República Democrática Federal da Etiópia

República Democrática Federal da Etiópia

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Adis Abeba
  • Região: África Subsaariana
  • Lider: Hailemariam Desalegn
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Cristianismo Ortodoxo
  • Idioma: Amharic, oromo, tigrinya, somali
  • Pontuação: 62

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

A Etiópia é um dos países mais antigos da África. É também um dos primeiros países a aceitar e adotar o cristianismo como religião oficial. Nas últimas décadas, várias denominações cristãs surgiram, fazendo com que a Igreja Ortodoxa Etíope perdesse a posição exclusiva (e, portanto, o privilégio em sua relação com o governo e a sociedade) de única denominação cristã no país. O governo também pressiona massivamente os grupos cristãos para que endossem sua política. Além disso, a situação atual no país ameaça levar à instabilidade enquanto o governo luta contra manifestantes que exigem reformas fundamentais no país.

No período de relatório da Lista Mundial da Perseguição 2018, a situação na Etiópia mostrou algumas mudanças, principalmente devido à atual crise política. Isso realmente levou a uma melhoria na relação entre cristãos e outros grupos. Mais importante ainda, o fato de o governo ter enfrentado desafios políticos levou a uma situação em que ele precisou reduzir a perseguição dos cristãos, já que tinha outras questões urgentes para resolver. Isso levou a uma redução da pressão nas esferas da vida nacional e da igreja.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Os cristãos na Etiópia enfrentam uma variedade de desafios:

• O governo restringe a posse de estações de radiodifusão e outros meios para pregar o evangelho.

• Nas áreas dominadas pelos ortodoxos e nas áreas dominadas pelos muçulmanos, os convertidos enfrentam perseguição da sua família e da comunidade.

• Os evangélicos e os pentecostais enfrentam uma oposição séria onde quer que estejam pregando.

• Durante o período do relatório da Lista Mundial da Perseguição 2018 foram relatados numerosos incidentes violentos contra cristãos. Isso incluiu prisões, ataques físicos, 3 mortes e danos a empresas.

Durante muitos séculos, a Etiópia fez parte do Império Axumite, que incluía os atuais Iêmen, Sudão, Eritreia e Etiópia, mas este chegou ao fim em torno de 940 d.C. Posteriormente, diferentes dinastias governaram o país. Em 1974, o exército depôs o rei - o último rei da dinastia solomônica - e assumiu o controle do Estado.

A junta militar liderada pelo coronel Mengistu Hailemariam seguiu a ideologia socialista. Após a expulsão dos militares pelas forças rebeldes em 1991, o atual partido governante, Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF), chegou ao poder e uma constituição foi finalmente redigida em 1995. A Guerra Eritreana-Etíope ocorreu de maio de 1998 a junho de 2000.

Situações na atual Etiópia são alarmantes. Em 2015, o partido no poder afirmou ter ganho 100% dos assentos parlamentares atuais, uma reivindicação que provocou um choque entre os grupos de direitos humanos e aqueles que trabalham na democracia e a favor da lei.

Embora o país se desenvolva a uma taxa muito boa em termos de economia e liberdade religiosa, desde novembro de 2015, experimenta uma série de protestos violentos. Grupos de direitos humanos informam que centenas de pessoas foram mortas por forças de segurança e milhares de pessoas foram presas.

As manifestações começaram de forma pacífica na região de Oromia e se expandiram para a região de Amara, demandando direitos políticos, civis, sociais e econômicos. Em resposta, o governo declarou Lei Marcial em outubro de 2016, que significa que leis das autoridades civis do país serão substituídas por leis militares.

O país está agora em uma situação perigosa e se não atingir uma certa estabilidade, a igreja pode ser pega no fogo cruzado. É possível que os extremistas islâmicos na região aproveitem a oportunidade para se reagrupar, enquanto o governo é forçado a mudar sua atenção para lidar com a crise causada pelas ondas de manifestações. O governo também enfrenta críticas severas por não permitir investigações internacionais sobre a morte de manifestantes pacíficos.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

A constituição de 1995 estabeleceu uma forma de governo federal baseada em etnias. A ideologia foi apoiada pela Frente de Libertação do Povo Tigrayan (TPLF) e outros partidos políticos étnicos. O TPLF é o principal corpo agindo com o EPRDF. Durante a luta armada nos anos 1970 e 1980, eles articularam um papel muito específico para a divisão étnica na Etiópia, algo que eles estabeleceram depois de chegar ao poder. Em suma, a etnia pode ir de encontro com a religião.

De fato, o marcador de identidade primária na Etiópia parece continuar sendo a etnia, não a religião. No entanto, para certos grupos étnicos, a religião desempenha um papel importante na sua identidade. Por exemplo, as etnias Amhara e Tigray historicamente têm laços estreitos com a Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), enquanto os Ogaden são muçulmanos étnicos da Somália.

No entanto, é importante notar que a mobilização política ainda ocorre principalmente por motivos étnicos. Enquanto os conflitos baseados em religião entram em erupção, a insegurança na Etiópia envolve principalmente grupos armados étnicos. Esses grupos são motivados principalmente por se sentirem marginalizados pela sociedade dominada pelos Tigray, e não com base na religião.

