República Popular da China

República Popular da China

  • Fonte de Perseguição: Opressão comunista
  • Capital: Beijing
  • Região: Ásia
  • Lider: Xi Jinping
  • Governo: Comunismo
  • Religião: Budismo, cristianismo, islamismo, outros
  • Idioma: Chinês
  • Pontuação: 57

POPULAÇÃO
BILHÃO

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

O presidente Xi Jinping continua a consolidar seu poder de forma agressiva eliminando todos aqueles que não são leais a ele e ampliando o alcance do partido em todas as áreas da sociedade, incluindo negócios, mídia e o terceiro setor. Na multidão de desafios que o governo enfrenta, a liderança da China luta para manter tudo sob controle. Seu objetivo de manter o poder inclui a necessidade de controlar todas as religiões, especialmente a minoria cristã que cresce bastante. Quanto ao futuro, a questão é se as autoridades governamentais conseguirão ver os cristãos como uma força positiva na sociedade. Se assim for, os cristãos poderão se tornar aliados para o desenvolvimento do país e, assim, tornarem-se contribuintes para o estabelecimento de uma "sociedade harmoniosa". Mas também é possível que, para permanecer no poder, o controle da liderança das igrejas fique mais pesado e os cristãos enfrentem mais perseguição aos cristãos. Os próximos anos mostrarão se as igrejas locais serão valorizadas como um ativo ou rejeitadas como uma ameaça.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Desde a década de 1980, a China testemunhou um enorme crescimento na comunidade cristã, embora ninguém seja capaz de fornecer números exatos. O que é claro, no entanto, é que foi a pressão da perseguição que realmente ajudou a igreja a crescer. Esse crescimento agora apresenta muitos desafios:

• O materialismo crescente e o consumismo representam uma séria ameaça. Também não é fácil encontrar e treinar líderes capazes de cuidar de congregações em crescimento.

• As igrejas precisam de ajuda no desenvolvimento de atitude e estruturas missionárias. Os representantes da igreja se comprometeram a enviar 20 mil missionários até 2030. Os missionários se deparam com dificuldades que a igreja local não sabe como lidar. Por exemplo, adaptação na cultura local, pastorado, contato da igreja em casa, filhos, seguro (doença, família, aposentadoria) etc.

• Os cristãos que se converteram em outros países muitas vezes retornam e não se sentem em casa nas estruturas das igrejas chinesas atuais. Isso, por sua vez, pode fazer com que sejam observados com cautela, embora muitos consigam se integrar depois de algum tempo.

• Em 24 de maio de 2017, dois missionários chineses foram sequestrados por islâmicos radicais em Quetta, no Paquistão, onde mais tarde os mataram. Esse fato marcou a China, pois tem consequências de longo alcance para os próximos anos. A igreja cristã cresce na China e faz a promessa de enviar 20 mil missionários até 2030. Por isso, mais e mais missionários chineses serão enviados para alguns dos lugares mais difíceis e improváveis do mundo. Especialmente com a nova política da Estrada da Seda do governo, os cidadãos chineses terão um acesso relativamente fácil a muitos países. A questão, no entanto, é se eles gozarão de proteção do seu governo (ateu), se eles não forem bem recebidos no exterior.

• Em agosto de 2017, vários edifícios, pertencentes a uma igreja na província de Shanxi, foram destruídos, apesar dos esforços dos membros para protegê-los. As casas dos cristãos foram invadidas e seus pertences, confiscados em Guangdong, Xinjiang e Anhui. Igrejas também foram invadidas e os proprietários que alugam instalações para igrejas foram pressionados a rescindir tais contratos.

O presidente Xi Jinping assumiu o cargo em março de 2013 e seus primeiros quatro anos de governo viram uma redução de liberdade sem precedentes nos últimos anos. Isso aconteceu em todos os setores da sociedade. Há razões para acreditar que a igreja será afetada num futuro próximo, já que as autoridades locais parecem agir de forma mais restritiva. Essas restrições vêm de maneiras indiretas, como através da ênfase à ideologia e à retórica comunistas, e ao limitar o espaço de funcionamento das igrejas. Elas são pressionadas a adaptar seu ministério e são observadas mais de perto. Uma vez que a igreja cristã é a maior força social organizada e não controlada pelas autoridades comunistas, os cristãos são mal vistos de qualquer maneira.

