República Popular Democrática da Coreia

República Popular Democrática da Coreia

  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão comunista e pós-comunista
  • Capital: Pyongyang
  • Região: Nordeste Asiático
  • Líder: Kim Jong-un
  • Governo: Ditadura comunista
  • Religião: Maioria ateísta ou sem religião; budismo e confucionismo
  • Idioma: Coreano
  • Pontuação: 94

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A Coreia do Norte lidera a Lista Mundial da Perseguição desde 2002. No país, direitos à liberdade de pensamento, religião, expressão e informação não são respeitados, e não há mudança para a igreja há anos: cristãos enfrentam níveis de pressão extremos em todas as áreas da vida, combinados com alto grau de violência. O repentino aumento de atividades diplomáticas, que começaram com a participação nos Jogos de Inverno na Coreia do Sul em fevereiro de 2018, não mudou nada para os cristãos. Pelo contrário, os relatos de revistas para identificar e extirpar cidadãos com pensamentos divergentes aumentaram.

Quanto à avaliação e classificação da Lista Mundial da Perseguição, o país continua com a mesma pontuação que em 2018: 94 pontos. A pressão média sobre os cristãos permanece em um nível extremo em todas as esferas da vida. Apesar de todas as atividades diplomáticas no período de apuração da Lista (1 de novembro de 2017 a 31 de outubro de 2018), cada esfera da vida obteve a mais alta pontuação de 16,7 pontos. As reuniões com líderes de Estado internacionais não trouxeram nenhum benefício aos cristãos no país.
 

“Jesus está vivo e as boas novas de sua morte, ressurreição, perdão de pecados e esperança que temos nele são passadas de um coração a outro, mesmo na Coreia do Norte.”
JOHN CHOI, CRISTÃO NORTE-COREANO REFUGIADO
 

Esse padrão de pontuação máxima em todas as esferas da vida reflete a realidade de um Estado em que a paranoia ditatorial é evidente em cada segmento da sociedade. Provavelmente, não há outro país no mundo em que o termo “paranoia” se encaixe melhor; isso afeta tudo na Coreia do Norte.

A violência teve um aumento de três pontos, permanecendo em um nível muito alto. Se alguém é descoberto como cristão, será preso, interrogado e levado a campos de trabalhos forçados. Mortes também foram relatadas.

Na nação mais fechada do mundo, o cristianismo é visto como ocidental e hostil e se espera que os cidadãos adorem somente a família Kim, que governa o país desde sua fundação, em 1948. Por esse motivo, cristãos escondem a fé até mesmo da própria família temendo ser presos e enviados para campos de trabalhos forçados. O exercício da fé cristã em comunidade também é afetado, já que igrejas não podem existir, e reunir-se com outros cristãos é uma atividade perigosa, bem como ler a Bíblia ou expressar a fé cristã de qualquer maneira.

Apesar da dificuldade em confirmar o número de cristãos em um ambiente altamente restritivo, a Portas Abertas estima haver cerca de 300 mil cristãos. Quaisquer que sejam os números, as estatísticas mostram que a igreja secreta e doméstica está crescendo de forma lenta, mas firme.

O assassinato do meio-irmão de Kim Jong-un, Kim Jong-nam, em Kuala Lumpur, em fevereiro de 2017, mostrou a truculência do regime, quando se vê ameaçado. A morte de Otto Warmbier, estudante norte-americano, após 14 meses em um campo de trabalhos forçados também destacou a terrível situação vivida no país. Há um ditado norte-coreano que ilustra bem a mentalidade da sociedade: "Onde quer que estejam duas ou três pessoas reunidas, uma é espiã".