As questões socioeconômicas na Etiópia estão intimamente ligadas à política e à religião. No passado, a distribuição da riqueza e a inclusão em um processo democrático costumavam ser baseadas (principalmente) na religião e na etnia.
Em termos de desenvolvimento econômico, a economia da Etiópia é considerada uma das economias em desenvolvimento mais rápidas do mundo.

De acordo com o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) da Etiópia deverá crescer em 8% em 2018 e 7,9% em 2019. Não existem desafios econômicos específicos que afetem os cristãos em particular. No entanto, grupos cristãos ex-muçulmanos ou antigos membros da Igreja Ortodoxa Etíope (que mudam de denominação) podem não ser capazes de desfrutar de benefícios econômicos devido à pressão social.

A nível social, o governo passado e presente tentou mobilizar apoio controlando grupos religiosos e influenciando a vida religiosa no país. Por exemplo, depois de chegar ao poder em 1991, o atual partido EPRDF substituiu o patriarca da Igreja Ortodoxa - uma posição que normalmente é mantida até o fim da vida.

Isso implica que o papel do governo na religião é mais forte do que a influência de grupos religiosos no governo. Além disso, a interferência do governo etíope muitas vezes gera ressentimento entre a população, uma vez que nas instituições religiosas só haja frequentadores que optaram por aceitar um convite para estar ali. Além disso, a organização política formal em uma base religiosa é tecnicamente proibida na Etiópia. Neste contexto, as igrejas protestantes são consideradas como agentes (apolíticos) da ideologia e de interesses ocidentais.

Existem diversos grupos religiosos informais, organizados politicamente, em especial na diáspora da Etiópia, mas a narrativa dominante no sistema político do país permanece ligada à etnia. Neste contexto, os grupos muçulmanos tornaram-se mais ativos, o que levou ao desenvolvimento de publicações religiosas específicas, como YeMuslimoch Guday e Sewtul Islam, ambos islâmicos.

O caráter apolítico do movimento protestante, incluindo os convertidos do islamismo ou da Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), trouxe esses cristãos para um conflito crescente com o governo etíope e os dois principais órgãos religiosos do país. Por um lado, o governo etíope coloca a etnia acima da religião e tenta manter a fé cristã e o islamismo fora do domínio público. Isso parece funcionar apenas para as igrejas protestantes apolíticas, mais submissas; a estratégia não parece funcionar tanto para a EOC quanto para grupos islâmicos.

Ao mesmo tempo, o movimento protestante, que muitas vezes é ativo na evangelização, causa a ira dos radicais dentro da EOC, bem como nos muçulmanos, por causa do sucesso do evangelismo; pelo qual os laços ainda próximos entre a EOC e o governo podem facilmente aumentar sua opressão. A macronarrativa da Etiópia dificilmente torna visível a opressão aos protestantes. A micronarrativa das raízes, no entanto, mostra claramente a dinâmica da perseguição aos cristãos.

A Etiópia é uma das nações mais antigas da África a aceitar o cristianismo. O cristianismo entrou no país no século 4 - durante o período Axumite - quando a família real se tornou cristã - e a fé cristã gradualmente passou a dominar a terra.

Após a aceitação do cristianismo pela elite governante, a igreja etíope criou um forte relacionamento com a Igreja Copta Ortodoxa do Egito. Como resultado, a Igreja Ortodoxa Etíope reconheceu seu patriarca de Alexandria, Egito, até 1959. O cristianismo ortodoxo permaneceu a religião do Estado até 1974.

A segunda forma de cristianismo a entrar na Etiópia foi a Igreja Católica Romana. Isso foi resultado da relação entre a Etiópia e os portugueses no século 16. Os portugueses tentaram mudar a religião do estado etíope para a católica. Esta tentativa causou derramamento de sangue quando os camponeses reagiram com raiva.

Como resultado, os missionários católicos foram expulsos do país e não foram autorizados a retornar até o século 19. A Etiópia decidiu seguir uma "política de porta fechada" por 150 anos a partir de 1632. Hoje existe uma comunidade de várias centenas de milhares de católicos romanos na Etiópia e é liderada pelo arcebispo de Adis Abeba.

O terceiro tipo de cristianismo a entrar na Etiópia foi o protestante. O protestantismo conseguiu entrar no país através dos esforços de um espectro de missionários luteranos, começando em 1866 com alguns da Missão Luterana Sueca. Na segunda década do século 20, os missionários suecos que representam os Amigos Verdadeiros Independentes da Bíblia chegaram ao país.

Esses uniram-se com a Missão Luterana Sueca para coordenar o trabalho. Missionários de diferentes partes do mundo continuaram a chegar: os missionários alemães da Missão Hermannsburg chegaram em 1927; os missionários da Noruega, Dinamarca, Islândia e Estados Unidos chegaram nas décadas de 1940 e 1950.

