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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Testemunhos
 
30/4/2004 - 6h42h
De volta ao campo missionário
   

GUINÉ-BISSAU (*) - Recebemos notícias de um casal de missionários, Américo e Silvia, da missão "A fim de proclamar", do Pastor Siegfried Zilz. O casal conta como foi a viagem de volta para Guiné Bissau depois da recuperação dele de seis malárias e dela, de três.

"A paz do Senhor família amada.

Realmente foi uma viagem de vitória e milagres. Tivemos que passar seis vêzes pelo check- in, o que foi muito desgastante mas trouxe vitorias. Passamos por Curitiba, Maceió, Fortaleza, Sal (CV), Praia (CV) e Dakar (SE) , trazendo um total de 350 kg, com as malas de mão. Tivemos que pagar em Maceió (R$ 330,00) e em Dakar (U$ 150,00).

Nossa maior dificuldade foi no Senegal, pois só falavam em francês, olófe e inglês. Tivemos que posar uma noite e a preocupação foi grande, pois o meu inglês é péssimo, estávamos com pouco dinheiro e Silvia sentiu muito a viagem por causa da gravidez. Estávamos no aeroporto com dez gigantescas malas e todos nos olhavam querendo tirar proveito de alguma forma. Com muita persistência consegui pegar os carrinhos de alguns homens que cobravam propina para liberá-los. Procurei um guarda para pedir informação e ele gentilmente me guiou alguns metros até uma cabine. Quando fui agradecê-lo ele me cobrou dez euros pela informação. Para tudo queriam dinheiro.

Era 19h00 de sexta e nosso vôo para Bissau só sairia no sábado as 16h00, pensamos em posar no aeroporto para vigiar as malas as malas, mas me preocupei com Silvia que sentia um pouco de dores no abdome. Com muita dificuldade de comunicação tentava achar um "hotel econômico", ate que pelo telefone, consegui falar com uma senhora que enviou dois rapazes para me apanhar no aeroporto.

Depois de orarmos, sentimos paz em deixar as malas que não cabiam no taxi, no guarda volumes. Eles nos levaram em uma vila muito fechada e cheia de becos, até que chegamos em um prédio velho cheio de portas. Era um albergue onde agradecemos a Deus pelo quarto simples com duas camas de solteiro com espumas que nos custou R$ 60,00 aproximadamente. Durante a noite Silvia sentiu muita dor e nos preocupamos muito. Na viagem, mesmo com quatro bolsas de mão, tentava não deixá-la fazer força, mas foi impossível evitar o estres e a preocupação que a abalou muito.

No dia seguinte só pensava na forma que iria explicar no check -in sobre as malas. Oramos muito e na hora que fui procurar um gerente ou alguém responsável, estava um funcionário da empresa aérea que voltava de férias para Bissau e falava o criolo, (Glória a Deus, alguém que eu podia me comunicar bem). Ele procurou as pessoas responsáveis do setor e interviu por nós. Estava muito complicado, pois só podíamos levar 30 kg por pessoa. Ele se ofereceu para levar 30 kg, levamos 60 kg, entre eu e Silvia, e dos outros 260 kg, a empresa nos cobrou apenas 75 kg (em torno de U$ 2,00/ kg). Foi um grande milagre chegar com todas as malas inteiras e sem ser necessário abri-las no aeroporto de Bissau. Jorge e Sara nos esperaram no aeroporto e logo que fizemos algumas compras fomos para Quêbo, numa viagem de quatro horas, revimos nossos irmãos missionários e alguns discípulos. No mesmo dia, seguimos eu e Jorge para Ieberem com sua moto. Fomos bem recebidos pelo rei Sene Candê e por mais um grupo de muçulmanos que já nos aguardavam desde março. Logo nos mostraram duas casas que colocaram a disposição até construirmos as nossas. Falei novamente na presença do Jorge, sobre nosso propósito de ajudar com um pequeno posto de saúde na identificação e combate a malária, em ajudarmos com a pré escola e sobre a liberdade de expressar e divulgar nossa fé em Ieberem. Eles novamente confirmaram que estavam nos doando o terreno para construirmos a igreja, como também a escola e o posto de saúde.

Ieberem é uma pequena aldeia que se encontra em um lugar muito estratégico, pois em sua volta se localizam mais oito aldeias de aproximadamente três a cinco mil habitantes cada. O telefone mais próximo está a 20 km. Há um projeto florestal que fornece luz para uma parte da aldeia das 19h00 a 1h00 da manhã. Também há uma rádio comunitária que funciona neste horário onde eles nos colocaram a disposição para programas cristãos. Estou bem certo que é o inicio de um bom relacionamento onde Deus está nos colocando em um lugar estratégico.

No final das viagens ao Brasil, fomos devolver o carro que estávamos usando e foi grande a surpresa, quando o irmão nos autorizou a vendê-lo e usar o dinheiro para a viagem. Estávamos com U$ 300,00 guardados e mais o valor do carro (U$2.000,00) fechava o valor que precisávamos para a nossa chegada. Quando fomos vender, conhecemos um outro missionário do Paraná, que também precisava, e sentimos de abençoá-lo com o nosso Monza. Realmente não sentimos paz de vendê-lo e sentimos que era Deus colocando aquela porta para sermos abençoados. Não alcançamos todo o valor necessário para a nossa chegada, mas sabemos ter tomado a decisão certa."

Um grande abraço e nossa saudação a toda família Afim de Proclamar.

de vossos filhos e neto africano.

Américo , Silvia e Jr.

Luiz Américo e Silvia Paulino
americo@mail.gtelecom.gw




* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo.
Fonte: Missão A Fim de Proclamar
 
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