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República Popular Democrática da Coreia

República Popular Democrática da Coreia

  • Fonte de Perseguição: Paranoia ditatorial
  • Capital: Pyongyang
  • Região: Nordeste Asiático
  • Lider: Kim Jong-un
  • Governo: Ditadura comunista
  • Religião: Maioria ateísta ou sem religião; crenças tradicionais, como budismo e confucionismo
  • Idioma: Coreano
  • Pontuação: 94

POPULAÇÃO
MILHÕES

POPULAÇÃO CRISTÃ
MIL

A Coreia do Norte lidera a Lista Mundial da Perseguição pelo 16º ano consecutivo. No país, direitos à liberdade de pensamento, religião, expressão e informação não são respeitados, e não há mudança para a igreja há anos: cristãos enfrentam níveis de pressão extremos em todas as áreas da vida, combinados com alto grau de violência. 

Em relação a 2016, quanto à avaliação e classificação da Lista Mundial da Perseguição, o país teve um aumento de 2 pontos em 2017.  A pontuação da violência aumentou, pois não apenas as casas dos cristãos foram invadidas, mas também as lojas e as empresas destes. Esse aumento deve-se, em parte, ao crescimento da paranoia do governo que impôs ao país total isolamento em relação ao mundo, inclusive do seu vizinho mais importante, a China. 

Na nação mais fechada do mundo, o cristianismo é visto como ocidental e hostil e se espera que os cidadãos adorem somente a família Kim, que governa o país desde sua fundação, em 1948. 
Por esse motivo, cristãos escondem sua fé até mesmo de sua própria família temendo ser presos e enviados para campos de trabalhos forçados. O exercício da fé cristã em comunidade também é afetado, já que igrejas não podem existir, e reunir-se com outros cristãos é uma atividade perigosa, bem como ler a Bíblia ou expressar a fé cristã de qualquer maneira. 

Apesar da dificuldade em confirmar o número de cristãos em um ambiente altamente restritivo, a Portas Abertas estima haver cerca de 300 mil cristãos. Quaisquer que sejam os números, as estatísticas mostram que a igreja secreta e doméstica está crescendo de forma lenta, mas firme.

O assassinato do meio-irmão de Kim Jong-un, Kim Jong-nam, em Kuala Lumpur, em fevereiro de 2017, mostra a truculência do regime, quando se vê ameaçado. A morte de Otto Warmbier, estudante norte-americano após 14 meses em um campo de trabalhos forçados também destacou a terrível situação vivida no país. Há um ditado norte-coreano que ilustra bem a mentalidade da sociedade: "Onde quer que estejam duas ou três pessoas reunidas, uma é espiã".

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

• Há um programa sobre estudos religiosos na Universidade Kim Il-sung desde 1998. Os graduados são enviados para trabalhar para federações religiosas oficialmente reconhecidas, para o setor de comércio exterior ou com guardas de fronteira para identificar a atividade religiosa clandestina. Muitos são recrutados como espiões para denunciar atividades cristãs no país.

• A fronteira com a China tornou-se mais controlada, dificultando a situação dos cristãos em ambos os lados da fronteira. O assassinato do coreano-chinês Christian Han-Choong Ryol por assassinos norte-coreanos na China, em abril de 2016, ilustra os riscos envolvidos.

• Como o regime na Coreia do Norte é comunista, todas as religiões são vistas como "supersticiosas" e, portanto, combatidas. No entanto, as religiões asiáticas (como o budismo) têm um pouco mais de espaço. 

• Em geral, a pressão sobre os cristãos na Coreia do Norte aumentou em quase todas as esferas da vida, fazendo-a chegar a um nível extremo. 

•  O aumento da pressão e perseguição aos cristãos reflete a realidade de um Estado onde a paranoia ditatorial é evidente em todas as partes da sociedade. Provavelmente não há outro país na Terra onde o termo paranoia se encaixe melhor.

