República Árabe do Egito

República Árabe do Egito

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Cairo
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Abdel Fattah al-Sisi
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, inglês e francês
  • Pontuação: 76

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

O Egito é um país extremamente importante na região devido à sua localização estratégica, seu tamanho territorial e populacional e por sua influência histórica e diplomática. A igreja no Egito também é de suma importância, uma vez que a presença cristã no país representa a maior população cristã sobrevivente da região. Ao longo do século 20 em diante, parece que as visões concorrentes do Estado egípcio têm competido pelo domínio no país.

Uma visão (avançada pelo exército e estabelecimento político) enfatiza mais o nacionalismo em oposição à religião, enquanto, por outro lado, os islâmicos, incluindo a Irmandade Muçulmana, querem tornar a religião o fundamento e o elemento central da identidade egípcia. Ambas as visões ofereceram aos cristãos egípcios pouco no que se refere aos direitos e segurança e, à medida que a concorrência entre esses dois campos se desenrola, os cristãos egípcios estão frequentemente no fogo cruzado político, e são forçados a fazer escolhas difíceis.
 

“Ficamos arrasados quando nossa igreja foi fechada e alguns membros foram presos. Eles não fizeram nada, estavam apenas orando! A vontade dos muçulmanos aqui é mais importante que a lei.”

UM DOS MUITOS LÍDERES CRISTÃOS CUJA IGREJA FOI FECHADA EM 2018 NO EGITO

 

O alto nível de analfabetismo, estagnação econômica e pressão demográfica também significam que – independentemente da dispensa política no país – a sociedade egípcia continua a ser suscetível à influência das versões mais radicais e intolerantes do islã que são particularmente atraentes para os jovens e os pobres.

O maior grupo cristão do país, os coptas, foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz em 2018 devido à “sua recusa de retaliação contra perseguição contínua e mortal de governos e grupos terroristas no Egito e em outros lugares”. Acredita-se que pela primeira vez, em 116 anos da história do prêmio, um grupo étnico-religioso tenha sido nomeado.

Geograficamente, os cristãos residem em todo o país, com maior concentração no Alto Egito e nos subúrbios do Cairo e Alexandria. A igreja está sob constante pressão e os cristãos gozam de direitos e liberdade muito limitados. Os cristãos no país enfrentam múltiplos desafios, que incluem:

  • Ataques violentos de militantes islâmicos dirigidos a cristãos e igrejas.
  • Discriminação pela sociedade (islâmica).
  • Roubo de terra e desapropriação.
  • Repressão e leis discriminatórias impostas pelo Estado.
  • Prisões arbitrárias e detenções pela polícia, após terem protegido a igreja contra ação violenta de multidões ou terem sido acusados falsamente de blasfêmia.
     

Depois de servir como presidente por três décadas (de 1981 a 2011), Hosni Mubarak foi forçado a renunciar após quase três semanas de intensos protestos na Praça Tahrir do Cairo, tornando-se assim um dos ditadores do Oriente Médio varridos durante a Primavera Árabe. Os manifestantes apresentaram demandas por mais liberdade política e expressaram o descontentamento da população com a situação social e econômica do país. Em junho de 2012, após uma breve transição durante a qual o Conselho Supremo das Forças Armadas governou o país, Mohamed Morsi, um político que costumava ser membro sênior da Irmandade Muçulmana, ganhou as eleições presidenciais, com 52% dos votos. Uma vez no poder, ele assumiu poderes executivos ditatoriais que alienaram muitos egípcios.

As manifestações populares foram organizadas por um grupo chamado Tamarrod que gozava do apoio da polícia, do exército, dos empresários e das figuras religiosas cristãs proeminentes. Em última análise, o exército interveio e expulsou o presidente Morsi, alegando que não havia respondido satisfatoriamente às demandas do povo egípcio. O exército adotou seu próprio roteiro de transição que culminou com a adoção de uma nova constituição e a realização de novas eleições parlamentares e presidenciais.

