Estado do Catar

Estado do Catar

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Doha
  • Região: Península Arábica - Oriente Médio
  • Líder: Tamim bin Hamad al-Thani
  • Governo: Monarquia absolutista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 62

POPULAÇÃO
. MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

Apesar da crise política com a Arábia Saudita e os países aliados, a situação política, social e econômica do Catar parece estável. De certa forma, a crise parece ser mais um jogo de poder, sem a intenção de se tornar um conflito armado. Por outro lado, o bloqueio poderia prejudicar a economia do Catar a longo prazo, o que poderia causar uma recaída econômica para todos os trabalhadores imigrantes no país, incluindo os cristãos.

Outro grande desafio para o país é manter seus padrões culturais e religiosos em meio à rápida modernização e desenvolvimento. Enquanto se prepara para a Copa do Mundo de 2022, o Catar e seu tratamento deplorável para com os trabalhadores migrantes têm cada vez mais captado a atenção do mundo. Sob a pressão do Ocidente, o Catar tem feito pequenas reformas nas condições de trabalho para migrantes, de acordo com organizações de direitos humanos.

Apesar da pressão para melhorar os direitos humanos no Catar, não se preveem grandes melhorias no estrito país islâmico, conhecido por seu controle geral da sociedade. Como tal, não são esperadas mudanças importantes na liberdade religiosa para os cristãos em um futuro próximo.


“Se o filho tiver dez anos, o pai vai lhe mostrar alguns versos do Alcorão. Se tiver 15 anos, o pai vai levá-lo à mesquita para aprender as lições. Se tiver 20, um primo vai matá-lo ou a família contratará alguém para fazê-lo.”
CRISTÃO DO CATAR COMPARTILHANDO SOBRE O QUE ACONTECE SE UM PAI DESCOBRE QUE O FILHO SE CONVERTEU AO CRISTIANISMO
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Em 2022, o país sediará a Copa do Mundo da FIFA. O governo parece determinado a causar uma boa impressão – parecer um país moderno, sofisticado e bem-sucedido, que é acolhedor para todos que estão dispostos a gastar dinheiro e se divertir. Isso não pode ocultar, no entanto, o outro lado do Catar – um país profundamente intolerante com os não muçulmanos, com uma divisão profunda entre os cidadãos extremamente ricos e as centenas de milhares de trabalhadores explorados com frequência, principalmente de países asiáticos.
 

Desde que declarou a independência da Grã-Bretanha em 1971, o Catar passou por mudanças econômicas, sociais e políticas maciças. O país é dominado pela família al-Thani há quase 150 anos. Uma vez uma nação pobre de pescadores, o Catar tornou-se um país próspero e moderno, devido à exploração de campos de petróleo e gás desde a década de 1940.

Até junho de 2017, o Catar parecia ser uma nação estável, mantendo relações amigáveis com os Estados Unidos e a Arábia Saudita, mas também com o Irã, o Hamas e o Hezbollah (grupos armados islâmicos). Além de alguns protestos on-line, a Primavera Árabe não parece haver causado qualquer transtorno no Catar, apesar do seu papel ativo no exterior.

Isso mudou de repente quando os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, liderados pela Arábia Saudita, romperam todos os laços diplomáticos e econômicos em junho de 2017. Desde então, todas as fronteiras terrestres e marítimas entre o Catar e, respectivamente, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos foram fechadas.

O motivo oficial do boicote é o suposto apoio do Catar a grupos terroristas. Mais importante é o papel bastante independente que o Catar procurou estabelecer para si, especialmente através da sua estação de notícias Al-Jazeera, o canal de televisão por satélite mais assistido do Oriente Médio, fundado em 1996. Dizia-se que era um motor da Primavera Árabe e também serviu como porta-voz para líderes e insurgentes da oposição.

A Al-Jazeera também não deixou de criticar os governos dos países vizinhos, e isso poderia ter provocado a ira da Arábia Saudita e seus aliados. Enquanto isso, o Catar manteve laços amigáveis com o Irã, o arqui-inimigo do reino saudita.

Com esse movimento, a Arábia Saudita pode tentar forçar o Catar a voltar ao papel de vassalo (subordinado) que teve no passado. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provavelmente (e indiretamente) tenha encorajado os sauditas a dar esse passo, o governo norte-americano, aliado estratégico de ambos os países, pediu aos dois governos que encontrem uma solução pacífica para o conflito. Não parece que a crise será resolvida em curto prazo, visto que já dura mais de um ano e nenhuma negociação diplomática parece ter acontecido entre o Catar e os países que o boicotam. A Arábia Saudita permite que alguns cidadãos do Catar entrem no país para a hajj (a peregrinação a Meca).

