Brunei Darussalam

Brunei Darussalam

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Bandar Seri Begawan
  • Região: Sudeste Asiático
  • Líder: Hassanal Bolkiah
  • Governo: Monarquia absolutista (sultanato)
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo
  • Idioma: Malaio, inglês e chinês (dialetos)
  • Pontuação: 63

POPULAÇÃO
MIL

POPULAÇÃO CRISTÃ
. MIL

Com 63 pontos, Brunei se classificou em 36º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019. O declínio em um ponto comparado ao ano anterior, mostra uma pontuação estável, mas ainda assim uma situação difícil para os cristãos no país. A média de pressão é muito alta, mas os pontos por violência são baixos. Controle, monitoramento e espionagem sobre os cristãos são considerados mais importantes para as autoridades do que o exercício da força.

Por decreto, a importação de Bíblias e a celebração pública do Natal foram banidas. A punição para violações gera pena de cinco anos de prisão. Pastores cristãos e trabalhadores enfrentam diversas limitações devido à islamização e a dominante ideologia islâmica. Além disso, cristãos, nativos ou estrangeiros, têm sido alvo de islamização severa. As limitações crescentes deixam claro para as igrejas que especialmente a geração jovem precisa crescer com uma fé cristã forte e perseverante.


“Eu quero ver crianças cristãs terem um fundamento sólido em Cristo, e para aqueles que não conhecem ele, que o conheçam através de nós.”
JOYCE (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ PERSEGUIDA LOCAL
 

CENTRO DE EXCELÊNCIA ISLÂMICA

O sultão, Hassanal Bolkiah, favoreceu a democratização do governo de Brunei, embora o país ainda esteja longe de qualquer democratização real, e se autodeclarou primeiro-ministro e presidente. Brunei quer ser um centro de excelência islâmica: a sharia (conjunto de leis islâmicas) foi totalmente implementada em assuntos civis e religiosos para todos os muçulmanos, mesmo antes da independência do país em 1984 e o governo segue um plano de islamização entre os povos tribais parcialmente cristãos, em parte animistas, com um movimento chamado dawah (evangelismo islâmico). De acordo com as estatísticas do centro islâmico, em 2017, 409 pessoas aderiram ao islamismo em toda a nação. Apenas nos cinco primeiros meses de 2018, o número chegou a 200. Estatísticas referentes a conversões para o islamismo são amplamente divulgadas pela mídia.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

Os sultões mantiveram o poder absoluto no país há mais de 600 anos. Todos os cargos importantes são detidos pelo próprio sultão, seja primeiro-ministro, ministro das Finanças, do Interior, das Relações Exteriores e do Comércio, da Defesa ou chefe de religião. As pessoas o reverenciam profundamente e o respeitam. Qualquer crítica é impensável e, de fato, não é muito provável, pois os cidadãos o valorizam e não o culpam pela situação econômica. Não há eleições populares e o Conselho Legislativo funciona de forma meramente consultiva. Em meio à perseguição aos cristãos, cada vez mais jovens cristãos anseiam por um futuro no exterior.
 

A influência do sultanato atingiu o pico entre os séculos 15 e 17 quando seu controle se estendeu sobre as áreas costeiras do Noroeste de Bornéu e do Sul das Filipinas. Brunei, posteriormente, entrou em um período de declínio provocado por conflitos internos sobre a sucessão real, expansão colonial das potências europeias e pirataria.

Em 1888, tornou-se um protetorado (território protegido e controlado por outro) britânico. A independência foi alcançada em 1984. A mesma família governa Brunei há mais de seis séculos. Atualmente este é o único sultanato politicamente independente no mundo. O país se beneficia de extensos campos de petróleo e gás natural, fonte de um dos maiores PIBs per capita do mundo.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL ATUAL

O sultão atual, Hassanal Bolkiah, que governa como monarca absoluto, introduziu estudos religiosos islâmicos obrigatórios em todas as escolas. Mas, mais importante ainda, ele anunciou a introdução da sharia no direito penal, a chamada lei "Hudud", em outubro de 2013. Em 2014, o Brunei decretou o novo Código Penal da Sharia, que é também aplicável aos não muçulmanos e que inclui delitos que levam à pena de morte. A segunda fase, que irá introduzir punições mais severas, como açoites e amputações por ofensas características, deveria ser implementada em 2015, mas foi adiada. O governo planejava impor a 2ª fase desta lei islâmica em 2017, mas apenas em março de 2018 a implementação foi finalmente anunciada. O que continua incerto é como será colocada em prática pelas autoridades. Isso, porém, adiciona insegurança aos cristãos, mesmo não sendo claro como serão afetados.

Brunei viu um crescimento de 2,5% no primeiro trimestre de 2018. No entanto, o país precisa diversificar a economia para dar uma boa perspectiva de futuro para os cidadãos, especialmente a geração mais jovem. Embora tenha sido publicado um plano de desenvolvimento "Visão Brunei 2035" com o objetivo de expandir vários setores econômicos, pouco foi mostrado até agora. Em vez de se concentrar nos esforços para fortalecer setores fora do setor de petróleo e gás, o Brunei optou por produzir ainda mais petróleo.

Com cerca de 70-80% dos cidadãos do país empregados pelo governo ou instituições ligadas ao governo (conforme relatado pela FT Confidential Research), há uma esperança limitada para uma expansão econômica impulsionada internamente. Essa desaceleração da economia é o principal motivo para que a geração mais nova procure cada vez mais oportunidades no exterior.

Restrições são gradualmente estabelecidas e elas são impostas a toda a população. Por exemplo, durante o Ramadã todos os restaurantes, incluindo estabelecimentos não muçulmanos, devem fechar. Além disso, todos os restaurantes, incluindo hotéis, devem fechar todas as sextas-feiras, das 12h às 14h, durante as orações de sexta-feira. E, todos os dias, às 5h, todo o país está parado. Muçulmanos e não muçulmanos devem parar o que estão fazendo durante o tempo do ritual de oração islâmica.