Quando se trata de proteger sua ideologia, a Coreia do Norte não se preocupa com sua reputação internacional nem com queda diplomática ou econômica – como com a Malásia (após o assassinato do meio irmão), que era uma das poucas nações com, relativamente, boas relações com o país. O caso Warmbier também chocou o mundo ao mostrar quão terrível a situação nos campos de trabalhos forçados da Coreia do Norte pode ser – publicidade que o país tenta evitar a todo custo. No entanto, mesmo esses eventos recentes não mudaram a política interna nem a resposta da comunidade internacional. Pelo contrário, uma ousada Coreia do Norte está determinada a exigir seu lugar no mundo e continua a colocar diferentes países uns contra os outros. Os cristãos continuarão se escondendo, tentando sobreviver, assim como têm feito nas últimas décadas.
 

O FERIADO DE 9 DE SETEMBRO

Em 9 de setembro de 1948, Kim Il-sung proclamou a República Popular Democrática da Coreia e tornou-se o primeiro líder da nação, que conquistou sua independência do Japão. Em 2018, a Coreia do Norte celebrou seu 70º aniversário, que foi comemorado com a retomada dos Jogos em Massa na capital Pyongyang – evento que reúne cerca de 100 mil participantes em acrobacias sincronizadas. Os jogos utilizaram tecnologia de ponta, incluindo uma grande formação de drones que soletravam palavras no céu, bem como projetores grandes que eram usados para mostrar cenas da reunião de Kim em abril com o presidente sul-coreano Moon Jae-in.

As comemorações dos 70 anos foram cuidadosamente criadas para destacar a campanha diplomática do presidente Kim Jong-un e seus planos de desenvolvimento econômico. "Acho que nosso país deve se reunificar em breve e sair para o mundo. Acredito que nós cantamos (sobre a) esperança das pessoas, que está exercendo um forte poder na tecnologia científica e no estado nuclear mais uma vez, para que possamos ser o país mais poderoso do mundo”, disse a participante Kim Kyong Hee, falando à agência de notícias Reuters em uma conversa monitorada pelos funcionários do governo norte-coreano, que escoltam a mídia em todos os momentos.

Segundo o cristão norte-coreano refugiado, John Choi, a maioria da população não participa dessas caríssimas celebrações na capital, que são para poucos. Para a maioria, o dia é comemorado como um feriado nacional, o que é muito bem-vindo na semana de trabalho, que tem dez dias em média. Durante os chamados “períodos de mobilização”, eles trabalham sem interrupção para folga. “Eu lembro do meu tempo na Coreia do Norte que sempre no ‘Dia da Fundação da República Popular Democrática da Coreia’ eu ia com meus pais visitar a família para passar tempo juntos e comer um lanche. Esse era meu feriado de 9 de setembro”, diz John Choi.
 

70 ANOS DE RESILIÊNCIA

A pergunta que fica é: o que aconteceu antes de 9 de setembro 1948? Onde e como estava a igreja em meio a tudo isso?

O fundador do regime, Kim II-sung, falecido em 1994, foi criado por seus avós, que eram diáconos na igreja. Os pais dele também eram cristãos comprometidos. O pai, Kim Hyong-jik, não simpatizava com o comunismo porque os comunistas não aceitavam o amor e os direitos iguais do cristianismo. A igreja protestante Chilgol em Pyongyang é dedicada à sua mãe, Kang Pan-sok, cujo nome significa pedra. O nome dela vem do apóstolo Pedro, que foi nomeado Cefas (pedra) por Jesus. Hoje, essa igreja é uma das quatro igrejas que funcionam somente como uma exposição na capital, que conta ainda com outra igreja protestante, uma católica e uma ortodoxa russa.

Podemos tomar por certo que Kim Il-sung ia à igreja com sua família. Como é que tendo sido criado em um ambiente cristão, ele pôde cometer tantos atos contra os direitos humanos e até mesmo perseguir a igreja de Cristo? Um dos fatores que talvez explique isso seja o fato de que um de seus primeiros e mais fortes oponentes tenham sido os cristãos. Houve vários confrontos entre grupos prós e anticomunistas, sendo que os cristãos lideravam a maioria das atividades anticomunistas na época. No final, Kim Il-sung ganhou a batalha e muitos líderes cristãos foram presos e outros executados mesmo antes de 1948.

