Cazaquistão

A Igreja e a Perseguição Religiosa

A Igreja

Nos séculos VII e VIII, o nestorianismo  espalhou-se pelo sul do Cazaquistão e chegou a influenciar os líderes. Estabeleceram-se sedes episcopais na região.
Tamerlão, o último dos grandes conquistadores nômades da Ásia Central, erradicou o cristianismo no século XIV. Na sua luta para conquistar o mundo, Tamerlão matou infiéis porque não eram muçulmanos, e muçulmanos porque não eram fiéis. Durante o "Grande Expurgo" - período em que o ditador soviético Josef Stalin perseguiu seus opositores políticos - muitos cidadãos foram deportados para o Cazaquistão, entre eles cristãos ortodoxos, católicos e protestantes.

Sacerdotes também foram deportados e enviados a campos de concentração no Cazaquistão. Uma vez soltos, eles iniciaram um ministério clandestino. A Igreja cresceu principalmente entre os não-cazaques. Após a independência, luteranos russos de origem alemã saíram do Cazaquistão com destino à Alemanha, à Rússia e a outros países. A influência cristã diminuiu, mas a independência trouxe mais liberdade religiosa ao país. Missionários e evangelistas levaram milhares de cazaques a abraçar o cristianismo. Nasceu, então, uma forte Igreja no Cazaquistão.

A perseguição

A constituição prevê a liberdade de religião, mas as leis do governo sobre religião limitam a proteção legal da liberdade religiosa.

Existe também a pressão da sociedade: para os cazaques, abraçar o cristianismo significa perder a identidade nacional. Um convertido comentou: "A maioria dos meus amigos cazaques toma álcool e não pratica os rituais islâmicos. Mas eles se consideram muçulmanos. Para eles, quem se torna cristão é um traidor que rejeitou os costumes nacionais". Isso acontece porque, como em outros países da Ásia Central, o cristianismo é considerado como a religião dos russos. Especialmente no sul do país, perto da fronteira com o Uzbequistão, recém-convertidos têm problemas com seus parentes, clérigos ou patrões. Alguns perdem o emprego e são expulsos de casa.

Aproximadamente 65% da população professa a fé islâmica. Algumas etnias do país, como os uzbeques, os uigures e os tártaros, são historicamente muçulmanos sunitas. A maior concentração de muçulmanos praticantes está na região sul, que faz fronteira com o Uzbequistão. Havia 2.369 mesquitas registradas, a maioria filiada à Associação Espiritual dos Muçulmanos do Cazaquistão (SamK), uma organização nacional com laços estreitos com o governo.

Cerca de 70 mesquitas não são filiadas à SamK. Os russos, que representam aproximadamente 24% da população, e etnias menores de ucranianos e bielorrussos, são cristãos ortodoxos de tradição russa. Estima-se que 1,3% da população alemã do país seja de católicos romanos ou luteranos. O governo informou ter 83 igrejas católicas registradas e outras organizações afiliadas em todo o país.

As autoridades oprimem a Igreja de diversas formas. O registro das comunidades religiosas é compulsório, sob risco de multa. Forças de segurança interrompem cultos cristãos, filmando os participantes e recolhendo informações pessoais. Isso intimida os membros da igreja e outras pessoas que se interessem em participar dos cultos. Os cristãos protestantes sofrem mais que os outros, pois o governo desestimula a associação a grupos religiosos não-tradicionais (como a Igreja católica e a ortodoxa). Muitos consideram os cristãos protestantes como membros de grupos não-tradicionais. A Igreja Batista é considerada uma seita. Além disso, os meios de comunicação controlados pelo governo geralmente os retratam como ameaça à segurança e à sociedade.

Andrei Blok, um pastor batista da cidade de Esile, próxima à capital, foi processado por atividade religiosa não-registrada. A Igreja que pastoreia não é registrada - e nem quer o registro. Por dirigir uma congregação não-registrada, o pastor Andrei foi multado. No entanto, ele se recusou a pagar a multa.

Em outubro de 2008 teve início seu julgamento. Os membros de sua igreja temiam que ele fosse sentenciado a seis meses de prisão. O juiz que presidiu o caso puniu Andrei com 150 horas de trabalho obrigatório. Sua família comenta: "Se não fosse pelos inúmeros telefonemas internacionais que o tribunal e as autoridades receberam, Andrei teria sido sentenciado a alguns meses de prisão".

História e Política

O Cazaquistão é um enorme país, cujo território é do tamanho de toda a Europa Ocidental. Ele possui vastos recursos minerais e grande potencial econômico. A paisagem varia de regiões montanhosas e bastante povoadas do leste às planícies do oeste, pouco habitadas, mas ricas em recursos naturais. O industrializado norte é marcado por vegetação e clima siberiano; o centro tem suas estepes áridas e vazias, e o sul é fértil. O nome do país vem da palavra kazaj (casaques), que significa "aventureiros, homens livres".

