda maior de perseguição e precisam viver a fé em segredo. Eles enfrentam perseguição das autoridades (incluindo detenção e interrogatório), família e grupos islâmicos radicais que ameaçam os apóstatas com a morte se não se reconciliam. A comunidade convertida está crescendo apesar da insegurança da guerra.

O culto privado tornou-se particularmente arriscado para os cristãos tanto em áreas controladas por muçulmanos radicais como em áreas que foram "liberadas" pelas forças sunitas apoiadas pela Arábia Saudita e seus aliados ocidentais. A Al-Qaeda na Península Arábica e o Estado Islâmico operam livremente em grande parte do país.

•    Ore para que os cristãos estrangeiros tenham sabedoria para conseguir permanecer no Iêmen, para que haja sal e luz de Cristo nessa terra.
•    Interceda pelos cristãos no Iêmen responsáveis por produzir material cristão, como histórias bíblicas e cursos de discipulado. Que eles sejam inspirados pelo Espírito Santo. Ore também por aqueles que ouvirão e lerão o material. 
•    Além da forte perseguição religiosa, os cristãos também enfrentam extrema pobreza e falta de comida. Clame ao Senhor por misericórdia e pelo milagre de terem o pão de cada dia na mesa.

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