República Democrática Federal da Etiópia

República Democrática Federal da Etiópia

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Adis Abeba
  • Região: Chifre da África
  • Líder: Sahle-Work Zewde
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Cristianismo ortodoxo e islamismo
  • Idioma: Amharic, oromo, tigrinya, somali
  • Pontuação: 65

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

A Etiópia é um dos países mais antigos da África. É também um dos primeiros a aceitar e adotar o cristianismo como religião oficial. Nas últimas décadas, várias denominações cristãs surgiram, fazendo com que a Igreja Ortodoxa Etíope (EOC) perdesse a posição exclusiva (e, portanto, o privilégio em sua relação com o governo e a sociedade) de única denominação cristã no país. A nova administração sob a liderança do Dr. Abiy Ahmed pode ajudar a neutralizar alguns problemas que os cristãos protestantes enfrentam, principalmente por causa da EOC.

O período de relatório da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), foi provavelmente um dos mais difíceis para os cristãos da Etiópia. Apesar do fato de um cristão evangélico ser agora o primeiro-ministro e de haver esperança de mudança no país, muitos cristãos foram atacados por grupos islâmicos por causa da fé. Na região somali de Ogaden, um dos nove estados do país, mais de 20 cristãos, foram mortos em agosto de 2018, enquanto muitas igrejas foram saqueadas e queimadas, sendo totalmente destruídas.
 

“Agradecemos a Deus porque em tudo o que sofremos, em tudo o que passamos, Jesus está conosco nos dando segurança, e ele intervém por nós de uma forma muito especial.”

ABDUL RAZAK, PARCEIRO DA PORTAS ABERTAS NO LESTE DA ÁFRICA

 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Os cristãos na Etiópia enfrentam uma série de desafios:

• O governo restringe a posse de estações de radiodifusão e outros meios para pregar o evangelho. Espera-se que o novo primeiro-ministro melhore essa situação.

• Nas áreas dominadas pelos ortodoxos e nas áreas dominadas pelos muçulmanos, os convertidos enfrentam perseguição da família e comunidade.

• Os evangélicos e os pentecostais enfrentam uma oposição séria onde quer que estejam pregando.
 

 

Durante muitos séculos, a Etiópia fez parte do Império de Axum, que incluía os atuais Iêmen, Sudão, Eritreia e Etiópia, mas este chegou ao fim em torno de 940 d.C. Posteriormente, diferentes dinastias governaram o país. Em 1974, o exército depôs o rei – o último rei da dinastia salomônica – e assumiu o controle do Estado.

A junta militar liderada pelo coronel Mengistu Hailemariam seguiu a ideologia socialista. Após a expulsão dos militares pelas forças rebeldes em 1991, o atual partido governante, Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF), chegou ao poder e uma constituição foi finalmente redigida em 1995. A Guerra Eritreia-Etíopia ocorreu de maio de 1998 a junho de 2000. O novo primeiro-ministro, Dr. Abiy Ahmed assinou um acordo de paz com a Eritreia em junho de 2018, pondo um fim à guerra formalmente. Ambos os países retiraram parte de suas forças armadas da fronteira.

Em 2015, o partido no poder afirmou ter ganho 100% dos assentos parlamentares atuais, uma reivindicação que provocou um choque entre os grupos de direitos humanos e aqueles que trabalham pela democracia e pelo Estado de Direito.

Embora o país se desenvolva a uma taxa muito boa em termos econômicos, desde novembro de 2015, experimenta uma série de protestos violentos. Grupos de direitos humanos informam que centenas de pessoas foram mortas por forças de segurança e outras milhares foram presas.

As manifestações começaram de forma pacífica na região de Oromia e se expandiram para a região de Amara, demandando direitos políticos, civis, sociais e econômicos. Em resposta, o governo declarou Lei Marcial em outubro de 2016, que significa que leis das autoridades civis do país foram substituídas por leis militares.

