Reino do Butão

Reino do Butão

  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso
  • Capital: Thimphu
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Jigme Khesar Namgyel Wangchuck
  • Governo: Monarquia constitucional
  • Religião: Budismo (oficial) e hinduísmo
  • Idioma: butanês
  • Pontuação: 64

POPULAÇÃO
MIL

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

O Butão teme que grandes liberdades civis possam resultar em divisões e distúrbios no país devido à sua vulnerabilidade geoestratégica, que poderia ser explorada por forças estrangeiras. Há uma queda notável nas inscrições para as instituições monásticas, que pode indicar que o budismo está perdendo o seu significado. Isso seria uma grave ameaça para a cultura e a tradição do país.

Essa tendência poderia ter efeitos positivos e negativos sobre a liberdade religiosa no país. Do lado negativo, se essa tendência continuar, o Estado pode querer tomar medidas para reafirmar o domínio das normas culturais e tradicionais para proteger a herança budista do país. Tal reação afetaria negativamente os esforços dos cristãos que buscam reconhecimento oficial. Do lado positivo, isso poderia indicar que o budismo está perdendo importância na sociedade butanesa, o que eventualmente pode levar o Estado e a sociedade a adotarem uma abordagem mais tolerante em relação a outros grupos religiosos no país.
 

“Nossas Escrituras dizem que devemos nos submeter às autoridades. Os cristãos butaneses respeitam isso. Vosso excelentíssimo juiz, estou pronto a dar minha vida por minha nação.”

PASTOR BUTANÊS TANDIN WANGYAL DURANTE SUA DEFESA PERANTE O TRIBUNAL

 

Apesar de não ser explicitamente definido como a religião do Estado – a constituição define o Butão como um Estado secular e afirma a tolerância religiosa – isso é mais forte no papel do que na realidade. O budismo está fortemente incorporado ao cotidiano das pessoas e isso é evidenciado nas atividades e dinâmicas políticas, sociais, culturais e econômicas do país. Uma ilustração dessa relação íntima pode ser vista nos chamados "dzongs". Estes são centros administrativos com um departamento para administração política e outro para as autoridades religiosas, que muitas vezes inclui um templo budista e acomodação para monges. Nenhuma igreja jamais teve permissão de construir templos. Todas as comunidades cristãs permanecem secretas. Especialmente nas áreas rurais, monges budistas se opõem à presença de cristãos; as autoridades não fazem nada para proteger os cristãos e a maioria fica do lado dos monges.

 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

O Butão é um país espremido entre dois vizinhos gigantes: a Índia ao sul e a China ao norte. Não aparece muito nas manchetes dos jornais, exceto quando seus vizinhos decidem fazer uma incursão militar na sua disputada fronteira. Isso aconteceu entre junho e agosto de 2017, quando o Butão também rejeitou a exigência da China pelo Doklam Plateau.

O país ganhou certa fama por sua invenção do Índice de Felicidade Nacional Bruta, que mede a alegria dos cidadãos. A democracia continua a desenvolver raízes mais firmes, desde que todos concordem com o domínio do budismo e lealdade ao rei. A situação para os cristãos, que são uma pequena minoria entre os butaneses, permanece inalterada: eles ainda não têm reconhecimento oficial.

O Butão enfrenta desafios econômicos e precisa encontrar meios de dar à nova geração boas perspectivas para o futuro. No período de apuração da Lista Mundial da Perseguição (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), isso continua a ser urgente, principalmente porque em maio de 2018 uma notícia surgiu segundo a qual a Organização Mundial de Saúde declarou a cidade de Pasakha como a segunda mais poluída do mundo. O país depende muito do turismo e poluição ambiental rende manchetes negativas. Apesar do número de turistas, o lucro que geram e a moeda parecendo se estabilizar, está ficando cada vez mais difícil oferecer aos jovens adultos uma perspectiva de carreira no turismo. Um outro desafio que não se encaixa na imagem de uma nação feliz é a questão de como cuidar do, relativo, alto número de pessoas com problemas mentais no país.

Dependendo de como a economia se desenvolve, pode haver repercussões para a minoria cristã. Se o país cair em dificuldades econômicas, pode se apoiar em enfatizar sua herança cultural budista, fazendo o reconhecimento do crescimento da minoria cristã um sonho distante. Se a economia se desenvolver bem, isso pode relaxar a ênfase do país na herança budista e fazer o reconhecimento da comunidade cristã uma possibilidade. O novo governo, eleito ao poder em outubro de 2018, não promete grandes mudanças, principalmente no que diz respeito a direitos civis e liberdade de religião.
 

O Butão era um reino com pouco contato com o mundo exterior até a década de 1970. Em março de 2008, tornou-se uma democracia parlamentar de dois partidos depois de uma eleição. O país vê a necessidade de investir, por exemplo, no desenvolvimento de um sistema jurídico que seja mais complexo do que a forma tradicional de equilibrar os interesses.