A partir de então, os cristãos da Coreia do Norte tinham três opções: se tornar comunista e abandonar a fé cristã, se tornar um mártir ou fugir para a Coreia do Sul. Cerca de 1,5 milhão de norte-coreanos fugiram em segurança para a Coreia do Sul entre 1946 e 1953, entre os quais havia muitos cristãos. Mesmo assim, nem Kim Il-sung nem seus sucessores obtiveram êxito na tentativa de varrer o cristianismo da Coreia do Norte. Para os cristãos, comemorar os 70 anos da Coreia do Norte é comemorar a resiliência da igreja de Deus e agradecer a ele por seus olhos estarem sempre sobre essa nação.
 

Ao fim da 2ª Guerra Mundial, forças japonesas no norte da Coreia se renderam às forças da União Soviética, e as forças do sul se renderam aos Estados Unidos. Consequentemente, em 1948, surgiram a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No norte, Kim Il-sung obteve o poder por meio do apoio soviético; no sul, Syngman Rhee foi nomeado presidente.

Em seus primeiros anos, desde sua independência em 1948, o país seguiu o percurso comunista e encarou a primeira guerra contra as tropas norte-americanas na Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953. Após invadir o país vizinho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu intervir contra a invasão com uma força liderada pelos Estados Unidos. A União Soviética e a China decidiram apoiar a Coreia do Norte.

A consequência dessa guerra foi a morte massiva de civis, tanto no Norte quanto no Sul. Tornou-se claro que a Coreia do Norte não seria um país comunista dirigido por uma liderança coletiva, ao contrário, seria por uma só pessoa, Kim Il-sung.

Após sua morte, em 1994, Kim Il-sung foi sucedido por seu filho Kim Jong-il, o qual foi sucedido em 2011 pelo filho Kim Jong-un. A fim de se destacarem internacionalmente, seus líderes lutam para promover sua tecnologia nuclear, tornando o mundo consciente de sua existência. A tentativa de ser levada a sério pela comunidade internacional tem se mostrado bem-sucedida, com o ano de 2018 sendo marcado por cúpulas históricas. Em junho, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se reuniu pela primeira vez com um presidente norte-americano e teve três encontros com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in. O último dos três encontros com Moon Jae-in ocorreu em 18 de setembro no Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte na capital, Pyongyang.

Neste país, religião significa basicamente um culto aos líderes. Todos têm de participar de reuniões semanais e sessões de autocrítica e memorizar mais de 100 páginas de material de aprendizagem ideológica, incluindo documentos, poemas e músicas, que louvam os feitos e majestade dos Kims. Até mesmo crianças na pré-escola são doutrinadas.

Ainda há seguidores do budismo e do confucionismo no país, apesar da adoração aos líderes não dividir espaço com qualquer outra religião, em teoria. No entanto, essas religiões pertencem à mentalidade cultural e podem ser vividas sem que qualquer um note. O cristianismo, ao contrário, é visto como uma religião perigosa que deve ser combatida ferozmente. Além disso, cristãos não têm lugar no país e como consequência precisam manter sigilo máximo. Reunir-se em grupos maiores é absolutamente impossível para os cristãos secretos; na verdade, é perigoso até mesmo ser reconhecido como cristão.

O país tem duas ideologias como base: a juche, que diz que o homem é autossuficiente, e o kimilsungismo, ou seja, a adoração aos líderes. O governo submete a população a um sistema de classificação social, chamado Songbun, que divide os norte-coreanos em: núcleo (28%), hesitantes (45%) e hostis (27%). Essas categorias são divididas em 51 subclasses. Cristãos e seus descendentes estão registrados na classe hostil. As classes ditam a posição social, acesso a direitos, bem como o sistema de distribuição de alimentos.
 

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

O país quer ser levado a sério e ser ouvido internacionalmente, o que é uma das razões por que seus líderes têm batalhado para avançar sua tecnologia nuclear e espacial, fazendo o mundo perceber sua existência. Essa política foi bem-sucedida e rendeu a Kim Jong-un um encontro histórico com o presidente americano, Donald Trump, em junho de 2018.