Coreia do Norte

Ao fim da 2ª Guerra Mundial, forças japonesas no Norte da Coreia se renderam às forças da União Soviética, e as forças do Sul se renderam aos Estados Unidos. Consequentemente, em 1948, surgiram a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No Norte, Kim Il-sung obteve o poder por meio do apoio soviético; no Sul, Syngman Rhee foi nomeado presidente.

Em seus primeiros anos, desde sua independência em 1948, o país seguiu o percurso comunista e encarou a primeira guerra contra as tropas norte-americanas na Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953. Após invadir o país vizinho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu intervir contra a invasão com uma força liderada pelos Estados Unidos. Por sua parte, a União Soviética e a China decidiram apoiar a Coreia do Norte.

A consequência dessa guerra foi a morte massiva de civis tanto no Norte quanto no Sul. 
Tornou-se claro que a Coreia do Norte não seria um país comunista dirigido por uma liderança coletiva, ao contrário, seria por uma só pessoa, Kim Il-sung. 

Após sua morte, em 1994, Kim Il-sung foi sucedido por seu filho Kim Jong-il, o qual foi sucedido em 2011 por seu filho Kim Jong-un. A fim de se destacarem internacionalmente, seus líderes lutam para promover sua tecnologia nuclear, tornando o mundo consciente de sua existência.

Neste país, religião significa basicamente um culto aos líderes. Todos têm de participar de reuniões semanais e sessões de autocrítica e memorizar mais de 100 páginas de material de aprendizagem ideológica, incluindo documentos, poemas e músicas, que louvam os feitos e majestade dos Kims. Até mesmo crianças na pré-escola são doutrinadas nessa fase inicial. 

Ainda há seguidores do budismo e confucionismo no país, apesar de a adoração aos líderes não dividir espaço com qualquer outra religião, em teoria. No entanto, essas religiões pertencem à mentalidade cultural e podem ser vividas sem que qualquer um note. O cristianismo, ao contrário, é visto como uma religião perigosa que deve ser combatida ferozmente.

Além disso, cristãos não têm lugar no país e como consequência precisam manter sigilo máximo. Reunir-se em grupos maiores é absolutamente impossível para os cristãos secretos; na verdade, é perigoso até mesmo ser reconhecido como cristão.

O país tem duas ideologias como base: a Juche, que diz que o homem é autossuficiente, e a outra é a Kimilsungism, ou seja, a adoração aos líderes. O governo submete a população a um sistema de classificação social, dividindo os norte-coreanos em amigáveis, neutros e hostis. As classes ditam a posição social, acesso a direitos, bem como o sistema de distribuição de alimentos. Relatos apontam que há aproximadamente 100 mil centros de pesquisa Juche.

Influenciado pelo confucionismo – um sistema ético e filosófico chinês – a Coreia do Norte desenvolveu um sistema de classificação social que inclui todos os cidadãos e mantém registros no Arquivo de Registro de Residente. Esse sistema, chamado Songbun, divide a sociedade em três classes: o núcleo (28%), a vacilante (45%) e a classe hostil (27%). Essas categorias são ainda divididas em 51 subclasses. Os cristãos e seus descendentes são registrados na classe hostil.

SITUAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL RECENTE

Kim Jong-un demonstrou um estilo diferente de liderança de seu pai, e busca assemelhar-se mais ao seu avô, aparecendo mais comunicativo e benevolente em público. No entanto, isso não significa nenhuma mudança na ideologia ou na liderança. Kim Jong-un foi proclamado o “Grande Sucessor” e recebeu os títulos de “Líder Supremo” e ”Comandante Supremo das Forças Armadas”.

Mais importante ainda, ele ocupa posições centrais em todas as potências importantes: Partido, Estado e Exército ao ocupar o cargo de Primeiro Secretário do Partido dos Trabalhadores da Coreia.