Em 2017 veio a grande novidade: o primeiro-ministro Haile Marima Dessalegn renunciou ao cargo. Após intensas deliberações nos bastidores, Dr. Abiy Ahmed foi eleito presidente do partido no poder e finalmente se tornou o primeiro-ministro da Etiópia. Desde que ele assumiu, em abril de 2018, tem introduzido grandes reformas, inclusive a libertação de milhares de prisioneiros políticos e a proposta de privatização de algumas empresas estatais. Outras reformas diplomáticas e econômicas também foram introduzidas.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

A constituição de 1995 estabeleceu uma forma de governo federal baseada em etnias. A ideologia foi apoiada pela Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) e outros partidos políticos étnicos. O TPLF é o principal corpo agindo com o EPRDF. Durante a luta armada nos anos 1970 e 1980, eles articularam um papel muito específico para a divisão étnica da Etiópia, algo que eles estabeleceram depois de chegarem ao poder. Em suma, a etnia pode ir de encontro com a religião.

De fato, o marcador de identidade primária na Etiópia parece continuar sendo a etnia, não a religião. No entanto, para certos grupos étnicos, a religião desempenha um papel importante na sua identidade. Por exemplo, as etnias amhara e tigray, historicamente, têm laços estreitos com a Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), enquanto os ogaden são muçulmanos étnicos da Somália.

No entanto, é importante notar que a mobilização política ainda ocorre principalmente por motivos étnicos. Enquanto os conflitos baseados em religião entram em erupção, a insegurança na Etiópia envolve principalmente grupos armados étnicos. Esses grupos são motivados principalmente por se sentirem marginalizados pela sociedade dominada pelos tigray, e não com base na religião. No entanto, agora que o TPFL perdeu o controle do governo federal, muitos etíopes acreditam que o novo primeiro-ministro, Dr. Abiy Ahmed, é a pessoa que pode resolver os problemas que o país enfrenta.

As questões socioeconômicas na Etiópia estão intimamente ligadas à política e à religião. No passado, a distribuição da riqueza e a inclusão em um processo democrático costumavam ser baseadas, principalmente, na religião e na etnia.

Em termos de desenvolvimento econômico, a economia da Etiópia é considerada uma das economias em desenvolvimento mais rápidas do mundo.

De acordo com o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) da Etiópia deverá crescer em 8% em 2018 e 7,9% em 2019. Não existem desafios econômicos específicos que afetem os cristãos em particular. No entanto, grupos cristãos ex-muçulmanos ou antigos membros da Igreja Ortodoxa Etíope (que mudaram de denominação) podem não ser capazes de desfrutar de benefícios econômicos devido à pressão social.

A nível social, o governo passado e atual tentou mobilizar apoio controlando grupos religiosos e influenciando a vida religiosa no país. Por exemplo, depois de chegar ao poder em 1991, o atual partido EPRDF substituiu o patriarca da Igreja Ortodoxa – uma posição que normalmente é mantida até o fim da vida.

Isso implica que o papel do governo na religião é mais forte do que a influência de grupos religiosos no governo. Além disso, a interferência do governo etíope muitas vezes gera ressentimento entre a população, uma vez que nas instituições religiosas só há frequentadores que optaram por aceitar um convite para estar ali. Além disso, a organização política formal em uma base religiosa é tecnicamente proibida na Etiópia. Nesse contexto, as igrejas protestantes são consideradas como agentes (apolíticos) da ideologia e interesses ocidentais.

Existem diversos grupos religiosos informais, organizados politicamente, em especial na diáspora da Etiópia, mas a narrativa dominante no sistema político do país permanece ligada à etnia. Neste contexto, os grupos muçulmanos tornaram-se mais ativos, o que levou ao desenvolvimento de publicações religiosas específicas, como YeMuslimoch Guday e Sewtul Islam, ambos islâmicos.

O caráter apolítico do movimento protestante, incluindo os convertidos do islamismo ou da Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), trouxe esses cristãos para um conflito crescente com o governo etíope e os dois principais órgãos religiosos do país. Especialistas acreditam que a atual dinâmica política pode melhorar as relações entre cristãos ortodoxos e protestantes. Há outros que acreditam que o principal problema da EOC vem de grupos ultraconservadores e não da liderança. É improvável que a mudança de liderança na Etiópia mude a visão desses grupos.