Kim Jong-un demonstrou um estilo diferente de liderança de seu pai, e busca assemelhar-se mais ao seu avô, aparecendo mais comunicativo e benevolente em público. No entanto, isso não significa nenhuma mudança na ideologia ou na liderança. Ele foi proclamado o “Grande Sucessor” e recebeu os títulos de “Líder Supremo” e "Comandante Supremo das Forças Armadas”. Mais importante ainda, ele ocupa posições centrais em todas as potências importantes: Partido, Estado e Exército ao ocupar o cargo de primeiro-secretário do Partido dos Trabalhadores da Coreia.

A esperança de que Kim Jong-un escolhesse um caminho reformista diminuiu em 2012 e 2013, quando não buscou reformas econômicas e continuou testes nucleares e de foguetes. Apesar disso, a economia privada informal está florescendo e ajudando o país e seu povo a sobreviver.

Além dos testes nucleares recentes, Kim Jong-un parece estar ansioso para isolar o país das poucas nações “amigáveis” remanescentes. Ele não mediu palavras ao criticar o desenvolvimento atual da China, ao abrir o 7º Congresso do Partido em maio de 2016, dizendo: “Apesar do imundo vento da liberdade burguesa, da reforma e da abertura em nossa região, mantemos o espírito de Songun [primeiro a força militar] em que rifles voam e avançam de acordo com o caminho do socialismo que escolhemos”. No entanto, ele voltou à realidade quando ao preparar-se para o encontro com o presidente americano, Donald Trump, se encontrou primeiro com o presidente chinês Xi Jinping, reconhecendo-o como seu provável único aliado. Nos quatro meses seguintes, ele visitou a China três vezes.

Em abril de 2018, os presidentes das duas Coreias se reuniram e lançaram a “Declaração Panmunjon”, um passo marcante após vários anos de silêncio e hostilidade. A maior realização, no entanto, foi se tornar o primeiro líder coreano a se encontrar com um presidente americano. Entretanto, mudanças tangíveis no país ainda não são visíveis. Pelo contrário, fontes do país dizem que há um aumento da repressão contra todos os “elementos antissocialistas” e que a cooperação com a China em repatriar desertores se aprofundou.  A questão de direitos humanos é vista como uma barreira ao progresso e como interferência em questões internas tanto pela China como pela Coreia do Norte, ao que parece.

Embora a maioria dos norte-coreanos não esteja passando fome como na década de 90, o suprimento de necessidades básicas continua sendo um desafio devido às condições geográficas e climáticas. Fome é um inimigo presente todos os dias. Altas porcentagens da população são subnutridas e o número de crianças raquíticas continua alto. A situação é agravada pelo fato do regime se recusar a cooperar com organizações internacionais e dar a elas acesso a áreas mais afetadas. Em julho de 2018, uma rara visita de avaliação por um alto oficial da ONU (a primeira desde 2011) mostrou as terríveis condições de vida de muitos cidadãos.

Um outro indicador disso é o soldado que cruzou a zona de desmilitarização em novembro de 2017 e foi seriamente ferido. Com um exame médico, muitos parasitas foram encontrados em seu sistema digestivo. Como ele era um soldado de elite que guardava a fronteira, deveria ter uma dieta melhor que o cidadão comum. Em outubro de 2018, o Programa Alimentar Mundial publicou um relatório sobre crianças raquíticas e adultos severamente desnutridos na Coreia do Norte. Por outro lado, a situação econômica melhorou um pouco desde que o governo concedeu um certo nível de “mercantilização”. Obviamente, isso não significa nada parecido com uma economia de mercado, mas pelo menos dá às pessoas mais espaço para tentarem algo.