No final do processo, o marechal de campo Abdul Fattah al-Sisi emergiu como o novo homem forte egípcio. Al-Sisi foi o ministro da Defesa durante o governo de Morsi e ele era a principal figura por trás da expulsão de Morsi. Ele foi saudado por alguns como um herói que salvou o Egito das garras da Irmandade Muçulmana, enquanto outros afirmam que seu governo é um sinal claro do retorno do Egito aos velhos tempos de autocracia apoiada pelo exército. Uma vez que a nova constituição foi adotada, al-Sisi se candidatou para presidente como civil e – dado o culto à personalidade que foi construído em torno dele antes das eleições – não era surpreendente que ele ganhasse as eleições com esmagadora maioria. Após a ascensão de al-Sisi ao poder, houve uma repressão em larga escala contra a Irmandade Muçulmana. Em março de 2018, al-Sisi foi reeleito com 97% dos votos. Essa vitória massiva é uma clara indicação de quão efetivamente toda oposição foi destituída durante seu primeiro mandato.

Desde a ascensão de al-Sisi ao poder, muitos dos líderes maiores e membros da Irmandade Muçulmana, incluindo Morsi, foram detidos, perseguidos e condenados à morte ou à prisão perpétua. Essas medidas têm polarizado profundamente a sociedade egípcia, uma vez que a Irmandade Muçulmana é popular entre um grande segmento da sociedade. Enquanto o presidente al-Sisi procura normalizar a situação política no Egito e recupera a economia egípcia com ajuda financeira dos xeiques do Golfo Árabe, ele enfrenta os desafios da estabilização da segurança e lidera uma guerra contra grupos islâmicos radicais, ativos no deserto do Norte do Sinai.

Em suma, parece que o Egito está de volta ao quadro que viveu nos dias de Hosni Mubarak. Não se pode deixar de sentir uma sensação de déjà vu ao notar que outro forte militar está mais uma vez contra a Irmandade Muçulmana e enfrentando uma insurgência armada por extremistas islâmicos. O regime do presidente al-Sisi quer se projetar como garantia de estabilidade, ordem e segurança para os cristãos. A administração parece determinada a enfrentar a crescente islamização do Estado, que acelerou sob a liderança do presidente Morsi e da Irmandade Muçulmana. Ao mesmo tempo, existe o risco de que segmentos da Irmandade Muçulmana e seus defensores, que se sintam prejudicados pela perda de poder e a perseguição que enfrentam, possam se tornar mais radicalizados e se juntem a grupos islâmicos militantes subterrâneos, em grande número. Tais desenvolvimentos consequentemente levariam a maior polarização da sociedade no Egito e poderiam representar um risco sério para a estabilidade da nação e a segurança dos cristãos egípcios por um período maior.

A revolução contra o regime de Mubarak começou com o descontentamento com a situação socioeconômica do país, promovida principalmente pela juventude urbana. Cerca de 30% da população vive abaixo da linha de pobreza com menos de 2 dólares por dia e o Egito é também um dos nove países com maiores taxas de analfabetismo do mundo, sendo que 26% dos adultos são analfabetos. A administração do presidente al-Sisi embarcou em um plano ambicioso para revitalizar a economia egípcia, criar o crescimento econômico e aumentar a taxa de empregos. Inicialmente, o plano do governo encontrou muitos apoiadores internacionais, especialmente dos países ricos em petróleo do Golfo, mas as crises políticas e de segurança no Egito e nas regiões vizinhas parecem ter frustrado esses esforços.

As táticas armadas do presidente al-Sisi não se limitaram aos grupos políticos islâmicos, mas ele também reprimiu vários grupos dissidentes e de oposição. Demitiu ou deteve oficiais sênior do exército e de estabelecimentos de segurança quando eles demonstraram ambições políticas. Como resultado, na eleição presidencial de março de 2018, al-Sisi ganhou com esmagadora maioria de 97% dos votos válidos.

O cristianismo tem conexões muito próximas do Egito voltando ao nascimento de Jesus Cristo (Mateus 2.14-15). Tradicionalmente, acredita-se que foi o apóstolo Marcos quem estabeleceu a primeira igreja em Alexandria. O Egito também foi um dos primeiros lugares em que o monarquismo cristão (movimento que criou a vida em monastérios) emergiu como uma parte importante da vida da igreja. Apesar de ter sido cortado de outros países cristãos há séculos, os cristãos coptas permaneceram resistentes e autônomos. Desde que rompeu com a Igreja Oriental no século 5 (devido a desentendimentos sobre a natureza da Trindade), a Igreja Ortodoxa Copta manteve sua autonomia e seus cultos permaneceram basicamente inalterados. A invasão árabe no século 7 interrompeu o crescimento do cristianismo no Egito.