Por um lado, o governo etíope coloca a etnia acima da religião e tenta manter a fé cristã e o islamismo fora do domínio público. Isso parece funcionar apenas para as igrejas protestantes apolíticas, mais submissas; a estratégia não parece funcionar tanto para a EOC como para grupos islâmicos.

A Etiópia é uma das nações mais antigas da África a aceitar o cristianismo. O cristianismo entrou no país no século 4 – durante o Império de Axum – quando a família real se tornou cristã – e a fé cristã gradualmente passou a dominar a terra.

Após a aceitação do cristianismo pela elite governante, a igreja etíope criou um forte relacionamento com a Igreja Copta Ortodoxa do Egito. Como resultado, a Igreja Ortodoxa Etíope reconheceu seu patriarca de Alexandria, Egito, até 1959. O cristianismo ortodoxo permaneceu a religião do Estado até 1974.

A segunda forma de cristianismo a entrar na Etiópia foi a Igreja Católica Romana. Isso foi resultado da relação entre a Etiópia e os portugueses no século 16. Os portugueses tentaram mudar a religião do Estado etíope para a católica. Essa tentativa causou derramamento de sangue, quando os camponeses reagiram com raiva.

Como resultado, os missionários católicos foram expulsos do país e não foram autorizados a retornar até o século 19. A Etiópia decidiu seguir uma "política de porta fechada" por 150 anos a partir de 1632. Hoje existe uma comunidade de centenas de milhares de católicos romanos na Etiópia e é liderada pelo arcebispo de Adis Abeba.

O terceiro tipo de cristianismo a entrar na Etiópia foi o protestante. O protestantismo conseguiu entrar no país através dos esforços de um espectro de missionários luteranos, começando em 1866 com alguns da Missão Luterana Sueca. Na segunda década do século 20, os missionários suecos que representam os Amigos Verdadeiros Independentes da Bíblia chegaram ao país.

Esses uniram-se com a Missão Luterana Sueca para coordenar o trabalho. Missionários de diferentes partes do mundo continuaram a chegar: os missionários alemães da Missão Hermannsburg chegaram em 1927; os missionários da Noruega, Dinamarca, Islândia e Estados Unidos chegaram nas décadas de 1940 e 1950.

Grande parte da obra luterana foi reunida na Igreja Evangélica Etíope Mekane Jesus. Presbiterianos americanos chegaram em 1920 e começaram a trabalhar entre as pessoas. Quando os italianos chegaram, os missionários presbiterianos foram expulsos, e antes de saírem eles organizaram sua missão como Igreja Evangélica de Betel. Em meados da década de 1970, ela se mesclou com a Igreja Evangélica Etíope Mekane Jesus.

A Igreja Ortodoxa Etíope tentou restringir a influência dos missionários entre a população. No entanto, as tentativas de "permanecer a única igreja cristã no país” também foram tornadas inúteis pela chegada da Missão Interior do Sudão (SIM). A SIM lançou seu trabalho expansivo na Etiópia em 1927 pelo Dr. Thomas A. Lambie.

A expulsão da Itália e o término da Segunda Guerra Mundial trouxeram mais grupos cristãos para o país.

A Conferência Geral Batista da América entrou no país em 1950 com sua primeira missão organizada em Ambo – a oeste de Adis Abeba. "O pentecostalismo entrou no país nos anos do pós-guerra e duas grandes igrejas indígenas surgiram, a Igreja dos Crentes do Evangelho Completo e a Associação Deus Todo o Tempo. Ambas as igrejas foram encorajadas pela assistência e pelo pessoal das igrejas pentecostais escandinavas”.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

Seguindo a constituição de 1995, que declarou a liberdade de religião, bem como a separação do Estado e da religião, houve mudanças consideráveis na demografia religiosa do país.

A Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), embora ainda seja a maioria e trabalhe duro para manter sua influência nos processos nacionais de tomada de decisão, não conseguiu parar o crescimento exponencial das igrejas protestantes no país.

As igrejas protestantes e pentecostais são ativas no evangelismo e incluem convertidos tanto do islamismo como dos convertidos confessionais da EOC. A situação causa conflito entre os dois principais órgãos religiosos do país e do governo etíope.