O projeto de “mercantilização” trouxe resultado, apesar de limitado, e agora o regime está enfatizando o papel do exército e está focando mais em desenvolvimento econômico e melhoria na vida dos cidadãos. Isso pode ser devido ao aumento da exposição de norte-coreanos ao estilo de vida ocidental, através de DVDs de programas de TV importados ilegalmente da Coreia do Sul. Mas isso não significa que o papel dominante da ideologia, partido e líder seja diminuído. Os cristãos provavelmente se beneficiariam do desenvolvimento econômico, como os outros cidadãos. Entretanto, as dificuldades na provisão de necessidades básicas os afetam mais, pois no geral eles pertencem às classes mais pobres da sociedade. Outro desafio para os cristãos é o uso de propinas, o que é contra a fé cristã.

A Coreia do Norte enfrenta um alto potencial de desastres naturais, uma vez que as chuvas torrenciais, os tufões, as inundações e as ondas de tempestade ocorrem anualmente. A erosão e sedimentação do solo, deslizamentos de terra, secas e tempestades de poeira e areia representam sérias ameaças à vida e aos meios de subsistência no país. Os relatórios das Nações Unidas continuam a mostrar que milhões de pessoas norte-coreanas sofrem de insegurança alimentar crônica (em vários graus), altas taxas de desnutrição e problemas econômicos profundamente arraigados. As crianças pequenas, as mulheres grávidas e lactantes e os idosos são os mais vulneráveis.

Em 2018 nada mudou para melhor, como mostrado pela primeira visita de avaliação de um oficial de alto escalão da ONU desde 2011. O país precisa de ajuda internacional, o que causa novos problemas, já que o regime restringe o acesso aos cidadãos necessitados. Por outro lado, um crescente setor privado informal com mercados aparece, em geral nas cidades maiores. As pessoas cada vez mais usam esse tipo de negociação, o que, pelo menos em teoria, é contrário aos ensinamentos do país.

Outro meio importante do governo obter moeda estrangeira é com o envio de trabalhadores para outros países, como para a Europa. Mas isso tem seus desafios para o regime, por exemplo, como mostrou uma deserção em grupo de 13 garçonetes norte-coreanas que trabalhavam em restaurantes na Coreia do Sul, em abril de 2016. Sanções internacionais estão cada vez mais impedindo esse modo de ganhar dinheiro. Por outro lado, parece que a altamente vigiada fronteira com a China está se tornando mais aberta de novo; não para deserções, é claro, mas para mercadorias.

Desertar se tornou mais complexo, pelo fato da China reforçar seus trechos de cercas de fronteira. Por outro lado, de acordo com relatos, a altamente vigiada fronteira com a China se tornou mais aberta de novo em meados de 2018. A China continua a prender e repatriar refugiados norte-coreanos e essa prática põe cristãos em perigo. Os preços que os agentes intermediários cobram dos norte-coreanos que querem entrar na China ilegalmente tiveram aumento astronômico nos últimos meses. Em 2017, o preço chegava a 16 mil dólares por indivíduo. Números atualizados de 2018 não estão disponíveis, mas no primeiro semestre do ano houve uma diminuição de 17,7% no número de desertores que chegaram à Coreia do Sul.

Em 1603, um diplomata coreano voltou de Pequim carregando vários livros de teologia escritos por um missionário jesuíta na China. Ele passou, então, a divulgar as informações presentes nos livros e as primeiras sementes do cristianismo, na forma católica romana, foram semeadas. Em 1758, o rei Yeongjo de Joseon proibiu oficialmente o cristianismo alegando ser uma prática maligna, e os cristãos coreanos foram submetidos à perseguição severa, particularmente entre 1801 e 1866. Nessa última onda, aproximadamente 8 mil católicos foram mortos em toda a Coreia.