Em julho de 2018, o Tribunal Internacional de Justiça, que é o principal órgão judicial da ONU, determinou que os Emirados Árabes Unidos violaram os direitos dos cidadãos do Catar ao bani-los do país quando se uniram ao boicote contra o Catar. O Catar recentemente se uniu ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e ao Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, embora tenha feito algumas exceções no que diz respeito a princípios não compatíveis com a sharia (conjunto de leis islâmicas). Ficamos por ver se o país realmente melhorará o tratamento de trabalhadores estrangeiros.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

Além de alguns protestos on-line contra o poderoso Emir e sua política estrangeira pró-Ocidente, quase não houve críticas abertas contra o governo ou protestos no Catar. O poder político é mantido em um círculo familiar muito estreito, o que facilita políticas rápidas e unidas. Os salários para os membros do serviço de segurança e outros funcionários do setor público do país foram aumentados consideravelmente e algumas reformas de políticas internas foram anunciadas, mas elas não são consideradas mais do que uma forma de amenizar a situação e visam apenas impedir a crítica do apoio do Catar aos movimentos de oposição no exterior, devido à própria falta de democracia do país.

Os catarianos conservadores, de maioria wahhabi (doutrina islâmica), não são favoráveis à democracia, que veem como um conceito ocidental que leva a situações difíceis, como mostram vários países árabes democratizados. Incomum para a região, não há nenhuma expressão pública de descontentamento social ou econômico, devido ao fato de que o Estado distribui generosamente sua riqueza. Essa saturação materialista leva à apatia política. Outro fator é a pouca influência política que os estudiosos religiosos têm e a ausência de grupos intolerantes. No entanto, o Catar desempenhou um papel ativo na Primavera Árabe no exterior, especialmente na Líbia, onde cooperou na intervenção militar.

O Catar continua a desenvolver um papel ativo no Iraque, Síria e Líbia, ajudando radicais islâmicos. Também apoiou o governo do Bahrein enviando tropas para reprimir xiitas revoltados. A estabilidade na região do Golfo e uma agenda sunita, pró-islâmica, são, obviamente, razões para isso.

Há anos o Catar – que tem a terceira maior reserva de gás natural do mundo –  tem a maior taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. O petróleo desempenha um papel fundamental em muitos aspectos. "Apesar dos esforços de diversificação do governo, as receitas de petróleo e gás ainda representam cerca de metade do PIB, cerca de 90% das receitas fiscais e a maior parte das exportações, tornando o país altamente vulnerável a balanças de preços globais", segundo um relatório da Focus Economics.

Por outro lado, a pobreza cresce entre algumas comunidades de migrantes, especialmente entre os nepaleses. O governo incentiva a diversificação da economia e o desenvolvimento de uma sociedade mais baseada no conhecimento.

O grande número de trabalhadores estrangeiros também desempenha um papel importante no progresso do Catar. A população é composta quase que inteiramente de trabalhadores migrantes – mais de 80% da população do país – e tem o maior índice de migrantes do mundo.

Os expatriados, incluindo alguns do Ocidente, são geralmente percebidos e tratados pelos catarianos como escravos. As condições de trabalho para esses migrantes podem ser desumanas e perigosas; eles enfrentam a falta de salário e de condições de vida adequadas (por exemplo, campos de trabalho insalubres e superlotados), violência doméstica e abuso sexual. O número de mortes no local de trabalho é alto – um possível sinal de inadequação de medidas de segurança.

O trabalho forçado e o tráfico de pessoas também são questões importantes. Desde 2013, relatórios de grupos da sociedade civil revelaram que os trabalhadores no Catar estão experimentando a "escravidão moderna". Isso se tornou um problema sério, já que o Catar se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2022.

A acusação sobre a escravidão moderna é particularmente relevante no contexto do trabalho doméstico. A Anistia Internacional informou em abril de 2014: "As autoridades do Catar não estão protegendo os trabalhadores domésticos migrantes. Eles enfrentam uma exploração severa, incluindo trabalho forçado e violência física e sexual". Melhorias legais foram feitas em 2018, mas se as coisas vão mudar na prática continua uma interrogação.

Há uma longa história de presença cristã no Golfo Árabe-Persa, cobrindo um período muito provável do final do século 4 até meados do século 9. Várias teorias foram desenvolvidas sobre a cristianização parcial da área do Golfo. Por exemplo, as tribos árabes que estavam em contato direto com o centro cristão em Al-Hira no Iraque poderiam ter desempenhado um papel em levar a fé cristã ao Golfo.

Além disso, a Igreja do Oriente (nestorianos) pode ter desenvolvido atividades missionárias nesta região, que contribuíram para a conversão das populações locais ao cristianismo. Outro fator poderia ter sido a perseguição dos nestorianos por Shapur II, que governou o Império Persa Sassanid de 309 a 379. Isso levou à migração de pessoas cristãs para fora do império, talvez para o Golfo.

Em conclusão, existem muitas fontes históricas que mencionam a presença de bispos e mosteiros no Golfo e atestam a existência de comunidades cristãs nessa região. No entanto, após alguns séculos da chegada do islamismo, o cristianismo havia desaparecido. Nos últimos 100 anos, os expatriados – entre eles cristãos – entraram no Catar, especialmente após a descoberta do petróleo.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O culto público a outras religiões além do islamismo é restrito. A primeira igreja cristã do país foi construída em 2008. Quase todos os cristãos no país são expatriados, mas há um punhado de cristãos catarianos ex-muçulmanos, além de vários de outras nacionalidades. A maioria dos cristãos expatriados é de católicos romanos.