Historicamente, a Etiópia sempre teve raízes cristãs profundas. Enquanto o islamismo também tem uma longa história na Etiópia, que remonta à hijrah (chegada dos muçulmanos em Axum, no norte da Etiópia, em 615 d.C), foi a Igreja Católica Romana, introduzida no século 16, que moldou a identidade da Etiópia em grande medida.

De fato, a Etiópia se apresenta como um baluarte do cristianismo em comparação com seus vizinhos islâmicos. No contexto da "guerra global contra o terrorismo", essa narrativa é frequentemente empregada pelos etíopes. No entanto, a Etiópia possui uma minoria muçulmana muito importante.

O sufismo tem uma longa tradição, e as redes salafistas mais conservadoras estiveram presentes desde a década de 1930, em expansão a partir da década de 1960. Essas correntes islâmicas foram originalmente concentradas ao longo do lado oriental da Etiópia, mas têm crescido em influência entre a população etíope em todas as áreas e causado profunda preocupação para o atual governo.

A comunidade muçulmana, especialmente a liderança, tornou-se muito assertiva. Houve alegações de que a política de marginalização deixou a comunidade muçulmana sem qualquer impacto político ou econômico no país sob regimes anteriores e isso continua no atual regime. O governo, no entanto, refuta tais alegações.

O novo primeiro-ministro libertou todos os líderes muçulmanos que foram presos sob o regime do primeiro-ministro anterior. O novo líder do país também intermediou as duas facções da Igreja Ortodoxa da Etiópia, fazendo com que um líder da igreja que estava exilado voltasse ao país.

Na Etiópia, a situação é bastante complexa para os cristãos. O país experimenta diferentes tipos de perseguição que, por vezes, se sobrepõem: i) os regulamentos governamentais restringem a liberdade de religião; ii) em algumas partes do país, os muçulmanos conservadores prejudicam aqueles que se convertem ao cristianismo; iii) o secularismo dificulta a vida dos cristãos no país. Um especialista do país diz: "A proibição do estabelecimento de serviços de radiodifusão para fins religiosos, bem como a proibição de atividades religiosas dentro das instituições educacionais restringem a liberdade de adoração, a liberdade de ensinar e pregar”; iv) nas áreas dominadas pela Igreja Ortodoxa Etíope (EOC), os cristãos que mudam de denominação enfrentam perseguição de familiares, comunidades e funcionários governamentais membros da EOC. Assim, é possível aos perseguidos atuarem como perseguidores em um mesmo país.

Na Etiópia, todas as comunidades cristãs são afetadas pela perseguição, embora algumas denominações sejam mais afetadas do que outras. As prisões são comuns no país, em especial de cristãos não tradicionais que enfrentam a perseguição mais severa, tanto do governo quanto da EOC.

Cristãos ex-muçulmanos, particularmente nas partes leste e sudeste do país, e aqueles que deixam a EOC enfrentam atitudes hostis de suas famílias e comunidades. Em algumas áreas, os cristãos são proibidos de acessar recursos da comunidade e são condenados a viver isolados. Em alguns lugares, multidões atacam as igrejas.

Cristãos ex-muçulmanos em áreas dominadas por ortodoxos ou muçulmanos enfrentam enorme pressão para negar a fé. Na região somali do país, Ogaden, 15 líderes cristãos foram mortos em um período de dois dias, numa onda de violência contra cristãos que eclodiu no dia 4 de agosto de 2018. Dez igrejas também foram incendiadas e nove vandalizadas e saqueadas por multidões muçulmanas.

  • Geralmente os cristãos são hostilizados por não participarem dos rituais das religiões tradicionais da comunidade. Clame para que eles fiquem firmes e não sejam dominados pelo medo.
  • Ore pelo governo do novo primeiro-ministro Abiy Ahmed, que é cristão, para que tenha sabedoria e coragem necessárias para trazer mudanças ao país.
  • Interceda pela vida dos parceiros da Portas Abertas, que sempre viajam para áreas remotas e perigosas. Ore por sabedoria nos contatos com as igrejas locais e para que sejam sempre um encorajamento para o corpo de Cristo.

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