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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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26/10/2007 - 06h36
Boatos de aliciamento estimulam ataques contra cristãos
   

BANGLADESH (45º) - Na medida em que o cristianismo se espalha neste país de maioria muçulmana, ouve-se a mesma história em vários lugares: "As pessoas estão se tornando cristãs depois de receberem uma enorme quantia de dinheiro, uma espécie de recompensa por se converterem." Esse comentário é mais do que maldoso e tem servido de pretexto para a violência contra os cristãos, não só da parte dos muçulmanos, mas dos budistas, que constituem 1% da população.

Subash Mondol, um dos supervisores da equipe que transmite o filme "Jesus", do ministério Vida Cristã em Bangladesh (CLB, sigla em inglês), disse ao Compass que, no início de setembro, aldeões de uma tribo resolveram seqüestrar um funcionário da CLB depois de ouvirem um boato de que ele teria recebido dinheiro para se converter.

Como não encontraram dinheiro algum com Cinku Marma, de 23 anos, que deixou o budismo para se converter ao cristianismo há 14 meses, eles o agrediram no caminho de uma vila onde aconteceria a exibição do filme "Jesus". Isso aconteceu no dia 6 de setembro.

Cinku e o líder de equipe, Milton Boiragi, estavam carregando morro acima os equipamentos para a exibição do filme que aconteceria naquela noite quando Milton ficou para trás descansando. Enquanto Cinku continuava sozinho, dois aldeões o cercaram e o agarraram, apontando-lhe uma arma. Percebendo o perigo, Milton fugiu.

Ameaças

Os agressores ameaçaram Cinku: "Se você gritar, a gente estoura os seus miolos", disse Subash. Outras quatro pessoas se juntaram aos dois homens enquanto eles levavam Cinku para dentro da selva.

" Se nós te seqüestrarmos, devemos entrar em contato com seu chefe", disse um dos agressores a Cinku. "Você se tornou um cristão e recebeu muito dinheiro pela conversão. Onde está esse dinheiro todo?", perguntaram.

"Eu me tornei um cristão de boa vontade, não recebi dinheiro nenhum", respondeu Cinku. Então um deles disse: " Se você não nos der dinheiro, vai morrer da mesma maneira que Jesus".

Subash disse que Cinku repetiu que não havia recebido dinheiro para se tornar cristão, e que era impossível dar uma coisa que não possuía. Os budistas, então, começaram a golpeá-lo.

Segundo Subash, Cinku teve parte de um lóbulo de sua orelha cortado ao escapar de um homem que tentara cortar sua garganta com um facão usado para abrir a mata. Eles apunhalaram Cinku acima da sobrancelha, machucando sua testa. Ele tentou se defender de outro ataque e acabou com um corte muito profundo na mão.

Outro agressor bateu na cabeça de Cinku com uma tora, deixando-o inconsciente. Os agressores pensaram então que ele estava morto e jogaram-no num córrego que passa na colina. Cinku passou a noite na água, inconsciente.

Provação

Na manhã seguinte, ao recobrar os sentidos, Cinku caminhou até a casa mais próxima. Um dos moradores foi ao encontro de Milton, que levou Cinku a um hospital nas proximidades. Por causa da gravidade de seus ferimentos, o rapaz precisou ser transferido para o principal hospital do distrito.

Os pais de Cinku tinham que caminhar longas distâncias para visitar seu filho no hospital, disse Shubash, e os budistas sempre perguntavam: "Onde está o dinheiro que seu filho recebeu depois que se tornou cristão? "

Convencidos de que o rapaz recebera uma grande quantia de dinheiro dos líderes cristãos para se converter, os aldeões, que estavam com raiva por Cinku ter deixado o budismo, contrataram um criminoso não-identificado para extorqui-lo.

Ao ver que não conseguiam persuadi-lo a dar dinheiro a eles, os aldeões resolveram armar uma emboscada.

Cinku batizou 22 pessoas de tribos da área. Suas atividades evangelísticas iraram a comunidade, e a raiva sobrou para seus pais. As pessoas diziam a eles que seu filho tinha recebido dinheiro para se converter. Eles negaram as acusações, mas as pessoas não lhes davam ouvidos.

" Ele não teria sido atacado se não fosse cristão", disse Shubash. "Eles o atacaram por dinheiro, porque existe um boato de que as pessoas se tornam cristãs porque são pagas para isso."


Tradução: Priscila Figueiredo


Fonte: Compass Direct
 
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