As atividades missionárias aleatórias dos comerciantes portugueses no século 16 falharam e foi somente em 1846 que a Missão da Igreja de Bornéu foi fundada e uma congregação da igreja anglicana estabelecida. A Igreja Católica Romana está presente no país há mais de um século e as igrejas protestantes independentes chegaram mais tarde.

AS IGREJAS NO PAÍS

Três igrejas católicas romanas e duas anglicanas são oficialmente reconhecidas. Várias congregações protestantes não reconhecidas existem. O processo de registro é muito difícil e, mesmo para as igrejas existentes, é quase impossível obter permissão para a construção de extensões, quanto mais plantar novas congregações. Outras denominações são a Igreja Evangélica de Bornéu, a Igreja Metodista e a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Também é importante notar que existe uma lei em Brunei que proíbe a reunião não autorizada de mais de 5 pessoas. Por isso, se encontrar com outros irmãos é muito difícil para cristãos ex-muçulmanos. Além disso, líderes cristãos ficam sob vigilância permanente das autoridades.

As igrejas registradas também enfrentam problemas. Na capital Bandar Seri Begawan, o governo proíbe acesso a certas ruas nos domingos e todas as estradas que conduzem às igrejas registradas são fechadas para fins "recreativos" das 6h às 13h. Somente aqueles com permissões válidas podem entrar na área perto das duas principais igrejas.

O sultão governante é chefe de religião: o que ele quer, torna-se lei e se ele decide que o islamismo continuará em um caminho mais conservador, as igrejas devem aceitar isso. Os cristãos são livres para adorar, mas foram advertidos a não fazê-lo "de forma excessiva e aberta".

Não há grupos extremistas ativos no Brunei e, ao contrário dos vizinhos do Sudeste Asiático, os muçulmanos do país parecem não ter se juntado ao grupo do Estado Islâmico para lutar em países como a Síria e o Iraque. No entanto, o islamismo está se tornando cada vez mais conservador, limitando o espaço para cidadãos não muçulmanos. Portanto, a falta de grupos extremistas não significa que os cristãos não estejam sob pressão.

As políticas que favorecem muçulmanos sobre outras religiões são executadas legalmente por todos os oficiais do governo em todos os setores do país. Os líderes dos grupos muçulmanos e étnicos podem pressionar a minoria cristã exercendo sua influência significativa no sultão, que é considerado o protetor e defensor da raça malaia e do islamismo. As leis do país não permitem que muçulmanos malaios deixem o islamismo e punições severas são impostas àqueles que fazem isso. Os membros da família e vizinhos podem facilmente trazer problemas e conflitos às igrejas, apenas informando sua existência ao departamento de segurança oficial. As autoridades monitoram e colocam restrições em todas as igrejas, incluindo as registradas.

Os convertidos do islamismo enfrentam perseguição, já que a conversão é considerada ilegal e tudo será feito para trazê-los de volta à fé original. As comunidades cristãs não tradicionais não podem ser registradas como igrejas, mas devem ser registradas como empresas, sociedades ou centros familiares. Como tal, elas são tratadas como organizações seculares e são obrigadas a enviar seus relatórios financeiros e operacionais ao governo todos os anos. Toda a sociedade, inclusive os cristãos, é afetada pela introdução contínua das leis islâmicas da sharia, bem como pelo aperto da situação econômica, o que impede que as autoridades sejam tão generosas com pagamentos para atenuar a insatisfação.

Cristãos ex-muçulmanos estão sempre sob muita pressão de suas famílias, amigos e vizinhos para desistir da fé cristã. Principalmente as igrejas de fala malaia têm enfrentado muitas ameaças e são sempre monitoradas, resultando em um alto nível de medo entre os líderes da igreja. Mesmo nas igrejas há informantes, algumas vezes outros cristãos, enviados pelas autoridades. Eles extraem informações de moradores locais sobre as atividades da igreja.

Como a conversão do islamismo é ilegal, os convertidos ao cristianismo são separados de seu cônjuge e filhos e forçados a se divorciar. Se os convertidos forem identificados pelo departamento de segurança, são ameaçados a retornar à antiga fé. Pais convertidos também não ousam criar seus filhos de acordo com sua fé. Nenhuma escola, particular ou pública, tem permissão para ensinar matérias cristãs e todos os alunos nas escolas de educação infantil ou fundamental são obrigados por lei a estudar o islamismo.

Alguns cristãos e membros de outros grupos minoritários não têm permissão para serem oficialmente cidadãos do Brunei. Isso leva a um grande grupo de residentes sem nacionalidade e em desvantagem em muitos aspectos.

Especialmente os jovens estão deixando o país à medida que não têm perspectivas para o futuro. Isso também afeta as igrejas, e as potenciais lideranças da próxima geração estão se tornando escassas.

A perseguição aos cristãos em Brunei dificilmente envolve qualquer violência.

  • Diariamente nos jornais locais há relatos de convertidos ao islamismo, a quem são dados presentes e apoio financeiro. Por outro lado, os cristãos não podem evangelizar a todos. Ore para que, em tais condições, Deus garanta à sua igreja sabedoria e ousadia para compartilhar sobre Jesus.
  • Ore pelos cristãos secretos. A perseguição é sentida intensamente porque o país é tão pequeno que não há nenhum lugar para fugir se sua fé em Cristo for exposta. É por isso que eles preferem permanecer como cristãos secretos.
  • Ore pelos muçulmanos malaios que se converteram a Cristo e agora enfrentam punições severas sob a lei da sharia.

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