Missão Portas Abertas - Servindo cristãos perseguidos
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Artigo
 
3/3/2009 - 6h30h
Igreja cubana cresce em pequenos grupos
   

CUBA (38º) - Esta é a primeira parte do relato da equipe da Missão Portas Abertas que visitou a Igreja cubana. Clique aqui para ler o restante

Expectativas e Motivação 

Desde que soubemos da possibilidade de conhecer a Igreja de Cristo em Cuba, nosso coração se alegrou. Eram muitos os relatos de irmãos que estiveram nesse país e voltaram impressionados com a Igreja cristã cubana.

Assim partimos com dois sentimentos em mente: vamos receber mais do que poderemos oferecer à Igreja de Cristo em Cuba e, vamos experimentar um pouco do que é a vida cristã sobre um regime opressor.

Além de termos a oportunidade de contato com irmãos de um país onde a liberdade é bem restrita e vigiada, também levamos recursos para os pastores, em função da passagem dos furacões em Cuba.

Nossa viagem acrescentaria maior compreensão sobre a vida de milhões de cristãos que vivem sob perseguição no mundo todo, e assim foi.

As primeiras impressões

Ao chegarmos em Cuba, tudo ficou diferente. A recepção no aeroporto não foi nada hospitaleira. O ambiente já hostil pela precariedade das instalações somado à presença de muitos policiais com seus cães farejadores por todo o trajeto, desde a saída da aeronave até o ultimo portão, mostrava que estávamos em uma terra hostil.

Chegamos em Havana às 21h30 do dia 30 de dezembro. Fomos direto para o Hotel El Bosque para passarmos a noite. Na manhã seguinte, fomos para uma casa de aluguel em Vedado, um bairro que faz parte da chamada Havana Viera. 

Aproveitamos o dia 31 para explorarmos os pontos turísticos de Havana, e as primeiras impressões nos diziam que, no passado, aquele lugar havia desfrutado de grande prosperidade, pela ostentação e luxo da maior parte das construções, que agora se mostravam descuidadas e decadentes.

O ambiente antigo nos chamou a atenção: carros da década de 50 por todos os lados, meios de transportes movidos por tração animal e motocicletas adaptadas em formato de fruta. Paralelo a isso, havia veículos modernos e luxuosos transitando simultaneamente. Esses eram veículos oficiais ou de aluguel disponibilizado pelo governo a turistas.   

 Ainda nesta fase de exploração, atentamos para os estabelecimentos que fornecem alimentação aos cubanos. Todos estavam em péssimas condições de higiene e com pouquíssimas opções de escolha. O tempo todo questionamos quais seriam as razões para isto acontecer, mas aparentemente, ninguém se incomodava.

A vida é muito difícil em função do baixo poder aquisitivo, mas o que mais dificulta é a falta de liberdade e a vigilância constante do governo, pois na maioria das  vezes, as pessoas não sabem quem são os vigias, por isso vivem em estado de alerta constante.
O governo faz tudo o que pode para dificultar o crescimento físico, material e espiritual dos cristãos cubanos, impedindo que suas casas-culto tenham, por exemplo, o telhado (destruído pelo furacão) refeito. Com isso, eles tentam impedir a reunião de irmãos para o culto.

Essa restrição afeta a área psicológica, pois o fato de o povo estar em constante vigilância os deixa sempre em alerta. O governo restringe proibindo a construção de igrejas, permitindo somente casas-culto e com um numero controlado de participantes nas reuniões e quando não dá autorização para compra de material (telhados, por exemplo) de reforma ou reconstrução dessas casas. Restringe quando sem causa alguma, envia notificação para o usuário da casa-culto, dizendo que a partir do dia seguinte, não terá mais direito a casa, deixando a família e os irmãos sem igreja.

Cidades, igrejas e ministros visitados

Após a virada do ano, quando participamos da celebração de Ano Novo na Liga Evangélica Cubana (LEC), partimos para nossa primeira viagem pelo interior da ilha.