Quando os primeiros missionários protestantes se estabeleceram permanentemente no Norte da Coreia em 1886, eles encontraram ali uma pequena comunidade de cristãos e, um ano depois, a primeira Bíblia foi impressa em coreano. A anexação da Coreia do Norte pelo Japão em 1905 (oficialmente em 1910), não intencionalmente, causou um grande aumento no número de cristãos e o cristianismo se tornou associado com movimentos que apoiavam o nacionalismo coreano. O número de cristãos aumentou, e, em 1907, começou um grande avivamento que marcou a história, a ponto da capital Pyongyang ser conhecida como a “Jerusalém do Oriente”. Centenas de igrejas surgiram e houve numerosas reuniões de avivamento. Missionários também estabeleceram instituições de ensino em todo o país.

O domínio japonês sobre o país trouxe a perseguição religiosa, e cristãos e outros civis foram forçados a se curvar diante dos altares do imperador. Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, Kim Il-sung chegou ao poder e impôs um regime comunista e ateísta na Coreia do Norte. Iniciou-se uma guerra civil – a Guerra da Coreia (1950-1953), quando a Coreia se separou em dois países, Coreia do Norte e Coreia do Sul. A partir de então, muitos cristãos fugiram e, depois da guerra, dezenas de milhares de cristãos foram mortos, presos ou banidos para áreas remotas. O resto da igreja se tornou subterrânea. Se antes da guerra o país contava com 500 mil cristãos, dez anos mais tarde, não havia mais a presença visível da igreja.
 

DADOS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

As comunidades cristãs históricas originaram-se antes da Guerra da Coreia (1950-1953). Enquanto muitos cristãos morreram na guerra ou fugiram para o sul, outros ficaram e são eles e seus descendentes que formam essas igrejas históricas. Classificados na classe dos hostis, os cristãos protestantes estão na subclasse 37, enquanto os católicos ocupam a 39. Essas subclasses geralmente se aplicam àqueles cujos pais ou avós eram reconhecidamente cristãos. A maior parte deles foi banida para vilarejos isolados, como uma punição por terem o Songbun errado. Apenas uma pequena porcentagem de comunidades cristãs históricas conseguiu esconder a fé e formar a igreja secreta. Devido ao princípio de culpa por associação, os descendentes desses cristãos enfrentam obstáculos sociais enormes e são vistos com suspeitas.

As comunidades de convertidos ao cristianismo são formadas por ex-comunistas. Muitos deles vieram à fé em Cristo durante os anos 1990, na época da grande fome, quando inúmeras pessoas cruzaram a fronteira com a China e foram ajudadas por igrejas chinesas. Muitos deles também cruzaram a fronteira depois de 2000, mas em números menores. Ao retornar à Coreia do Norte, eles permaneceram fiéis à nova fé que descobriram.

O perfil da perseguição na Coreia do Norte não mostra muita variação nos últimos cinco anos. A pressão média sobre cristãos subiu ao nível máximo nos últimos dois períodos de apuração da Lista (2017 e 2018), mostrando que Kim Jong-un está se revelando um sucessor à altura de seu pai e avô no que diz respeito à perseguição. O índice de violência cresceu pelo terceiro ano consecutivo, indo de 10,6 em 2018 para 10,9 em 2019.

A maior fonte de perseguição na Coreia do Norte é o Estado. Por três gerações, tudo no país é focado em reverenciar a família Kim. A paranoia do líder tem aumentado com o crescente isolamento do país devido a recentes testes nucleares e consequentes sanções. Cristãos são vistos como elementos hostis na sociedade, que precisam ser erradicados. Devido à constante doutrinação que permeia todo o país, vizinhos e familiares são vigilantes e reportam qualquer coisa suspeita às autoridades. Principalmente as crianças podem acreditar tanto na doutrinação que entregam seus próprios pais, convencidos de que estão fazendo a coisa certa. Por isso, muitos pais preferem não contar para os filhos sobre a fé cristã.

