Reino da Arábia Saudita

Reino da Arábia Saudita

  • Fonte de Perseguição: Opressão islâmica
  • Capital: Riad
  • Região: Oriente Médio
  • Lider: Rei Salman bin Abdulaziz al-Saud
  • Governo: Monarquia islâmica (reinado)
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 79

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MILHÃO

Segundo os observadores, a presença cristã nativa na Arábia Saudita está aumentando. Os cristãos não apenas crescem em número, mas também na ousadia de compartilhar o evangelho. Como resultado, é provável que os cristãos sauditas experimentem mais perseguições no futuro.

Em apenas poucas décadas, a Arábia Saudita tornou-se um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. À medida que os preços do petróleo caíram em 2016, o país decidiu implementar medidas de austeridade e reduzir bônus e subsídios especiais para funcionários públicos e militares. Depois que os preços do petróleo aumentaram novamente, esses benefícios foram reinstalados em abril de 2017. 

O reino saudita depende muito da indústria do petróleo e está tentando diversificar sua economia e criar mais empregos para os sauditas, conforme estabelecido em seu ambicioso plano de desenvolvimento socioeconômico Visão Saudita 2030. Esse plano iniciado em 2016 se concentra não apenas na economia saudita, mas também menciona a importância de criar “uma sociedade vibrante” e de “viver pelos valores islâmicos”.

O documento de estratégia também sublinha claramente a orgulhosa identidade islâmica do país saudita e seu papel principal no mundo muçulmano. A Arábia Saudita, no momento, passa por mudanças sociais consideráveis. A Internet desempenha um papel importante nesse desenvolvimento, o que abre maiores oportunidades para o ministério cristão on-line. Por outro lado, o número de cristãos que entram no país pode cair no longo do tempo como resultado da “saudização” da força de trabalho.
 

Fundada em 1932, a Arábia Saudita foi transformada de um reino do deserto subdesenvolvido em uma das nações mais ricas da região, graças à exploração de suas extensas reservas de petróleo a partir dos anos 1950. A indústria do petróleo atraiu um grande número de trabalhadores imigrantes para o país, incluindo os cristãos. 

De 2005 a 2015, o rei Abdullah gradualmente modernizou o país. As reviravoltas da Primavera Árabe que se espalharam em 2011 tiveram pouco efeito sobre a Arábia Saudita. Houve alguns pedidos de reforma política e alguns protestos de pequena escala, especialmente pela minoria xiita na Província Oriental. 

O governo proibiu todos os protestos, aumentou os salários do setor público e proporcionou maiores benefícios para as autoridades religiosas e para os trabalhadores com baixos salários. Algumas reformas menores foram prometidas ou estabelecidas, como por exemplo, aliviar certas restrições às mulheres. 

As primeiras eleições para os conselheiros municipais do país foram realizadas em 2005 e 2011. As mulheres puderam votar e se candidatar pela primeira vez em dezembro de 2015. Após a morte do rei Abdullah, em janeiro de 2015, Salman bin Abd al-Aziz Al Saud tornou-se rei e, dois meses depois, a Arábia Saudita iniciou uma campanha militar em conjunto com dez outros países para restaurar o governo do Iêmen que havia sido expulso pelos houthis e substituído pelo ex-presidente. A guerra em curso no Iêmen resultou em um grande número de vítimas civis e uma crise humanitária, levando a críticas mundiais.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

O país é uma monarquia absoluta. A família real governante – a Casa de Saud – inclui cerca de 7 mil membros, dos quais cerca de 200 têm influência política, ocupando posições-chave por muitos anos. Os partidos políticos não são permitidos. A relação entre o estabelecimento religioso e a Casa de Saud é desconfortável e determinada por interesses conflitantes e conformes. 

No entanto, ambos os elementos de poder são importantes para unir com sucesso a sociedade saudita tradicionalmente tribal. Como a empresa de inteligência geopolítica Stratfor diz: “A relação entre a Casa de Saud e a liderança religiosa é um pilar crítico do governo saudita, porque dá legitimidade e autoridade religiosa ao governo e permite que ele equilibre uma agenda de políticas domésticas e externas muitas vezes conflitante".

Porém, as autoridades religiosas estão perdendo credibilidade entre a população. Enquanto elas anteriormente proibiram a TV via satélite, a Internet, os telefones com câmeras, além de viajar para o exterior, agora elas mesmas estão usando esses avanços tecnológicos. Por um lado, as autoridades ganharam popularidade ao usar esses meios (por exemplo, mídias sociais); por outro lado, levou-se à crítica de serem inconsistentes.

A Arábia Saudita detém cerca de 16% das reservas de petróleo conhecidas do mundo e o setor de petróleo representa a maioria dos ganhos de exportação e receitas do governo (87% e 90%, respectivamente).

Esse sucesso criou uma interdependência econômica com o Ocidente, já que é aqui que se encontra a principal demanda do consumidor. Isso levou a fortes relações políticas e militares, com uma série de bases militares dos Estados Unidos instaladas na Arábia Saudita que podem continuar operando no país, mais um grande acordo de armas sendo assinado em maio de 2017 [Fonte: CCN, 20 maio 2017]. 