Saímos cedo em direção a cidade de Pinar Del Rio, última província ocidental da Ilha, região que fora muito afetada pela passagem do furacão Ike. Fomos recebidos pelos líderes da Assembléia de Deus local, Pr. Pedro Oscar e sua esposa, Mariglória. Nosso primeiro contato foi um tanto tímido, uma vez que já sabiam que fazíamos parte da organização mais repudiada pela política cubana (A Portas Abertas Internacional, por ter escritório americano, é considerada como se fosse uma organização da CIA, o escritório de inteligência americana).

Esclarecemos a natureza de nosso trabalho no Brasil e nossas intenções com a visita. Após algum tempo de conversa, deixamos que o Pr. Oscar sugerisse algum roteiro de visita às igrejas de sua denominação conforme lhe conviesse. Assim, no dia seguinte, saímos para visitar algumas igrejas da região. 

Logo em nossa primeira parada pudemos perceber as dificuldades que um pastor cubano enfrenta para ministrar às pessoas.

Esta foto representa bem o padrão das igrejas cubanas. Em sua maioria, o templo ocupa metade da casa e resta ao pastor e sua família dois ou três cômodos no máximo. Via de regra, as “casas-culto” como são chamadas, têm apenas um quarto para toda a família. Este casal possui dois filhos.

O pastor cercou a propriedade e construiu um poço para obter água para sua família, que até então, precisava buscá-la a uma longa distância.
  
Oramos com eles e saímos para outro vilarejo para conhecermos mais um pastor da denominação.

Chegamos à igreja de um presbítero responsável por várias outras congregações num território geográfico bem difícil. Trata-se de uma região de montanhas, onde o acesso é muito ruim dada à precariedade das estradas.

O pastor e sua esposa nos receberam com muita alegria. Eles compartilharam que já foram avisados pelo governo que, após o termino da nova construção, a antiga deverá ser demolida e pedem que nós intercedamos para que isso não ocorra.

Tivemos a oportunidade de participar do culto dos jovens no sábado à noite, com a ministração de Hanny, estudante de medicina que falou sobre a genealogia de Jesus desafiando todos a perseverar em seu relacionamento com Deus, pois não sabemos o que Ele poderá fazer através de nossa descendência.

No domingo pela manhã tivemos a oportunidade de falar à igreja na condição de darmos apenas uma saudação, ainda que na prática poderíamos ministrar a palavra de fato, isso para confundir e isentar a igreja de possíveis acusações do governo. Visitamos 6 Igrejas da Assembléia de Deus em Pinar Del Rio.

De volta a Havana na segunda feira, aguardamos o encontro agendado com o líder da LEC (Liga Evangélica Cubana), pastor Alejandro Nieto, que foi preso e torturado no auge da pós revolução. O encontro aconteceria na terça pela manhã.

Conforme combinado, chegamos para o almoço. Fomos amavelmente recebidos e discutimos as rotas que poderíamos fazer para conhecer as igrejas da Liga espalhadas por toda a ilha. Definimos, então, que nos separaríamos em duas equipes para percorrer o maior número de igrejas possível, especialmente as do oriente que se encontravam a mais de oito horas de viagem de Havana e, que foram mais afetadas pelos furacões. Na mesma noite, Elizabeth, Jonas e Jheanny embarcaram para Holguim, enquanto eu permaneci em Havana para seguir em direção às igrejas da Região de Los Palácios e Pinar Del Rio.

Começamos o dia cedo com a ajuda do presbítero Rene, Ariel (um dos filhos de Alejandro) e sua esposa. Saímos de Havana para visitar 11 igrejas durante todo o dia. Nosso roteiro foi intenso, com muitos obstáculos devido às más condições de acesso. Muitas vezes, tínhamos que parar o carro e seguir andando até a igreja. 

As visitas deixaram clara a importância da nossa presença junto aos irmãos. A alegria e empolgação são evidentes enquanto eles compartilham um pouco do que tem vivido e feito. Neste aspecto, somos recebidos como mensageiros enviados a eles para lhes entregar um sinal do amor de Deus.


Clique aqui para ler a segunda parte do relato.
Clique aqui para conhecer os projetos e pedidos de oração da Igreja cubana.





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