É por isso que o país criou uma nova faculdade de direito com a ajuda de uma universidade dos Estados Unidos em outubro de 2016. Esse passo ajuda o país a tornar diferentes pensamentos e valores bem-vindos, mas também pode levar a uma ênfase nas tradições e valores do país.

Numa época em que as tradições parecem ser marginalizadas, ou pelo menos desafiadas, por influências externas e o país sofrer uma “modernização", podem haver esforços para limitar uma influência estrangeira adicional.

À medida que a vida butanesa está intimamente ligada à religião e à cultura budistas, qualquer pessoa que não seja adepta ao budismo é vista com suspeita. Isso não significa que essas pessoas são expulsas de suas casas ou perdem o acesso aos recursos comunitários, mas se tornam marginalizadas.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

O Butão é um dos poucos exemplos em que uma mudança de governança foi implementada de cima para baixo e não de baixo para cima, com o rei criando uma monarquia constitucional em 1998. Uma constituição só foi promulgada em 2008, quando os cidadãos butaneses elegeram um parlamento e o novo rei iniciou o governo, aos 28 anos. O ano de 2018 marcou seu 10º aniversário de coroa.

O rei possui autoridade máxima e tem o poder de vetar decisões, embora ele não use esse poder publicamente. Ele é considerado o guardião do budismo e, embora seja jovem e muito popular na sociedade, ele não alterará o papel que o budismo desempenha. As eleições de abril de 2018 passaram despercebidas, refletindo a posição que o parlamento ocupa no sistema. O mesmo é verdade para as eleições de outubro de 2018, embora um novo partido tenha subido ao poder e tenha havido certa variação no humor, o que não é muito usual no país. As minorias podem votar e se candidatar às eleições, mas a voz das minorias religiosas, em particular, não é ouvida na sociedade ou no governo.

Que os direitos civis e políticos ainda têm um longo caminho a percorrer isso foi mostrado em agosto de 2016, quando um jornalista foi acusado de difamação quando ousou desafiar a nobreza do país e questionou a independência do judiciário do Butão. Outro jornalista foi condenado com uma pena de três meses em agosto de 2018, pondo em questão o compromisso do país com a liberdade de expressão.

O país é rico em recursos e exporta eletricidade para a Índia, o que contribui bastante para a renda do Estado. O Butão depende em grandes proporções da indústria do turismo e turistas indianos, em particular, estão visitando o país cada vez mais.

Enquanto o turismo é uma forma de abertura e de "esfregar os ombros" com culturas estrangeiras, sua importância é muito mais um fator econômico: os turistas internacionais são obrigados a gastar uma certa quantia de dinheiro diariamente, contribuindo de forma significativa para o fortalecimento da moeda do país. No entanto, o turismo sempre influencia as tradições de um país, um processo que o Butão prefere evitar.

Os cristãos que procuram emprego enfrentam problemas, uma vez que são minoria; são vítimas de discriminação e possuem poucas alternativas. Muitas vezes, eles têm de viver em difíceis circunstâncias econômicas e sociais.

Os primeiros rastros cristãos remontam a missionários jesuítas que chegaram a Paro em 1626. No entanto, esses missionários portugueses não puderam se estabelecer. O Butão permaneceu oficialmente fechado ao cristianismo, assim como a toda influência externa, até pouco antes da tentativa de golpe de estado em 1964/1965.

Em outubro de 1963, o sacerdote jesuíta canadense, William Mackey, foi convidado pelo rei e primeiro-ministro a residir no país e criar um sistema escolar de língua inglesa como parte de uma série de esforços de modernização. Ele permaneceu até sua morte em 1995. Fontes nomeiam 1965, como a data em que a atividade da igreja se tornou visível e começou a crescer.

A maioria dos cristãos tem descendência nepalesa, dos quais muitos vivem no sul do país. De acordo com o World Christian Database (WCD), 83,7% da população pratica diferentes formas de budismo. O restante pratica o hinduísmo.
 

REDE ATUAL DE IGREJAS

A Portas Abertas estima que os cristãos representem cerca de 2,5% da população. O cristianismo está concentrado nas cidades e no sul do país, onde uma forte presença de migrantes do Nepal e da Índia ocorreu ao longo dos anos, levando a esforços do governo para "butanizar" essas minorias. Os católicos romanos são em menor número, sendo que a maioria dos cristãos pertence a uma variedade de redes pentecostais.

Os cristãos no Butão enfrentam muitas questões críticas, como a desunião, a falta de liderança treinada, a influência insensível de grupos estrangeiros (que muitas vezes fazem mais mal do que bem), a falta de materiais religiosos na língua nacional e a tendência em se preocupar com curas e milagres. Os cristãos também lutam com muitos problemas sociais e desafios na vida familiar.

Eles continuam a ser monitorados pelo Estado e suas reuniões de adoração às vezes são ameaçadas e fechadas. O cristianismo é visto como uma religião estrangeira e estranha à “herança espiritual” do país, ou seja, o budismo.