No século 17, a Igreja Católica Romana entrou no Egito através da atividade missionária dos Capuchinhos e dos Jesuítas. Em 1847, os anglicanos começaram a trabalhar no país, seguidos pela Igreja Presbiteriana Reformada Associada, com sede nos Estados Unidos, em 1854. Muitos outros grupos e missionários independentes seguiram, sendo a Igreja Metodista Livre em 1899 o mais notável. As guerras em 1956 e 1967 interromperam o trabalho dos protestantes, muitos dos quais foram obrigados a deixar o país à medida que o governo se tornava cada vez mais hostil aos missionários vindos do Ocidente.

Além da maioria da Igreja Copta Ortodoxa (uma das igrejas mais antigas do mundo), atualmente existem muitas outras denominações no país. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, algumas das igrejas egípcias notáveis incluem: armênia apostólica, católica (armênia, caldeia, grega, melkita, romana e síria), maronita, ortodoxa (grega e síria), anglicana/episcopalista, presbiteriana, batista, adventista do sétimo dia, revivificação da santidade (Nahdat al-Qadaasa), fé (Al-Eyman), Igreja de Deus, Igreja Modelo Cristã (Al-Mithaal Al-Masihi), Apostólica, Graça (An- Ni'ma), Pentecostal, Graça Apostólica, Igreja de Cristo, Missionário do Evangelho (Al-Kiraaza bil Ingil) e a Igreja da Mensagem da Holanda (Ar-Risaça). Há também uma pequena comunidade de cristãos ex-muçulmanos.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Entre as igrejas históricas, a comunidade copta é a maior, sendo ortodoxas em sua maioria. Também há denominações protestantes estabelecidas em todo o país. A grande minoria copta, apesar de enfrentar dificuldades (como discriminação na educação, saúde e leis que entravam aspectos essenciais da vida da igreja), tem sido ao longo dos anos tolerada pelo Estado e pela maioria muçulmana por causa de sua presença histórica e por ser uma população de alguns milhões. Mas em anos recentes isso tem mudado, fazendo com que sejam alvo, tanto de vizinhos muçulmanos quanto de grupos radicais islâmicos.

Há também uma pequena, mas crescente, comunidade de cristãos ex-muçulmanos que suportam o peso da perseguição, principalmente por parte de familiares, que os punem por abandonar a fé islâmica. Comumente, os convertidos ao cristianismo são agredidos fisicamente e expulsos de casa.

Há vários grupos evangélicos e pentecostais no país, alguns deles sendo a segunda ou terceira geração de convertidos do islamismo. Outros vêm de um contexto ortodoxo. Eles enfrentam pressão da sociedade islâmica e, em um nível menor, da igreja ortodoxa.

Comparado ao ano anterior, o número de mortes diminuiu significativamente, devido a menos ataques a bombas a cristãos. No entanto, ao menos 17 mortes foram relatadas. O índice de violência permaneceu extremamente alto, refletindo a posição vulnerável dos cristãos no Egito.

O islamismo é a religião dominante no Egito. Cerca de 90% da população egípcia é muçulmana e praticamente todos os muçulmanos egípcios são sunitas. Embora o cristianismo tenha raízes profundas no Egito, voltando séculos antes do advento do islamismo no Norte da África, os cristãos são geralmente marginalizados e tratados como cidadãos de segunda classe no Egito moderno. Especialmente com o surgimento de interpretações mais radicais do islamismo, a pressão sobre os cristãos tem aumentado nas últimas décadas.

O presidente al-Sisi convocou estudiosos da Universidade Al-Azhar (considerado o mais antigo e prestigiado centro de estudos islâmicos avançados entre muçulmanos sunitas) para combater o radicalismo e introduzir reformas no ensino islâmico. Em áreas rurais e empobrecidas em particular, os imãs radicais e os gêneros de islamismo menos tolerantes estão crescendo em proeminência. O governo está fazendo esforços para reverter essa tendência, mas não tem sido muito bem-sucedido até agora. No período de relatório da Lista Mundial da Perseguição 2019 (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), o ambiente permaneceu hostil para os cristãos no Egito e muitos cristãos coptas foram vítimas de violência ou enfrentaram discriminação.