As denominações oficialmente reconhecidas que usam instalações da igreja, construídas oficialmente, são as igrejas católicas romanas, ortodoxas gregas, ortodoxas sírias, coptas ortodoxas, anglicanas, ortodoxas indianas, igreja menonita e igreja protestante das Filipinas. Outros grupos cristãos podem operar sob o patrocínio dessas igrejas reconhecidas.

O Catar tem sido relativamente indulgente com a crescente comunidade de expatriados cristãos e forneceu terra para construir igrejas. A primeira igreja cristã oficial foi construída em 2008. A segunda foi aberta em 2009. Em 2015, a Igreja Evangélica Filipina obteve reconhecimento e recebeu terra para um lugar de culto junto com outras igrejas dentro do Complexo Religioso, e também foi aprovada uma igreja maronita.

Embora a maioria dos expatriados cristãos locais gostem disso, há um porém, já que as igrejas concentradas em apenas uma área podem ser consideradas "guetos". Assim, os cristãos podem ser facilmente monitorados e vigiados – o que geralmente acontece com o pretexto de garantir sua segurança.

Os cristãos experimentam perseguição em todos os níveis da sociedade: o governo, a comunidade local e até a própria família podem ser perigosos para os cristãos, especialmente para os convertidos do islamismo ao cristianismo.

Nenhuma outra religião, que não o islamismo, é vista como uma fé aceitável e o conjunto de leis islâmicas, a sharia, prescreve uma ampla gama de regras para a vida pessoal, familiar e comunitária. A sociedade do Catar é vinculada por normas conservadoras islâmicas, impostas pelos cidadãos comuns e pelo governo. A religião do Estado é o islamismo wahhabi, estritamente conservador.

Existem dois grupos de cristãos no Catar, que são estritamente separados um do outro. As comunidades de expatriados constituídas por trabalhadores migrantes cristãos são o maior grupo. O governo só lhes permite adorar a Deus em público em um lugar designado, fora da capital Doha. Evangelizar muçulmanos é rigorosamente proibido e pode levar a perseguições e expulsões do país.

Muitos desses trabalhadores migrantes precisam viver e trabalhar em condições precárias, e o fato de serem cristãos só aumenta sua vulnerabilidade. Apesar das suas condições de vida, essas comunidades cristãs estão crescendo.

O outro grupo consiste de cristãos ex-muçulmanos. Esses convertidos, de origem indígena e migratória, enfrentam o pior da perseguição. Muitos indígenas se convertem fora do país. Eles enfrentam a pressão dos membros da família e da comunidade local para negar a fé cristã.

Os migrantes convertidos enfrentam alta pressão e são controlados pelo seu ambiente social nos campos de trabalho em que vivem. Mesmo seus empregadores podem ser uma fonte de perseguição. Tanto os convertidos indígenas quanto os migrantes têm risco de discriminação, assédio, monitoramento da polícia e todo tipo de intimidação por grupos de vigilantes.

Além disso, uma mudança de fé (deixar o islamismo) não é oficialmente reconhecida e é suscetível de levar a problemas legais no âmbito pessoal e nas questões de propriedade. Apesar disso, quase nunca há relatos de que os cristãos foram mortos, presos ou prejudicados pela fé.

A sociedade islâmica conservadora é a maior ameaça para os cristãos no Catar. Os empregados estão vinculados aos empregadores e, portanto, são vulneráveis às demandas dos seus chefes. Esses podem facilmente discriminar, humilhar ou abusar de cristãos expatriados, especialmente os trabalhadores pobres e pouco qualificados do Sudeste Asiático e do Norte da África.

Os cristãos expatriados também enfrentam discriminação ou maus tratos por parte de seus colegas estrangeiros muçulmanos. A conversão do islamismo para o cristianismo é totalmente inaceitável no Catar. O governo combate qualquer cristão que tente compartilhar o evangelho, uma vez que a conversão é ilegal e punível de acordo com a lei. Nenhum cristão foi oficialmente perseguido por “converter pessoas”, mas alguns foram expulsos do país sem o devido processo nos últimos anos.

O Catar também é conhecido por divulgar o wahabismo, conhecido por sua visão ultraconservadora do islã. Enquanto o país tenta ser aberto e moderno, essa interpretação estrita tem seu lugar no país, principalmente porque a sociedade e o governo reforçam isso em público. Por exemplo, ao reforçar códigos de vestimentas, proibir ingestão de álcool, limitar a liberdade de expressão (ou seja, críticas ao islamismo) e forçar outras religiões a cultuarem somente de forma privada.

  • Ore pelos cristãos isolados, para que sejam encontradas formas de discipulá-los e encorajá-los para que continuem firmes.
  • Peça para que trabalhadores estrangeiros cristãos sejam capazes de mostrar o amor de Deus aos seus empregadores, mesmo que eles sejam injustos e opressores.
  • Interceda pelos cristãos ex-muçulmanos secretos, que não contam para a família sobre sua fé, para que tenham sabedoria e discernimento para compartilhar.

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