República do Cazaquistão

República do Cazaquistão

  • Fonte de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Astana
  • Região: Ásia Central
  • Lider: Nursultan Nazarbayev
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Cazaque e russo
  • Pontuação: 63

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÕES

O governo do presidente Nazarbayev reinou de forma mais leve comparado à maioria dos outros países da Ásia Central até 2010. Desde então, o governo aumentou muito a vigilância e a repressão. O governo tem sido bem-sucedido no combate à militância islâmica radical ao prender e julgar numerosos suspeitos.

Duas questões principais irão dominar a agenda do governo do Cazaquistão para os próximos anos: a sucessão do presidente Nazarbayev e o retorno dos jihadistas islâmicos cazaques que lutam no exterior.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• O cristianismo é encarado como uma religião russa. Após uma onda de agitação política e social em 2011, algumas mídias controladas pelo governo retratam os cristãos protestantes como uma ameaça à segurança e à sociedade. As autoridades locais frequentemente encorajam as pessoas a terem uma atitude negativa em relação aos cristãos, especialmente nas áreas que fazem fronteira com o Uzbequistão e o Quirguistão.

• O Cazaquistão costumava ser um dos países da Ásia Central relativamente tranquilo para os cristãos. Uma vez que uma legislação mais restritiva foi estabelecida em setembro de 2011, houve um aumento nas inspeções de igrejas e organizações cristãs em todo o país. Literatura cristã e equipamentos foram confiscados. Polícia e agentes de segurança ocasionalmente perturbam os cultos de adoração, filmam todos os participantes e coletam dados pessoais.

• Em 13 de setembro de 2016, dois cristãos da cidade de Taldykorgan, Mikhail Lozovoi e Nadezhda Pikalina, foram multados por oferecer literatura religiosa em junho de 2016 durante uma visita a uma aldeia na região do Leste do Cazaquistão. Os seus recursos contra as multas foram oficialmente rejeitados em outubro e novembro de 2016. 

• A polícia que invadiu uma igreja batista do domingo de manhã durante o culto em 28 de maio de 2017, na cidade do Sul de Taraz, levou 20 dos homens e uma das mulheres presentes à delegacia de polícia local. Lá eles pegaram suas impressões digitais, as fotografaram e gravaram seus endereços domiciliares e outros dados pessoais. A polícia emitiu multas sumárias sem audiência judicial a oito dos presentes.

• O cristão Yklas Kabduakasov permaneceu durante todo o período de relatório da Lista Mundial da Perseguição 2018 em um campo de trabalho depois de ter sido condenado a dois anos de trabalho forçado em dezembro de 2015. Ele foi preso por discutir sua fé com estudantes recrutados pela polícia secreta. 

Como todos os outros países da região da Ásia Central, o Cazaquistão surgiu como um país independente no final de agosto de 1991. Foi o último integrante da ex-União Soviética a fazê-lo. De todos os antigos Estados da União Soviética, o Cazaquistão foi quem conseguiu fazer a transição econômica da melhor maneira.

Ao contrário de outros países da Ásia Central, os governantes do país participam da comunidade internacional e estão ansiosos para cooperar e sediar negociações internacionais. Em março de 2017, realizou-se uma reunião internacional na capital cazaque de Astana sobre a guerra na Síria.

Até agora, o destaque do Cazaquistão foi ser homenageado com a presidência rotativa da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em 2010.
Desde 2010, o regime do presidente Nursultan Nazarbayev assumiu um caráter muito mais ditatorial e aproximou o Cazaquistão dos outros países da Ásia Central. Políticas repressivas, controle rigoroso de mídia e restrições legislativas (também na esfera religiosa) foram introduzidas com o objetivo de manter o poder.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

O Cazaquistão é oficialmente uma república constitucional democrática, secular, unitária, com uma herança cultural diversificada. Seu primeiro e único presidente até à data é Nursultan Nazarbayev. O presidente pode vetar a legislação que foi aprovada pelo parlamento e também é o comandante das forças armadas.

O primeiro ministro preside o gabinete de ministros e atua como chefe de governo do Cazaquistão. Embora quatro partidos estejam representados no parlamento do Cazaquistão, não existe uma verdadeira oposição política.