Além do cristianismo e do islamismo, outras religiões e sistemas de crenças não têm seguimento significativo e têm um número insignificante de adeptos. De acordo com o World Christian Database, todas as outras religiões e sistemas de crenças como o hinduísmo, o judaísmo e o ateísmo têm cada um menos adeptos, em um país com uma população de 99.4 milhões de pessoas.

O Estado Islâmico, em particular no Egito, prometeu fazer guerra contra os cristãos e encenou diversos ataques violentos contra esses em muitas partes do país. Além dos grupos islâmicos fanáticos e da sociedade em geral, a baixa consideração que o Estado egípcio tem pelos direitos fundamentais, incluindo a liberdade de religião – bem como a prevalência da corrupção no país – contribui para a perseguição aos cristãos.

Os cristãos egípcios enfrentam perseguição de várias maneiras. Os cristãos ex-muçulmanos têm grandes dificuldades para viver a fé, pois enfrentam uma enorme pressão da família para retornar ao islã e o Estado também torna quase impossível para eles obter algum reconhecimento oficial da conversão. Os cristãos também enfrentam dificuldades em construir ou encontrar um lugar de culto. As dificuldades vêm tanto das restrições regulatórias e administrativas do Estado quanto da hostilidade e violência que ocasionalmente têm como alvo os locais de culto cristãos. Os cristãos também enfrentam discriminação e abuso, especialmente mulheres cristãs, em seus locais de trabalho. O ensino de imãs extremistas que incitam hostilidade e violência contra os cristãos também aumenta a perseguição aos cristãos. O Estado Islâmico jurou varrer todos os cristãos do Egito e perpetrou vários ataques no país em 2016, 2017 e 2018, causando a morte de vários cristãos.

Alguns exemplos de perseguição violenta no período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2019 (novembro de 2017 a outubro de 2018) são:

  • Em dezembro de 2017, um atirador abriu fogo em uma igreja e em uma loja pertencente a um cristão no Cairo. Onze pessoas morreram nos ataques.
  • Em julho de 2018, uma multidão atacou cristãos em um vilarejo em Minia, quando moradores ficaram enfurecidos devido a um post no Facebook considerado blasfêmia. O ataque se transformou em um tumulto que teve que ser disperso com a prisão de 90 pessoas, que estavam tentando atacar casas de cristãos.
  • Foi relatado que muitas meninas e mulheres cristãs foram vítimas de assédio sexual, sequestro e abuso. Ao menos sete casos de sequestro foram documentados somente no mês de abril de 2018.
  • Em novembro de 2018, dois ônibus que levavam peregrinos cristãos coptas a um monastério em Minia foram atacados, causando a morte de sete deles.
  • Milhares de igrejas ainda estão esperando para serem formalmente reconhecidas. Os pedidos por reconhecimento oficial geralmente são respondidos com violência por parte da comunidade.

Os funcionários do governo, bem como os que pertencem a vários ramos do sistema de segurança no Egito, são as principais fontes de perseguição no país. A administração do presidente Abdel Fattah al-Sisi está tentando reforçar seu apoio à maioria da população e manter o poder. Assim, apesar de suas promessas, o governo realmente manteve restrições existentes sobre a liberdade de religião dos cristãos egípcios. Os líderes da igreja no Egito também são constantemente monitorados e estão sob vigilância pelo Estado.

A violência contra os cristãos no Egito tornou-se mais visível na mídia. Por um lado, os ataques de militantes dirigidos a cristãos aumentaram em termos de frequência e mortalidade, mas, por outro, houve uma queda na violência causada por pessoas comuns e houve um número menor de cristãos presos. As ameaças e ataques de extremistas foram encenados para aterrorizar a comunidade cristã e perturbar as atividades das igrejas.

  • Ore pelos jovens cristãos recém-formados que estão procurando uma colocação no mercado de trabalho. Muitas vezes eles não são selecionados por serem cristãos.
  • Interceda pelo ministério de jovens, que ajuda a juventude cristã a permanecer firme com Jesus mesmo em tempos de insegurança.
  • Clame pelos cristãos de Alarixe, na Península do Sinai, região sob domínio de terroristas islâmicos e de onde muitos cristãos tiveram que fugir.

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