Desde 2015, a Arábia Saudita lidera a intervenção militar na guerra civil do Iêmen em um esforço para estabilizar o governo iemenita e evitar qualquer possibilidade de seu vizinho do Sul se tornar controlado pelos xiitas.

A falta de diversidade econômica combinada com um grande número de imigrantes (cerca de 90%) que trabalham no setor privado levou a um crescente desemprego juvenil. Outros fatores são o mau sistema educacional e a falta de zelo no trabalho. Esses fatores levam ao descontentamento social generalizado e a um fosso crescente entre ricos e pobres que pode levar os jovens ao islamismo radical. 

Em uma reação contrária, o governo iniciou medidas para criar mais empregos para os sauditas que envolvem cotas de trabalho e elevam os salários destes. Além disso, as empresas que aderem às cotas recebem benefícios na aplicação de vistos; outras empresas ficam limitadas a esse critério, dificultando a contratação de trabalhadores estrangeiros. A longo prazo, isso poderia afetar o número de trabalhadores estrangeiros e imigrantes que entram no país – incluindo o número de cristãos.

Há séculos, a Arábia Saudita tinha um número considerável de judeus e sinagogas, cristãos (provavelmente maioria de nestorianos – o nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla, de 428 a 431) e templos de igrejas. Ainda hoje, há ruínas de uma igreja – presumivelmente nestoriana – perto de Jubail, na província oriental. Ele data do século 4 e afirma ser a igreja mais antiga do mundo. 

Há diferentes tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma tradição, um comerciante de Najran (na ponta sul da Arábia Saudita) se converteu durante uma de suas viagens ao atual Iraque e formou uma igreja doméstica no início do século 5.

Outra tradição diz respeito a um enviado do imperador romano, Constâncio, que pregou o evangelho ao rei Himyarite, do Sul da Arábia, que se converteu. Ambas as tradições indicam que as igrejas foram construídas especialmente – mas não exclusivamente – no Sul da Arábia, de onde, em última instância, a maioria dos cristãos seria. 

Após a chegada do nestorianismo, o cristianismo continuou a crescer no século 4 e até floresceu no século 5. Durante centenas de anos, comerciantes e tribos cristãos estavam vivendo e viajando pelas vastas planícies da Península Arábica. Isso tudo mudaria com a conquista do islã (séculos 7 a 10), quando judeus e cristãos se converteram ao islã, voluntariamente ou sob coação, e muitos outros foram expulsos de suas casas.

No decorrer dos séculos seguintes, a Península Arábica tornou-se esmagadoramente islâmica e o cristianismo perdeu seu significado. O papel histórico do cristianismo na região foi esquecido por quase treze séculos e tornou-se difícil imaginar que qualquer outra religião jamais pudesse coexistir com o islã em seu local de nascimento. 
Isso mudou no século 19, depois que a Grã-Bretanha concluiu os tratados de proteção na parte oriental da Península Arábica.

Trabalhadores estrangeiros cristãos começaram a entrar em Omã, no Bahrein, no Catar, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Junto com eles, vieram templos de igrejas nos Estados do Golfo – com exceção da Arábia Saudita, onde ainda não são permitidas igrejas. As igrejas também desempenharam um papel importante na prestação de cuidados médicos e nas escolas, especialmente na era pré-petróleo. 

O boom do petróleo na década de 1970 levou a uma enorme expansão no desenvolvimento local, infraestrutura e força de trabalho, com mais trabalhadores estrangeiros provenientes da Ásia, África, outras partes do Oriente Médio e do Ocidente. Estima-se que existem agora mais de 15 milhões de trabalhadores estrangeiros no Golfo.

REDE ATUAL DE IGREJAS

O culto cristão público é proibido na Arábia Saudita e seus cidadãos são oficialmente autorizados a aderir ao islã. A Portas Abertas estima que haja cerca de um milhão de cristãos na Arábia Saudita, principalmente trabalhadores estrangeiros de origem asiática, africana ou ocidental. 

De acordo com a World Christian Database (WCD), a vertente principal é, de longe, a Igreja Católica Romana, seguida de congregações independentes e ortodoxas. Protestantes tradicionais são poucos.

A maioria dos trabalhadores imigrantes cristãos são católicos das Filipinas e da Índia. Edifícios de igreja não existem na Arábia Saudita, então, todos os cristãos estrangeiros devem se encontrar secretamente em pequenos grupos, caso contrário correm alto risco de ser presos.

O reino do deserto controla as cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina (lugares de nascimento e repouso de Maomé, o profeta do islã) e é definido pelo wahhabismo, uma interpretação pura e rigorosa do islã. Meca recebe milhões de visitantes de Haje – peregrinação religiosa realizada à cidade de Meca todos os anos por muçulmanos; essa peregrinação é um dos cinco pilares do islamismo. Não-muçulmanos não podem entrar em Meca.