A situação tende a continuar assim desde a criação da regulamentação das organizações não governamentais feita em abril de 2016, do projeto de regulamento sobre religião, de setembro de 2016, e dos recentes regulamentos da Internet, em maio de 2017. Esta é uma das razões pelas quais as repressões ocasionais continuam até mesmo para o Movimento Patriótico das Três Autonomias, rede de igrejas cristãs autorizadas pelo governo.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

O partido comunista viu a necessidade de fortalecer a sociedade e, em 2016, utilizou a retórica maoísta na tentativa de manter os cidadãos na linha. A necessidade de reformas estruturais pode ser claramente vista à medida que a economia diminui e o contrato firmado a favor da liberdade e crescimento poderia estar desmoronando. O objetivo geral é manter o poder do Partido Comunista ao manter a paz e a harmonia sociais. Qualquer força que represente um perigo para este objetivo será combatida continuamente, incluindo a religião.

A China tornou-se o quinto maior investidor estrangeiro direto do mundo e investe em regiões e países diversos como Ásia Central, Paquistão, África e América Latina. Entre esses investimentos estão os planos para construir um canal na Nicarágua, concorrendo com o Canal do Panamá, e também vários projetos para usinas de energia elétrica. Em uma mudança mais estratégica geograficamente, a China construiu o que os observadores chamam de "corda de pérolas" ou "Um cinturão, uma estrada": uma rede de portos e instalações comerciais ao longo da costa em todo o caminho da China para o Quênia e Sudão, sendo o porto paquistanês de Gwadar (ainda a ser terminado), a soma mais recente. Um dos mais novos esforços a este respeito é a criação de um banco de desenvolvimento internacional chamado Asian Infrastructure Investment Bank, que ganhou apoio de todo o mundo, apesar da oposição dos Estados Unidos e do Japão. Ao usar seu "poder suave", a China aumenta sua influência em todo o mundo e também sua autoconfiança. Ao mesmo tempo, isso apresenta oportunidades para que as igrejas se tornem mais ativas no ministério e na missão.

Os dias de números de dois dígitos no crescimento acabaram e a China agora luta para não ficar aquém dos níveis de crescimento necessários para manter o equilíbrio social e o Partido Comunista no poder. Além disso, milhões de trabalhadores ainda estão migrando das áreas mais rurais do oeste da China para os assentamentos urbanos na costa leste. No momento, os números mostram um crescimento econômico de 6% a 7% - algo que outros países só podem sonhar - mas continua a ser visto como se isso já fosse suficiente para as necessidades da China e para o contrato acordado de não ter direitos participativos no crescimento e liberdades em troca de riqueza nacional.

Além disso, a população parece "envelhecer antes de ficar rico", como disse um comentarista, uma vez que a infame política de “apenas um filho” também tem desvantagem. Um número crescente de cidadãos de meia idade enfrenta o desafio de equilibrar as necessidades de vida, de vida familiar e de cuidar de pais idosos que agora desfrutam de uma expectativa de vida mais longa. De acordo com as estatísticas do governo chinês, o número de pessoas com mais de 60 anos duplicará em 2030.

Devido a isso e outras considerações, a política rigorosa de “apenas um filho” foi aliviada, mas muitos observadores acham que o efeito não será suficientemente grande para resolver esses problemas. Tendo em conta a tendência de urbanização em curso, é difícil para muitos visitar os pais regularmente. Portanto, milhões de pessoas idosas são deixadas sozinhas. A ideia de lares de idosos ainda é estranha ao país e não parece se encaixar com a tradição. No entanto, os cristãos começaram a dirigir alguns lares de idosos e, portanto, estão dando um bom exemplo e superando os medos de romper com a tradição.