Isso, mais uma vez, ficou óbvio durante as últimas eleições presidenciais em 26 de abril de 2015, quando o presidente Nazarbayev não teve opositores reais e ganhou as eleições com 97,7% dos votos, o que lhe permitiu iniciar seu quinto mandato (de cinco anos) como presidente do país. A questão de quem vencerá Nazarbayev ainda não foi respondida - Nazarbayev fez 77 anos em 6 de julho de 2017.

Na política e na economia, o Cazaquistão está cada vez mais ligado à Rússia (e à China). Isto é em parte devido ao grande número de cidadãos étnicos russos na parte norte do Cazaquistão. O país é abençoado com vastos recursos de petróleo, gás e outros minerais. O regime atual promoveu reformas de mercado e transformou o Cazaquistão na segunda maior economia do antigo império soviético (depois da Rússia).

Apesar do fato de o país ter sido duramente atingido pela crise financeira que começou em 2008 (e depois pelas sanções econômicas impostas à Rússia por países ocidentais, depois que este país anexou a península ucraniana da Crimeia no início de 2014), o Cazaquistão continua sendo o país mais rico na região.

Como resultado, é o único país da região que tem poucos migrantes trabalhando no exterior, mas muitos migrantes de outros países da Ásia Central (Uzbequistão, Tajiquistão e Quirguistão) trabalhando ali. Isso oferece oportunidades para a propagação do evangelho entre essas pessoas.

O Cazaquistão mantém uma posição estratégica na conexão Leste-Oeste entre a China e o Ocidente. Uma nova versão da Rota da Seda (que liga o Oriente e a Europa comercialmente) está em construção, apoiada pela China e pela Turquia. Isso significa que existem enormes atividades para construir estradas para caminhões e trilhos para trens. A China também tem sido particularmente ativa na exploração de petróleo e gás no Cazaquistão.

O governo está estimulando com sucesso o uso da língua cazaque e o renascimento da cultura tradicional cazaque. Em 12 de abril de 2017, o presidente Nazarbayev ordenou que as autoridades apresentassem um alfabeto latino para a língua cazaque até o final de 2017, marcando uma grande mudança após quase 80 anos com um alfabeto baseado em cirílico (assim como o idioma russo).

Apesar disso, 95% da população do Cazaquistão ainda é capaz de se comunicar em russo. Devido ao antigo sistema educacional soviético, praticamente todos os cidadãos cazaques são alfabetizados. Isso oferece grandes oportunidades para a igreja espalhar o evangelho.

Embora o regime tenha imposto muitas restrições na produção, importação e distribuição de materiais religiosos, a fronteira vasta e aberta com a Rússia significa que obter materiais necessários no Cazaquistão é menos problemático do que em outros países da Ásia Central.

Em novembro de 2014, o governo disse que iniciaria uma campanha de 10 anos para combater a corrupção - um fenômeno que permeia todos os aspectos da sociedade cazaque e que a igreja enfrenta quase que diariamente. Em 26 de dezembro de 2014, o presidente Nursultan Nazarbayev assinou um decreto que introduz a nova estratégia anticorrupção para realizar entre 2015 e 2025.

Nos séculos 7 e 8, o cristianismo nestoriano se espalhou pelo Sul do Cazaquistão. No ano 1009, os missionários nestorianos batizaram um dos numerosos grupos de kereiti étnicos de fala mongol e que adotaram nomes cristãos como Marguz (Marcos). No mesmo período, o cristianismo nestoriano se espalhou entre outros povos da Ásia Central, e as vilas metropolitanas foram estabelecidas.

Timur Lenk (também chamado Tamar Lane: 1336-1406) erradicou o cristianismo no século 14. Stalin (1878-1953) ordenou a deportação de muitos religiosos considerados não-confiáveis para a União Soviética para o Cazaquistão durante a "Grande Purga" na década de 1930. Durante esses anos, muitos cristãos ortodoxos, católicos e protestantes russos foram enviados para a Ásia Central e muitos deles se estabeleceram no Cazaquistão.

