Missão Portas Abertas - Servindo cristãos perseguidos
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A realidade dos cristãos na China

A Constituição chinesa permite a existência de cinco religiões oficiais - budismo, taoísmo, islamismo, catolicismo e protestantismo. Mas o governo mantém controles rigorosos sobre todas as manifestações de fé, reprimindo os grupos religiosos que não têm licença oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) para funcionar.

As autoridades controlam a Igreja Católica e Protestante oficial (as chamadas Igrejas Patrióticas), bem como uma hierarquia muçulmana própria. Bispos, pastores, padres e xeiques dessas comunidades oficiais são nomeados pelo PCC e são funcionários do Estado.

Por isso, milhões vivem a sua fé na clandestinidade, celebram cultos em casas particulares e se recusam a aceitar a interferência do Estado nos assuntos religiosos. Os católicos que reconhecem a autoridade do Papa e não do Estado são severamente perseguidos por isso.

O país mais populoso do mundo é cheio de contradições. Enquanto muitos líderes cristãos chineses padecem na cadeia, em algumas cidades as autoridades não restringem a liberdade religiosa.

Enquanto há tantos cidadãos sem aceso às Sagradas Escrituras, o país tem a maior fábrica de Bíblias do mundo (leia aqui).

Oficialmente o governo proíbe qualquer manifestação fora das três Igrejas Patrióticas (católica, protestante e ortodoxa), que são oficiais e controladas pelo Partido Comunista. Mas, há localidades em que as autoridades fazem vista grossa para as igrejas domésticas.
Ao contrário do que se pode imaginar, uma igreja doméstica na China tanto pode ter 10 membros como 4000 mil membros.

Campanha de repressão

Desde a década de 50, antes mesmo da Revolução Cultural (1966-1976), não se registra uma política tão repressiva por parte do governo à liberdade de expressão, pensamento e culto na China como nesses últimos 24 meses que antecederam a Olimpíada (leia).

Cristãos estrangeiros e missionários têm tido dificuldade para ingressar no país. Em uma operação do governo chamada ‘Typhoon Nº 5’, mais de 100 cristãos estrangeiros foram presos, interrogados e expulsos da China em 2007. Casos aconteceram ao longo das 18 províncias e em um município diretamente ligado ao governo central chinês.

Os missionários que ficaram, por trabalharem na China ou da Coréia do Sul, têm sido vigiados, interrogados e ameaçados de deportação por professarem a fé cristã e por se encontrarem para cultos ou reuniões de oração. A CAA conseguiu documentar e confirmar 84 casos, mas sabe-se que o número é muito maior.

Nem mesmo o terremoto que já fez 80 mil vítimas conteve a repressão aos cristãos (relembre). Reuniões de oração em prol das vítimas foram invadidas e as pessoas presentes presas (leia mais).

Durante a Olimpíada, cada visitante só poderá entrar no país com uma Bíblia para uso pessoal. Atletas, delegações e jornalistas poderão celebrar suas crenças religiosas apenas nos locais criados para culto.
De acordo com o jornal “China Daily”, membros da Associação Católica Patriótica Chinesa (sancionada pelo governo) vão se “oferecer” para guardar as Bíblias de estrangeiros nos hotéis durante os Jogos.

Por outro lado, o governo chinês anunciou a impressão de 10 mil Bíblias para serem dadas gratuitamente aos visitantes estrangeiros na vila olímpica, com o logotipo dos Jogos. Mas elas não estarão disponíveis à população (entenda aqui qual é a estratégia).

Tanto empenho em controlar os visitantes tem um motivo. Historicamente centenas de grupos cristãos, igrejas e organizações missionárias aproveitaram os Jogos Olímpicos para entrarem em países restritos (ou não) e promoverem ações evangelísticas. E, como as autoridades chinesas sabem disso, deram início a uma campanha maciça de perseguição a igrejas, líderes, associações e missões.

Invasões a cultos, reuniões de oração, prisões de pastores, fechamento de escolas e orfanatos mantidos por organizações religiosas, expulsão de missionários e a recusa à entrada de alguns estrangeiros têm sido freqüentes.

 

Herança marxista

O Partido Comunista Chinês (PCC) tem uma justificativa para as restrições à liberdade de crença e culto de seus cidadãos. “Em nome da paz e da estabilidade da sociedade chinesa, considera-se, da maior importância, entender adequadamente e gerir os assuntos religiosos para o processo de construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os níveis”. Essa definição foi divulgada pelo 17º Comitê Central do PCC no ano passado.

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