O primeiro registro de cristãos na China está escrito em uma pedra do século 8 afirmando que os cristãos chegaram à cidade de Xian em 635 d.C. Mais tarde, o cristianismo foi banido durante a dinastia Ming, mas os católicos romanos fizeram novas incursões no país no século 16. Os protestantes chegaram em Macau com o missionário Robert Morrison em 1807.

Quando a República Popular da China foi criada, em 1949, o Partido Comunista assumiu e toda religião foi violentamente combatida, especialmente religiões vistas como estrangeiras (como o cristianismo). Os missionários cristãos estrangeiros tiveram que deixar o país e, durante décadas, pouco se sabia sobre o que os cristãos estavam fazendo. Quando ocorreu a chamada Revolução Cultural (1966 - 1976), toda a sociedade foi virada de cabeça para baixo. Como uma surpresa para muitos, a fé cristã não só sobreviveu a todos os esforços para erradicá-la, mas tornou-se profundamente enraizada na sociedade chinesa. Apesar de todos os esforços de controle do governo, os cristãos e as igrejas ainda prosperam e, embora ainda haja perseguição aos cristãos, não é tão intensa e tão violenta quanto nos tempos da Revolução Cultural.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O cristianismo chinês é um mosaico de diferentes grupos de igrejas com múltiplas redes. Basicamente, as igrejas na China podem ser distinguidas como sendo registradas no Estado ou não. As primeiras igrejas estão no Movimento Patriótico das Três Autonomias, que é protestante – ter tríplice autonomia significa ser autogovernada, autossuportada e autopropagada. Há também o Conselho Cristão da China, uma organização guarda-chuva para todos os grupos protestantes registrados, além da Igreja Católica Patriótica Chinesa.

Igrejas não registradas são independentes e organizadas em múltiplas redes informais amplamente conhecidas como "igrejas subterrâneas" ou "igrejas domésticas". Contudo, esses termos são enganosos, pois elas não são necessariamente clandestinas ou encontram-se em casas. Elas representam uma grande variedade de diferentes denominações, algumas delas podem ser comparadas com os batistas, outros são fortemente influenciados pelo ensino pentecostal, embora possam ter outros nomes. Hong Kong tem um status especial, especialmente porque não existem organizações controladas pelo Estado, como o Movimento Patriótico das Três Autonomias ou a Igreja Patriótica Católica. Em Hong Kong, cerca de 11% da população é cristã. Além dessas denominações cristãs, há alguns milhares de convertidos entre a minoria muçulmana na província de Xinjiang, bem como entre as comunidades budistas no Tibete.

O pequeno número de cristãos de origem muçulmana ou budista tibetana enfrenta o peso da perseguição, que vem de líderes religiosos não cristãos - que ainda são muito influentes no Xinjiang e no Tibete - e da comunidade em que vivem seus  pais. A conversão é vista como algo mais do que apenas mudar a religião, mas é trair uma comunidade. As autoridades comunistas também conduzem a perseguição, uma vez que são responsáveis por limitar todas as liberdades nas províncias mencionadas acima, mas não apenas aí. No seu esforço para controlar a sociedade e permanecer no poder, as autoridades comunistas também se escondem entre cristãos, especialmente porque são a maior força social na China, não controlada pelo Estado. O controle aumentou no período de relatório da Lista Mundial da Perseguição 2018, já que algumas igrejas domésticas foram forçadas a se juntar ao Movimento Patriótico das Três Autonomias, controlado pelo Estado. A nova lei sobre religião está programada para ser implementada a partir de 1° de fevereiro de 2018.

Se um convertido do islamismo ou do budismo tibetano é descoberto pela comunidade e pela família, ele geralmente é ameaçado, ferido fisicamente e denunciado às autoridades locais - tudo em um esforço para recuperá-lo. Os cônjuges podem ser forçados a se divorciar e as crianças podem ser levadas para longe de pais cristãos. Os batismos públicos estão fora de questão e, como eventos familiares, casamentos ou enterros são organizados por imãs ou lamas, eles se recusam a realizar tais ritos, uma vez que se sabe que envolve um convertido.

