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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Artigo
 
27/12/2008 - 6h34h
Somália: uma crise contínua e negligenciada
   

SOMÁLIA (4º) - (Carl Moeller)

A situação na Somália é provavelmente a mais negligenciada e menos noticiada crise no mundo.

O país tem sido devastado por guerra civil, fome, seca, inundações, assassinatos e bombardeios suicidas. Há um milhão de pessoas desabrigadas e 1,7 milhão de pessoas sem alimentos. Os funcionários da ONU que trabalham na Somália afirmaram que o país possui taxas maiores de subnutrição, mais derramamento de sangue e menos cooperadores do que a região de Darfur, no Sudão.

Há quatro médicos para cada cem mil pessoas e apenas 29% da população de 8,4 milhões tem acesso à água potável.

“A situação na Somália é a pior do continente africano”, disse Ahmedou Ould-Abdallah, um alto funcionário somali das Nações Unidas, ao New York Times em 2007.

A Reuters relatou em julho de 2008 que a insegurança e os ataques no sul da Somália forçaram muitos grupos de ajuda a reduzir ou interromper as operações humanitárias “para lidar com uma das piores emergências humanitárias do mundo”.

Ataques piratas em navios desprotegidos têm sido um problema crescente na Somália. De acordo com a Agência Marítima Internacional, três cargueiros europeus foram seqüestrados na costa da península somali (Chifre da África) em junho de 2008, somando-se a outros 27 ataques relatados este ano. Alguns dos navios atacados continham ajuda humanitária para a Somália.

A Somália é o único país do mundo sem governo nos últimos 17 anos. Guerrilheiros continuam controlando partes do país. Em 2007, milhares de civis foram mortos ou feridos em Mogadíscio. O país não tem Constituição ou qualquer provisão legal de proteção à liberdade religiosa.

O cristianismo em um país assolado pela guerra

A Somália é 99,96% muçulmana, tendo apenas de quatro a cinco mil cristãos. As condições para os cristãos e outros na Somália assolada pela guerra continuam a se deteriorar.

No momento, há grupos de convertidos vivendo sob condições extremamente perigosas. Alguns convertidos do islã ao cristianismo perderam suas vidas logo após terem vindo para a nova fé.

A Somália ocupa o 12º lugar na classificação da Portas Abertas dos 50 países onde os cristãos enfrentam mais perseguição.

Em 2006, pelo menos seis cristãos foram mortos por sua fé na Somália. A maioria deles era de origem islâmica e foi morta após seu status de ex-muçulmano ter sido revelado.

Uma freira italiana foi morta em setembro de 2006, possivelmente devido às observações feitas pelo papa Bento XVI, quando citou um texto medieval sobre violência no islã. Muitos cristãos têm sido forçados a fugir para outros países.

A maior dificuldade para qualquer convertido somali é ser excluído de sua família e de sua sociedade.

Para a maioria dos somalis, a palavra “cristão” descreve um não-muçulmano que ingere bebida alcoólica e possui estilo de vida imoral. A sociedade somali não consegue imaginar o convertido com uma pessoa temente a Deus. Portanto, ter um membro da família convertido ao cristianismo traz grande vergonha para toda a família.

A perseverança de cristãos fiéis

A despeito de todas as dificuldades, os obreiros cristãos continuam a trabalhar fielmente entre as pessoas por todo o Chifre da África. O Senhor está operando sinais e maravilhas entre os somalis. Ele está tocando em seus corações e atraindo-os a si.

Os cristãos se reúnem em casas para estudar a Palavra de Deus, cultuar e orar uns pelos outros. Geralmente, os cristãos somalis gostam de cantar, são talentosos para escrever poemas e, algumas vezes, criam cânticos espontâneos, louvando em seu próprio idioma e estilo, com seus próprios cânticos espirituais.

Os somalis não estão acostumados a longas pregações. Em vez disso, gostam de discussões que podem ficar acaloradas devido ao envolvimento das emoções.

Durante o ano de 2008, pessoas ao redor do mundo oraram pela transformação da nação somali graças a uma campanha de oração lançada pela Portas Abertas.

Olhando para o país e seu povo, alguns podem achar que não há esperança para essa nação. Entretanto, o Senhor, através das orações de seu povo, pode fazer o impossível acontecer.

Nos últimos meses, vários parceiros da Portas Abertas escreveram para nos contar sobre somalis que vieram para Cristo. Outros relatos falam de somalis crescendo na fé, a despeito das circunstâncias difíceis que enfrentavam.

Ao ler esses relatos, sou comovido pelo fato de que, assim como todos os filhos de Deus, esses irmãos aprendem a caminhar com Ele enquanto sentem-se fortes, mas também quando estão atravessando a dúvida, a dor e o vale da sombra da morte.

Enquanto alguns sentem-se desanimados, outros têm esperança de que Deus restaurará sua nação e trará a estabilidade que hoje é um sonho tão distante.

Um irmão somali escreveu: “Minhas muitas dificuldades fazem-me amar a Deus que se tornou minha proteção. Quando testemunho sobre minha fé, sinto comigo um poder que me impede de cair. Sinto-me diferente e não sou a mesma pessoa de antes. Após encontrar uma Bíblia escrita em somali e outra em inglês, encontrei a cura de muitas formas. Sei que minha situação de mudança se estabilizará um dia.”

Pedidos de oração pela Somália:

  • Pelo estabelecimento de um governo estável que permita liberdade religiosa para os cristãos.
  • Que a ajuda humanitária chegue aos milhares que necessitam de alimento, água e auxílio médico.
  • Que os ex-muçulmanos permaneçam fortes em sua fé, a despeito da imensa pressão de sua família e seus amigos para retornarem ao islã.
  • Que os cristãos que se reúnem em casas estejam seguros e não sejam descobertos por extremistas.
  • Que aqueles que estão fazendo a tradução da Bíblia e de outros materiais cristãos para o af-maay tenham diligência, discernimento e sabedoria através da ajuda do Espírito Santo. Isto permitirá que a verdade de Deus seja transmitida para uma minoria significativa na Somália.

Sobre o autor

Dr. Carl Moeller é o diretor da Portas Abertas nos Estados Unidos. Carl já ministrou no Campus Crusade for Christ e na Igreja de Saddleback, em Lake Forest, Califórnia, Estados Unidos.


Tradução: Getúlio Cidade


Fonte: Lausanne World Pulse
 
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