Outras religiões não podem ser praticadas abertamente. Existe uma minoria xiita de 8% e sofre discriminação. A Arábia Saudita financia grandes esforços missionários além de suas próprias fronteiras através da organização missionária islâmica Muslim World League, com sede em Meca. A literatura e os missionários proselitistas islâmicos estão sendo enviados para o exterior e a construção de mesquitas wahhabi está sendo financiada por meio de dólares do petróleo.

Além disso, o país patrocina instituições acadêmicas na condição de que centros de estudos islâmicos sejam construídos. Além de inúmeras cópias do Alcorão, grandes quantidades de literatura promovendo o ódio contra não-muçulmanos também são enviadas para o exterior todos os anos, por exemplo, para países da África, do Sudeste Asiático e mesmo da Europa Ocidental. Além disso, o ódio religioso contra judeus e cristãos ainda é apresentado em livros escolares sauditas, apesar das reformas prometidas.

Os muçulmanos sunitas sauditas representam de 85% a 90% da população e os xiitas são de 10% a 15%, de acordo com o CIA World Factbook. Os xiitas estão principalmente localizados na Província Oriental e sofrem preconceito e discriminação em relação a “serviços públicos e representação equitativa em oportunidades de emprego governamentais, educacionais e públicas, além de questões judiciais”.

Clérigos xiitas e ativistas que defendem a igualdade de tratamento de muçulmanos xiitas arriscam-se ser detidos e até mesmo executados por acusações de “oposição violenta ao governo”. De um modo geral, os sentimentos anti-cristãos e contra qualquer coisa percebida como não muçulmana são comuns entre os cidadãos sauditas. Os convertidos do islã para o cristianismo sofrem principalmente com a pressão da família, que pode até incluir ameaças de morte.

Os funcionários do governo criam e mantêm um sistema islâmico estrito que trata os cristãos como pessoas de segunda classe e nega lugares de culto a qualquer outra religião que não seja o islã. Os líderes islâmicos também tentam impor uma lei islâmica rigorosa em todas as pessoas que vêm para a Arábia Saudita, incluindo os cristãos. Eles são, na maioria das vezes, um problema para convertidos que ainda são considerados muçulmanos.

A maioria dos cristãos na Arábia Saudita são expatriados ou migrantes que vivem e trabalham temporariamente no país. A maioria dos cristãos expatriados vem de países de baixa e média renda, como Índia, Filipinas e países da África, mas também há alguns do Ocidente. Além de serem explorados e mal pagos, os trabalhadores migrantes asiáticos e africanos são regularmente expostos a abusos verbais e físicos por causa da etnia e baixo status, mas a fé cristã também está incluída nisso.

Os cristãos expatriados são severamente restritos ao compartilhar a fé cristã com os muçulmanos e se reunirem para o culto, o que implica o risco de detenção e deportação. Os poucos cristãos sauditas ex-muçulmanos enfrentam ainda mais pressão. No entanto, o pequeno número de cristãos sauditas tem aumentado e eles também estão se tornando mais ousados, compartilhando a fé cristã com outros pela Internet e canais de televisão cristãos por satélite. Essa partilha pública muitas vezes leva a graves repercussões da família ou autoridades. 

Três igrejas domésticas foram fechadas, algumas depois de serem atacadas pela polícia. Doze cristãos foram presos, a maioria deles enquanto estava presente em uma reunião da igreja. Muitos eram cristãos ex-muçulmanos que foram falsamente acusados de ter ligações com grupos extremistas. Todos foram liberados.

Um bom número de cristãos foi forçado a deixar o país por razões relacionadas à fé. A maioria destes eram cristãos ex-muçulmanos que receberam ameaças de morte. Alguns eram cristãos migrantes, pois suas permissões de residência não foram prorrogadas após a prisão. Como nos anos anteriores, o estupro e o assédio sexual continuam a ser um grande problema na Arábia Saudita.

Os cristãos asiáticos e africanos, principalmente empregados que trabalham em casas sauditas, são muito vulneráveis a esse respeito. Segundo os pesquisadores do país, milhares de empregadas domésticas sofrem de abuso físico e sexual. 

Muitos conversos estão sob forte pressão das famílias e outros têm medo da reação violenta se a nova fé for descoberta. Embora os convertidos corram um alto risco de serem condenados à morte por apostasia, na medida em que se sabe, não houve execuções oficiais por esse motivo nos últimos tempos. No entanto, o risco de assassinatos extrajurídicos não pode ser excluído na tentativa de salvar a honra da família.

•    Peça ao Senhor pelas autoridades governamentais para que haja mais mudanças sociais e de abertura ao evangelho.
•    Ore pela equipe que trabalha no desenvolvimento de material cristão e também de conteúdo evangelístico on-line.
•    Ore por sabedoria aos cristãos sauditas convertidos para que consigam achar outros cristãos com quem possam estudar as Escrituras. Há relatos de que muitos sauditas se convertem por meio de visões e sonhos.

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