Como um país comunista, a China é - pelo menos em teoria - contra todas as religiões, uma vez que o ensino marxista afirma que "a religião é o ópio do povo". Mas, como em todos os países comunistas, o governo descobriu que as pessoas tendem a ser religiosas e, portanto, tenta usar as religiões tradicionais como meio de controlar e dirigir a sociedade. Em 2016, o confucionismo foi louvado como verdadeiramente chinês, sendo a mensagem: "Se alguém precisa ser religioso, deve ser confuciano". Esse foi um passo inteligente, pois traz cerca de 40% da população para o lado do governo. E, como o confucionismo é mais uma filosofia do que uma religião, pode aceitar todos os tipos de governantes, inclusive comunistas.

Isso não pode ser dito sobre as duas religiões minoritárias na China, como o budismo tibetano e o islamismo (especialmente na província de Xinjiang). Existem restrições muito severas para ambos os grupos religiosos e suas atividades são amplamente vistas como sendo políticas, o que é pelo menos parcialmente verdadeiro, já que ambas as regiões foram, ou ainda são, palco de movimentos de independência, alguns deles com formas violentas de agir contra a comunidade e o governo. Até mesmo dar certos nomes para bebês recém-nascidos pode ser proibido. As pequenas comunidades de convertidos cristãos dentro dessas minorias lutam para sobreviver enquanto estão sob dupla pressão, do governo e da cultura local. Existem outras religiões étnicas, mas não são foco da perseguição governamental.

Os cristãos superam em número os membros do Partido Comunista Chinês. De acordo com as estatísticas da World Christian Database (WCD), cerca de 40% da população é agnóstica ou atéia, cerca de 30% seguem as religiões populares chinesas, cerca de 16% são budistas e menos de 2% muçulmanos.

Todos os tipos de grupos religiosos são ativos na China, muitos dos quais podem ter raízes cristãs, mas se desviam seriamente dos ensinamentos cristãos. Um dos cultos mais conhecidos é "Relâmpago Oriental" ou "Igreja do Deus Todo-Poderoso", que acredita que Jesus Cristo nasceu de novo em uma mulher chinesa. É muito agressivo e provocou uma indignação em todo o país quando um esforço missionário por membros da seita resultou no assassinato público de uma mulher em uma franquia de restaurantes americanos em maio de 2014. Isso fez com que as autoridades atuassem muito mais fortemente contra esses grupos. No entanto, as autoridades muitas vezes não estão dispostas nem são capazes de distinguir entre uma seita e um verdadeiro grupo cristão e, portanto, prestam muita atenção a ambos.

A crescente ênfase do governo comunista na cultura chinesa derivada de valores confucionistas significa que os cristãos podem ser vistos como seguindo valores não tradicionais e, portanto, devem ser vistos com suspeita, pois eles têm o potencial de criar agitação social.

Devido à rápida urbanização, a igreja chinesa está se desenvolvendo basicamente de um estilo rural para um estilo urbano, com grandes números e todas as oportunidades e problemas que vem com isso. Além das longas horas de trabalho exigidas na indústria moderna (que desafia as formas tradicionais de culto cristão), o aumento dos preços também coloca dificuldades. À medida que o custo de vida aumentou consideravelmente nos últimos anos, as igrejas descobriram que precisam cuidar financeiramente dos pastores e suas famílias.

  • Interceda pela igreja cristã na China, que ela cresça em tamanho, mas principalmente, seja fiel ao Senhor Jesus Cristo e aos ensinamentos bíblicos.

  • Ore pelos cristãos tibetanos e ex-muçulmanos na China, para que cresçam na fé em Cristo e sejam fortalecidos para enfrentar a perseguição.

  • Peça por proteção, direção e sabedoria do Senhor para todas as equipes cristãs envolvidas em projetos na China.

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