O Butão sempre foi um reino budista e é um dos últimos lugares onde o budismo Vajrayana ainda é praticado, embora seus laços com a Índia sempre tenham sido fortes. De acordo com a constituição, o budismo não é apenas o patrimônio cultural, mas espiritual do país. Embora geralmente não haja pressão oficial para participar de festivais budistas ou viver de acordo com os costumes tradicionais, espera-se que as pessoas o façam. Isso significa que todos os desvios são vistos com suspeita, por exemplo, os cristãos.

Uma vez que a identidade do país está ligada ao seu patrimônio cultural, que é o budismo, isso faz com que o Estado adote uma abordagem rigorosa para não budistas na sociedade e um forte esforço para afirmar o domínio da religião no país.

Os cristãos que vivem no sul vêm principalmente de etnia nepalesa, muitos deles vieram para o Butão no início do século 20. Na década de 1990, mais de 100 mil refugiados fugiram para o Nepal. Há esforços para fazer acordos de repatriamento, mas nesse meio tempo a situação mudou. Segundo relatos, 90 mil refugiados já foram para um terceiro país, sobretudo para os Estados Unidos, restando “apenas” 10 mil refugiados no Nepal. Tudo isso pode estar contribuindo para a hesitação do governo em reconhecer oficialmente os cristãos como uma entidade jurídica legal, apesar das promessas feitas para legalizar o status no devido tempo.

Em seu esforço para manter a identidade e a unidade nacionais, as autoridades governamentais suprimem ou eliminam os elementos "estrangeiros", como o cristianismo. O governo defende as crenças budistas como a herança nacional do país de acordo com a constituição e não conhece uma distinção clara entre religião e Estado. Portanto, pode-se dizer que o governo opera em dois níveis. Em um nível, oficiais do governo são fontes de perseguição como executores do poder do Estado; em outro nível, eles são verdadeiros seguidores do budismo e da herança cultural do país. Líderes budistas (e às vezes hindus também) perseguem os cristãos. A fusão das crenças étnicas com o budismo causa possibilidades adicionais de perseguição. Cristãos que se recusam a seguir tanto as crenças budistas como ritos tradicionais étnicos provavelmente terão dificuldades. Isso é especialmente verdadeiro para os cristãos na parte central e oriental do país. Para os convertidos ao cristianismo, os membros da família são outra forte fonte de perseguição. O budismo, parcialmente misturado com as religiões tradicionais, é visto como a herança do país e, portanto, todos os butaneses devem segui-lo. Os convertidos ao cristianismo serão, pelo menos, vistos com suspeita, mas, na maioria dos casos, serão coagidos a voltarem à antiga religião.

Os líderes religiosos, a comunidade e a família cooperam nisso. As autoridades locais muitas vezes negam aos cristãos, ou tornam muito difícil para eles obter, um "certificado de não objeção". Isso é necessário para pedidos de empréstimo, registro de imóveis, solicitação de emprego e renovação de cartões de identidade.

Nenhuma igreja tem reconhecimento oficial pelo Estado, o que significa que os cristãos cultuam a Deus, tecnicamente, de forma ilegal. Batismos não podem ser realizados em público e os enterros cristãos são, muitas vezes, negados.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

A perseguição não é muito violenta no Butão. Por razões de segurança, não é possível fornecer detalhes sobre incidentes.

  • Uma igreja doméstica foi forçada a fechar e cessar as reuniões assim que recebeu avisos e ameaças das autoridades. Dois pastores foram detidos para interrogatório.
  • Alguns estudantes cristãos têm sido forçados a participar de rituais budistas de manhã e à noite. Em um dos casos, eles tiveram que limpar templos budistas.
  • Uma das tradições dos agricultores no Butão é a plantação e colheita comunitária, onde vários agricultores compartilham a carga de trabalho e se ajudam mutuamente. Os agricultores cristãos geralmente são excluídos dessa prática.

Cerca de 83,7% da população pratica diferentes formas de budismo. A parte restante da população, de origem nepalesa, pratica o hinduísmo. Os números oficiais dizem que em 1980, 28% da população era de etnia nepalesa, mas algumas estimativas chegam a 40%. Alguns dos butaneses são de origem tribal, outros são ou tibetanos étnicos ou tibetanos com origem sul-asiática.

  • Ore pelos cristãos que, ao deixar o budismo e se converter a Cristo, violam a lei anticonversão. Ore para que a perseguição seja, na verdade, um meio de fortalecê-los e uni-los.
  • Por meios burocráticos, os cristãos são rejeitados e perseguidos, pois o budismo é a herança espiritual reconhecida pela constituição do país. Ore para que todo engano seja desfeito e o país seja liberto.
  • Interceda para que os cristãos ex-budistas sejam fortalecidos em meio à perseguição e para que Deus toque o coração de suas comunidades e elas recebam o evangelho.

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