A ocupação de seu território vem da Idade do Bronze (2000 a.C.), quando tribos ali desenvolveram agricultura e pastoreio, pois o clima e o território são apropriados para essas práticas. Por volta da metade do primeiro milênio antes da Era Cristã, muitas tribos ali se uniram, que inclusive conheciam a escrita. Já no século V d.C., Átila, com seus hunos, invadiu aquelas terras, anexando-as ao seu império. Posteriormente, os turcos otomanos assumiram o controle da região. Com os turcos, veio o Islã, religião dominante até hoje.

A consolidação política do território só aconteceu no século XIII, após a invasão mongol. Várias tribos bárbaras disputaram o controle daquela região, até que, no século XV, tribos cazaques se unificaram. No século seguinte, começou a se forjar a identidade étnica do Cazaquistão, embora ainda não houvesse ali um poder central, somente tribos unidas em torno dos khans – chefes que se consideravam descendentes do lendário imperador mongol Genghis Khan.

Em 1848, a Rússia anexou o território cazaque e seus cidadãos passaram a ser considerados russos. Com a Revolução Comunista de outubro de 1917, o Cazaquistão exigiu a sua independência, mas em 1936 ele se transformou em uma das repúblicas da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Para lá Stalin deportou muitos de seus críticos e adversários políticos. Em 1991, com a fragmentação da URSS, o Cazaquistão se tornou independente. Nursultan Nazarbayev está na presidência desde 1º de dezembro de 1991. Nazarbayev tomou o poder em 1989, no cargo de primeiro secretário do Partido Comunista do Cazaquistão. Ele foi eleito presidente no ano seguinte. Ele foi reeleito depois da queda da União Soviética, em 1991. Nazarbayev concentra amplos poderes e é acusado pela oposição de reprimir dissidentes. Embora diga que defende a democracia, alerta que uma mudança rápida pode colocar a estabilidade em risco.

Um referendo em 1995 estendeu seu mandato e em 1999 ele foi reeleito. Seu oponente foi proibido de participar por detalhes técnicos. O parlamento aprovou, em 2007, que Nazarbayev ficasse no poder por um número ilimitado de mandatos. Quando ele sair do poder, terá lugar permanente no conselho de defesa e o cargo de chefe da assembleia popular. As forças políticas de oposição e os meios de comunicação independentes têm suas atividades restringidas. O governo controla a imprensa, algumas estações de rádio e televisão.

População

A etnia cazaque é uma mistura de turcos e mongóis, tribos nômades que migraram para a região no século XIII.

O país é diverso etnicamente. Os cazaques, a etnia original, compõem mais de metade da população. Os russos são 28% e o restante é de outros povos do leste europeu. Esses grupos étnicos geralmente vivem em harmonia.

O Cazaquistão é um país bilíngue. A língua cazaque, falada por 64,4% da população, tem o status de "idioma estatal". O russo é declarado a "língua oficial" e é usado nos negócios. A educação é compulsória até o fim do ensino médio. A taxa de alfabetização é 99,5%. O país tem um alto índice de viciados em drogas e de infectados como o vírus HIV.

Economia

O Cazaquistão, geograficamente a maior das antigas repúblicas soviéticas, excluindo a Rússia, possui enormes reservas naturais de fósseis de combustível e suprimentos abundantes de outros minerais e metais, tais como urânio, cobre e zinco. Ele também tem um grande setor agrícola, com gado e grãos.

Em 2002 o Cazaquistão tornou-se o primeiro país da antiga União Soviética a receber uma avaliação de risco de crédito de grau de investimento; de 2000 a 2007, a economia do Cazaquistão cresceu mais de 9% ao ano. Indústrias extrativas, particularmente de hidrocarbonetos e mineração, têm sido os motores desse crescimento. No entanto, as limitações geográficas e a infraestrutura decadente apresentam sérios obstáculos. Sem litoral, com acesso restrito ao alto mar, o país depende de seus vizinhos para exportar seus produtos, especialmente petróleo e gás. Embora os portos do Mar Cáspio e as linhas ferroviárias que transportam petróleo estejam atualizados, a aviação civil tem sido negligenciada.

Apesar dos sólidos indicadores econômicos, o governo percebe que sua economia sofre de uma dependência excessiva do petróleo e das indústrias extrativas, a chamada "doença holandesa". Diante disso, o Cazaquistão tem investido em um ambicioso programa de diversificação, que visa desenvolver setores como transportes, produtos farmacêuticos, telecomunicações, petroquímica e processamento de alimentos.