Além dos testes nucleares recentes, Kim Jong-un parece estar ansioso para isolar o país das poucas nações “amigáveis” remanescentes. Ele não mediu palavras ao apontar o desenvolvimento atual da China, ao abrir o 7º Congresso do Partido em maio de 2016, dizendo: “Apesar do imundo vento da liberdade burguesa e da reforma e da abertura em nossa região, mantemos o espírito de Songun [primeiro a força militar] em que rifles voam e avançam de acordo com o caminho do socialismo que escolhemos”.

A corrupção do governo e a fome são outras grandes ameaças à população. Milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar crônica em diversos graus, altas taxas de desnutrição e problemas econômicos. Além disso, segundo a Transparência Internacional, a Coreia do Norte é o país mais corrupto do mundo (posição compartilhada com o Afeganistão e a Somália).

A Coreia do Norte enfrenta um alto potencial de desastres naturais, uma vez que as chuvas torrenciais, os tufões, as inundações e as ondas de tempestade ocorrem anualmente. A erosão e sedimentação do solo, deslizamentos de terra, secas e tempestades de poeira e areia representam sérias ameaças à vida e aos meios de subsistência no país. 

Os relatórios das Nações Unidas continuam a mostrar que milhões de pessoas norte-coreanas sofrem de insegurança alimentar crônica (em vários graus), altas taxas de desnutrição e problemas econômicos profundamente arraigados. As crianças pequenas, as mulheres grávidas e lactantes e os idosos são os mais vulneráveis. 

O país precisa de ajuda internacional, o que causa novos problemas, já que o regime restringe o acesso aos cidadãos necessitados. Por outro lado, um crescente setor privado informal com mercados aparece em geral nas cidades maiores. As pessoas cada vez mais usam esse tipo de negociação, o que, pelo menos em teoria, é contrário aos ensinamentos do país.

Outro meio importante de o governo obter moeda estrangeira é o envio de trabalhadores para outros países, mesmo para a Europa. Mas isso tem seus desafios para o regime, por exemplo, como mostrou uma deserção em grupo de 13 garçonetes norte-coreanas que trabalhavam em restaurantes na Coreia do Sul em abril de 2016.

Alega-se que o regime do Norte teria enviado 300 agentes com ordens de sequestrar cidadãos sul-coreanos como “retaliação”. Essa não seria a primeira vez que o regime teria feito isso. 

A deserção de alto nível tornou-se um problema crescente: um funcionário sênior da Escritório Geral de Reconhecimento fugiu no início de 2016, e um diplomata sênior alocado em Londres buscou asilo lá para si e sua família em agosto do mesmo ano.

Em 1603, um diplomata coreano voltou de Pequim carregando vários livros de teologia escritos por um missionário jesuíta na China. Ele passou, então, a divulgar as informações presentes nos livros e as primeiras sementes do cristianismo em sua forma católica romana foram semeadas.

Em 1758, o rei Yeongjo de Joseon proibiu oficialmente o cristianismo alegando ser uma prática maligna, e os cristãos coreanos foram submetidos à perseguição severa, particularmente em 1801 e 1866. Nessa última onda, aproximadamente 8 mil católicos foram mortos em toda a Coreia.

Quando os primeiros missionários protestantes se estabeleceram permanentemente no Norte da Coreia em 1886, eles encontraram ali uma pequena comunidade de cristãos e, um ano depois, a primeira Bíblia foi impressa em coreano. 

O número de cristãos aumentou, e, em 1907, começou um grande avivamento que marcou a história, a ponto de a capital Pyongyang ser conhecida como a “Jerusalém do Oriente”. Em 1910, o Japão anexa a Coreia a seu império. O domínio japonês sobre o país trouxe a perseguição religiosa, e cristãos e outros civis foram forçados a se curvar diante dos altares do imperador. 

Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, iniciou-se uma guerra civil – a Guerra da Coreia (1950-1953), quando a Coreia se separou em dois países, Coreia do Norte e Coreia do Sul –, e Kim Il-sung chegou ao poder e impôs um regime comunista na Coreia do Norte.