Grande parte da obra luterana foi reunida na Igreja Evangélica Etíope Mekane Yesus. Presbiterianos americanos chegaram em 1920 e começaram a trabalhar entre as pessoas. Quando os italianos chegaram, os missionários presbiterianos foram expulsos, e antes de saírem eles organizaram sua missão como Igreja Evangélica de Betel. Em meados da década de 1970, ela se mesclava na Igreja Mekane Jesus.

A Igreja Ortodoxa Etíope tentou restringir a influência dos missionários entre a população. No entanto, as tentativas de "permanecer a única igreja cristã no país também foram tornadas inúteis pela chegada da Missão Interior do Sudão (SIM). O SIM lançou seu trabalho expansivo na Etiópia em 1927 pelo Dr. Thomas A. Lambie.
A expulsão da Itália e o término da Segunda Guerra Mundial trouxeram mais grupos cristãos para o país.

A Conferência Geral Batista da América entrou no país em 1950 com sua primeira missão organizada em Ambo - oeste de Adis Abeba. "O pentecostalismo entrou no país nos anos do pós-guerra e duas grandes igrejas indígenas surgiram, a Igreja dos Crentes do Evangelho Completo e a Associação Deus Todo o Tempo. Ambas as igrejas foram encorajadas pela assistência e pelo pessoal das igrejas pentecostais escandinavas.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Seguindo a Constituição de 1995, que declarou a liberdade de religião, bem como a separação do Estado e da religião, houve mudanças consideráveis na demografia religiosa do país.

A Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), embora ainda seja a maioria e ainda trabalhe duro para manter sua influência nos processos nacionais de tomada de decisão, não conseguiu parar o crescimento exponencial das igrejas protestantes no país.

As igrejas protestantes e pentecostais são ativas no evangelismo e incluem convertidos tanto do islamismo como dos convertidos confessionais da EOC. A situação causa conflito entre os dois principais órgãos religiosos do país e do governo etíope.

Historicamente, a Etiópia sempre teve raízes cristãs profundas. Enquanto o islamismo também tem uma longa história na Etiópia, que remonta à hijrah (chegada dos muçulmanos para Axum, no Norte da Etiópia, em 615 d.C), foi a Igreja Católica Romana (introduzida no século 16) que moldou a identidade da Etiópia em grande medida.

De fato, a Etiópia se apresenta como um baluarte do cristianismo em comparação com seus vizinhos islâmicos. No contexto da "guerra global contra o terrorismo", essa narrativa é frequentemente empregada pelos etíopes. No entanto, a Etiópia possui uma minoria muçulmana muito importante.

O sufismo tem uma longa tradição, e as redes salafistas mais conservadores estiveram presentes desde a década de 1930, em expansão a partir da década de 1960. Essas correntes islâmicas foram originalmente concentradas ao longo do lado oriental da Etiópia, mas têm crescido em influência entre a população etíope em todas as áreas e causando profunda preocupação para o atual governo.

A comunidade muçulmana, especialmente a liderança, tornou-se muito assertiva. Houve alegações de que a política de marginalização deixou a comunidade muçulmana sem qualquer impacto político ou econômico no país sob regimes anteriores e isso continua no atual regime. O governo, no entanto, refuta tais alegações.

A estimativa do Departamento de Estado dos Estados Unidos é de que 63% da população são cristãos e os muçulmanos representam cerca de 34%.
Na Etiópia, a situação é bastante complexa para os cristãos. O país experimenta diferentes tipos de perseguição que, por vezes, se sobrepõem: 

1) Os regulamentos governamentais restringem a liberdade de religião. 

2) Em algumas partes do país, os muçulmanos conservadores prejudicam aqueles que se convertem ao cristianismo. 

3) O secularismo dificulta a vida dos cristãos no país. Um especialista do país diz: "A proibição do estabelecimento de serviços de radiodifusão para fins religiosos, bem como a proibição de atividades religiosas dentro das instituições educacionais restringem a liberdade de adoração, a liberdade de ensinar e pregar”.

4) Nas áreas dominadas pela Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), os cristãos que mudam de denominação enfrentam perseguição de familiares, comunidades e funcionários governamentais membros da EOC. 

Assim, é possível aos perseguidos atuarem como perseguidores em um mesmo país.
Porém, todas as comunidades cristãs são afetadas pela perseguição, embora algumas denominações sejam mais afetadas do que outras. As prisões são comuns no país, em especial de cristãos não tradicionais que enfrentam a perseguição mais severa, tanto do governo quanto da EOC.

Cristãos ex-muçulmanos (particularmente nas partes Leste e Sudeste do país) e aqueles que deixam a EOC enfrentam maus tratos hostis de suas famílias e comunidades. Em algumas áreas, os cristãos são proibidos de acessar recursos da comunidade e são condenados a viver isolados. Em alguns lugares, multidões atacam as igrejas.

•    Ore para que todos aqueles que confessam Jesus Cristo como único Senhor e Salvador se unam com um mesmo espírito e propósito. Clame por unidade no corpo de Cristo na Etiópia.
•    Interceda pelos perseguidores dos cristãos. Sejam eles vindos do governo ou do islamismo. Peça por paz para a nação.
•    Coloque diante de Deus a situação social do país. Peça a Deus que abençoe a Etiópia com sabedoria aos governantes e sustento à população.
 

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