Se cristãos são descobertos (tanto se são herdeiros de comunidades cristãs de antes da guerra ou se converteram de outras formas – como por exemplo durante a grande fome nos anos 1990, que causou a fuga de milhares de cidadãos para a China, que frequentemente encontravam ajuda em igrejas chinesas), não apenas eles são enviados a campos de trabalhos forçados como criminosos políticos ou mortos na hora, mas também sua família terá o mesmo destino. Os cristãos não têm o menor espaço na sociedade; pelo contrário, o governo adverte a sociedade contra eles. Encontrar com outros cristãos para adorar é quase impossível e se alguns ousam fazê-lo, deve ser feito no mais extremo sigilo. As igrejas que são mostradas aos visitantes em Pyongyang são meras propagandas.

Hoje, na capital, Pyongyang, há oficialmente uma igreja católica, duas igrejas protestantes e, desde 2006, uma igreja ortodoxa russa. Embora isso pareça um bom sinal, norte-coreanos afirmam que essas igrejas servem apenas como peças de um show que tenta mostrar que há liberdade no país. Por motivos de segurança, nenhuma informação de igrejas subterrâneas pode ser divulgada.

Sendo um país tão repressivo, torna-se impossível realizar qualquer tipo de atividade que mostre vida ativa da igreja, logo, reuniões entre cristãos acontecem de forma secreta, sem levantar qualquer tipo de suspeita das autoridades, já que qualquer pessoa engajada em atividades religiosas clandestinas é submetida à discriminação, prisão, detenção em campos de trabalhos forçados, desaparecimento, tortura e execução pública, juntamente com sua família.

Por isso também, livros cristãos são cuidadosamente escondidos e usados apenas quando há certeza de que as pessoas reunidas estejam de fato sozinhas; em geral, depois que as informações dos livros são repassadas e memorizadas, os materiais cristãos são destruídos.

O número de cristãos mortos e presos parece aumentar e a punição aos cristãos se torna mais severa a cada dia. Houve incursões contra cristãos e assassinatos, mas nenhum detalhe pode ser publicado por motivos de segurança. O pastor canadense-coreano, Hyeon Soo Lim, foi libertado da prisão em 9 de agosto de 2017, depois de ter confessado sua culpa. O pastor Dong-cheol Kim, no entanto, ainda está detido na Coreia do Norte.

Dois cristãos com dupla cidadania (coreana e americana) e professores convidados da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (PUST), Tony Kim e Hak-song Kim, foram presos em abril e maio de 2017, respectivamente. A Coreia do Norte acusou-os de espionagem e comportamento contra o regime. Em consequência, os Estados Unidos emitiram uma proibição de viagem à Coreia do Norte. Como resultado, a PUST mudou a política de contratação e agora busca funcionários não americanos. A boa notícia é que os dois professores e um outro cidadão americano com descendência coreana foram libertados, pouco antes da cúpula entre os líderes dos dois países.
 

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

  • Há um programa de estudos religiosos na Universidade Kim Il-sung desde 1998. Os graduados são enviados para trabalhar para federações religiosas oficialmente reconhecidas, para o setor de comércio exterior ou com guardas de fronteira para identificar atividade religiosa clandestina. Muitos são recrutados como espiões para denunciar atividades cristãs no país.
  • A fronteira com a China tornou-se mais controlada, dificultando a situação dos cristãos em ambos os lados da fronteira. É duvidoso que o relaxamento recente dos controles de fronteira mude algo para os cristãos, pois o regime é inflexível em manter o controle ideológico.
  • Pode ser perigoso para cristãos dos Estados Unidos (e países associados) viajar para a Coreia do Norte.
  • Em um ano em que a Coreia do Norte elevou seu perfil no cenário mundial, Kim Jong-un continua a consolidar seu poder. Ore por ele, para que venha a conhecer o único Deus verdadeiro. Clame por mudanças dentro do regime e que o poder do mal seja destruído.
  • A situação dos cristãos é vulnerável e precária. Ore pela proteção daqueles que enfrentam perseguição das autoridades, família, amigos e vizinhos.
  • Interceda pelos cristãos que estão nas prisões, campos de trabalhos forçados e em áreas remotas. Peça que Deus lhes dê força e resistência e que eles consigam testemunhar de Cristo, independente das circunstâncias.

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