A partir de então, muitos cristãos tentaram fugir. Se antes da guerra o país contava com 500 mil cristãos, dez anos mais tarde, não havia mais a presença visível da igreja, já que milhares haviam sido mortos, presos ou banidos para áreas remotas, e a igreja que restou se tornou secreta.

Hoje, na capital, Pyongyang, há oficialmente uma igreja católica, duas igrejas protestantes e, desde 2006, uma igreja ortodoxa russa. Embora isso pareça um bom sinal, norte-coreanos afirmam que essas igrejas servem apenas como peças de um show que tenta mostrar que há liberdade no país. Por motivos de segurança, nenhuma informação de igrejas subterrâneas pode ser divulgada.

A Associação de Arquivos de Dados de Religião informa que tradicionalmente o budismo e o confucionismo têm mais seguidores, mas o regime tem sido bem-sucedido em suas tentativas de erradicar todas as religiões. A Portas Abertas não concorda com essa declaração da Associação.

A pressão sobre os cristãos acontece em um nível extremo e afeta todas as esferas da vida. Para os norte-coreanos, ser cristão requer manter esse segredo bem protegido, não só das autoridades, mas também de amigos, vizinhos e até mesmo de suas próprias famílias. 

Sendo um país tão repressivo, torna-se impossível realizar qualquer tipo de atividade que mostre vida ativa da igreja, logo, reuniões entre cristãos acontecem de forma secreta, sem levantar qualquer tipo de suspeita das autoridades, já que qualquer pessoa engajada em atividades religiosas clandestinas é submetida à discriminação, prisão, detenção em campos de trabalhos forçados, desaparecimento, tortura e execução pública, juntamente com suas famílias. 

Por isso também, livros cristãos são cuidadosamente escondidos e usados apenas quando há certeza de que as pessoas reunidas estejam de fato sozinhas; em geral, depois que as informações dos livros são repassadas e memorizadas, os materiais cristãos são destruídos.

O número de cristãos mortos e presos parece aumentar e a punição aos cristãos se torna mais severa a cada dia. Se os cristãos são descobertos, não só são deportados para campos de trabalhos forçados como criminosos políticos ou até mortos no local, suas famílias também compartilharão o mesmo destino. Os cristãos não têm o menor espaço na sociedade, pelo contrário, são hostilizados publicamente. Conhecer outros cristãos e reunir-se com eles para adorar é quase impossível e caso alguém se atreva, deve fazer isso em secreto.

As igrejas abertas ao público em Pyongyang são totalmente regidas pelo governo e expostas apenas com a finalidade de que o mundo acredite que tudo vai bem e não há perseguição religiosa, ou seja, uma propaganda falsa. 

Houve incursões contra cristãos e assassinatos, mas nenhum detalhe pode ser publicado por motivos de segurança. O pastor canadense e coreano, Hyeon Soo Lim, foi libertado da prisão em 9 de agosto de 2017, depois de ter confessado sua culpa. O pastor Dong-cheol Kim, no entanto, ainda está detido na Coreia do Norte.

Dois cristãos coreanos e palestrantes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (PUST), Tony Kim e Hak-song Kim, foram presos em abril e maio de 2017, respectivamente. A Coreia do Norte acusou-os de comportamento contra o regime. Em uma mudança de política de contratação, PUST agora está procurando por funcionários não-americanos.

•    Kim Jong-un continua consolidando seu poder. Nenhuma mudança ou melhorias foram observadas no último ano. Ore para que o líder conheça o único Deus verdadeiro. Ore por uma mudança dentro do regime e que o poder do mal seja quebrado.

•    A situação dos cristãos é vulnerável e precária. Eles enfrentam perseguição de autoridades do Estado e da família, amigos e vizinhos. Ore para que Deus derrame sua graça e proteção.

•    Ore por força e perseverança aos cristãos que sofrem em prisões, campos de trabalhos forçados e áreas remotas. Ore para que eles consigam testemunhar de Cristo independentemente das circunstâncias.
 

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