Sacerdotes foram deportados e enviados para campos de concentração no Cazaquistão. Tendo sido libertos, eles começaram um ministério como cristãos secretos entre as pessoas. A igreja cresceu principalmente entre os não cazaques.

Depois que o país declarou independência em 1991, a nova liberdade religiosa permitiu esforços missionários e evangelísticos para alcançar milhares de cazaques étnicos que abraçaram o cristianismo. A igreja indígena (ou seja, cristãos com origem muçulmana), que era praticamente inexistente em 1990, agora é estimada em 15 mil pessoas.

REDE ATUAL DE IGREJAS

As comunidades de cristãos expatriados são muito diversas, constituídas por russos, americanos, coreanos, alemães e muitas outras nacionalidades. Muitos falam o idioma cazaque e estão empenhados em trabalhar a longo prazo no Cazaquistão. Eles são bem ativos em servir os cristãos ex-muçulmanos através de treinamento, discipulado, construção de tendas e negócios com visão cristã.

O governo é cauteloso e às vezes até hostil à presença de missionários. A ameaça de intimidação, expulsão e até mesmo violência existe, mesmo que não seja comum. O tamanho exato da comunidade de expatriados não é conhecido, mas é muito menor hoje do que na década de 1990 devido ao aumento da restrição nas regras de imigração e regulamentos de vistos para estrangeiros.

As comunidades cristãs históricas constituem, de longe, o maior grupo de cristãos no Cazaquistão: os cristãos ortodoxos russos são cerca de 9,8% da população total. Outras denominações neste grupo são a Igreja Ortodoxa Ucraniana, a Igreja Católica Romana, os Old Believers (Antigos Crentes) e a Igreja Católica Grega Ucraniana.

Igrejas protestantes históricas incluem a Igreja Luterana (principalmente alemã), a Igreja Presbiteriana e a Igreja Metodista. Ao todo, essas igrejas representam mais de 11% da população cazaque.

As comunidades de convertidos para o cristianismo são muito pequenas. Esses cristãos de origem muçulmana experimentam muita pressão de familiares, amigos e comunidade. Uma fonte (relatório em 2010) alega que existem pelo menos 15 mil convertidos do islamismo no Cazaquistão. A maioria deles agora frequenta igrejas protestantes não tradicionais, muitas delas são domésticas.

As comunidades cristãs não tradicionais são mais ativas nas atividades de divulgação e seu número aumentou muito ao longo dos últimos 25 anos, provavelmente com cerca de 100 mil cristãos hoje. De acordo com a Agência de Assuntos Religiosos (ARA), existem 3.563 associações ou comunidades registradas no país, representando 18 grupos.

Existem duas fontes principais de perseguição aos cristãos no Cazaquistão: uma é o Estado e a outra, o ambiente muçulmano. A perseguição do Estado acontece por meio da polícia, serviços secretos e autoridades locais, que monitoram atividades religiosas e frequentemente vigiam os cultos realizados nas igrejas. As autoridades do Estado perseguem regularmente as igrejas não registradas. A cultura islâmica no geral torna a vida especialmente difícil para os convertidos ao cristianismo.

Todas as comunidades cristãs experimentam alguma forma de perseguição. As igrejas ortodoxas russas são as menos perseguidas, pois geralmente não tentam entrar em contato com a população cazaque. São os cristãos indígenas de origem muçulmana que  suportam o maior peso da perseguição vinda tanto do Estado como da família, amigos e comunidade.

A liberdade religiosa já está restrita pela legislação (que data de setembro de 2011) e o governo do Cazaquistão está constantemente trabalhando para aumentar seu controle sobre toda a sociedade, o que significará mais vigilância, ataques a reuniões e prisão de cristãos.

O governo usa a ameaça do islamismo radical para restringir mais e mais esferas da vida. Isso tudo explica a piora da situação da minoria cristã e faz com que a perspectiva do futuro pareça preocupante. É improvável que a pressão do ambiente social (principalmente para ex-muçulmanos) mude.

A situação vem piorando para os cristãos por conta do grande número de incidentes violentos: invasões em lares cristãos, confisco de materiais religiosos, detenções e interrogatórios. A violência física também aumentou acentuadamente. O país, que costumava ser um dos mais suaves da região em relação à perseguição, está cada vez mais parecido com os outros países da Ásia Central.

De acordo com o World Christian Database, a população é de maioria muçulmana - predominantemente sunita. No entanto, seria errado chamar o Cazaquistão de um país muçulmano. Setenta anos de ateísmo durante a União Soviética deixaram uma profunda influência; o governo (os herdeiros dos soviéticos ateus) é firmemente secular e procura manter o islamismo sob controle, enquanto a maioria esmagadora da população segue meras tradições islâmicas e não ensinamentos muçulmanos estritos. No entanto, "ser um cazaque é ser muçulmano" é a crença de muitos cazaques.

Como resultado, os convertidos ao cristianismo experimentam muita pressão de familiares, amigos e comunidade local. Essa pressão é muito mais forte no campo do que nas principais cidades. Os parentes oprimem os cristãos, às vezes com abuso físico, tentando leva-los de volta ao islamismo. Às vezes, isso também é feito pela polícia local. Apenas cerca de 15 mil cazaques indígenas são cristãos.

O final do ano de 2011 viu uma onda de ataques de radicais islâmicos no Cazaquistão. Em outubro de 2011, extremistas islâmicos jogaram bombas em Atyrau, no Oeste do país. Em novembro de 2011, um radical islâmico foi considerado suspeito de matar sete pessoas na cidade de Taraz, na região Sul.

Em dezembro de 2011, cinco extremistas e dois membros de uma força policial de elite foram mortos em operações no sul do Cazaquistão. Desde então, o governo intensificou o controle sobre os fundamentalistas islâmicos.

Outra indicação de que alguns muçulmanos no Cazaquistão viraram radicais é o número de cazaques que lutam com grupos extremistas como o Estado islâmico (EI), o Hizb-ut-Tahrir ou o Movimento Islâmico do Uzbequistão.

No final de setembro de 2014, o diretor do Instituto de Estudos Estratégicos do Cazaquistão apresentou um relatório sobre os povos da Ásia Central que lutavam pelo EI intitulado "Nossos povos em uma guerra estrangeira: combatentes da Ásia Central no conflito sírio".

De acordo com o relatório, havia 250 cidadãos do Cazaquistão em 2014 entre os jihadistas estrangeiros dentro do EI. Isso levanta uma pergunta tanto para o governo cazaque quanto para os outros países da região: o que acontecerá quando esses muçulmanos radicais retornarem para casa?

A participação dos cristãos na população do Cazaquistão é, de longe, a maior presença cristã na região. A razão para isso não é que os cazaques se tenham convertido em grande escala ao cristianismo, mas é devido à presença de uma grande minoria russa nas províncias do norte do país. Como resultado, mais de 90% de todos os cristãos no Cazaquistão pertencem à Igreja Ortodoxa Russa.

Os cazaques étnicos são 63,1% da população e os russos étnicos no Cazaquistão são 23,7% (vivendo principalmente nas províncias do Norte). Outros grupos incluem tártaros (1,3%), ucranianos (2,1%), uzbeques (2,8%), bielorrussos, uyghurs (1,4%), azerbaijanos, poloneses e lituanos.

Algumas minorias, como alemães (1,1%), ucranianos, coreanos, chechenos, turcos e opositores políticos russos do regime foram deportadas para o Cazaquistão nas décadas de 1930 e 1940 por Stalin. Alguns dos maiores campos de trabalhos forçados soviéticos (os Gulags) localizavam-se aqui.

•    Ore pelos radicais islâmicos que retornarão ao país depois de lutarem pelo Estado Islâmico. Peça a Deus que não haja aumento da violência no Cazaquistão.
•    Peça por sabedoria e direção do Senhor para os governantes. Ore para que Deus derrame sua graça e misericórdia sobre esse país.
•    Interceda por direcionamento e fortalecimento vindos do Espírito Santo para todos os cristãos cazaques e suas famílias. Que eles estejam preparados para a perseguição e sejam consolados em momentos de tristeza.

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